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Com ‘voto de confiança’, May retorna a Bruxelas por acordo do Brexit

Depois de vitória entre membros do Partido Conservador, primeira-ministra britânica tenta renegociar acordo de fronteira em reunião da UE

A primeira-ministra britânica Theresa May está em Bruxelas para uma reunião da União Europeia, um dia depois de ganhar um “voto de confiança” de seu partido, o Conservador. Ela procura garantias de líderes do grupo sobre o impasse envolvendo o controle de fronteira da Irlanda do Norte, um dos maiores problemas contra o acordo que propôs para o Brexit.

Críticos alegam que o plano de uma fronteira sob as regras da União Europeia mantém o Reino Unido ligado ao bloco indefinidamente e trava sua habilidade de mudar acordos comerciais.

O grupo afirma não estar aberto a renegociar a questão, mas diz que pode concordar em oferecer certezas de que a situação será temporária, até que os países estabeleçam um acordo independente. A região entre a Irlanda e a Irlanda do Norte é marcada por tensões políticas, e a UE diz querer evitar o reestabelecimento de uma fronteira hostil.

“Está claro que o acordo de retirada não será aberto nem modificado”, afirmou o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, cujo país assumirá a presidência do bloco.

A reunião de cúpula, nesta quinta e sexta-feira, 13 e 14, encerra uma semana de drama para o Brexit. Apesar de ter afastado a possibilidade de renúncia imediata, um terço dos parlamentares do Partido Conservador votaram contra a liderança de May nas negociações do acordo, aumentando a tensão em torno de uma improvável aprovação.

Diante de uma iminente derrota, a primeira-ministra adiou a votação prevista para a última terça-feira 11, e que tem 21 de janeiro como data-limite.

Apesar de se manterem inflexíveis à mudança dos termos, negociados durante 17 meses e aprovados pelo bloco em 25 de novembro, os países-membros da União Europeia afirmaram que desejam apoiar May.

“Está claro que a UE a 27 quer ajudar. A questão é como”, questionou no Twitter o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que coordena os trabalhos dos governantes.

A solução deve ser discutida nesta quinta-feira durante um jantar de trabalho sem Theresa May, que algumas horas antes deve explicar a situação aos líderes europeus.

“Temos várias ideias, mas não uma estratégia desenvolvida. Tudo dependerá de seu discurso antes do jantar”, declarou um diplomata europeu, para quem a solução envolverá um exercício de comunicação, já que não há ânimo para o retorno aos textos.

Em coletiva depois da vitória na quarta-feira 12, May declarou que seu partido tem uma “missão renovada”, de “entregar o Brexit que as pessoas votaram para ter, unindo o país novamente e construindo um Reino Unido que realmente funcione para todos”. Ela também pediu que todos os partidos cooperem para o interesse nacional.