Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Theresa May toma a frente das negociações sobre Brexit com a UE

Acordo terá de ser concluído até outubro para entrar em vigor no final de março de 2019; Londres prepara-se para evitar desabastecimento

Por Da Redação Atualizado em 24 jul 2018, 20h49 - Publicado em 24 jul 2018, 20h02

Diante das divergências dentro de seu gabinete, a primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou nesta terça-feira (24) que conduzirá pessoalmente as negociações com Bruxelas sobre o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia. Recém nomeado, o ministro para o Brexit, Dominic Raab, se limitará a assessorá-la e a cuidar dos preparativos para o desligamento.

“É essencial que o governo se organize de maneira mais eficaz para permitir que o Reino Unido saia da União Europeia“, explicou May em uma declaração para o Parlamento. “Dirigirei as negociações com a União Europeia.”

Raab afirmou que a decisão foi mais uma mudança de cadeiras, planejado para estabelecer uma única cadeia de comando sobre a questão. O ministro aceitou suas novas funções e não sinalizou com sua demissão.

Os desentendimentos dentro do gabinete e do Parlamento estão alimentando o discurso em favor de um novo referendo sobre o Brexit. No de 2016, a opção pela saída obteve 51,9% dos votos. A esse coro favorável a uma nova consulta popular somou-se o ex-primeiro-ministro Tony Blair, que sugeriu uma votação sobre três opções: sair, ficar ou apoiar a proposta mais flexível de May. Para Blair, da oposição trabalhista, o governo está em “desordem crônica”.

Continua após a publicidade

A “desordem” mencionada por Blair diz respeito à mais recente proposta negociada por May e seus ministros na residência de campo de Chequers em 6 de julho. O plano prevê a preservação do livre comércio entre o Reino Unido e a União Europeia a partir de 29 março de 2019, quando se efetivará o Brexit. Três dias depois, dois dos ministros mais envolvidos no tema renunciaram, em repúdio ao plano.

Escanteado das negociações com Bruxelas, Raab admitiu nesta terça (23) que o Reino Unido terá de tomar iniciativas para garantir o adequado fornecimento de alimentos depois de efetivado o Brexit. Suas preocupações foram expressas em audiência no comitê sobre Brexit do Parlamento, segundo o jornal britânico The Guardian.

O ministro da Saúde, Matt Hancock, informou também sobre seu trabalho com a indústria em torno do armazenamento de remédios, material hospitalar e suprimentos médicos. Sua especial atenção está posta nos medicamentos importados com prazo curto de validade, que terão de ser liberados rapidamente desembaraçados nos portos.

May espera alcançar um acordo com a União Europeia até outubro. Na semana passada, em uma rodada de negociações em Bruxelas, os europeus consideraram a proposta da primeira-ministra insuficientes. A perspectiva de Londres chegar no final de março de 2019 sem um acordo com Bruxelas tornou-se mais factível desde então.

Segundo Raab, o governo está preparado para fazer mais concessões a Bruxelas para alcançar um acordo, mas acrescentou haver limites e avisou a União Europeia a tratar seriamente a próxima proposta de Londres.

Continua após a publicidade

Publicidade