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Com flexibilização, Covid-19 avança e Venezuela decide endurecer medidas

País sul-americano registra alta significativa do número de casos e mortes por Covid-19 nas últimas semanas e decide fechar o cerco contra novo coronavírus

Por Felipe Mendes Atualizado em 21 jun 2020, 22h22 - Publicado em 21 jun 2020, 22h03

Assim como em outros continentes, boa parte da América do Sul têm flexibilizado suas medidas restritivas nas últimas semanas. Acontece que, diferente de Ásia e Europa, onde o pior da pandemia parece já ter passado, a região sul-americana ainda não controlou a disseminação do novo coronavírus. A reabertura da economia num momento como esse pode ser, portanto, determinante para uma escalada no número de mortos e de pessoas infectadas pela enfermidade. É o caso da Venezuela, que decidiu flexibilizar sua quarentena no dia 1º de junho. Desde então, o número de notificações de venezuelanos infectados ou mortos mais que dobrou e agora o país planeja apertar o cerco contra o vírus novamente.

A despeito de ser comandada por Nicolás Maduro, um ferrenho defensor da cloroquina e minimizador dos efeitos da Covid-19, a Venezuela decidiu voltar atrás em sua flexibilização. A partir da segunda-feira 22, as medidas sanitárias serão endurecidas em resposta à forte progressão da pandemia nos últimos dias. As autoridades determinaram não só o fechamento do comércio no país, como decidiram restringir o acesso ao sistema ferroviário e às principais estradas de dez estados do país, com o que está sendo chamado de “barreiras especiais de contenção”. O metrô da capital Caracas deixará de funcionar nesta semana. Com isso, apenas os trabalhadores dos setores considerados essenciais para o país poderão circular pelas ruas da capital do país e de regiões fronteiriças.

Segundo balanço oficial do governo venezuelano, o número de pessoas infectadas por Covid-19 passou de 1.600, no início de junho, para quase 4.000. Já as vítimas fatais passaram de 17 para 33, na mesma comparação. Mas a situação pode ser pior. A organização não governamental (ONG) de defesa aos direitos humanos Human Rights Watch acusa o governo de Maduro de omitir a situação real da enfermidade no país. Em maio, a Academia Venezuelana de Ciências Físicas, Matemáticas e Naturais, disse, em relatório, que os números oficiais de casos e mortes pareciam “incoerentes” com a epidemia de Covid-19 e que o país poderia registrar até 4.000 casos diários em junho. Diante da situação, as autoridades decidiram reforçar as medidas prevenção. Antes, um sistema de rodízio, com uma semana de confinamento total, seguida de uma semana de funcionamento parcial das atividades, vinha sendo adotado. A palavra que está sendo usada por membros do governo é “radicalização” das restrições. Que não seja um presságio do que pode vir a acontecer no Brasil.

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