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Chavismo ganha com folga em eleições municipais venezuelanas

7 entre cada 10 eleitores não compareceram às urnas no domingo 09. Oposição deixou de participar por considerar o pleito "fraudulento"

O chavismo obteve uma folgada vitória nas eleições municipais da Venezuela neste domingo 9. Somente 27,4% dos eleitores participaram do pleito, e o governo atual obteve o controle de mais de 90% das Câmaras locais, segundo os primeiros dados divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

De acordo com o CNE, a coalisão governista Gran Polo Patriótico, que lidera o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), ganhou 142 das 156 votações apuradas até o momento.

Esta vitória era previsível diante da ausência das principais forças de oposição durante as eleições, que não participaram por considerá-las “uma farsa” orquestrada pelo governo do presidente Nicolás Maduro. “Ganhamos todos, em especial o povo da Venezuela, com uma democracia que se fortalece a cada dia, a cada processo eleitoral”, disse a presidente do CNE, Tibisay Lucena, ao apresentar os resultados preliminares.

Os partidos opositores Vontade Popular (VP), do líder Leopoldo López, que está em prisão domiciliar, e Primeiro Justiça (PJ), do duas vezes candidato a presidência Henrique Capriles, não fizeram comícios, apesar de terem se pronunciado sobre a baixa participação dos eleitores. O Ação Democrática (AD) e o Um Novo Tempo (UNT), do presidente do Parlamento, Omar Barboza, também deixaram de participar por considerar os processos eleitorais suspeitos.

As quatro organizações constituem a principal força de oposição na Venezuela, sendo a base da Mesa da Unidade Democrática (MUD), e haviam se ausentado nas eleições presidenciais no primeiro semestre. O CNE suspendeu os direitos desses partidos para o pleito de dezembro, exigindo que as legendas revalidassem seus registros, recolhendo assinaturas de filiados, mas eles se negaram a atender as exigências.

Vice-presidente da PSUV e chefe da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, agradeceu aos simpatizantes do chavismo por ir às urnas, e declarou que “de algum lugar” o falecido Hugo Chávez, presidente do país entre 1999 e 2013, “deve estar muito satisfeito”. Quase 21 milhões de eleitores eram esperados nas urnas no domingo 09, mas 7 entre 10 venezuelanos não compareceram, quase dobrando as estatísticas de abstenção em comparação a última eleição municipal.

Em maio deste ano, o presidente Nicolás Maduro também foi reeleito com abstenção de mais da metade do eleitorado venezuelano. O líder obteve quase 6 dos 8,6 milhões de votos. Com a vitória, seu mandato, que terminaria no fim deste ano, se estenderá até 2025. Os candidatos derrotados exigiram um novo pleito, devido às acusações de irregularidade. Os Estados Unidos também denunciaram a ausência de legitimidade e não reconheceram o resultado do processo eleitoral.