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Câmara dos EUA reconhece formalmente o genocídio armênio

Estimativas apontam que Império Otomano matou ao menos 1,2 milhões de armênios na I Guerra. Reconhecimento ocorre em meio a tensões entre EUA e Turquia

Por AFP 30 out 2019, 03h10

A Câmara de Representantes dos Estados Unidos admitiu formalmente, nesta terça-feira 29, por ampla maioria, a ocorrência do “genocídio armênio“, durante votação que provocou aplausos no plenário, em meio ao aumento das tensões entre Washington e Ancara.

A resolução, aprovada por 405 votos contra 11, convoca a “lembrar o genocídio armênio”, a “rejeitar as tentativas (…) de associar o governo americano à negação do genocídio armênio” e a educar sobre estes fatos.

Foi a primeira vez que uma resolução sobre este tema foi submetida a uma votação em plenário em uma das Casas do Congresso americano.

  • Trinta países e a maioria dos historiadores reconhecem o genocídio armênio. Segundo estimativas, entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de armênios morreram na Primeira Guerra Mundial nas mãos de tropas do Império Otomano, então aliado da Alemanha e do Império austro-húngaro.

    A Turquia, herdeira política do Império Otomano, repudia o uso da palavra “genocídio” e fala de massacres recíprocos em um contexto de guerra civil e fome, que deixou centenas de milhares de mortos entre turcos e armênios.

    Em Ancara, o governo turco rejeitou energicamente a posição dos deputados americanos, um gesto que definiu como um “passo político sem sentido” em um momento de “extrema fragilidade” no campo da segurança.

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    “Como um passo político sem sentido, orienta-se unicamente ao lobby armênio e aos grupos anti-Turquia”, destacou a chancelaria turca em nota oficial para expressar a esperança de que os responsáveis pela decisão “sejam julgados pela consciência do povo americano”.

    Já o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, elogiou a decisão, que qualificou de “passo valente em direção à verdade e à justiça histórica, que também oferece consolo aos milhões de descendentes dos sobreviventes do genocídio”.

    Em abril de 2017, pouco depois de assumir a Casa Branca, o presidente Donald Trump definiu o massacre dos armênios, em 1915, como “uma das piores atrocidades de massa do século XX”, embora tenha evitado usar a palavra “genocídio”. Ancara demonstrou sua inconformidade na ocasião e criticou a “desinformação” do presidente americano.

    Antes de ser eleito em 2008, seu antecessor, Barack Obama tinha se comprometido a reconhecer o genocídio, embora não o tenha feito em seus dois mandatos na Presidência.

    A votação da Câmara baixa chega em um momento de relações tensas entre os Estados Unidos e a Turquia, aliados na Otan, que acabam de viver novos encontrões.

    O presidente Trump deixou a via livre para uma ofensiva turca na Síria contra combatentes curdos – aliados dos Estados Unidos na luta contra o jihadismo -, ao retirar as forças americanas do norte do país no começo de outubro.

    Mas, diante das críticas suscitadas por esta decisão nos Estados Unidos, o governo Trump anunciou medidas de punição contra a Turquia, antes de anulá-las a partir de um cessar-fogo negociado com Ancara.

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