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Atirador de Estrasburgo era criminoso comum que se radicalizou na prisão

Chérif C. tem 27 passagens pela polícia por roubo e atos violentos, mas passou a ser monitorado por terrorismo após detenção entre 2013 e 2015

O autor do ataque que deixou três mortos e treze feridos nesta terça-feira, 11, em um mercado de Natal de Estrasburgo, na França, foi identificado como Chérif C., de 29 anos. Segundo os investigadores, ele tem 27 passagens pela polícia e se radicalizou na prisão.

O atirador foi baleado pela polícia depois de abrir fogo contra visitantes no centro de Estrasburgo, mas conseguiu fugir do local. Durante o ataque gritou diversas vezes “Allahu Akbar” (Alá é Grande, em árabe), segundo testemunhas.

De acordo com as autoridades francesas responsáveis pelas buscas, Chérif C. foi condenado 27 vezes por roubos e atos violentos e tinha passado duas vezes pela prisão na França, além de outras na Suíça e na Alemanha.

Ele foi fichado por radicalização pelo Serviço Antiterrorista Francês após sua passagem pela prisão entre 2013 e 2015. Nesse período, chamou a atenção do serviço de Inteligência por seu comportamento violento, por sua radicalização na prática religiosa e por seu proselitismo.

Por este motivo, foi monitorado de “forma bastante séria” depois de sair da prisão em 2015, explicou o secretário de Estado do Interior, Laurent Niñez. Ainda assim, conseguiu entrar armado no mercado de Natal e matar três pessoas.

Chérif C. foi descrito como uma pessoa discreta por seus vizinhos no bairro de Neudorf, onde são abundantes os edifícios de habitação social. Os testemunhos indicam uma mudança em sua personalidade nos últimos anos.

O atirador vivia sozinho no mesmo bairro que seus pais, mas em um edifício mais modesto. Durante as buscas em sua residência, segundo o promotor especializado em antiterrorismo Rémi Heitz, os agentes encontraram uma granada, uma arma carregada, munição e quatro facas, duas delas de caça.

Antes do ataque de terça-feira, o fugitivo já era procurado por outro caso, um roubo à mão armada supostamente cometido com outros criminosos em agosto e que terminou mal, com uma tentativa de homicídio, segundo uma fonte próxima à investigação.

Embora a motivação exata não tenha sido determinada, a Procuradoria considera que há provas suficientes para iniciar uma investigação por “assassinatos e tentativas de assassinatos relacionadas com um projeto terrorista”.

“O terrorismo causou estragos mais uma vez em nosso território, lembrando-nos de maneira dramática que a ameaça continua sendo bem real”, disse o promotor antiterrorista Rémi Heitz.

Buscas

Na busca pelo autor do ataque, foram mobilizados 350 policiais e soldados da Gendarmaria, apoiados por dois helicópteros e soldados da operação militar de vigilância antiterrorista da Força Sentinelle.

A França elevou o alerta de ameaça de segurança ao nível máximo, intensificando os controles na fronteira com a Alemanha. A polícia alemã também reforçou os controles de fronteira nos arredores do Rio Reno.

“A busca continua”, afirmou o vice-ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, à rádio France Inter. Questionado se o suspeito pode ter saído da França, ele respondeu: “Isso não pode ser descartado.”.

(Com AFP, EFE e Reuters)