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Vinho brasileiro ganha prêmio, mas deve ser chamado de ‘melhor do mundo’?

O espumante 130 Blanc de Blanc, da Casa Valduga, venceu concurso na França; especialistas elogiaram o produto, mas pedem cautela no rótulo de maioral

Por Alexandre Senechal - Atualizado em 2 jun 2020, 20h01 - Publicado em 2 jun 2020, 18h05

O espumante 130 Blanc de Blanc, produzido pela Casa Valduga de Bento Gonçalves (RS), ganhou visibilidade internacional ao vencer na última semana o concurso Vinalies Internationales, em Paris, na França. Diante da láurea, inédita para um vinho brasileiro, muitos se empolgaram (entre eles a própria vinícola) e chegaram a afirmar que o produto foi eleito o melhor do mundo. A história, porém, não é bem assim. Apesar uma honraria digna de nota, críticos da bebida ouvidos por VEJA afirmam que é necessário ter cautela ao usar o rótulo para esse vinho.

“Uma mulher eleita como a Miss Colheita é, de fato, uma miss. Mas existem vários concursos no mundo inteiro, organizado por várias associações. É um exagero falar que é o melhor do mundo. Foi o melhor entre aqueles vinhos que participaram”, afirma a especialista em vinhos italiana Anna Rita Zanier.

O Vinalies Internationales de 2020 premiou 887 vinhos. Entre eles, estão alguns mercados que não tem muita tradição, como Taiwan e Japão. O evento reuniu 130 jurados de 40 países e analisou 3 000 amostras de vinhos através de uma degustação às cegas. As críticas aparecem em relação ao nível dos participantes, já que rótulos tradicionais de lugares importantes como França – terra do Champagne –, Itália e Alemanha não foram avaliados.

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Imagine ganhar um concurso na terra onde surgiram os melhores da categoria? É assim que a Casa Valduga se sente depois que o seu Espumante 130 Brut Blanc de Blanc levou o troféu de primeiro lugar entre os melhores do mundo! Quer entender como funciona a competição e por que o campeão é tão especial? Então, veja neste post tudo o que você precisa saber sobre o concurso e o rótulo premiado. Acesse o link da bio e leia o artigo completo! #casavalduga #espumantes #vinhobrasileiro #premiação

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“Ganhou? Ganhou. Mas não significa que seja o melhor espumante do mundo. Muitas vezes alguns dos melhores produtores não se inscrevem para concursos porque não querem que seus vinhos sejam avaliados. Não estou tirando o mérito desse vinho brasileiro, que é muito bom. É produzido por uma vinícola de referência a nível mundial, inclusive. Só não teria toda essa certeza de que é o melhor do mundo”, pondera Anna Rita.

Outro especialista em vinhos, Jorge Lucki afirmou que vincular o título de melhor do mundo ao produto é um “desrespeito” ao consumidor. “Tem o mérito por ganhar, mas sair da questão do melhor pro concurso para o título de melhor do mundo é um pouco de desrespeito com o consumidor. O vinho é realmente muito bom. O que estou criticando é a utilização desse título”, disse Lucki em sua coluna Momento do Brinde, na rádio CBN.

O brasileiro 130 Blanc de Blanc é vendido na loja da Casa Valduga a 159 reais. Outros sete rótulos do Brasil também ganharam medalhas na premiação. As ressalvas, entretanto, não significam que a premiação não deva ser celebrada. Manoel Beato, chef sommelier do restaurante Fasano, de São Paulo, conta que muitos vinhos destacados pelo Vinalies Internationales são referência no mercado e que este espumante brasileiro está na mesma prateleira dos melhores do planeta.

“É um prêmio sério e avaliado por enólogos muito perfeccionistas em relação à qualidade. É a primeira vez que um vinho nacional fica em primeiro lugar na categoria de espumantes e não é por acaso. Há anos provo o 130 Blanc de Blanc em testes cegos e é incrível ver como ele está sempre na ponta”, diz Beato.

 

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