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Leandro Hassum, o galã improvável: ‘Sou um gordinho sexy’

Ator, que estrela a comédia ‘Vestido pra Casar’, brinca com a fama de galã e conta que já pensa em uma cirurgia de redução do estômago

De coadjuvante do sofrível Zorra Total a estrela do cinema nacional. Este foi o caminho trilhado pelo ator Leandro Hassum: projetado por esquetes do programa cômico da Rede Globo, em 2000, ele agora ostenta o título de “galã fofo” do cinema brasileiro. Além da fofura, o ator pode se gabar de ter um dos nomes mais rentáveis na bilheteria doméstica. A sequência Até que a Sorte nos Separe 1 e 2, estrelada por ele, atraiu mais de 7 milhões de pessoas entre 2012 e 2013, segundo a Rentrak, empresa especializada em análise do mercado de entretenimento, e faturou mais de 78 milhões de reais.

Em seu novo filme, Vestido pra Casar, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, Hassum retorna ao papel do protagonista que mete os pés pelas mãos enquanto faz par romântico com uma bela atriz. Sua missão é, claro, arrebanhar mais uma multidão e tentar derrubar o longa S.O.S. Mulheres ao Mar, estrelado por Giovanna Antonelli, do topo da lista de filmes nacionais mais vistos de 2014.

A trama se passa durante um dia e mostra os percalços de Fernando (Hassum), que emenda uma mentira na outra e acaba enrolado em uma série de acontecimentos nonsense. O filme não foge do estilo disseminado pelas comédias brasileiras atuais, com roteiro recheado de clichês. O que deixa o longa suportável é a boa atuação de Hassum e de seus colegas de elenco, especialmente de André Mattos, Marcos Veras, Tonico Pereira e Júlia Rabello.

Ainda neste ano, o ator estrela outras duas comédias: O Candidato Honesto, com lançamento próximo às eleições, e Caras de Pau, da dupla de seguranças descarados que fez sucesso na TV, primeiro no Zorra Total, depois em uma série própria também na Rede Globo. Nos filmes seguintes, Hassum pode aparecer um pouco diferente. Em entrevista ao site de VEJA, ele conta que está flertando com a ideia de realizar uma cirurgia de redução do estômago. “Eu nunca tive problemas com o meu corpo, sou feliz com meu tipo físico. Mas estou um pouco cansado. Sinto muita dor”, conta.

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Comédias são a força que impulsiona o cinema nacional

O senhor tem estrelado diversos filmes, a maioria comédia, gênero que vive um momento lucrativo no país. O que um roteiro precisa ter para chamar sua atenção? Uma boa história e um personagem em que eu me encaixe e com que eu possa contribuir. E Vestido pra Casar tem isso, é uma comédia de erro, estilo pouco aproveitado no Brasil, em que um evento altera o outro, um amante entra por uma porta e o marido sai pela outra, aquela confusão. É um estilo de comédia que tem um charme diferente. O texto é a grande estrela.

Algumas das cenas mais engraçadas acontecem quando o senhor atua com outros veteranos da comédia, como o Tonico Pereira, o André Mattos e o Marcos Veras. Quando vocês se unem o improviso supera o roteiro? Sem dúvida. Quando se está jogando com craques, é mais fácil de a bola rolar. E a maioria dos atores deste elenco veio do teatro, então eles estão acostumados com uma boa coxia, com o improviso, e isso ajuda muito na hora de criar. Eu sempre trabalho com esta visão de teatro, de que o meu primeiro público é a equipe que está assistindo, eu faço para eles, que nos filmam nos bastidores. Isto tem funcionado e eu jogo muito bem com esses atores, foi bacana bater bola e trocar experiências com eles.

Alguma cena lhe agradou em especial por ter muito improviso? Uma das cenas de que eu mais gosto é a minha com a Adriana Garambone, em que a personagem dela, Mariazinha, acha que eu sou um comediante e tenta me agarrar no quarto. É uma cena que foi gostosa de fazer, em que, bem ou mal, o meu personagem fica ali meio de passivo de uma tarada, uma louca. É uma cena divertida e o jogo com a Adriana foi muito bom..


Pouco depois dessa cena, seu personagem entra em uma festa e faz um stand-up improvisado. A plateia, que imagina que ele é um comediante, já espera as piadas com uma pré-disposição para rir. Isso acontece com você na vida real? Provoca riso sem querer? Sim, minha vida é isso, até quando estou falando sério as pessoas acham que estou fazendo piada. Às vezes, incomoda. Vou ao banco, falo que quero pagar uma conta e a pessoa que me atende dá risada. E isso é muito chato. Mas a gente se acostuma, faz parte, é o ônus e o bônus da nossa carreira. Se as pessoas me recebessem com uma cara feia ou me dessem um tapa na cara, talvez eu ficasse mais preocupado, mas, como é só uma risada, tudo bem. É difícil ser levado a sério, mas eu me viro.

Os dois filmes Até que a Sorte nos Separe faturaram juntos mais de 70 milhões de reais. Algumas outras comédias brasileiras também alcançaram bilheterias na casa dos milhões. O que acha dessa fase do cinema nacional? É muito bom fazer parte dessa geração que conseguiu levar um público novo para o cinema, como Fábio Porchat, Paulo Gustavo e Ingrid Guimarães, que começaram este movimento antes de mim. Fazer parte disto me deixa orgulhoso. Um dia, esse momento será lembrado como o de atores que conseguiram bombar o cinema, ao mesmo tempo em que alavancaram a comédia no país. Para mim, é uma alegria.

Em Vestido pra Casar, o senhor contracena com várias mulheres bonitas e é cobiçado por algumas delas. Ser um galã estava nos seus planos? Eu fico muito feliz com a comparação, mas não me sinto galã. Eu nunca tive problemas com o meu corpo, sou muito feliz com meu tipo físico, muito bem resolvido. Mas fico feliz, pois as pessoas dizem que sou o gordinho fofo, o gordinho sexy, e nos meus filmes eu tenho a oportunidade de massagear o meu ego com mulheres lindas da televisão, atrizes encantadoras e talentosas. Para mim, é natural, pois estou acostumado, tenho uma mulher linda dentro de casa, minha esposa é a mais bonita de todas.

O senhor já disse que tentou fazer dietas, mas não pensa em uma cirurgia do estômago. Na verdade, estou começando a considerar uma cirurgia de estômago. Estou “namorando” a ideia. Estou saudável, mas um pouco cansado. Já tenho 40 anos e uma filha de 15 e quero viver muito perto dela. Sinto muita dor no corpo, não tenho mais a velocidade que eu tinha, então começo a flertar com essa ideia.

Sua forma física já o atrapalhou alguma vez como ator? No início da carreira, sim. Não é uma questão de preconceito, mas você fica limitado. Tem papéis que eu não posso fazer. É difícil que eu seja escolhido para viver o Romeu ou o príncipe da Cinderela, por exemplo.

Mas neste filme seu personagem é quase um Romeu. É que, depois que a gente fica conhecido, é mais fácil vender esse peixe de que eu posso ser algo. Mas quando um cara gordinho, que ninguém conhece, chega no diretor e diz que vai ser o galã do filme dele… é complicado. Depois de um tempo, você mostra o seu trabalho e amplia as possibilidades. Graças a Deus, nossa profissão de ator é um lugar mágico, onde eu posso ser um velho, uma mulher, uma criança. Se for feito com verdade e com vontade, o público acredita.

Um dos seus próximos filmes, O Candidato Honesto, será lançado perto das eleições…

Sim, a intenção é essa mesmo, lançar perto das eleições para dar uma agulhada no processo. Queremos muito dar uma mexida nestas eleições. Este é um filme que vem com bastante controvérsia, com um humor mais ácido, com alfinetadas muito boas. Tenho certeza de que o público vai adorar, este é um filme que promete este ano.

O senhor se interessa por política? No Brasil, temos que nos interessar. Até para entender o que está acontecendo. E nós, como comediantes, devemos fazer como Molière na corte francesa: usar a nossa comédia pra criticar o que existe na política.

‘Os Homens São de Marte…E É Para Lá que eu Vou’

Dirigido por Marcus Baldini (Bruna Surfistinha) e com Paulo Gustavo (Minha Mãe É uma Peça) no elenco, Os Homens São de Marte…E é Para Lá que eu Vou narra a história de Fernanda (Mônica Martelli), uma empresária de 30 e poucos anos que passa a maior parte de seu tempo à procura de um homem ideal para se casar. O longa que chegou aos cinemas em maio atraiu um público de 1,76 milhão de pessoas e faturou até o momento 21,4 milhões de reais em bilheteria.

‘S.O.S. Mulheres ao Mar’

Em S.O.S. Mulheres ao Mar, Adriana (Giovanna Antonelli), desiludida com o fim de seu casamento, embarca em um cruzeiro com o intuito de reconquistar seu ex-marido, Eduardo (Marcello Airoldi), que está viajando com a nova namorada Beatriz (Emanuelle Araújo). Dirigido por Cris D’Amato (Confissões de Adolescente), a comédia, que estreou em março, levou 1,75 milhão de pessoas ao cinema e faturou 20,6 milhões de reais em bilheteria. 

‘Muita Calma Nessa Hora 2’

Na sequência de Muita Calma Nessa Hora (2010), as amigas Mari (Gianne Albertoni), Tita (Andréia Horta), Aninha (Fernanda Souza) e Estrella (Débora Lamm) se reencontram três anos após a viagem para Búzios, em um evento musical no Rio de Janeiro. O filme dirigido por Felipe Joffily (E Aí… Comeu?) estreou em janeiro e levou mais de 1,43 milhão de pessoas ao cinema. No total, a produção arrecadou 15,8 milhões de reais em bilheteria.

‘Alemão’

Baseado em fatos reais, o longa dirigido por José Eduardo Belmonte (Billi Pig) narra o drama de cinco policiais que se infiltram no morro do Alemão, no Rio de Janeiro, durante uma ocupação em novembro 2010. Com Caio Blat, Cauã Reymond e Antonio Fagundes no elenco, o filme rendeu 11,3 milhões de reais e atraiu 955.072 pessoas ao cinema.

‘Confissões de Adolescente – O Filme’

Baseado na série homônima exibida pela TV Cultura entre 1994 e 1996, o longa conta a história das irmãs Tina (Sophia Abrahão), Bianca (Isabella Camero), Alice (Malu Rodrigues) e Karina (Clara Tiezzi) que tentam ajudar o pai a superar dificuldades financeiras, enquanto descobrem e vivenciam momentos típicos da adolescência. Com direção de Cris D’Amato (S.O.S. Mulheres ao Mar) e Daniel Filho (Se Eu Fosse Você), o filme teve um público de 816.971 pessoas e arrecadou 8,6 milhões de reais.

‘Copa de Elite’

Com Marcos Veras, Júlia Rabello, Rafinha Bastos e Alexandre Frota no elenco, Copa de Elite faz uma paródia de grandes sucessos do cinema nacional, como Tropa de Elite (2007), Minha Mãe É uma Peça (2013), Bruna Surfistinha (2011), Chico Xavier (2010) e Se Eu Fosse Você (2006). Às vésperas da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. o personagem Capitão Capitão precisa proteger o Papa de um psicopata que pretende matá-lo durante a final do evento. Dirigido por Vítor Brandt, diretor da série de TV Vida de Estagiário, exibida pela Warner, a sátira levou 636.395 pessoas ao cinema e faturou 7,7 milhões de reais.

‘Getúlio’

Dirigido por João Jardim (Amor?), Getúlio narra os últimos dias de vida do ex-presidente do Brasil Getúlio Vargas, interpretado por Tony Ramos, até o momento de seu suicídio em agosto de 1954. O longa teve um público de 503.321 pessoas e uma bilheteria de 6,4 milhões de reais.

‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’

Aplaudido no 64º Festival de Berlim, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho conta a história de Leonardo (Ghilherme Lobo), um adolescente cego superprotegido pelos pais (Lúcia Romano e Eucir de Souza) que aos poucos descobre que tem sentimentos pelo novo aluno do colégio Gabriel (Fabio Audi). Dirigido por Daniel Ribeiro, responsável pelo curta Eu Não Quero Voltar Sozinho – que inspirou o longa –, o filme levou 195.971 pessoas ao cinema e arrecadou 2,3 milhões de reais.

‘Julio Sumiu’

Como diz o título, a trama acontece em torno do desaparecimento de Julio (Pedro Nercessian). Cabe à sua mãe Edna (Lilia Cabral) fazer de tudo para resgatar o filho, inclusive subir no morro e negociar com um traficante. Dirigido por Roberto Berliner (do documentário A Pessoa É Para o Que Nasce), Julio Sumiu teve uma bilheteria de 2,2 milhões de reais e um público de 179.469 pessoas.

‘Praia do Futuro’

Indicado ao 64º Festival de Berlim, Praia do Futuro conta a história de Donato (Wagner Moura), um salva-vidas que trabalha na Praia do Futuro, em Fortaleza. Após um resgate fracassado, ele conhece o turista alemão Konrad (Clemens Schick), amigo da vítima. Konrad, que foi soldado no Afeganistão, permanece no Brasil, na esperança de que o corpo seja encontrado. Enquanto isso, ele e Donato se aproximam e iniciam um romance. Com direção de Karim Ainouz (Madame Satã), o filme levou 128.693 pessoas ao cinema e faturou 1,67 milhão de reais.

‘Transformers: A Era da Extinção’

O quatro episódio da franquia dos carros-robôs alienígenas faturou 1,032 bilhão de dólares até 11 de agosto de 2014.