Clique e assine a partir de 9,90/mês

‘Ensaio Sobre a Cegueira’ vira best-seller durante a pandemia

Romance de José Saramago sobre doença fictícia que leva à perda da visão entra na lista de mais vendidos de VEJA no embalo da crise do coronavírus

Por Tamara Nassif - Atualizado em 27 mar 2020, 11h35 - Publicado em 27 mar 2020, 11h00

Uma cegueira branca, viral, se alastra pela cidade fictícia de José Saramago e instaura o caos. É instituída uma quarentena com poucos recursos governamentais para cuidar dos infectados, mas a força da epidemia implode as medidas de contenção. O mundo se torna cego, à exceção de uma mulher inominada que testemunha os horrores de uma humanidade posta à prova: egoísmo, ganância, autoritarismo e violência sexual campeiam em meio ao caos.

Não é difícil adivinhar as razões da súbita ressurreição de Ensaio Sobre A Cegueira na lista dos Livros Mais Vendidos de VEJA. Publicado em 1995 e transformado num filme de sucesso de 2008 dirigido por Fernando Meirelles, o romance aparece na nona posição da categoria ficção desta semana. A disparada nas vendas não se deve, obviamente, só à qualidade literária que consagrou o escritor português com o Nobel de Literatura. Em tempos de coronavírus, quarentenas e isolamento social, a obra de Saramago ganhou uma curiosa ressonância na vida real.

ASSINE VEJA

Coronavírus: a salvação pela ciência
Coronavírus: a salvação pela ciência Enquanto os melhores laboratórios do mundo entram em uma luta bilionária contra a doença, países trazem experiências bem-sucedidas para que a vida e a economia voltem à normalidade
Clique e Assine

A explosão repentina é indício de uma busca por respostas diante das incertezas e ansiedades dos últimos dias. No livro, como no mundo e no Brasil de hoje, egoísmo, negacionismo (inclusive de autoridades), recursos governamentais limitados e estocagem de alimentos e remédios dão o tom. A pandemia de cá aos poucos vai ganhando dramáticas semelhanças com o cenário apocalíptico de lá.

Em tempos de crise, não é incomum a explosão de vendas de clássicos literários capazes de trazer alguma luz aos leitores. Desde o ano passado, distopias como O Conto de Aia, de Margaret Atwood, 1984 e Revolução dos Bichos, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, estabeleceram um duradouro reinado na lista de mais vendidos. A popularidade desses títulos é uma forma de buscar, na sabedoria dos grandes autores, lições para resistir ao avanço da extrema-direita na política mundial. Não à toa, os quatro títulos estão constantemente  entre os dez livros de Ficção mais vendidos do Brasil – inclusive esta semana.

Continua após a publicidade

Agora, é bem provável que se esteja diante de uma nova onda. O sucesso de livros que espelham as angústias com o coronavírus pode estar só começando – e, pelo jeito, eles vão ficar em alta por um bom tempo. Confira a lista aqui.

Publicidade