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Berlim: ‘Dovlatov’ alterna sonho e pesadelo na Rússia comunista

Filme de Alexei German Jr. fala da geração perdida da literatura do país, encabeçada por Sergei Dovlatov

Por Mariane Morisawa, de Berlim - Atualizado em 19 fev 2018, 13h01 - Publicado em 17 fev 2018, 22h45

Depois do levemente futurista Sob Nuvens Elétricas, vencedor do Urso de Prata de contribuição artística por seu trabalho de câmera, o russo Alexei German Jr. se volta ao passado de seu país em Dovlatov, sobre o escritor Sergei Dovlatov e uma geração de artistas sufocada pelo regime comunista totalitário na União Soviética dos anos 1970. Dovlatov só conseguiu ser publicado no exílio, em Nova York, e hoje é considerado um dos maiores escritores da língua russa.

Em Dovlatov, que foi exibido hoje na competição do 68º Festival de Berlim, o personagem do título, vivido por Milan Maric, encontra no humor a maneira de lidar com a opressão do sistema. Mas seu deboche lhe causa problemas. Dovlatov, assim como seu amigo, o poeta Joseph Brodsky (Artur Beschastny), não conseguem ser publicados por não se encaixarem nas normas do partido. Eles precisariam ceder a pedidos como fazer um poema sobre o petróleo para conseguir ver editados alguns de seus textos ou livros – seria o equivalente aos que se vendem por um carro ou uma lava-roupas. Mas eles decidem manter sua integridade.

German Jr. mostra a vida boêmia dos artistas daquela geração perdida como se fosse um sonho, intercalado com a atmosfera de pesadelo em que os personagens se veem presos em uma estrutura de que parece impossível de escapar. Nada faz sentido, e para Dovlatov é duro ter plena consciência disso. É impossível não pensar que a estrutura fechada, com censura e corrupção, acabam se refletindo na Rússia de hoje, que nada tem de comunista.

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