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Berlim: ‘Dovlatov’ alterna sonho e pesadelo na Rússia comunista

Filme de Alexei German Jr. fala da geração perdida da literatura do país, encabeçada por Sergei Dovlatov

Depois do levemente futurista Sob Nuvens Elétricas, vencedor do Urso de Prata de contribuição artística por seu trabalho de câmera, o russo Alexei German Jr. se volta ao passado de seu país em Dovlatov, sobre o escritor Sergei Dovlatov e uma geração de artistas sufocada pelo regime comunista totalitário na União Soviética dos anos 1970. Dovlatov só conseguiu ser publicado no exílio, em Nova York, e hoje é considerado um dos maiores escritores da língua russa.

Em Dovlatov, que foi exibido hoje na competição do 68º Festival de Berlim, o personagem do título, vivido por Milan Maric, encontra no humor a maneira de lidar com a opressão do sistema. Mas seu deboche lhe causa problemas. Dovlatov, assim como seu amigo, o poeta Joseph Brodsky (Artur Beschastny), não conseguem ser publicados por não se encaixarem nas normas do partido. Eles precisariam ceder a pedidos como fazer um poema sobre o petróleo para conseguir ver editados alguns de seus textos ou livros – seria o equivalente aos que se vendem por um carro ou uma lava-roupas. Mas eles decidem manter sua integridade.

German Jr. mostra a vida boêmia dos artistas daquela geração perdida como se fosse um sonho, intercalado com a atmosfera de pesadelo em que os personagens se veem presos em uma estrutura de que parece impossível de escapar. Nada faz sentido, e para Dovlatov é duro ter plena consciência disso. É impossível não pensar que a estrutura fechada, com censura e corrupção, acabam se refletindo na Rússia de hoje, que nada tem de comunista.