Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Aerosmith e Alice Cooper bancam o rock na 2ª parte do festival

Roqueiros dominaram a abertura do segundo fim de semana do festival

Quem foi ao Rock in Rio na quinta-feira, 21, se deparou com um público completamente diferente do da semana passada na Cidade do Rock. Os looks mais justos e coloridos deram lugar às camisetas pretas e com estampas clássicas de bandas como Def Leppard e Fall Out Boy.

O pop dançante de Justin Timberlake e Maroon 5, que ditou as regras do jogo na primeira parte do festival, foi substituído por vocais de agudos estridentes e riffs pesadíssimos. O rock, portanto, voltou a ganhar força e foi muito bem representado por Alice Cooper, The Kills e a banda brasileira Scalene.

Como era esperado, o Aerosmith fez uma grande apresentação. Na primeira parte do show, o grupo de Steven Tyler enfileirou um hit atrás do outro, estabelecendo uma conexão por meio da memória afetiva. Let The Music Do The Talking abriu os trabalhos, com destaque para a performance do guitarrista Joe Perry. Na sequência ainda vieram Love In An Elevator e Cryin.

O dia, entretanto, não começou muito bem para os jornalistas que foram até a Cidade do Rock. A sala de imprensa ficou fechada das 13h às 16h30 para a realização de uma manutenção. Segundo informações da organização, o local passou por uma vistoria.

Esse não foi o único problema registrado. A montanha-russa, uma das atrações mais procuradas pelo público, apresentou problemas no início da noite. Quatro pessoas foram retiradas do brinquedo por meio de um guindaste. Não houve feridos. Segundo a assessoria, uma falha em um dos carrinhos gerou toda a confusão. Até o final da noite de quinta, a montanha-russa passava por testes de manutenção para voltar a funcionar na Cidade do Rock.

Problemas à parte, é raro um show do segundo palco, o Sunset, destinado a encontros musicais, ser mais esperado pelo público do que os do Palco Mundo. Nesta quinta-feira, todavia, foi assim com Alice Cooper, que, na edição de 2015, estava no palco principal com o Hollywood Vampires. Essa foi a maior concentração diante do Sunset em quatro dias de Rock in Rio.

Tendo Arthur Brown como convidado, o rei do shock rock, aos 69 anos, desbancou as bandas mais jovens Scalene e Fall Out Boy, que antecederam o Def Leppard e o Aerosmith no Mundo, e incendiou o Sunset misturando em seu caldeirão performático ingredientes que divertiram iniciados e perturbaram os desavisados: som (baixo) e maquiagem (caprichada) pesados, encenações macabras e clima de pesadelo e horror no ar. O público, formado por cinquentões que acompanham as apresentações teatrais de Cooper há décadas e jovens curiosos, vibrou com os clássicos No More Mr Nice Guy, Under My Wheels, Only Women Bleed e Poison.

Um pouco mais tarde, já no Palco Mundo, o público viu o Fall Out Boy fazer um show morno. Com 16 anos de existência, o grupo, liderado por Patrick Stump (voz e guitarra) e Pete Wentz (baixo), acertou em cheio na nostalgia. Canções como Dance, Dance, This Ain’t a Scene e It’s a Arms Race, por exemplo, provocaram uma catarse naqueles que estão lidando com a dura chegada dos 30 anos. Eles revisitaram momentos de tristeza e euforia na adolescência de muitos que assistiam ao show.

O Def Leppard, que se apresentou às 22h30 no Palco Mundo, tinha uma difícil missão: tentar quebrar o encanto de Alice Cooper e preparar o terreno para a principal atração da noite, o Aerosmith. Muita gente circulava pela Cidade do Rock quando eles subiram ao palco, e isso não era um bom sinal para a banda inglesa.

Conhecida por uma sensibilidade nem sempre pertinente ao heavy metal, a banda voltou ao Rock in Rio depois de cancelar sua participação em 1985. Olhando do fundo, o público agia com alguma indiferença, mas a banda fez um som de heavy metal temperado de anos 1980. Já o Scalene, que abriu o Palco Mundo, se complicou quando tentou executar ao vivo as músicas do novo disco, Magnetite.

(Com Estadão Conteúdo)