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Falta de energia elétrica provoca cancelamento do Enem em dois locais

No interior de São Paulo, estudantes foram obrigados a interromper prova após cerca de cinco horas; outra prova ocorrerá em 11 e 12 de dezembro

A aplicação da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi cancelada em pelo menos dois locais neste domingo 4 por conta da falta de energia elétrica por um período prolongado de tempo: em uma universidade de Franca, no interior de São Paulo; e em uma escola de Porto Nacional, em Tocantins. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame, os alunos afetados pela decisão poderão refazer a prova nos dias 11 e 12 de dezembro. O órgão não soube informar quantos alunos foram afetados com a decisão.

Segundo a assessoria de imprensa do Inep, a decisão de cancelar a prova por falta de luz partiu do consórcio aplicador do exame, que ainda não apresentou as razões. Estudantes que faziam a prova na cidade de Franca ficaram revoltados, pois o cancelamento da prova ocorreu no fim do dia, quase cinco horas após o início da falta de luz. A maioria dos estudantes ainda estava em sala, tinha resolvido as questões e não queria ter de refazer o exame, pois a nova data pode coincidir com outros vestibulares.

A estudante Gabriela Miloch Dietrich, de 21 anos, que tenta uma vaga no curso de Medicina por meio do Enem ficou revoltada com a decisão pelo fato de os alunos não terem tido a opção de continuar a prova mesmo sem luz. De acordo com ela, a falta de energia ocorreu cerca de uma hora após o início da prova, depois de uma forte chuva que atingiu a cidade.

Gabriela estava fazendo a prova na Uni-Facef (Centro Universitário Municipal de Franca). “Acabou a luz, mas abrimos as cortinas e continuamos fazendo a prova normalmente, pois ainda estava claro. Quando deu cinco horas de prova, faltando uns 40 minutos apenas para terminar o exame, um fiscal entrou na sala e avisou que a prova estava cancelada e que uma nova data seria marcada”, conta.

Segundo a estudante, ainda havia muitos alunos na sala e todos ficaram descontentes, perguntando se poderiam continuar a prova hoje ainda, mas o fiscal não deixou. “Ele disse que não sabia de nada, que a informação que ele tinha era essa e começou a recolher as provas. Foi muito frustrante, pois fui bem na prova e tenho certeza de que tinha feito uma boa redação”, conta Gabriela. “Eu estava passando o último parágrafo a limpo”, diz.

Gabriela diz que saiu da prova e ligou para a mãe. “Não sabia se chorava ou se xingava. Uma coisa é cancelarem no começo. Outra é com cinco horas de prova, depois que o aluno já resolveu todo o exame”, desabafa.

Gabriel Moreira Bernardes, de 17 anos, que está concorrendo a uma vaga no curso de Odontologia, também fazia o exame no mesmo local e ficou bravo com o cancelamento a menos de uma hora do fim da prova. “Achei errada a decisão, pois estava sem luz fazia tempo e decidiram cancelar faltando pouco tempo para terminar a prova”, diz.
O estudante disse que tinha ido muito bem na prova de redação. “O tema foi um assunto de internet que eu domino bem e já tinha lido muito a respeito do assunto. Fiquei muito chateado e frustrado pela instituição não ter um gerador de energia elétrica”, afirmou.

Em Porto Nacional (TO), os alunos foram liberados por volta das 14h por causa da falta de energia elétrica, que fez com que os aparelhos de ar condicionado das salas parassem de funcionar. Há relatos de alunos que teriam passado mal em sala por causa do excesso de calor. Segundo o Inep, só será possível confirmar as causas do cancelamento do exame na segunda-feira (5).

O exame

O primeiro dia de provas do Enem começaram às 13h30 (horário de Brasília) deste domingo e, além da redação, foram aplicadas as provas de linguagem (português) e ciências humanas. O tema da redação foi “Manipulação do comportamento do usuário por meio do controle de dados na internet. A segunda prova, com 90 questões de matemática, biologia, física e química será realizada no próximo domingo (11).