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Novo disco de Adele satura fábrica de LPs e causa corrida entre artistas

Com um processo lento de produção e maquinário antigo, fábricas de discos sofrem para suprir demanda de grandes artistas e acúmulo de lançamentos

Por Amanda Capuano 12 nov 2021, 16h48

Nos últimos anos, o disco de vinil deixou de ser exclusividade de sebos e caiu nas graças do público jovem, muitos dos quais sequer haviam nascido quando as vitrolas eram a única opção. Em 2020, impulsionados por artistas populares como Taylor Swift, Elton John e Ed Sheeran, os discos superaram a arrecadação dos CDs pela primeira vez desde 1986, ostentando status de ícone colecionável. Tamanha popularidade, ironicamente, tem tornado a produção uma tarefa difícil de ser sustentada, com direitos a artistas se digladiando pelas prensas dos bolachões.

A última expoente desse fenômeno é a cantora britânica Adele, que lança o seu quarto álbum de estúdio na próxima sexta-feira, 19. A revista Variety divulgou recentemente que a artista mandou produzir cerca de 500.000 LPs do álbum 30, o que deu uma atrapalhada nos planos dos amigos. “O álbum não ficou pronto essa semana, e eu tive que entregá-lo em julho para conseguir fazer os vinis. Existem umas três fábricas de vinil no mundo, então é preciso bastante antecedência. Adele, basicamente, já tinha reservado todas elas, tive que conseguir um espacinho”, contou Ed Sheeran em entrevista para uma rádio australiana.

Os dois ingleses, porém, não foram os únicos a empreender uma corrida pelos vinis. Nos primeiros seis meses deste ano, 17 milhões de discos foram vendidos nos Estados Unidos, gerando 467 milhões de dólares em receita, quase o dobro do valor do mesmo período em 2020, de acordo com a Recording Industry Association of America. Aos 18 anos, Olivia Rodrigo, sozinha, vendeu 76 mil LPs do seu álbum de estreia, Sour. Nos últimos meses, artistas como Coldplay, Taylor Swift e a banda Abba também divulgaram lançamentos, em um fenômeno que o The Guardian nomeou como um “dilúvio de novos álbum” que virou as fábricas de discos ponta-cabeça.

O xis da questão é que, ao contrário dos CDs, que podem ser produzidos em larga escala sem grandes problemas, a produção do vinil é trabalhosa, e envolve muito tempo. O negócio ainda depende de uma infraestrutura antiga, com maquinários que datam da década de 1970 — novas máquinas surgiram apenas nos últimos anos, e também há fila de espera para elas. Em uma reportagem recente do New York Times, o jornal estimou que se oito artistas resolvessem lançar 500 cópias de um LP com cinco minutos de música de cada lado, seriam necessárias em torno de 666 horas de trabalho para que tudo fosse produzido. Os álbuns, porém, podem chegar até 1h e Adele encomendou meio milhão de unidades, o que joga o tempo necessário na estratosfera. O combo de artistas famintos e pouca mão-de-obra disponível gera um engarrafamento na indústria, e álbuns que seriam finalizados em meses podem levar o dobro do tempo — até mesmo Adele, com todo o seu poder de barganha, teve que terminar o álbum com seis meses de antecedência para que os discos ficassem prontos a tempo do lançamento.

Os mais afetados, porém, devem ser os artistas menores, sem capacidade para enfrentar nomes de peso. “O que me preocupa mais é que as grandes gravadoras irão dominar e assumir toda a capacidade de produção”, disse Rick Hashimoto, da fábrica Record Technology Inc., ao New York Times. “Adele não deve ser criticada por monopolizar as manchetes, mas pela superprodução de vinis em seu nome. Os LPs foram mantidos vivos no Reino Unido pelo rock e metal independentes, quando ninguém mais se importava”, complementou John Doran, editor da Quietos, revista britânica de música independente.

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