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Johnny Depp volta a merecer elogios com ‘Aliança do Crime’

Filme narra a história de James 'Whitey' Bulger, criminoso que se tornou o segundo homem mais procurado pelo FIB, atrás de Osama bin Laden

Por Raquel Carneiro 12 nov 2015, 14h49

De forma quase desesperadora, a carreira de Johnny Depp seguia sem freio ladeira abaixo. O passado de personagens brilhantes, em um distante anos 1990, foi atropelado pelo comodismo do ator, que estacionou na franquia bilionária Piratas do Caribe e em roteiros fracos, que suas caretas e figurinos exagerados não conseguiram sustentar. De versátil ele passou a entediante. Para sua sorte – e dos fãs esperançosos – Aliança do Crime chega para colocar o talento de Depp novamente nos trilhos.

A maquiagem que o deixa irreconhecível continua lá, mas agora o ator sai da fantasia para dar vida a um personagem real. Levemente careca, com fios grisalhos, pele enrugada e olhos em um tom de azul tão frio quanto a personalidade do bandido que dá vida, Depp se veste de James “Whitey” Bulger, criminoso que entrou para a lista de mais procurado pelo FBI, atrás apenas de Osama bin Laden. Figura mítica na história americana, Whitey possui uma história que beira o absurdo e há tempos quicava para receber uma adaptação cinematográfica – ele até mesmo serviu de inspiração para o personagem de Jack Nicholson em Os Infiltrados (2006), de Martin Scorsese.

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Chefe da gangue Winter Hill, que aterrorizou o sul de Boston entre os anos 1970 e 80, Whitey era conhecido pela mistura de frieza e simpatia, que assassinava colegas a queima roupa, para depois ajudar a vizinha idosa a carregar compras. William Bulger (vivido pelo ótimo Benedict Cumberbatch), irmão de James, contudo, se torna um advogado e senador no estado de Massachusetts, que não possui nada desfavorável em seu currículo, exceto o membro ovelha negra da família. Na infância, os irmãos Bulger são amigos próximos de John Connolly (Joel Edgerton), que no futuro conquista o cargo de agente do FBI.

Com a missão de acabar com a máfia italiana local, Connolly sugere a Whitey uma aliança. Ele ofereceria informações sobre a gangue rival, enquanto seria tratado como informante especial do FBI, condição que o colocou em uma posição privilegiada, em um ponto cego para os federais, que passam a fazer vista grossa para as atrocidades cometidas pelo criminoso.

Assim, Whitney consegue passe livre para seus negócios escusos, enquanto as autoridades exterminam a concorrência e Connolly ganha o título de herói que livrou a cidade da escória mafiosa. A controversa parceria, mais tarde, se tornaria um dos piores casos de corrupção da agência americana.

Connolly e Whitey compartilham uma estranha e excessiva fidelidade pelas origens e pelo passado. Edgerton faz um bom contrapeso para a atuação de Depp, ambos motivam pouca simpatia do espectador. A cena mais aterrorizante de Depp é também uma das mais simples. Durante um jantar entre amigos, ele enquadra Marianne Connolly (Julianne Nicholson), esposa do agente, que mostra sinais de insatisfação com a proximidade do marido e do bandido. Ele a ameaça de forma, por assim dizer, carinhosa. Com metáforas sobre o perigo da tal “gripe” que ela pode estar próxima de pegar.

Outra mulher que encara a fúria do personagem é Lindsey Cyr (vivida por Dakota Johnson), mãe do filho de Whitey, Douglas. Aos seis anos, a criança é internada com síndrome de Reye. Lindsey avisa que planeja desligar os aparelhos que mantém o jovem vivo, decisão refutada por Whitey. Durante a discussão entre o casal, Depp mostra a violência e ira do personagem apenas com o intenso diálogo no hospital, filmado em closes pelo diretor Scott Cooper.

Aos 45 anos, o cineasta possui um modesto mas interessante currículo como diretor. Antes de Aliança do Crime, Cooper conduziu Tudo por Justiça (2013) e o elogiado Coração Louco (2009). Se ainda lhe falta um pouco mais de coragem para entrar a fundo em assuntos controversos, tratados com certa fraqueza na representação da história de Whitey, o cineasta mostra que tem um bom tino para conduzir atores. O elenco de Aliança é impecável e Depp consegue, após cinco fracassos consecutivos de crítica e bilheteria, provar que ainda é digno de respeito.

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