Clique e assine com até 92% de desconto

Acusado de escândalo sexual do Nobel tem prisão preventiva decretada

Após três dias de julgamento, Jean-Claude Arnault espera decisão do tribunal sobre caso de estupro

Por EFE 24 set 2018, 12h54

Um tribunal de Estocolmo decretou, nesta segunda-feira, a prisão preventiva do artista francês Jean-Claude Arnault, protagonista de um escândalo sexual e estopim da crise na Academia Sueca, instituição que entrega o prêmio Nobel de Literatura.

Arnault, marido da acadêmica e poetisa Katarina Frostenson, é acusado de estuprar em 2011 uma mulher em duas ocasiões, uma delas enquanto dormia. O tribunal decidiu decretar a prisão preventiva do artista a pedido da promotoria, que sugere uma pena de três anos de prisão.

“A situação se agravou, agora corre o risco de uma longa pena de prisão e pode ser tentador para ele viajar para o exterior”, argumentou a promotora, Christina Voigt, ao término do julgamento, realizado na maior parte do tempo a portas fechadas a pedido da denunciante.

O advogado de Arnault, Björn Hurtig, admitiu em declarações à imprensa sueca que o risco de condenação do cliente, que nega as acusações, é “iminente”. Durante o julgamento, que durou três dias, testemunharam sete pessoas às quais a acusadora relatou os fatos, entre elas um psiquiatra. Não há provas técnicas das acusações.

  • Em novembro do ano passado, dezoito mulheres denunciaram, quase todas de forma anônima, no jornal sueco Dagens Nyheter (DN) uma “personalidade cultural” muito próxima à academia, depois identificada como Jean-Claude Arnault. A reportagem jornalística relatava casos de assédio e abuso que Arnault cometia em seu clube literário e em propriedades da academia.

    Após o escândalo, a instituição cortou relações com o artista e iniciou uma auditoria, que concluiu que Arnault não tinha influído em decisões sobre prêmios. O caso levou oito acadêmicos a renunciarem de forma definitiva ou temporária, cargos na instituição, incluindo a secretária vitalícia, Sara Danius. 

    A Academia Sueca impulsionou várias reformas e adiou o Nobel de Literatura deste ano, pela primeira vez em 70 anos, o que significa que em 2019 serão entregues dois prêmios, medida justificada pela falta de confiança e o enfraquecimento da instituição.

    Continua após a publicidade
    Publicidade