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A forte influência de Kamala Harris nos bastidores da indústria musical

Bem relacionada com o meio artístico, a candidata a vice-presidência dos Estados Unidos pode trazer um reforço de nomes ilustres à campanha de Joe Biden

Por Felipe Branco Cruz 14 ago 2020, 16h12

O anúncio da senadora americana Kamala Harris para vice na chapa do democrata Joe Biden, na campanha para a presidência dos Estados Unidos, causou furor na indústria musical americana. Eleita para o senado pela Califórnia, Kamala é muito conhecida em Los Angeles e seu marido, Douglas Emhoff, é advogado da área do entretenimento. O casal circula com desenvoltura entre empresários do ramo e também entre inúmeros artistas. Os dois já advogaram para executivos da Universal Music e Apple Music e também para Scooter Braun, poderoso empresário do meio, que cuida da carreira de nomes como Justin Bieber e Ariana Grande.

Do outro lado da indústria, a recíproca é verdadeira. Uma reportagem da revista Variety diz que veteranos da indústria, como os músicos e empresários Daniel Glass e Troy Carter, apoiaram a candidatura de Kamala ao senado e fizeram eventos de arrecadação de fundos com a presença de altos-executivos da música. A candidata agora é vista como uma peça importante que pode dar visibilidade aos artistas em um período de constante mudanças de direitos autorais em razão do avanço das tecnologias digitais.

Kamala, aliás, não é vista na indústria musical como uma política interesseira, daquelas que se aproxima dos famosos só para ganhar votos. Antes de ser senadora, ela era uma advogada que defendia os direitos dos artistas e demonstrava uma preocupação genuína com suas causas. Após a entrada de Kamala na corrida presidencial, nas redes sociais artistas como Taylor Swift, Pharrell Williams, Ciara, Nick Jonas e Pink fizeram posts apoiando a chapa. Artistas mais velhos, como Cher, James Taylor, Carole King e Joe Walsh, já haviam declarado apoio a Biden, antes mesmo de Kamala entrar, mas os mais novos, que vão desde Cardi B. a Ariana Grande, ainda estão em silêncio.

De acordo com uma reportagem da revista Billboard americana, em 2008, a esta altura da campanha presidencial, Stevie Wonder já fazia shows nos comícios de Barack Obama. A expectativa, agora, é que com a entrada de Kamala, a indústria comece a se movimentar para levantar fundos para a campanha com Biden e também a apoiar mais explicitamente a chapa, que não estava recebendo tanta atenção dos famosos.

Nos bastidores, segundo a reportagem, o sentimento é de que é fácil ouvir os artistas dizendo: “Dane-se o Trump”. Mas muito difícil ouvir eles afirmarem: “Vote em Biden”. Vale lembrar que caso Biden vença, ele será o presidente mais velho a assumir o posto na história, com 77 anos, e terá 81 ao final do primeiro mandato. Daí a importância de se escolher bem um vice. Atualmente, o recorde do presidente mais velho a assumir é de Donald Trump, com 70 anos.

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