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Delegada cresce nas pesquisas e vira ameaça para a esquerda no Recife

Com bandeira anticorrupção, Patrícia Domingos (Podemos) se mostra inabalável diante de polêmicas e briga por uma vaga no segundo turno da disputa eleitoral

Por Redação 30 out 2020, 10h08

Uma delegada da Polícia Civil se tornou a principal ameaça para a hegemonia dos partidos de esquerda no Recife. Patrícia Domingos, do Podemos, tem capturado os eleitores de centro-direita na capital pernambucana e pode despontar como uma surpresa no segundo turno da eleição. A última pesquisa divulgada pelo Ibope, na quinta-feira, 29, mostra que Patrícia subiu de 13% para 16% das intenções de voto. Ela está empatada na margem de erro com a segunda colocada, a petista Marília Arraes, que saltou de 14% para 18%, e com o ex-ministro Mendonça Filho (DEM), que caiu de 18% para 13%.

O líder da pesquisa continua sendo o deputado federal João Campos (PSB), que oscilou de 33% para 31% das intenções de voto, mas a ascensão da delegada preocupa a campanha do favorito à eleição. Filho do ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em 2014, João apresenta rejeição de 33% do eleitorado, a maior entre todos os nomes que estão na disputa. Já Patrícia é rechaçada por apenas 20%, sinal de que ela apresenta potencial de crescimento represado.

A projeção de segundo turno mostra que Campos venceria a disputa pela prefeitura com 45% dos votos, contra 38% de Patrícia. Mesmo com a amostragem, o PSB entrou em alerta com o derretimento do apoio ao candidato entre eleitores evangélicos (35% a 27%) e com renda familiar entre dois e cinco salários mínimos (32% a 25%).

Patrícia conta com um apoio bem consolidado entre os moradores mais ricos do Recife, mas vem tentando conquistar o eleitorado de menor renda com carreatas em áreas mais pobres da capital. Também tem evitado fazer críticas ao presidente Jair Bolsonaro e passou a elogiar a implementação do auxílio emergencial durante a pandemia de Covid-19. Sua principal bandeira, no entanto, é o combate à corrupção. Ela usa como ativo eleitoral a experiência à frente da Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública (Decasp), onde esteve por quatros anos.

Esperava-se que Patrícia colaria sua imagem à do ex-ministro Sergio Moro durante o processo eleitoral. No período em que esteve na ativa da Polícia Civil, ela ganhou o apelido de “Moro de saias”. A admiração pelo ex-juiz era tamanha que a delegada emitiu uma nota de apoio após a ruidosa saída do ex-ministro do governo Bolsonaro. No entanto, com o sumiço de Moro do noticiário, as menções ao ídolo cessaram. Em nenhum momento a imagem do ex-juiz foi explorada pela campanha da delegada.

Patrícia também vem mostrando resiliência diante de uma sucessão de polêmicas. O crescimento da delegada ocorre após a divulgação de postagens antigas na internet em que ela chama Recife de “Recífilis”, em alusão à doença sexualmente transmissível. Nas redes sociais, ela também afirmou que “a maioria das pessoas só está viva porque é ilegal atirar nelas” e, sem mencionar o nome da capital, escreveu que “nunca vi tanta gente feia reunida. Estaria eu em um parque de horrores?”. As declarações têm sido exploradas pelos adversários porque Patrícia, de 38 anos, nasceu no Rio de Janeiro e se mudou para o Recife em 2008.

Em outra polêmica surgida esta semana, o jornal O Globo mostrou que o nome da delegada constava entre os inscritos para concorrer a uma moradia no programa Minha Casa, Minha Vida. Ela participou da ação social entre 2003 e 2018, segundo a prefeitura do Rio de Janeiro. O programa serve para pessoas que têm renda bruta de até 1.800 reais, enquanto o salário bruto da delegada em Pernambuco girava em torno de 21.000 reais. Questionada sobre o caso, Patrícia disse que foi vítima de uma fraude e que abriu um boletim de ocorrência para investigar se os seus dados foram utilizados de forma ilegal.

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