Clique e assine a partir de 9,90/mês

Suicídio, roupa preta, arma branca: semelhanças entre Columbine e Suzano

Ataque em escola da Grande São Paulo lembra algumas características do célebre massacre ocorrido há quase 20 anos em uma escola do Colorado (EUA)

Por Giovanna Romano - Atualizado em 14 Mar 2019, 13h49 - Publicado em 13 Mar 2019, 19h08

Em 20 de abril de 1999, Dylan Klebold, 17 anos, e Eric Harris, 18, invadiram a escola em que estudavam em Columbine, cidade do Colorado (EUA), e atiraram contra alunos, professores e funcionários. O caso teve repercussão mundial e motivou filmes e documentários – como Tiros em Columbine, de Michael Moore, vencedor do Oscar em 2003 – e aumentou a preocupação e o debate sobre a facilidade com que os americanos têm acesso a armas. Na manhã desta quarta-feira, 13, quase vinte anos após o caso americano, Guilherme Taucci, 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25, abriram fogo dentro da Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo. Nos dois casos, os atiradores cometeram suicídio.

+ Acompanhe a cobertura da tragédia de Suzano

Em Columbine, treze pessoas foram mortas, além de Dylan e Eric. Na escola de Suzano, oito pessoas morreram, sendo cinco alunos, duas funcionárias e o dono de uma locadora de veículos. Ambos os crimes ocorreram no período da manhã e envolveram armas de fogos e bombas caseiras.

Veja outras coincidências nos dois massacres:

Continua após a publicidade

Vestimentas

Guilherme Taucci, um dos atiradores em Suzano (à esq.), em foto no Facebook, e Dylan e Eric retratados no filme ‘Elephant’, sobre Columbine Facebook/Reprodução/Divulgação

No massacre de Columbine, os atiradores usavam preto quase por inteiro – com exceção da camiseta branca de Eric. No filme Elephant, de 2003, baseado no ataque, a dupla é retratada toda de preto. Apesar de Luiz Castro ter sido encontrado morto com uma camisa xadrez, Guilherme usava camisetas, calças, luvas e botas pretas lembrando a vestimenta dos assassinos americanos. Ele também usava um boné para trás, como Dylan e Eric, e um relógio com o visor posicionado no lado contrário do pulso, outra marca de Columbine.

Artefatos incendiários

Coqueteis molotov preparados pela dupla de atiradores em Suzano e combustível apreendido após o massacre de Columbine Reprodução/Karl Gehring/The Denver Post/Getty Images

O plano inicial da dupla de Columbine era colocar bombas na cafeteria da escola e esperar a explosão para, na sequência, atirar nos estudantes e funcionários que fugissem pela porta. Porém, as bombas não explodiram. Já em Suzano, a Polícia Militar apreendeu garrafas de coquetel molotov – arma química incendiária caseira -, que não chegaram a ser usadas.

Continua após a publicidade

Armas brancas

Machadinho levado por um dos atiradores de Suzano e facas apreendidas no massacre de Columbine: armas brancas nas duas ocorrências Reprodução/Courtesy of Jefferson County Sheriff/Getty Images

No massacre de Columbine, foram apreendidas com Dylan e Eric diversos tipos de facas, que não foram utilizadas pelos atiradores. Guilherme levou ao ataque em Suzano um machadinho, que foi encontrado em sua cintura após o suicídio. Além disso, também foi encontrado um arco e flecha ao lado de seu corpo.

Máscaras

Comparativo da caracterização de um dos atiradores de Suzano com uma cena da série American Horror Story Facebook/Reprodução/FX Networks/Divulgação

A primeira temporada da série americana American Horror Story fez referência ao massacre de Columbine com o personagem Tate, que entra na escola em que estudava vestido de preto, mata estudantes e comete suicídio, como no crime que aconteceu em 1999 no Colorado. Porém, o personagem usa uma maquiagem de caveira. Guilherme, um dos autores do ataque em Suzano, apareceu com uma máscara de caveira e uma vestimenta parecida com a de Tate.

Continua após a publicidade

Indícios anteriores

Guilherme Taucci faz pose igual à do personagem Tate, da série ‘American Horror Story’, que é uma referência aos atiradores de Columbine Facebook/Reprodução/FX Networks/Divulgação

Ainda em American Horror Story, o personagem Tate faz uma arma com a mão antes de cometer o crime. Tate é uma referência aos adolescentes de Columbine, que passavam por transtornos psicológicos. Guilherme, um dos atiradores brasileiros, fez o mesmo gesto e publicou a imagem no Facebook momentos antes de cometer o crime.

Repercussão

A discussão sobre a posse de armas nos EUA cresceu após Columbine. Alguns diziam que o massacre aconteceu por causa da facilidade de comprar uma arma no país. No Brasil, a flexibilização do acesso a armas é uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro. Após a tragédia de Suzano, a oposição elevou o tom nas críticas à proposta. Já o senador Major Olímpio (PSL-SP), policial militar de São Paulo que apoia o governo, defenderam a ideia presidencial: “Se tivesse um cidadão com arma regular (na escola), isso poderia ter sido minimizado”.

Publicidade