Isolamento social: SP se aproxima de reabertura longe de isolamento ideal e com casos em alta | VEJA
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SP se aproxima de reabertura longe de isolamento ideal e com casos em alta

Na capital paulista, que deve continuar em quarentena mesmo após início de plano, começaram a valer hoje medidas para forçar isolamento social

Por João Pedroso de Campos Atualizado em 4 Maio 2020, 13h49 - Publicado em 4 Maio 2020, 12h05

A uma semana do início da saída gradual da quarentena anunciada pelo governador João Doria (PSDB), o estado de São Paulo segue longe da taxa ideal de isolamento de 70%, apontada por especialistas como ideal para evitar a sobrecarga do sistema de saúde com pacientes infectados pelo novo coronavírus. Na capital paulista, que concentra 62% dos casos e 64% das mortes no estado e deve continuar em quarentena mesmo após a flexibilização estadual, medidas para forçar o isolamento, como o bloqueio parcial de avenidas, começaram a valer nesta segunda-feira, 4. São Paulo é o estado com o maior número de casos no país, 31.772, e de mortes por Covid-19, 2.627.

De acordo com dados do Sistema de Monitoramento Inteligente do governo Doria, quatro dos sete dias da semana passada, entre a segunda-feira, 27, e a quinta-feira, 30, tiveram taxas de isolamento social inferiores ao mínimo aceitável, de 50%, no estado. O menor número registrado desde o início da quarentena, de 46%, ocorreu na quinta. No feriado de 1º de maio a taxa subiu a 56% e, no sábado, era de 53%. O recorde atingido desde o início da quarentena é de 59%.

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“Numa taxa de isolamento de 48%, eu não preciso sequer perguntar para o doutor David Uip [coordenador do Centro de Contingência ao Coronavírus de São Paulo], ao doutor Germann [secretário estadual de Saúde de São Paulo]. Não há menor condição de flexibilização com isolamento de 48%. E evidentemente com os riscos de colapso dos hospitais da capital e região metropolitana”, disse João Doria em uma coletiva na quarta-feira, 29.

Até este domingo, 3, a taxa de ocupação de leitos de UTI do Sistema Único de Saúde (SUS) destinados a pacientes com Covid-19 era de 67% no estado de São Paulo e de 87,1% na região metropolitana da capital paulista.

  • À medida que se aproxima a data anunciada pelo Palácio dos Bandeirantes para a flexibilização da quarentena de maneira heterogênea em diferentes regiões do estado, os indicadores de contaminação também se agravam.

    A semana que passou trouxe aumentos expressivos no número de casos confirmados e de mortes por Covid-19 em São Paulo. Dos 31.772 infectados no estado, 11.170 (35%) foram diagnosticados entre os dias 26 de abril e 2 de maio. O recorde diário até o momento, de 2.540 novos casos, foi atingido na quinta-feira, 30. Dos 2.627 óbitos registrados pela doença, 919 (35%) ocorreram na semana passada. O maior número de mortes em um dia até agora em São Paulo, 224, foi visto na terça-feira, 28.

    O plano de flexibilização gradual da quarentena paulista, anunciado em 22 de abril por Doria, prevê a reabertura de atividades econômicas não essenciais em etapas, com regras específicas para cada região do estado conforme a disseminação da doença e a taxa de ocupação de leitos de tratamento de infectados. O detalhamento do plano está previsto para a próxima sexta-feira, 8.

    A capital paulista, no entanto, deve se manter em quarentena e começou a aplicar nesta segunda-feira medidas para intensificar o isolamento social. A cidade, que tem 19.882 casos confirmados de novo coronavírus (62% do total no estado) e 1.673 mortes (64% do total), amanheceu hoje com quatro de suas principais vias parcialmente bloqueadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A medida está restrita ao horário de pico de circulação de veículos entre as 7h e as 9h.

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