Clique e assine com até 92% de desconto

Coronavírus: economistas preveem queda cada vez mais profunda do PIB

Além da aceleração da disseminação da Covid-19, a crise política também puxa as previsões de crescimento econômico do Brasil para baixo em 2020

Por Felipe Mendes Atualizado em 4 Maio 2020, 11h24 - Publicado em 4 Maio 2020, 10h52

Agentes do mercado financeiro reduziram, pela décima segunda vez consecutiva, a previsão para o desempenho da economia brasileira este ano. Segundo o Boletim Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira, 4, o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 deve apresentar uma contração de 3,76% — na última semana, a estimativa era de queda de 3,34%. O cenário de deterioração leva em consideração o agravamento da crise política no governo de Jair Bolsonaro (sem partido) nas últimas semanas e a evolução da pandemia do novo coronavírus no país — já são mais de 100.000 casos registrados e ao menos 7.051 mortes causadas pela enfermidade em território nacional. Para 2021, a projeção do mercado é de um crescimento de 3,2%.

ASSINE VEJA

Moro fala a VEJA: ‘Não sou mentiroso’ Em entrevista exclusiva, ex-ministro diz que apresentará provas no STF das acusações contra Bolsonaro. E mais: a pandemia nas favelas e o médico brasileiro na linha de frente contra o coronavírus. Leia nesta edição.
Clique e Assine

Caso a previsão do mercado financeiro para o resultado da economia brasileira se confirme, a queda do PIB de 2020 será ainda maior do que a registrada em 2016, ano do impeachment de Dilma Rousseff, quando a economia retraiu 3,3%. A projeção do mercado financeiro é mais otimista que a expectativa do Banco Mundial e FMI, que preveem contração na casa dos 5% para o Brasil neste ano. Ressalta-se, no entanto, que algumas casas de análise já estimam uma queda acima dos 7% para o PIB deste ano. Com a evolução da doença, algumas regiões já começam a adotar o sistema de “lockdown”. É o caso do estado do Maranhão, onde a partir desta terça-feira, 5, quase todas as atividades comerciais serão suspensas — supermercados e farmácias são as exceções. Conforme outros estados forem adotando essa medida, considerada a mais extrema, as projeções para o PIB do país devem se retrair ainda mais.

No início do ano, quando a pandemia do coronavírus estava concentrada na China e não se sabia ao certo quando e como chegaria ao Brasil, os especialistas estimavam crescimento econômico para este ano na casa dos 2,3%.

 

  • Inflação

    Além da revisão para o PIB, os agentes consultados pelo Banco Central também reduziram as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, que mede a inflação oficial no país. Com menos demanda de produtos, os preços tendem a não acelerar tanto. A previsão para o indicador saiu de 2,20% para 1,97% no ano. Para 2021, a projeção caiu de 3,40% para 3,30%. Os valores estão abaixo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) — de 4% em 2020 e 3,75% em 2021, sempre com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

    A taxa básica de juros, a Selic, por sua vez, teve sua projeção reduzida de 3% para 2,75% ao fim deste ano. Hoje, a Selic vigora em 3,75% ao ano. O mercado financeiro aguarda ansiosamente a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerá entre os dias 5 e 6 de maio. As casas de análises apostam em um corte entre 0,50 ponto percentual e 0,75 ponto percentual para estimular a economia durante a crise.

    A projeção para o dólar também foi revisada: passou de 4,80 reais para 5 reais ao fim do ano. Nesta segunda-feira 4, a moeda americana opera em alta e é vendida próximo a 5,59 reais.

    Continua após a publicidade
    Publicidade