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RJ tem queda de segundo secretário da Saúde em pouco mais de um mês

Fernando Ferry pediu demissão do cargo nesta segunda-feira; para o seu lugar, o governo confirmou o coronel médico do Corpo de Bombeiros Alex Bousquet

Por Cássio Bruno - Atualizado em 22 Jun 2020, 09h27 - Publicado em 22 Jun 2020, 09h03

Em meio ao processo de impeachment do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), na Assembleia Legislativa (Alerj) e à pandemia do novo coronavírus, o secretário estadual de Saúde, Fernando Ferry, pediu demissão nesta segunda-feira, 22. A saída ocorre pouco mais de um mês após ele assumir a Secretaria de Estado de Saúde do Rio no lugar de Edmar Santos. Para o seu lugar, o governo confirmou o coronel médico do Corpo de Bombeiros Alex Bousquet.

“Hoje estou pedindo exoneração do meu cargo de secretário de Estado de Saúde do Rio de Janeiro. Queria dizer que eu tentei. Agradeço ao governador por ter me dado esta oportunidade de tentar resolver estes graves problemas que estamos vendo na saúde. Eu só queria dizer mais uma coisa: peço desculpas à população. Mas a única coisa que eu tenho a falar: eu tentei. Obrigado e espero que vocês me desculpem”, afirmou Ferry em vídeo divulgado pelo Bom Dia Rio, da TV Globo.

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Ferry assumiu o cargo em 17 de maio, após a saída de Edmar Santos, exonerado após denuncias de corrupção na pasta. A Operação Mercadores do Caos, do Ministério Público estadual e da Polícia Civil, prendeu o ex-subsecretário executivo de Saúde Gabriell Neves, subordinado diretamente a Edmar Santos. Neves revelou a VEJA em abril que seu ex-chefe sabia e autorizava todas as compras emergenciais sem licitação da secretaria. Preso em Bangu 8, Neves admitiu em depoimento a promotores do MP que os acordos de quase um bilhão de reais eram fraudados.

A crise na Saúde também provocou a prisão do empresário Mário Peixoto, na mesma operação. Peixoto é um dos principais fornecedores de mão de obra do governo Wilson Witzel. Segundo as investigações do MP, Peixoto liderava o grupo criminoso que desviava dinheiro, principalmente na construção de hospitais de campanha para pacientes com Covid-19.

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Witzel e a primeira-dama Helena também são investigados. Os dois foram alvos de busca e apreensão na Operação Placebo, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Além disso, o governador é alvo de um processo de impeachment na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

O governo do Rio não comentou a demissão do Ferry e apenas confirmou a indicação de Bousquet em nova divulgada à imprensa nesta manhã:

“O coronel médico do Corpo de Bombeiros Alex Bousquet será o novo secretário de Estado de Saúde, em substituição a Fernando Ferry, que deixa o cargo nesta segunda-feira.

Graduado pela Uerj, Bousquet atua há 20 anos nos Bombeiros, é especialista em terapia intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Foi diretor do Iaserj (Instituto de Assistência aos Servidores do Estado do Rio de Janeiro) e trabalhou como médico de resgate para a Petrobras entre 2008 e 2012, na Bacia de Santos. Tem pós-graduação em Gestão Operacional nas Organizações de Saúde pela Fundação Ceperj e MBA Executivo em Saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).”

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