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Quem é a paciente internada em MG por suspeita de coronavírus

Jovem de 22 anos passou 5 meses na cidade da China que é o epicentro da doença estudando mandarim e embarcou de volta para o Brasil sentindo dor na garganta

Por Julia Braun - Atualizado em 29 jan 2020, 12h34 - Publicado em 29 jan 2020, 08h44

Primeira suspeita oficial no Brasil de ter contraído o  coronavírus, a jovem de 22 anos que está internada em Belo Horizonte passou 5 meses na China estudando mandarim e retornou para cá na última sexta, 24, em um dos últimos voos que saíram da cidade de Wuhan, o epicentro da epidemia que tem abalado o país asiático.

E.W. (a identidade da paciente foi mantida sob sigilo a pedido da família) é estudante de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ganhou uma bolsa para estudar mandarim em Wuhan. A jovem está internada no Hospital Eduardo Menezes, na capital mineira, à espera dos resultados dos exames que podem comprovar a infecção. Segunda a família, nas últimas horas, E.W. passa bem e não tem apresentado mais sintomas como febre.

A mineira embarcou para o Brasil na semana passada sentindo apenas uma dor de garganta, mas, na última segunda, 27, passou a apresentar também febre. Com a epidemia do coronavírus se espalhando pela China e outros países, foi instruída pela família a procurar ajuda médica. “Ela não queria ir para o hospital, mas nós a convencemos”, afirmou a VEJA o pai da jovem, R.W.. “Tomamos essa atitude porque sabemos de onde ela veio recentemente e resolvemos agir da maneira mais cuidadosa.”

A família acredita que a jovem não está infectada pelo vírus. “Ela está muito tranquila e sendo bem atendida”, diz R.W.. “Só reclama do isolamento, pois só tem acesso o mundo exterior pelo celular.” E.W. está sendo mantida em uma área separada do hospital e não pode receber visitas. Seus familiares se comunicam apenas por meio de telefone e de uma janela no quarto. Apesar do otimismo dos parentes e dos sinais de melhora de E.W., os médicos do Hospital Eduardo Menezes estão cautelosos e aguardam o resultado dos exames para identificar se ela está ou não infectada pelo coronavírus. Os testes devem ficar prontos na sexta, 31.

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Viagem à China

A estudante viajou à Wuhan para estudar mandarim em setembro. Após o término do curso, durante o período de férias do Ano Novo Chinês em todo o país, viajou para a cidade de Shenzen, no sul do país.

Retornou para a cidade epicentro do coronavírus apenas 3 dias antes de sua viagem de volta ao Brasil. A passagem de avião já estava comprada há 5 meses. Em seus últimos dias em Wohun, E.W. se manteve a maior parte do tempo no dormitório da faculdade onde estava hospedada e só saía de lá usando máscaras, conforme instruções do governo chinês.

Em sua viagem de volta, a estudante fez escala em Paris, na França. Ali, passou por um exame de praxe, que envolveu a medição de sua temperatura, e foi liberada. Só apresentou sinais de febre na segunda-feira 27, quando procurou o hospital.

Ao todo, são três pessoas suspeitas da infecção em todo o Brasil. Além do caso de E.W., o Ministério da Saúde investiga mais dois casos suspeitos do novo coronavírus (nCoV-2019) em Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR).

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O número de mortos pelo coronavírus na China chegou a 132 nesta terça-feira, 28. Já o número total de infectados passa dos 5.900 no país, além de 59 confirmados em todo o mundo.

Na província de Hubei, onde fica a cidade de Wuhan, são 126 mortes confirmadas. O governo da China, na tentativa de conter a propagação do vírus, estendeu o feriado do Ano Novo Chinês até o dia 2 de fevereiro. Grandes empresas fecharam as portas ou disseram para os funcionários trabalharem de casa.

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