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PSL e MDB brigam por comissão que trata de propostas econômicas

Partido de Bolsonaro reivindica direito ao comando do colegiado, mas para emedebistas a situação não está acertada

Com o direito a indicar o comando de 15 das 25 comissões da Câmara, o bloco de 11 partidos que deu sustentação à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na Casa discute como será a divisão interna no grupo. Já está certo que o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, ficará com a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Câmara, mas a Comissão de Finanças e Tributação, segundo colegiado mais cobiçado, ainda está indefinida.

MDB e PSL disputam o comando do colegiado, pelo qual passam quase todas as propostas relacionadas à economia. “Ainda vamos ter reuniões para discutir isso”, afirmou o líder do MDB, Baleia Rossi (SP). O líder do PSL, deputado Delegado Waldir (GO), no entanto, disse que a comissão é direito do seu partido e, caso a sigla seja preterida, haverá confusão. “Se não ficarmos com a Comissão de Finanças, vamos bagunçar o bloco todo. Vamos querer Minas e Energia”, afirmou Waldir.

A comissão ganhou os holofotes depois do rompimento da barragem em Brumadinho (MG), pois deverão passar por ela mudanças na legislação do setor de mineração.

O comando dessas comissões é disputado entre partidos e parlamentares, já que é o presidente quem define as pautas de votação, os relatores de cada proposta e garante o cronograma e o ritmo dos trabalhos. Além disso, ele ganha protagonismo na relação com o Planalto.

A mais importante é a CCJ. Pelo crivo do colegiado passa a maioria dos projetos que serão analisados pelos deputados. O PSL ainda não definiu quem deverá presidir a comissão. Há quatro candidatos no páreo: Bia Kicis (DF), Marcelo Freitas (MG), Felipe Francischini (PR) e Coronel Tadeu (SP). O partido estuda fazer um rodízio entre os parlamentares.

O PSL ainda terá direito a escolher a presidência de mais uma comissão. “Vamos tentar Segurança ou Relações Exteriores”, afirmou Waldir. Esta última tem o interesse do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente. Ele já disse que não vai “bater o pé” pela presidência, mas que aceitaria a missão. O mais novo dos filhos políticos do presidente poderá travar uma disputa com o PT, que também quer a cadeira.

Oposição

Ao PT caberão pelo menos três comissões. A sigla, que elegeu o maior número de deputados na Casa (56), tem como prioridade Direitos Humanos e Educação. Além disso, deve ceder uma cadeira na composição da CCJ para a deputada Joenia Wapichana (Rede-RR).

Além da comissão de Finanças, o MDB deve tentar a Comissão de Transportes, para o deputado Gutemberg Reis (RJ). O PP, de Arthur Lira (AL), terá direito a duas comissões e quer ficar com Agricultura.

A Comissão de Defesa do Consumidor pode ficar com o PRB, que quer entregá-la a Celso Russomanno (SP), que se notabilizou por programas na TV sobre o tema. Outro deputado que tenta assumir uma comissão de área na qual já tem experiência é Marcelo Calero (PPS-RJ), ex-ministro da Cultura. O PPS, porém, deverá ter apenas uma vaga de titular no colegiado.

(Com Estadão Conteúdo)