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Juíza assassinada no Rio: indícios de participação de policiais

Patrícia Acioli, conhecida pela atuação contra agentes de segurança com o crime, foi morta com tiros de armas de uso restrito da polícia e das Forças Armadas

Nome da magistrada constava em uma lista com 12 pessoas, apreeendida com um integrante de um grupo de extermínio

À medida que avança a investigação sobre o assassinato da juíza Patrícia Acioli, ocorrido em Niterói no fim da noite de quinta-feira, aumentam os indícios de que trata-se de um crime com participação de policiais. Patrícia Acioli foi responsável, ao longo de sua carreira como magistrada, por cerca de 60 condenações de agentes de segurança envolvidos com crimes – entre eles milícias, máfia de combustíveis, grupos de extermínio, transporte irregular e contravenção.

Por determinação da chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, o crime será investigado pela Divisão de Homicídios (DH) da capital, que tem sede na Barra da Tijuca. De acordo com as primeiras informações passadas pela DH, foram encontradas marcas de 16 tiros no Fiat Idea de Patrícia, concentrados na janela e na porta do lado do motorista. Os projéteis e cápsulas recolhidos indicam que tratam-se de pistolas dos calibres .40 e.45 – respectivamente, de uso restrito de policiais e das Forças Armadas.

Um primo de Patrícia afirmou ao jornal O Dia que, na próxima semana, ela participaria do julgamento de um grupo de milicianos. O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Manoel Alberto Rebelo dos Santos, convocou entrevista coletiva para falar sobre o caso.

Prestaram depoimento pela manhã vizinhos da juíza, que morava no bairro de Piratininga, na região oceânica de Niterói. Ela havia retornado de uma audiência que terminou em horário avançado, na noite de quinta-feira. Os relatos dão conta de que dois carros e duas motos teriam feito o cerco ao Fiat Idea de Patrícia Acioli, que não chegou a sair do veículo.

A polícia ouve, desde o início da manhã, o policial militar Marcelo Poubel, com quem Patrícia mantinha um relacionamento amoroso. A polícia tenta estabelecer com precisão as rotinas seguidas pela magistrada e detalhes sobre os últimos dias da vítima.

A atuação de Patrícia Acioli contra as quadrilhas que operam na região de Niterói e São Gonçalo rendeu uma coleção de ameaças. Em alguns casos, com envolvimento de autoridades. Em 2009, quando a máfia das vans esteve no foco da polícia, foi encontrada na casa do ex-vereador Mota da Copasa uma carta que, segundo a polícia, continha um palno para evitar que Patrícia julgasse o grupo do qual ele era acusado de fazer parte.

Mota da Copasa era acusado de controlar um esquema de vans irregulares. O ex-vereador também tinha contra ela acusação de envolvimento em um assassinado. Os crimes da ficha de Mota incluíam estelionato, formação de quadrilha, coação e ameaça.

No ano passado, quatro policiais militares tiveram prisão decretada por Patrícia Acioli. O grupo era acusado de integrar um grupo de extermínio ligado ao transporte clandestino. O nome da magistrada constava em uma lista com 12 pessoas, apreeendida com um integrante de um grupo de extermínio que atuava em São Gonçalo.

(Com reportagem de Rafael Lemos)

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