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Jornada Mundial da Juventude será o evento mais complexo do Rio

Presidente da Rio Eventos afirma que a JMJ é "o evento da imprevisibilidade" e representa desafio maior do que o da Copa e da Olimpíada

Por Cecília Ritto 20 Maio 2013, 14h50

Com um calendário recheado de eventos de grandes proporções e visibilidade, como a Copa do Mundo, a Olimpíada e o Rock in Rio, o Rio de Janeiro tem, em julho, o seu principal desafio, em matéria de organização: a Jornada Mundial da Juventude, o maior encontro católico do mundo, que trará o papa Francisco ao Brasil entre os dias 23 e 28. Os organizadores trabalham com alguns complicadores, como a dificuldade de estimar o número de participantes. O tipo de hospedagem, de forma geral vagas em casas de voluntários ou em espaços emprestados pelo poder público, e a inscrição, normalmente feita de última hora, são dois fatores que tornam a JMJ um evento “imprevisível”, nas palavras do presidente da Rio Eventos, Leonardo Maciel, responsável por cuidar do planejamento do município para a série de competições e grandes concentrações de pessoas que estão por vir. Maciel falou sobre a JMJ em entrevista ao site de VEJA:

A Jornada Mundial da Juventude é o evento mais complexo que o Rio vai sediar?

Sim. Costumo dizer que é o evento da imprevisibilidade. É preciso considerar dois fatores: a Jornada atrai a curiosidade das pessoas e, ao mesmo tempo, nem sempre o participante está inscrito pela Igreja para acompanhar os atos com o papa. Ou seja, é difícil mensurar a vinda dos católicos para o Rio. No caso da jornada deste ano, há também os temperos que foram sendo agregados no meio do caminho. Na segunda de carnaval, o papa Bento XVI renunciou. Era um pontífice com limitação de agenda por causa da saúde, o que tornava o evento menos complicado de ser controlado pelos agentes públicos. O sucessor escolhido foi um papa latino-americano, carismático, sem limitações de saúde e disposto a ter mais eventos públicos.

O que muda na organização da prefeitura para receber o novo papa?

É um impacto muito maior para a operação da cidade. Com o papa Francisco, trabalhamos com a possiblidade de quebra de protocolo, o que nos obriga a estar muito mais atentos às operações realizadas nos lugares onde ele estará. Em tese, na terça e na quarta-feira, o papa terá agendas internas e uma ida a Aparecida. Mas, se a Igreja mudar os planos, teremos que sentar todos na mesa novamente, com todas as forças de segurança, e reavaliar a operação da cidade.

O baixo uso da rede hoteleira na JMJ é um complicador para organizar a cidade?

É um complicador até mesmo para identificar os sintomas de ocupação da rede hoteleira. Quando começa a ter muita reserva, nós da prefeitura passamos a ter uma expectativa do número de turistas que virá, o que é muito útil no momento de montar a operação da cidade para o evento. Na JMJ, isso não existe. A maior parte fica em hospedagem domiciliar (casas de voluntários) ou em locais disponibilizados pela prefeitura e pelo governo, como escolas e ginásios. O nosso descontrole é na medida do desconhecimento da informação. Se há alguém vindo para ficar na casa de parente para ver o papa, nós não temos como saber.

O Rio está preparado para ter aproximadamente 1,5 milhão de pessoas dependentes do transporte público?

É sempre uma preocupação. O transporte é o nosso grande desafio. Na verdade, em um evento em qualquer cidade, o é sempre o transporte público. O Rio de Janeiro tem um complicador nessa questão e nós temos feito inovações no transporte de alta capacidade para corrigir os erros que existem na cidade. Para a Jornada, trabalharemos em regime especial: identificaremos a necessidade de cada evento com o papa para adaptar as linhas de ônibus, metrô e trem na tentativa de não haver impacto negativo para os turistas na cidade.

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No dia 21 de abril de 2010, um evento evangélico com um milhão de pessoas, na Enseada de Botafogo, parou o trânsito na Zona Sul e nos acessos à Zona Norte. Qual foi o aprendizado para a prefeitura?

Isso fica de lição para sabermos que algumas informações são imprevisíveis. Agora, por exemplo, superestimamos o número de ônibus fretados que chegarão à cidade. Trabalhamos com a chance de chegarem 20 mil desses coletivos. Planejamos para o máximo possível de ônibus, e assim evitamos problemas.

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