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Estudantes preparam manifestação na São Francisco

Atuação da PM na desocupação da reitoria fez com que o movimento estudantil entrasse em greve. Professores apoiam o protesto

Por Da Redação 10 nov 2011, 11h14

Em greve desde a manhã desta quarta-feira, os estudantes da USP preparam uma manifestação para às 14 horas desta quinta-feira. Acompanhados por professores e funcionários da instituição de ensino, os alunos planejam sair da faculdade de História da USP, dentro do campus da Cidade Universitária, e seguir em marcha até o Largo São Francisco, no Centro de São Paulo, onde fica a Faculdade de Direito. No local, haverá aulas abertas e, às 18h, uma assembleia para definir os próximos passos do movimento.

Em assembleia realizada na noite desta quarta-feira, os professores decidiram não aderir à greve dos estudantes, mas apoiarão o ato desta tarde. O principal alvo dos alunos é o reitor João Grandino Rodas e a política de segurança dentro do campus da USP – defendida por ele. Um dos motivos de a manifestação acontecer no Largo São Francisco é o fato de Grandino Rodas ter sido considerado persona non grata na Faculdade Direito.

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A turma dos invasores como ela é

Greve – Em nota emitida na manhã desta quinta-feira, o Diretório Central do Estudantes (DCE) da USP informou que, apesar de não ter concordado com a invasão da reitoria, reputia a maneira como foi feita a reintegração de posse do prédio. “A intervenção da PM para mediar uma questão interna da USP, assim como a abertura dos cursos para a intervenção de empresas privadas, são expressões de que a universidade não consegue definir seu trajeto de forma independente”, diz a nota.

Assembleias organizadas em quase todos os cursos da universidade optaram pela greve. A FFLCH, a Escola de Comunicação e Artes (ECA) e a Faculdade de Arquitetura e Urmabismo (FAU) já aderiram ao movimento. Outras faculdades devem tomar uma posição em assembleias programadas para esta quinta-feira.

Embora estivessem totalmente sem rumo num primeiro momento, o movimento estudantil da USP começa a levantar algumas bandeiras mais definidas. Depois de afirmar que “não nega que exista um problema de criminalidade nos campi“, a nota do DCE propõe a discussão sobre alguns temas. Entre eles, a abertura e incentivo à maior circulação de pessoas nos campi; a necessidade de outra Guarda Universitária (GU), gerenciada pela comunidade (representantes de docentes, funcionários e estudantes) e não somente pela reitoria; a contratação (via concurso público) de mais guardas, principalmente efetivo feminino; um plano de iluminação para os campi; mais ônibus circulares, fazendo inclusive a ligação com a estação Butantã do metrô (no caso da Cidade Universitária); e a revogação do convênio USP-PM.

O prólogo – A greve dos estudantes é uma resposta à ação de desocupação da reitoria feita pela polícia militar na madrugada desta terça-feira, que resultou na prisão de 68 estudantes e quatro funcionários. A ocupação foi promovida por uma minoria radical do movimento estudantil, contrariando a decisão de uma assembleia que havia decidido pela desocupação do prédio da Administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). A novela começou em 27 de outubro, depois da prisão de três estudantes flagrados pela PM com maconha no estacionamento da Faculdade de História. Colegas tentaram impedir que os rapazes fossem levados para a delegacia e a discussão acabou em tumulto. A PM usou gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar a multidão.

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