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Durán Barba: Mentiras em campanha não duram na internet

Estrategista político se notabilizou pelo uso original das redes sociais na campanha vitoriosa do presidente argentino Mauricio Macri

A primeira recomendação que o estrategista político Jaime Durán Barba faz a um candidato é não mentir. Isso porque, na era da internet, elas são facilmente descobertas. O equatoriano conhecido pelo trabalho na campanha que levou Mauricio Macri à Presidência da Argentina foi o terceiro entrevistado no fórum Amarelas ao Vivo, promovido por VEJA, com o tema “Como as redes sociais e as fake news afetarão as eleições, o Brasil e você”.

“Eu creio que as mentiras não servem para grande coisa. Mentiras sempre existiram na política. A primeira coisa que nós falamos para um candidato é ‘não minta’. Na era da internet é muito fácil que alguém descubra. Isso tira a credibilidade do candidato, que é sua principal arma”, afirmou à redatora-chefe de VEJA Thaís Oyama, que conduziu a entrevista.

“Os eleitores atuais não são manipuláveis. Nós temos de alcançá-los de maneira democrática, não há possibilidade de impor um ponto de vista”, disse o estrategista. Ele destacou que as pessoas estão mais preocupadas consigo mesmas e com o que está a seu redor, e que os discursos políticos podem estar distante dessas realidades. Para ele, a maior preocupação é como a mensagem de um candidato é recebida por diferentes públicos.

Sobre o trabalho desenvolvido pela consultoria Cambridge Analytica, alvo de polêmica pelo uso feito com dados coletados no Facebook para ser usados nas eleições dos EUA, Durán Barba reconheceu a importância das informações que podem chegar até os estrategistas de campanha. “Todo esse tipo de pesquisa permite analisar o comportamento do eleitor e decidir por uma mensagem que ele possa entender.”

O estrategista é crítico aos profissionais de propaganda política no Brasil por considerá-los muito intuitivos. “Essa questão da intuição não faz mais sentido. Hoje em dia uma campanha séria tem que ser feita com pesquisa, enquetes e números para se elaborar uma estrategia que dê norte à sua campanha. É preciso manter a rota, senão é perder dinheiro e as eleições.”

Durán Barba, entretanto, evitou a todo custo emitir uma opinião sobre o cenário brasileiro, que considera difícil de prever, ou com qual candidato gostaria de trabalhar. “Tenho que saber quantos porcento dos votos de Lula podem ser transferidos. Bolsonaro tem uma porcentagem decidida de votos, mas nós analisamos quem nunca votaria nele”, disse, ressaltando que a crise de confiança nas instituições e nos partidos políticos afeta toda a América Latina.

Durán Barba se notabilizou pelo uso original e intenso de publicações e vídeos nas redes sociais na campanha de Macri. Desde então, é tido como figura influente na Casa Rosada, sede do governo argentino, e atuou em uma série de campanhas na América Latina. Como consultor político, assessorou, entre outros, o ex-presidente mexicano Felipe Calderón e o empresário Alvaro Noboa, que se candidatou cinco vezes à Presidência do Equador.

Eleições

Pesquisa exclusiva feita a pedido de VEJA pela consultoria Ideia Big Data, com 2 004 pessoas ouvidas por telefone entre 9 e 10 de janeiro, mostra que 83% dos entrevistados temem compartilhar notícias falsas em suas redes sociais e grupos de WhatsApp.

A preocupação com a influência das notícias falsas nas eleições aumentou após a vitória do republicano Donald Trump à Presidência dos EUA. Uma pesquisa das universidades de Dartmouth, Princeton e Exeter mostrou que, durante a eleição presidencial, um em cada quatro americanos leu conteúdo falso. Isso, porém, não significa necessariamente que as inverdades foram relevantes para a tomada de decisão dos eleitores.

Apesar do alcance das fake news, os eleitores continuam se informando com muito mais frequência pelos veículos da imprensa profissional, diz o estudo. O que os pesquisadores verificaram, no fim, foi que as fake news circularam com mais força nas extremidades do espectro político, em que a decisão de voto já está tomada e a notícia falsa serve apenas como “viés de confirmação”.

Na Europa, o presidente francês Emmanuel Macron anunciou que enviará ao Congresso um projeto de lei para conter as notícias falsas. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou força-tarefa para combater as fake news nas eleições presidenciais deste ano. Um grupo com membros da Polícia Federal e do Ministério Público Federal estuda métodos legais para conter a proliferação de notícias falsas e a atuação de robôs na internet, além de encontrar os responsáveis por sua disseminação.

Comentários

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  1. Passamos por 4 eleições presidenciais nas quais o eleitorado foi absurdamente influenciado por marqueteiros políticos inescrupulosos (pleonasmo). Mais recentemente, investigações de corrupção entregaram ao público a realidade dos principais candidatos. O peso do marketing político, portanto, será menor. Por outro lado, aumenta a preokupação a respeito do cerco policial/judicial com propósitos políticos às vésperas da eleição, que em muitos casos resultarão em nada, mas surtirão efeito nas urnas. Me parece que é o que estamos vendo acontecer com Temer, Bolsonaro, Aécio Neves, Alckmin e Serra, que pode ser uma retaliação ao desgaste sofrido pelos principais nomes da extrema esquerda.

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