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CPI dos Ônibus começa com tumulto e protestos no Rio

Galerias são ocupadas por manifestantes contra e a favor da participação do PMDB na comissão. Eliomar Coelho, do PSOL, não participa e é criticado

Por Cecília Ritto 22 ago 2013, 12h36

(Atualizado às 14h)

Depois da ocupação do plenário por 12 dias e de muito tumulto, a CPI dos Ônibus começou, enfim, a funcionar na Câmara Municipal do Rio. Os trabalhos, como se esperava, arrastaram-se em meio a mais protestos, disputa de claques pró e contra os vereadores do PMDB e muito barulho. O volume dos gritos de guerra e troca de ofensas entre os dois grupos era tamanho que os presentes sequer conseguiam ouvir o que era dito na tribuna.

Com a liberação das galerias para participação popular, a “torcida” ficou dividida, com sessenta pessoas sentadas de cada lado do plenário. De um lado, os manifestantes que querem a suspensão da CPI por não aceitar o controle articulado pelo PMDB, que pôs na presidência o vereador Chiquinho Brazão; do outro, apoiadores da comissão. A estratégia dos governistas funcionou: desta forma, além de se preocuparem com os vereadores, os manifestantes também dedicam tempo a rebater e atacar os defensores do PMDB e de Eduardo Paes.

Houve alguns momentos de tensão entre os dois grupos. Dois manifestantes – um pró e um contra o PMDB – chegaram a se enfrentar e tiveram de ser retirados do plenário pelos seguranças da Casa. A todo instante, eram arremessados aviões de papel sobre os vereadores. Até um sapato foi jogado contra o relator da comissão, Professor Uoston, do PMDB. Um jovem que filmava a galeria dos apoiadores da base diz ter sido hostilizado por eles e teve sua câmera derrubada. Um novo princípio de confusão foi controlado pelos seguranças.

Leia: Oposição ao prefeito Eduardo Paes recorre à Justiça para suspender CPI dos Ônibus

A sessão – Foram ouvidos nesta quinta o atual secretário de Transportes do município, Carlos Roberto Osório, o subsecretário e ex-titular da pasta Alexandre Sansão e o gerente de planejamento da CET-Rio, Hélio Borges, que presidiu a última licitação dos ônibus no Rio. Eles responderam todos os questionamentos feitos, mas vereadores da oposição levantaram a suspeita de que os três teriam conhecimento prévio do que seria perguntado. “Foram vinte perguntas prontas com vinte respostas prontas”, criticou Paulo Pinheiro, do PSOL.

O vereador Chiquinho Brazão (PMDB) mostra sapato arremessado por manifestantes durante abertura da sessão de depoimentos na CPI dos Ônibus na Câmara Municipal do Rio de Janeiro
O vereador Chiquinho Brazão (PMDB) mostra sapato arremessado por manifestantes durante abertura da sessão de depoimentos na CPI dos Ônibus na Câmara Municipal do Rio de Janeiro VEJA

Integrante da comissão e autor do requerimento que criou a CPI, Eliomar Coelho, do PSOL, não participou da sessão. Ele assistiu a tudo de dentro do seu gabinete com outros vereadores da oposição. A ausência é uma forma de protestar contra a composição, dominada por quatro integrantes da base do governo que não assinaram o requerimento para abrir a investigação. Ele foi substituído por Marcelo Queiroz, do PP.

A ausência foi criticada pelos governistas. “Repudio a ausência de Eliomar Coelho. Ele não é digno de falar em nome da CPI”, disse Professor Uoston. A declaração foi rebatida por Eliomar depois: “Política costumamos fazer com ‘P’ maiúsculo, e não com baixarias como Professor Uoston quer”.

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O relator e o presidente da CPI voltaram a defender a escolha de seus nomes para os cargos e disseram que só não assinaram a lista que permitiria a abertura da comissão porque ela não teria sido levada até eles. “Se eu tivesse tido acesso ao documento, teria assinado”, afirmou Chiquinho Brazão. Já Uoston declarou que, além disso, não via cunho elucidativo na CPI, e sim “estritamente político”.

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Depoimento – Carlos Roberto Osório exibiu uma apresentação de slides com a evolução do sistema de transportes no Rio e admitiu que há falhas e necessidade de melhorias. Ele negou, no entanto, que tenha havido formação de cartel na licitação para concessão das linhas de ônibus, feita em 2010 pela administração de Eduardo Paes. Osório terminou de falar por volta das 12h. “A voz das ruas sempre tem de ser ouvida. O Legislativo é o representante do povo e da democracia. A sociedade não é um grupo pequeno de pessoas. No Rio, são 6,5 milhões de cariocas”, disse.

Por volta das 13h, a sessão foi encerrada, depois dos depoimentos de Alexandre Sansão e Hélio Borges. Uma nova audiência está marcada para a próxima quinta-feira, também a partir das 10h.

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