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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Evandro Éboli, Mariana Muniz e Manoel Schlindwein. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Nem coronavírus impediu pagamento de propina por sentença do TJBA

Desembargadora presa nesta terça teria recebido bolada por decisão favorável a empresário na semana passada

Por Mariana Muniz - 24 mar 2020, 15h05

Na semana passada, enquanto o país começava a mergulhar de cabeça na quarentena do coronavírus, a desembargadora do TJBA Sandra Inês Russiocelli e seu filhão, o advogado Vasco Rusciolelli Azevedo, ambos presos nesta terça-feira, embolsavam uma bolada em propina referente à venda de uma decisão judicial.

Na decisão que autorizou a prisão da desembargadora, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Og Fernandes chama a atenção justamente para a “falta de quarentena” da corrupção na Justiça baiana. É que os últimos repasses de dinheiro aconteceram, vejam só, na última terça-feira, em pleno fechamento de todo o país.

“Nem com as investigações desnudando o suposto esquema criminoso no Oeste baiano, e com várias medidas cautelares em pleno vigor, os investigados cessaram o curso de suas ações antijurídicas. Por fim, chama a atenção o fato de ter a ação criminosa não ter se interrompido mesmo durante a pandemia de Coronavírus (COVID-19), quando há a recomendação de restringir-se a interação social”, destacou.

Por isso, o ministro entendeu que as medidas cautelares pedidas pelo MPF, como a prisão temporária e a busca e apreensão na casa da magistrada, eram mais do que necessárias. Além disso, Og Fernandes determinou o afastamento da desembargadora de suas funções.

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Na avaliação do ministro do STJ, o afastamento da desembargadora precisava acontecer para estancar o que chamou de “autêntica organização na Corte baiana”.

“É premente a necessidade de que a investigada seja afastada do desempenho do cargo e que se abstenha de tomar parte em qualquer tipo de decisão – administrativa ou judicial – do Tribunal de Justiça da Bahia, o que só
pode ser viabilizado com a suspensão do exercício da atividade pública”, esclareceu.

A corrupção, como fica evidente nesse caso, não tem medo de vírus e não se intimida com investigações – a Lava-Toga baiana está na rua desde o final do ano passado.

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