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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Por que o ICMBio tem tido dificuldade de conter o fogo no Pantanal

De 2017 a 2020, o orçamento destinado ao Instituto Chico Mendes vem sofrendo queda considerável, o que dificulta investimentos em ações ambientais 

Por Matheus Leitão Atualizado em 21 set 2020, 12h37 - Publicado em 16 set 2020, 15h55

Enquanto o país assiste, aterrorizado, a destruição causada pelos incêndios nos últimos dias no Pantanal Matogrossense, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), um dos responsáveis pela proteção da fauna e da flora da região, tem que lidar com um orçamento cada vez menor para realizar suas atividades.

Uma análise dos orçamentos dos últimos anos destinados ao ICMBio mostra que a gestão Bolsonaro está reduzindo, ano após ano, a verba destinada ao instituto, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente.

  • Em 2017, enquanto Michel Temer era presidente da República, o ICMBio teve orçamento de R$ 1,246 bilhão aprovado em projeto de lei. Em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, esse número despencou para R$ 890,9 milhões. A situação continua crítica em 2020, quando o orçamento aprovado por projeto de lei foi de R$ 698,7 milhões.

    A verba do ICMBio destinada à fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais, fundamental para evitar a destruição observada neste momento no Pantanal, foi reduzida de R$ 29,3 milhões em 2019 para R$ 13,5 milhões em 2020.

    Para 2021, o cenário é ainda pior. Embora os incêndios e o desmatamento estejam aumentando, o orçamento total para o ICMBio vai ser novamente reduzido. A projeção é de R$ 609,1 milhões, queda de 12,8% na comparação com 2020.

    O ICMBio cuida de duas grandes unidades de conservação no Pantanal: Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e Estação Ecológica de Taiama. Servidores do instituto informaram à coluna que diversos profissionais estão atuando na região para tentar conter os estragos. Os incêndios estão acontecendo na maior proporção dos últimos 47 anos e o fogo já atingiu 12% da extensão do pantanal matogrossense.

    Segundo a coluna apurou, servidores do ICMBio tentam evitar que o fogo entre na Estação Ecológica de Taiama. O órgão tem a atribuição de manter a conservação das espécies através dos centros de pesquisa em atividade.

    Nesta terça-feira, 15, o instituto divulgou nota de esclarecimento à sociedade em seu site oficial, na qual afirma que “os esforços de combate aos incêndios florestais no Pantanal Matogrossense têm sido realizados continuamente desde o dia 12 de agosto deste ano, com um comando local das operações, esquadrões de brigada distribuídos em campo e apoio aéreo”.

    Também nesta terça, 15, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) liberou R$ 3,8 milhões para ações de combate a incêndios florestais em Mato Grosso do Sul, principalmente na região do Pantanal.

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