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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Reunião ministerial sugere que Casa Civil tinha dados graves da pandemia

Vídeo mostra Braga Netto respondendo fala sobre o pico da epidemia já ter sido ultrapassado: “É que o senhor não viu o número que nós mostramos lá em cima”

Por Matheus Leitão - Atualizado em 26 Maio 2020, 13h43 - Publicado em 26 Maio 2020, 13h21

Alguns dias após a divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, os assuntos tratados no encontro e as falas dos integrantes da equipe de Jair Bolsonaro continuam ecoando porque demonstram a forma como o governo lida com as importantes questões nacionais. Um dos detalhes relevantes da reunião, relacionado a um assunto negligenciado pelos presentes, surgiu no final do encontro.

Depois que o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, disse que a sua “sensação” era de que o pico da pandemia já tinha passado, o ministro-chefe da Casa Civil, Braga Netto, encerrou a reunião, mas não sem antes dizer algo que indica que o governo sabia que a pandemia ia piorar: “É que o senhor não viu o número que nós mostramos lá em cima, agora, mas isso é outra história”.

Então havia números piores sobre o novo coronavírus no Brasil que eram de conhecimento do governo naquela época? Procurada pela coluna, a Casa Civil da Presidência da República afirmou que não iria comentar as declarações do general. O que se sabe, contudo, é que pouco se falou da Covid-19 na reunião no dia 22 de abril, mesmo com o país caminhando para ser o epicentro mundial da pandemia.

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O Brasil é o segundo país com o maior número de casos confirmados de coronavírus no mundo. Segundo os últimos dados do Ministério da Saúde, divulgados nesta segunda-feira, 25, já foram registrados 374.898 casos e 23.473 falecimentos  provocados pela doença. Ontem, o Brasil foi o país que teve mais mortes no dia, passando inclusive os Estados Unidos.

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Como a coluna mostrou, durante a reunião do dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro estava mais preocupado com a Polícia Federal e a sua família do que com a pandemia. O encontro aconteceu na escalada dos mortos pelo coronavírus, mas o presidente esteve focado em resolver os problemas políticos e jurídicos de sua família e não em encontrar soluções para conter a doença.

Quando o então ministro Nelson Teich fala do assunto na reunião, o presidente o interrompe para reclamar de uma nota da Polícia Rodoviária lamentando a morte de um policial por coronavírus. A fala do general Braga Netto revela que, antes da reunião, eles haviam obtido números piores sobre a pandemia. Isso torna o desprezo pelo tema ainda mais incompreensível.

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