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Rádio CBN

01/08/2014

às 15:00 \ Política & Cia

ÁUDIO PARA NÃO PERDER: Candidato a governador no Paraná, Requião perde a esportiva, deixa uma entrevista no meio e esculhamba jornalista

O jornalista Valdomiro Fantini com o senador Requião: quase saiu briga (Foto: CBN)

O jornalista Valdomiro Fantini com o senador Requião: quase saiu briga (Foto: CBN)

Conhecido por não ter papas na língua e, volta e meia, comportar-se de forma truculenta, o senador Roberto Requião (PMDB), candidato a governador do Paraná, ficou furioso com perguntas perfeitamente normais do radialista Valdomiro Fantini, da rádio CBN da cidade de Cascavel, começou a dirigir acusações ao jornalista e decidiu deixar o estúdio.

Não perca o áudio, que você acessa aqui.

27/10/2012

às 15:15 \ Política & Cia

ELEIÇÕES: O candidato Serra e as “pautas petistas”

Serra falando a jornalistas: destempero contra jornalistas não constroi -- e eles estão, no trabalho, representando o público (Foto: Cacalos Garrastazu / Obritonews)

Artigo publicado no dia 18 de outubro de 2012 no Estadão

Por Eugênio Bucci

Na terça-feira, 16, o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra, agastado com perguntas de dois jornalistas, acusou-os de defenderem “pautas petistas” e tentou desqualificá-los como profissionais. As ofensas mereceram destaque na primeira página do jornal Folha de S.Paulo.

A “pauta petista”, na opinião de Serra, é a comparação entre o famigerado “kit gay”, preparado pelo Ministério da Educação (MEC) no ano passado, quando Fernando Haddad, hoje candidato a prefeito pelo PT, ainda era o titular dessa pasta, e uma cartilha distribuída às escolas pelo governo paulista em 2009, tempo em que Serra ainda morava no Palácio dos Bandeirantes.

O ex-governador de São Paulo repudiou a revelação feita na segunda-feira pela colunista Mônica Bergamo, da própria Folha, de que o kit do MEC e a cartilha paulista tinham conteúdos parecidos (é verdade que o material do MEC, depois de pronto, nunca foi distribuído, pois a presidente Dilma Rousseff, pressionada pelas reações ruidosas de congressistas católicos e evangélicos, mandou engavetá-lo).

Serra entendeu que a analogia entre uma coisa e a outra constitui mau jornalismo, ou, nas palavras dele mesmo, “a Folha entrou numa roubada (…) e fez uma má reportagem”.

O tucano atacou pessoalmente os dois profissionais em dois episódios diferentes.

Na terça de manhã, ao ser indagado sobre o assunto pelo jornalista Kennedy Alencar, da rádio CBN, disparou: “Eu sei que você tem preferências políticas, mas modere, você não pode fazer campanha eleitoral aqui”. Parecia falar em nome dos acionistas da CBN.

Depois, à tarde, tentou humilhar uma repórter do UOL, portal do Grupo Folha, propondo que ela fosse “trabalhar com o Haddad”.

A repórter, como Kennedy Alencar, não tinha injuriado ou agravado o candidato. Ela simplesmente solicitara que ele esclarecesse sua posição sobre o debate da homofobia em escolas. Foi o que bastou para Serra subir o tom.

Como se viu, o “kit gay” desencadeia um tique nervoso no candidato tucano: bater boca com a imprensa. Na campanha que disputou para a Presidência da República, em 2010, por motivos outros, que nada tinham que ver com homofobia, o mesmo tique apareceu em mais de uma ocasião.

Aqui e ali, Serra tratou repórteres com uma rispidez inadmissível para alguém que pleiteava nada menos que o emprego de presidente do Brasil.

Quando um governante – ou candidato a – dirige a um repórter insinuações ou acusações com o objetivo de macular sua dignidade profissional, estamos no pior dos mundos. Se exacerbada, essa conduta desestabiliza as instituições.

Rafael Correa, presidente do Equador, levou às últimas consequências a política de fustigar jornalistas: ele os ataca nominalmente em discursos transmitidos em cadeia nacional de rádio e televisiva. A consequência é que hoje as condições da imprensa livre no Equador inspiram preocupações das mais sérias.

Serra não é Correa, evidentemente, mas agiu mal. Um candidato pode reprovar uma manchete, uma legenda, uma pergunta que lhe façam. Pode discordar. O que não pode é investir contra a pessoa do jornalista.

Interrogações adversas fazem parte do clima eleitoral. Se ele agride um repórter acusando-o de não observar as regras da independência editorial (um cânone da nossa profissão) e de fazer proselitismo partidário disfarçado de noticiário, dá indícios de que talvez não esteja assim tão preparado para conviver serenamente com a pluralidade de opiniões.

Por certo, a conduta arrivista de José Serra não constitui, em si mesma, uma ameaça à democracia. O problema, porém, não é o que essa impaciência toda destrói ou deixa de destruir, mas o que ela não constrói.

Atitudes assim não ajudam a sustentar o ambiente democrático e de um candidato a prefeito de São Paulo não se exige apenas que não ameace a liberdade de imprensa, mas se exige dele que ajude a fortalecê-la. Candidato que se arvora a passar pito em repórter sai de sua função e não constrói nada de bom.

Nesse ponto, um gesto de desrespeito dirigido contra jornalistas pode ser lido, sim, como falta de zelo pela própria instituição da imprensa. Se o destempero de Serra não corrói a liberdade, ainda que fira a imagem de profissionais de imprensa, não constrói a convivência entre jornalistas, eleitores e autoridades.

Não é só isso. Um candidato que preza, mais que a instituição da imprensa, a autonomia e a dignidade do eleitorado tem o dever moral de responder a todas as perguntas que lhe fazem, venham elas dos veículos jornalísticos que ele aprecia ou venham diretamente dos partidos adversários.

Do ponto de vista do eleitor, tanto faz. As dúvidas da sociedade, tenham a origem que tiverem, devem ser todas esclarecidas. Pense bem o leitor: o que seria do debate público se todos os candidatos petistas, quando indagados sobre o mensalão, dissessem simplesmente que isso é uma “pauta tucana” e não respondessem nada? O debate público ficaria inviável.

É fato que centenas de petistas – inclusive alguns dirigentes da máquina partidária – vivem a jogar nas costas da imprensa a responsabilidade pelas misérias morais do PT, mas existem candidatos responsáveis da legenda que se prestam a responder com sobriedade e urbanidade a todas as perguntas.

Eles sabem que o cidadão tem o direito de saber dos assuntos de interesse público e isso inclui o direito de saber sobre mensalão e… sobre o “kit gay” também.

Portanto, mesmo que a cartilha do governo paulista sobre homofobia fosse uma “pauta petista” (o que não é), isso não o desobrigaria de responder ao que lhe é perguntado. Ao descartar o questionamento como se fosse uma bobagem, o candidato chamou de bobos todos os interessados no tema.

Um jornalista, seja da Folha, da rádio CBN, do UOL, de onde for, representa o seu veículo e o seu público. Quem agride um jornalista agride o público.

(Eugênio Bucci, jornalista, é professor da Escola de Comunicaçõe se Artes da USP e da Escola Superior de Propaganda e Markegint)

01/03/2012

às 19:15 \ Política & Cia

O comunista Netinho, em entrevista, adota posições que antes o lulo-petismo demonizava como “neoliberais” — e passa por uma saia justa

Netinho durante a campanha eleitoral de 2010: abraçando ideias que criticava, e enfrentando uma saia justa (Foto: VEJA)

Aos poucos eles vão chegando lá.

Passaram anos maldizendo os governos Itamar Franco-FHC para, depois, abraçarem sua política econômica, ampliarem como invenção sua a rede de proteção social de FHC — rebatizada de Bolsa Família — e, finalmente, adotar linhas de ação que demonizavam, como a concessão de serviços à iniciativa privada.

Refiro-me ao pessoal do lulo-petismo, claro.

Hoje, quinta-feira, dia 1º de março, foi a vez de Netinho de Paula, pagodeiro, apresentador de TV, vereador pelo PC do B, candidato do lulalato ao Senado em 2010, derrotado mas com votação significativa — mais de 8 milhões de votos — e pré-candidato a prefeito de São Paulo.

Em entrevista à Rádio CBN, Netinho disse ser favorável a iniciativas que até há pouco sua turma classificava, com desprezo, de “neoliberais”, como a concessão de serviços de saúde a organizações sociais (entidades não públicas sem objetivo de lucro), o ultrapolêmico pedágio urbano — ferozmente criticado pela esquerda quando aplicado em outros países — e a concessão de rodovias à iniciativa privada.

Ótimo. Que um comunista do B tenha chegado a essas posturas mostra progresso.

A saia justa ficou por conta de pergunta feita na lata pelo jornalista Juca Kfouri:

– Netinho, diga lá: comunista pode bater em mulher?

Referia-se ao episódio policial ocorrido em 2005, quando, em briga com a então esposa, a decoradora Sandra Mendes de Figueiredo Crunfl, Netinho agrediu-a fisicamente, indo o caso parar na Justiça Criminal.

(Leia a respeito deste e de outro caso na coluna de Augusto Nunes).

Netinho, depois de hesitar e de lamentar o fato de Juca ter feito a pergunta, afirmou que se arrepende do que ocorreu, que já havia pedido desculpas em público e até para o público e que, “graças ao PC do B”, aprendeu a respeitar e a defender os direitos das mulheres.

15/09/2010

às 21:55 \ Vasto Mundo

A mídia precisa chamar as Farc da Colômbia pelo que elas são: um amontoado de criminosos

No mas FARC

A Colômbia não aguenta mais os bandidos das Farc

Vinha eu de carro para a redação de VEJA.com e ouço o noticiário da Rádio CBN: “As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia”, dizia o texto , realizaram um ataque na localidade de Tibú, no departamento (estado) de Santander do Norte, 470 quilômetros ao noroeste de Bogotá e perto da fronteira com a Venezuela que resultou na morte de três policiais, ferimentos em um e o desaparecimento de um outro. 

Gosto da CBN, principalmente do âncora Carlos Alberto Sardenberg, disparado o melhor do rádio brasileiro – e que, por sinal, nada tinha com essa notícia que ouvi. 

Como assim, “Forças Armadas”? Quer dizer que esse grupo terrorista, composto de assassinos, seqüestradores, torturadores, ladrões e traficantes de drogas são “Forças Armadas”, como, digamos, as do Chile ou da Espanha? 

“Revolucionárias”? Será que o redator tem acompanhado a atividade desse bando criminoso que infelicita a Colômbia? O projeto político das Farc, se é que se pode chamar assim o objetivo de impor à força um regime stalinista na Colômbia, se perdeu há muito na poeira dos tempos. O que resta é um grande grupo de criminosos, cuja ação, por sinal, preocupa muito as Forças Armadas – estas sim, sem aspas – brasileiras. 

O fenômeno de chamar, tranquilamente, esses bandidos de “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia”, sem qualquer explicação ou qualificativo, não se restringe à CBN. Jornais, revistas e até a TV Globo, volta e meia, escorregam nisso. Certamente sem se dar conta, tratam os criminosos da narcoguerrilha colombiana como se fossem uma instituição. 

Mas não custa lembrar: a primeira forma de combater o crime é chamá-lo pelo nome.

 

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