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Programa Mais Médicos

26/09/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Médicos de Pernambuco visitam as cidades mais afetadas pela seca e constatam que metade das pessoas passa fome e tem sede

Visitas de médicos ouviu pessoas nas ruas e coletou amostras para análise da água

Visitas de médicos ouviu pessoas nas ruas e coletou amostras para análise da água

Artigo do Cremepe, Conselho Regional de Medicina de Pernambuco

MÉDICOS DIVULGAM RESULTADO DA CARAVANA DA SECA

Com a presença do presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto dÁvila, as entidades médicas de Pernambuco – Conselho Regional e Sindicato dos Médicos – divulgaram o resultado da Caravana, realizada entre os dias 16 e 20 de setembro, nas nove cidades mais atingidas pelo processo da seca deste ano no Agreste e Sertão.

A água, o foco da Caravana da Seca, é um problema grave nos municípios, segundo os médicos. A maioria da população só recebe água a cada quinze dias ou mensalmente, embora mantenha o pagamento da conta em dia. Muitos deles precisam comprar baldes e tonéis, que custam R$ 5 e R$ 10, respectivamente, ou pagar o valor de R$ 120 por um carro pipa.

Essa realidade atinge cerca de 60% dos entrevistados. “Isso sem falar na qualidade da água, que teremos o resultado do material coletado nos hospitais e escolas públicas na próxima semana”, disse a presidente do Cremepe, Helena Carneiro Leão. Os médicos aguardam o resultado das análises bacteriológicas das amostras da água e, assim, poderão saber se há presença de bacilos ou coliformes fecais.

Também foram encontrados diversos problemas nas unidades de saúde e hospitais, assim como na merenda escolar. “Em Serra Talhada, por exemplo, a merenda escolar é só angu e leite e ainda é divida com o presídio. Precisamos saber da prefeitura o porquê disso.

Por outro lado, em Caetés e Bom Conselho, “as crianças comem arroz, feijão, carne, macarrão e frutas”, disse dÁvila. Cerca de 27% dos professores, por sua vez, apresentaram pressão alta acima da média. “Esse número pode estar relacionado ao estresse do ambiente de trabalho”, afirmou dÁvila.

Nas escutas de rua, as entidades puderam concluir que metade da população diz ter sede e fome, tornando a vida mais difícil na Zona Rural, realidade que culmina com o desejo de 59% dos habitantes de sair de onde moram. Diante dessa realidade, 52% afirmam não receber ajuda do governo. “Não há acesso ao lazer, o consumo do crack e a violência doméstica têm aumentado e as obras da transposição estão paralisadas”, disse dÁvila.

No setor da saúde quase todos os vínculos são precários. “Os contratos são feitos de boca, o médico não tem nenhuma garantia trabalhista e também não recebe os salários altíssimos que são divulgados”, denunciou dÁvila.

Em Bom Conselho, Agreste de Pernambuco, o Hospital Monsenhor Alfredo Dâmaso, por exemplo, que atende cerca de 200 pacientes por dia, possui apenas um médico no plantão noturno durante quatro dias da semana. “Muitas vezes o profissional tem que trabalhar 48 ou até 72 horas seguidas para não deixar o plantão desfalcado”, denunciou dÁvila.

Além disso, o hospital não possui material de reanimação na sala de parto e na sala vermelha. A equipe de caravaneiros detectou, ainda, que a unidade possui apenas uma enfermeira por dia e, muitas vezes, por apenas 12 horas.

O presidente do CFM aproveitou a ocasião para criticar o “abandono” do SUS e o Programa Mais Médicos. “Nos últimos dez anos, foram fechados 280 hospitais e 47 mil vagas de unidades básicas de saúde deixaram de existir. Além disso, o Governo Federal fechou 13 mil leitos de 2010 pra cá. Vamos enfrentar o factoide de que precisamos de médicos estrangeiros com fatos e contra eles não há argumentos”, finalizou.

O resultado da visita e os relatórios da análise laboratorial da qualidade de água serão enviados às autoridades responsáveis como Secretarias Municipais de Saúde, Secretaria Estadual de Saúde, Ministério da Saúde, Gabinete da Presidência, Ministério Público estadual e Federal e Tribunal de Contas do Estado (TCE).

06/09/2013

às 12:36 \ Política & Cia

Soco na boca do estômago dos marqueteiros de Dilma

"Até o ministro Guido Mantega, o 'dr. Pangloss' nacional de plantão, preferiu ser comedido" (Foto: VEJA.com)

"Até o ministro Guido Mantega, o 'dr. Pangloss' nacional de plantão, preferiu ser comedido" (Foto: VEJA.com)

Do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros

SUCESSO ELEITORAL? – 1

Há dúvidas a respeito da continuidade da recuperação da economia brasileira no ritmo flagrado pelo IBGE no segundo trimestre. O próprio ministro Guido Mantega, o “dr. Pangloss” nacional de plantão, preferiu ser comedido e ficar com sua previsão anterior, de crescimento de 2,5% até dezembro, melhor que no ano passado, mas inferior da 2011.

A presidente Dilma, sempre, agora com a direta orientação de seus marqueteiros, sempre disposta a trombetear qualquer sucesso de seu governo, mesmo quando é apenas uma pedra fundamental, preferiu também ser comedida nas suas comemorações. As razões nos parecem mais políticas que econômicas.

Um dado do PIB do primeiro trimestre não é para comemorar, pelo menos sob a ótica político-eleitoral mais imediata do Palácio do Planalto. Enquanto economistas apontavam como um dos sinais o fato de a economia nacional estar invertendo sua lógica de crescimento dos últimos anos, saindo da força no consumo e recuperando ainda que em bases baixas, o investimento, o mundo do marketing político vê essa inversão como um ponto negativo.

Sucesso eleitoral? – 2

Afinal, a popularidade da presidente até a eclosão das ruas em junho, assim com a de Lula antes e sempre, se sustentou exatamente neste ponto: a satisfação da sociedade, especialmente a impropriamente chamada classe C, por estar consumindo mais.

O sinal de que o consumo está estagnado – cresceu apenas 0,3% no trimestre abril/maio/junho, depois de ter caído 0,8% no período anterior – foi um soco na boca do estômago dos marqueteiros. Ainda mais se somarmos a isto os dados de que o crescimento da oferta de empregos com carteira assinada está desacelerado, que a renda média do trabalhador cai desde o início do ano, que o crédito ao consumo está mais seletivo.

As manifestações juninas tiveram como estopim o aumento nos transportes coletivos em São Paulo, Rio e em algumas outras cidades, porém só tiveram o alcance de público e de crítica que tiveram porque havia um caldo de cultura para o movimento prosperar.

Sucesso eleitoral? – 3

Centenas e milhares de pessoas foram se manifestar e mais de 80% dos brasileiros (dados de mais de uma pesquisa) aplaudiram as ruas em movimento não apenas pela insatisfação com a qualidade dos serviços públicos em geral e com a capacidade dos políticos fazerem as coisas certas, mas também por uma difusa sensação de insegurança pessoal, medo de perder o que foi conquistado nos últimos anos.

Enquanto os economistas de Dilma não encontram uma fórmula para recuperar o poder de consumo da população e afastar o temor do desemprego, o desafio de Dilma e seus marqueteiros será encontrar outro mote para manter o discurso de gosto popular que a presidente abraçou nos últimos meses.

Daí a ênfase no programa “Mais Médicos”, um ideia positiva, porém cheia de aventuras e improvisações que tanto pode ser bem sucedida como virar um fracasso do qual Dilma e menos ainda o ministro Alexandre Padilha dificilmente se recuperarão.

28/08/2013

às 14:35 \ Política & Cia

De onde será que virão os professores que Mercadante quer importar? Também de Cuba? De países de língua portuguesa? Da China?

 

Na onda das eleições, Mercadante pensa em criar o programa "Mais professores" (Foto: Antonio Cruz / ABr)

Na onda das eleições, Mercadante pensa em criar o programa "Mais professores" (Foto: Antonio Cruz / ABr)

Do blog Política & Economia Na Real, do jornalista José Márcio Mendonça e do economista Francisco Petros

TAMBÉM QUERO O MEU

Entusiasmado com o que no governo é visto como um grande sucesso de “público” do ministro da Saúde, o programa Mais Médicos, seu colega da Educação, Aloizio Mercadante, que lá no fundo ainda não “revogou” sua pretensão de concorrer ao governo de São Paulo, anunciou que poderá também lançar em sua pasta um sucedâneo do programa de Padilha, o novo programa Mais Professores.

A questão é saber de onde virão esses profissionais se, como no caso dos médicos, não houver brasileiros suficientes para suprir as vagas a serem oferecidas pelo MEC.

Preferencialmente de Cuba também?

Dos países lusófonos?

Do Vietnã, Japão ou China?

E mais serão dispensados, como os médicos de um exame de validação do diploma e de um teste de proficiência em Língua Portuguesa?

Eleição, o que não se faz em seu nome!

16/08/2013

às 14:56 \ Tema Livre

MULHERES LINDAS: Maria Casadevall, da novela “Amor à Vida”

Na capa de NOVA, clicada por André Schilliró

Na capa de NOVA, clicada por André Schilliró

Nota de Juliana Linhares, publicada em edição impressa de VEJA

É NA MADRUGADA QUE ROLA

Estrear no horário nobre com um personagem popular é o que se classifica, na linguagem corrente entre atores de novela, de “presente do autor”.

Maria Casadevall, 26, retribui o presentão em Amor à Vida. Está uma graça como Patrícia, advogada modernete e adepta do programa Mais Médicos na incandescente interação com o ator Caio Castro.

“Nós formamos uma parceria muito legal”, diz a paulistana de sobrenome catalão.

A agarração, com quase nada de roupa, insuflou boatos de envolvimento real. “Nossa relação é profissional. Ele é bonito, simpático, educado, mas estou solteira”, diz Maria, admitindo apenas trocar muitos torpedos com o ator na madrugada.

A revista Nova conta mais.

Em ensaio para a NOVA (Foto: André Schiliró)

Em ensaio para a revista "Nova" (Foto: André Schiliró)

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Bonita e estilosa (Foto: Felipe Gaspar)

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(Foto: Felipe Gaspar)

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03/08/2013

às 18:00 \ Política & Cia

Avanços e recuos do governo deixam os próprios petistas perplexos

Ministro Aloizio Mercadante: Dilma está irritada com ele, e parlamentares do PT estão perplexos com ela (Foto: O Globo)

ANDANDO EM CÍRCULOS

Por Ilimar Franco, do jornal O Globo

Os petistas relatam que a presidente Dilma está furiosa com o ministro Aloizio Mercadante (Educação).

A razão: o prematuro recuo do estágio obrigatório de dois anos, no SUS, pelos médicos formados, que consta do programa Mais Médicos.

A desistência foi antecipada pela coluna em 25 de julho.

Parlamentares do PT estão atônitos com os recuos sistemáticos do governo em projetos e medidas.

Além do que chamam de “barbeiragem” de Mercadante, citam os recuos nos temas Aids e transexuais, na Saúde, comandada pelo ministro Alexandre Padilha.

A essas mancadas, soma-se a proposta da própria presidente Dilma de promover um plebiscito sobre reforma política.

25/07/2013

às 17:30 \ Política & Cia

Ato médico, importação de médicos e trabalho escravo

Médicos do SUS em greve em 2011 (Foto: ctb.org.br)

Artigo de Déborah Pimentel, médica, psicanalista, professora de Ética Médica na Universidade Federal de Sergipe e de Habilidades de Comunicação no Curso de Medicina da Universidade Tiradentes (UNIT) de Sergipe,

O texto original foi publicado no site Escolas Médicas.

Dizem que na crise, encontram-se oportunidades. O marqueteiro da presidente Dilma, João Santana, que tem status de ministro, no meio do caos das manifestações populares, e depois de alguns insucessos (constituinte, plebiscito), conseguiu jogar toda a sua pesada artilharia em um alvo específico, a categoria dos médicos, em atitude eleitoreira, populista mas com possibilidades de agradar à grande massa (ainda que só por algum tempo até que descubra o engodo), uma vez que esta depende dos serviços públicos de saúde: o programa Mais Médicos.

A população reivindica melhores serviços e mais investimentos do Estado em saúde e os tradutores de plantão das vozes das ruas, os ministros pré-candidatos do PT ao governo paulista em 2014, Aloizio Mercadante (Educação) e Alexandre Padilha (Saúde), traduziram para a presidente que o caos da saúde pública é de responsabilidade única dos médicos, que não querem se interiorizar.

Assim, o ideal é importar estes profissionais.

O que ninguém diz, mas todos sabem, é que se trata de uma forma oportuna de cumprir uma antiga promessa que Lula e o PT haviam feito aos brasileiros que fugiram dos vestibulares de Medicina no Brasil e foram fazer o curso nas terras de Fidel e Evo Morales, entre outros lugares.

Eles não estavam conseguindo trabalhar aqui, em razão da dificuldade de revalidação dos seus diplomas adquiridos nos cursos duvidosos que fizeram, onde se ensina mais ideologia política do que habilidades médicas.

Desnecessário lembrar ao leitor mais sagaz que para fazer Medicina em Cuba o único pré-requisito é ser filiado ao PT.

Outro ganho secundário do Programa Mais Médicos seria continuar enviando recursos financeiros para a ilha dos irmãos Castro, importando outros médicos, além dos brasileiros que vivem lá. Este tiro saiu pela culatra diante das exigências do governo cubano, uma vez que os médicos, aqui no Brasil, precisariam ser monitorados para não fugir e os pagamentos seriam feitos diretamente ao ditador.

Ou seja, a presidente estava importando escravos e não iria pegar bem no cenário internacional.

O alvo agora são os portugueses e espanhóis que, com a crise europeia, estão desempregados. A Ordem dos Médicos de Portugal, curiosamente, já se manifestou, afirmando que o Brasil desprestigia de forma desrespeitosa os médicos portugueses oferecendo apenas uma licença temporária e com uma limitação geográfica.

Estão insatisfeitos. Querem mais. Eles e a nossa presidente, todos de memória curta, já esqueceram que dentistas brasileiros não conseguiram revalidar seus diplomas em terras de Cabral nesta mesma Ordem que considerou a formação em Odontologia no Brasil insuficiente. Dentistas ficaram sem trabalhar e foram expulsos daquele país.

Outra brilhante ideia dos senhores grilos da dona presidente é escravizar mão-de-obra nacional: amplia-se o curso de Medicina em mais dois anos e manda-se a meninada para os lugares mais distantes e carentes do país, a título de estágio supervisionado no SUS e com o nobre objetivo de melhorar a qualidade da formação da garotada.

Muito bom.

Golpe de mestre.

População aplaude e enganada, agradece. Finalmente mais médicos!

Ora, como assim? Não continuam estudantes?

Se são estudantes, eles não têm registro no Conselho de Medicina e não podem exercer a Medicina.

Se são estudantes, eles não podem ficar sozinhos sem supervisão.

E quem fará a supervisão? A presidente diz que são as escolas.

Ora, e as escolas têm professores suficientes e disponíveis para serem deslocados para estes lugares para cuidar dos seus alunos?

Ela, a presidente, combinou com quem sobre estas mudanças curriculares que são privilégios constitucionais das universidades (artigo 207)?

Não se muda um currículo por medida provisória. Será que ninguém desconfia que esta senhora e seus fantásticos assessores, equivocadamente, pensam que vivem em uma espécie de Venezuela?

a Lei do Ato médico foi sancionada com 9 vetos, e entre eles o que definia como privativo do médico o diagnóstico e a prescrição de medicamentos, que agora poderão ser feitos pelos enfermeiros e farmacêuticos.Os médicos, portanto, só serão úteis para assinar atestados de óbito. E se os médicos são dispensáveis, por que mais médicos? (Foto: Thinkstock)

"A Lei do Ato médico foi sancionada pela presidente Dilma Roussef com 9 vetos, e entre eles o que definia como privativo do médico o diagnóstico e a prescrição de medicamentos, que agora poderão ser feitos pelos enfermeiros e farmacêuticos.Os médicos, portanto, só serão úteis para assinar atestados de óbito. Se os médicos são dispensáveis, por que mais médicos?" Foto: Thinkstock)

Claro que as universidades e as entidades médicas – Associação Médica Brasileira (AMB), Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam) – que nunca foram consultadas, reagem e condenam veementemente o programa Mais Médicos e a mudança abusiva da grade curricular.

Médico não é mágico. Podem ser os melhores médicos brasileiros, cubanos, portugueses ou vindos de Harvard que não conseguirão fazer milagres nesses campos de miséria, pois o médico que se submete a trabalhar nesses lugares às vezes sequer dispõe de pia para lavar as mãos e não lhe são fornecidos medicamentos básicos, sequer analgésicos. Falta estrutura mínima e gestão eficiente dos parcos recursos existentes.

Se os médicos brasileiros não vão para estes lugares, é porque não lhes dão condições e estruturas adequadas de suporte mínimo. Falta financiamento e o governo sabe disso.

Por que não se oferece ao médico um plano de carreira como é oferecido no Judiciário?

Os médicos desejam que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 454/2009, que cria a carreira médica nos serviços públicos de saúde federal, estadual e municipal, seja aprovada.

Esta seria uma forma digna de levar o médico para o interior com remuneração justa, uma estrutura de qualidade e disponibilidade de tratamento.

A presidente é instruída a fingir não compreender que saúde não é feita apenas por médicos e conseguiu colocar a população contra os médicos que se tornaram, já há algum tempo, os grandes vilões da saúde como se fossem aqueles que respondem pela falta, quer de leitos, quer de medicamentos e exames complementares.

Ela resolveu transferir toda a responsabilidade sobre os ombros de uma classe, que os dirigentes petistas dizem ser preguiçosa, irresponsável e mal preparada.

As entidades médicas não são contra a abertura de mais faculdades ou mais 12.000 vagas (número mágico, apresentado aleatoriamente pela presidente), desde que se prove que são bons cursos; não são contra a vinda de médicos cubanos, espanhóis ou portugueses, desde que se prove que têm conhecimentos mínimos para atuar, submetendo-se à prova de revalidação de diplomas e do conhecimento da língua (não é um desafio fácil).

Cabem questionamentos jurídicos sobre estas medidas e até mesmo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) — que, não se enganem os senhores, virão.

Para fechar o pacote, a nossa presidente aplicou nos médicos mais um golpe, provavelmente por retaliação frente à repercussão negativa nas entidades médicas que fizeram duras manifestações de repúdio às manipulações da massa com fins eleitoreiros: a Lei do Ato médico foi sancionada com nove vetos, e entre eles o que definia como privativo do médico o diagnóstico das doenças (nosológico) e a prescrição de medicamentos, que agora poderão ser feitos pelos enfermeiros e farmacêuticos.

Os médicos, portanto, só serão úteis para assinar atestados de óbito. E se os médicos são dispensáveis, por que mais médicos?

Larga do meu pé, Dilma!

10/07/2013

às 16:03 \ Política & Cia

MP dos Médicos é “proposta autoritária”, acusa Aécio

Aécio Neves: para o presidenciável tucano, com as novas medidas sobre saúde pública, Dilma optou "mais uma vez pelo marketing" em vez de por uma solução definitiva (Foto: Eduardo Biermann)

Presidenciável tucano propõe o investimento de 10% do PIB na saúde; segundo ele, o governo investiu apenas 5%do que prometeu

Marcela Mattos, do site de VEJA, de Brasília

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), engrossou as críticas contra o Programa Mais Médicos, apresentado pela presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira.

Na mesma linha defendida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o presidenciável tucano argumentou que a solução ideal para apresentar uma resposta rápida à população seria a aplicação de 10% das receitas brutas da União em saúde — e não a abertura de mais vagas para médicos e a obrigação de que estudantes atuem por dois anos na rede pública, conforme a proposta do governo.

A medida provisória apresentada nesta segunda-feira por Dilma e pelos ministros Aloizio Mercadante (Educação) e Alexandre Padilha (Saúde) pegaram de surpresa a comunidade médica.

Para Aécio Neves, o primeiro passo para editar uma proposta para a saúde seria estabelecer um diálogo com as entidades.

– Essa proposta chegou de forma autoritária. Uma medida de tamanha envergadura não ter a possibilidade de ser discutida com os médicos é uma violência sem tamanho – afirmou.

Ele ressaltou que a bancada tucana vai retomar a proposta de destinar 10% das receitas brutas para o Sistema Único de Saúde (SUS), projeto que anteriormente foi rejeitado pela base do governo. “O governo do PT jamais tratou saúde como prioridade.”

Leia também:

O viés autoritário de Mercadante

Uma decisão ditatorial de Dilma

Também foi alvo de críticas a demora para que as medidas tenham resultado.

Uma das principais novidades apresentadas pelo Programa Mais Médicos é o cumprimento obrigatório de dois anos extras na grade curricular na rede pública de saúde, que valerá para quem entrar na faculdade a partir de 2015 e, dessa forma, somente chegará às comunidades a partir de 2021.

“Apresenta-se este projeto como uma solução magnífica para algo que vai acontecer em 2021. Mas e daqui até lá? Quais respostas a presidente vai dar pela baixíssima aplicação de recursos públicos na saúde?”, questionou. O senador não se diz contrário ao atendimento popular, mas pondera que a atuação deve ser planejada com cautela.

As demais medidas anunciadas, como a criação de mais vagas para médicos formados e residentes e a bolsa de 10.000 reais por mês para que os profissionais atuem no interior, foram classificadas como jogo de cena.

– Mais uma vez a presidente privilegia o marketing em detrimento de uma solução definitiva. Ela afastou a discussão do centro do debate. Não é com medidas marqueteiras e paliativas que vamos enfrentar o problema.

O senador ainda foi irônico ao referir-se ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, possível candidato ao governo de São Paulo: “É uma triste bandeira para o ministro. Se for dessa forma que ele se apresentará ao eleitorado brasileiro, se é com essa bandeira que pretende estrear na política, o cenário não é muito alvissareiro”.

De acordo com Aécio Neves, o governo investiu na saúde apenas 5% do prometido. O senador defendeu a aplicação do Revalida, exame que autoriza a atuação de médicos estrangeiros no país, para que a comunidade não seja tratada como “cobaia” de profissionais sem a experiência básica exigida ou de estudantes despreparados.

09/07/2013

às 13:18 \ Política & Cia

Post do Leitor/Carta a Dilma: “Presidente, cada vez que lhe escrevo fico dividido. Não sei se expresso a indignação de quase 400.000 médicos brasileiros ou se fico com pena da senhora”

"Presidente, a senhora sabe o que são 'doutorandos' e médicos 'residentes'? Não sabe, né?" (Foto: The Orlando Sentinel)

Texto do leitor Milton Simon Pires, médico em Porto Alegre

Excelentíssima Senhora Presidente da República:

Já nos conhecemos, a senhora e eu. Dessa vez, portanto, não vai haver apresentação.

Vou começar lembrando à senhora algumas curiosidades.

Oito anos é atualmente o tempo máximo de mandato de presidente da república,não é?

Oito anos, presidente, se não estou enganado, é também o tempo limite para que uma pena de prisão em regime fechado possa ser convertida em semiaberto (apreendi isso assistindo na TV o julgamento de alguns conhecidos seus na Ação Penal 470) e por aí vai…

Enfim, presidente, oito é um número aplicável a tantas coisas..rss..

Na China se costuma dizer que oito é o número da sorte. Mas hoje; vai ser do seu azar. Explico-lhe brevemente o porquê:

Hoje a tarde, li perplexo na internet as notícias que dão conta do lançamento do seu “Programa Mais Médicos”. Não vou aqui gastar seu tempo detalhando um por um os aspectos dele.

Nosso tema aqui, presidente, é bem específico – nós vamos falar do aumento do tempo da formação médica de seis para oito anos obrigando-nos a prestar dois anos de serviço no SUS antes de receber reconhecimento oficial como médicos.

Presidente Dilma, a senhora sabe o que são “doutorandos” e médicos “residentes”?

Não sabe, né?

Lá vai a explicação – doutorandos são, normalmente, estudantes no ultimo dos seis anos da tradicional formação médica que a senhora e os gênios que lhe assessoram querem mudar.

Médicos residentes já se formaram – tem responsabilidade legal e, trabalhando sob supervisão de colegas mais experientes, fazem uma determinada especialização.

A senhora sabe o que eles tem em comum, presidente?

Eu lhe respondo – eles “carregam nas costas os hospitais universitários brasileiros”.

Eles, para sua informação, já trabalham, na sua gigantesca maioria, em hospitais públicos ou vinculados ao seu maravilhoso Sistema Único de Saúde!

São eles que atendem a gigantesca massa daqueles que a senhora e seus correligionários do Partido-Religião chamam de “usuários” e nós chamamos de pacientes.

Enquanto eles estão dentro de hospitais públicos com teto e paredes desmoronando nos ambulatórios, enfermarias e blocos cirúrgicos, a senhora e o Lula são atendidos por outros médicos dentro, por exemplo, do Hospital Sírio Libanês de São Paulo!

Alguns desses colegas que atendem a senhora e nosso ex-presidente deveriam estar junto com os doutorandos e residentes supervisionando a sua formação como médicos e especialistas.

A senhora sabia disso, presidente??

Mas, por favor, não quero lhe constranger…

Vamos dizer que essa sua medida desesperada para se reeleger seja realmente implantada…

Gostaria de tirar com a senhora algumas duvidas: tem a senhora a noção de que a rede hospitalar brasileira inteira está completamente sucateada, presidente?

Sabe por quê?

Porque malditos colegas meus e seus ajudaram a transformar um país que tem quase o tamanho da China num gigantesco posto de saúde!

Diga de uma vez por todas isso ao povo, presidente Dilma.

Mesmo que a senhora “derrame” 12.000 médicos dentro do SUS de uma hora para outra eu lhe pergunto – Onde e em que condições eles vão trabalhar???

Dentro dos famosos pronto-atendimentos?

A senhora sabe o que é um pronto-atendimento, presidente?

Eu lhe explico – é um lugar onde se atende tudo aquilo que não é suficientemente grave e deveria estar num posto de saúde; ou é tão sério que deveria estar dentro de uma emergência de verdade!

Sabe por que esse tipo de imundície foi inventado?

Para esconder que não existem mais hospitais nesse maldito país.

Seu antecessor, que nos anos 70 perdeu esposa e filho num hospital público, preferiu emprestar dinheiro para Cuba, perdoar a dívida da Bolívia e comprar deputados no Congresso nacional em vez de construir hospitais !

Nas últimas duas semanas, presidente, a senhora propôs ao povo brasileiro um plebiscito, depois um referendo e agora – sempre maravilhosamente assessorada – vem com um absurdo que nem mesmo a ditadura militar quis impor: estender o tempo de formação dos médicos brasileiros e obrigá-los a trabalhar onde algum burocrata escolher por razões ligadas ao fracasso do plano de poder do PT.

Presidente, cada vez que lhe escrevo fico dividido.

Não sei se expresso a indignação de quase 400.000 médicos brasileiros ou se fico com pena da senhora.

Até quando vai esse seu desgoverno?

Até onde a senhora acha que pode enganar tanta gente durante tanto tempo?

Afaste-se imediatamente dessa corja de colegas MEUS que lhe assessora, que esqueceram que são médicos, e que depois de formados jamais atenderam ninguém no sistema público.

Se a senhora não fizer isso, vai apreender de uma maneira dolorosa que políticos podem ter partido… podem ser liberais ou democratas, progressistas ou conservadores… podem até ser ditadores… mas jamais vão ter poder suficiente para aliviar a dor ou evitar a morte.

Essa função é nossa e, dia após dia, cada vez mais a senhora vem nos impedindo de exercê-la.

Atenciosamente,

Milton Simon Pires

09/07/2013

às 10:20 \ Política & Cia

ABSURDO: obrigar estudantes de Medicina a trabalhar no SUS “na marra” é coisa de ditadura!

Médicos protestam no Largo do Campo Grande, em Salvador (Foto: Biel Fagundes / Agência BAPress / Folhapress)

Amigas e amigos do blog, no pacotão publicado no Diário Oficial de hoje, terça-feira, para instituir o chamado Programa Mais Médicos, há uma medida provisória — sempre medida provisória, este governo não consegue enviar um projeto para negociar com o Congresso — estabelecendo uma barbaridade.

Leiam o que diz, a respeito, trecho de reportagem do site de VEJA:

“A partir de 2015, alunos que ingressarem em faculdades públicas e privadas passarão a cumprir obrigatoriamente dois anos extras de grade curricular no Sistema Único de Saúde (SUS). A ampliação está prevista na medida provisória e deverá ser regulamentada em 180 dias.

“Os alunos permanecerão vinculados à faculdade, receberão bolsa e terão custeados os gastos com o deslocamento para os rincões do país. O aumento na carga horária do ensino de medicina faz parte da estratégia para atender às pressões populares, e procura “humanizar” a medicina no país.

“As mudanças na grade curricular dos cursos de medicina estão previstas na medida provisória editada nesta segunda. Caberá ao Conselho Nacional de Educação, no entanto, regulamentar a decisão e definir as diretrizes do segundo ciclo de formação estudantil.

“De acordo com o Ministério da Saúde, a medida visa diminuir o déficit nas periferias brasileiras, já que os serviços de atenção básica são responsáveis por atender cerca de 80% dos problemas de saúde.

“O período de dois anos investidos na atuação pública poderá ser aproveitado como uma das etapas de residência ou de pós-graduação. Com a alteração curricular, é esperada a entrada de cerca de 20.000 médicos nos atendimentos do SUS em 2021, quando se iniciará a primeira etapa do programa.”

Como, assim, cara-pálida?

Atender a “pressões populares” com medidas ditatoriais?

De onde vêm os poderes presidenciais para obrigar um aluno de uma faculdade, inclusive particular, a trabalhar dois anos para o SUS no Amapá, no Piauí, em Rondônia, no interior de Minas, do Rio Grande do Sul ou onde seja?

Que raio de lei é essa que cria um “serviço militar obrigatório” para os estudantes de Medicina?

Como assim? Com quem isso foi negociado antes? Com quem se discutiu? Quem foi consultado?

Onde fica o direito de livre escolha das pessoas?

Então baixa-se uma medida provisória desse calibre — e pronto?

É muito mais fácil do que investir realmente em saúde e CRIAR CONDIÇÕES — inclusive infraestrutura — para que, ESPONTANEAMENTE, como deve ocorrer em democracias e em economias de mercado, os jovens formandos aceitem trabalhar em localidades carentes.

O problema é que o governo não tem capacidade, competência nem coragem para enfrentar a realidade que vivem os médicos contratados por prefeituras pelo país afora: sem equipamento mínimo, sem ambulâncias, sem contrato digno de trabalho, sem garantias trabalhistas essenciais, à mercê da politicagem partidária e, com enorme frequência, levando calotes dos prefeitos sem que tenham elementos suficientes para cobrar, depois, com eficácia, aquilo a que têm direito.

O precedente com os estudantes de Medicina, feridos em sua liberdade, é grave, é gravíssimo.

Daqui a pouco, o lulopetismo vai querer obrigar os estudantes de Direito a dedicarem não sei quantos anos à Defensoria Pública nos cafundós do país.

Ou enviar estudantes de Engenharia para colaborar na construção de ferrovias no Deserto do Jalapão, em Tocantins.

Ou dentistas para morarem na Caixa Prego, compulsoriamente.

Ou condicionar a formatura de estudantes de Enfermagem a cuidarem de leprosos nos confins da Amazônia.

Aí a imaginação pode correr solta. Que destino teria um estudante de, digamos, Geografia? E um de Relações Internacionais?

Não estamos em Cuba, nem na Venezuela, e muito menos na Coreia do Norte.

Essa medida provisória, como toda medida autoritária, usa como pretexto necessidades e carências reais da população para enfiar goela abaixo de jovens estudantes um absurdo.

Não é por acaso que o Conselho Federal de Medicina promete lutar até as últimas consequências contra essa barbaridade — primeiro, para convencer o Congresso a rejeitar a medida provisória. Numa etapa posterior, se ela for aprovada, irá combatê-la no Supremo Tribunal Federal.

“Os países totalitários fazem isso, os sérios não”, disse a respeito da medida o presidente do Conselho, Roberto Luiz D’Ávila. “Países sérios criam condições para que os seus recém-formados possam ir espontaneamente trabalhar no interior. É muito triste um país que precisa usar a força para obrigar os recém-formados a trabalharem.”

 

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