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presídio de segurança máxima

09/12/2014

às 14:00 \ Política & Cia

ESTA É UMA CADEIA DE VERDADE PARA BANDIDOS PERIGOSOS: Conheçam a temida, inexpugnável e polêmica penitenciária de Florence, Colorado (EUA), antítese das chamadas cadeias “de segurança máxima” brasileiras

The Federal Correctional Complex in Florence, Colorado

A cadeia de segurança máxima ocupa o conjunto no alto à direita, dentro de um complexo de detenção maior em Florence, Colorado (Fotos: AP)

Campeões-de-audiênciaAmigas e amigos do blog, aproveitando que bandidos perigosos de São Paulo e de Santa Catarina, promotores de ondas criminosas e de matanças, estão sendo transferidos para penitenciárias federais (nas quais, infelizmente, especialistas constatam defeitos de segurança), queria apresentar a vocês o que é uma cadeia pra valer para chefões criminosos — nos Estados Unidos.

No Brasil, a única penitenciária de segurança máxima que pode ser assim considerada  – se levarmos em conta seu índice de fuga, que é de 0% em 11 anos de existência  - é o Centro de Readaptação Penitenciária em Presidente Bernardes, a  580 quilômetros de São Paulo.

Fora o CRP, as demais prisões brasileiras consideradas “de segurança máxima” são alvos de frequentes motins e servem de centro de operações para criminosos, inclusive as federais. (Recentemente, mostrei uma delas, a 50 quilômetros de Porto Velho, em Rondônia, aparentemente isolada do mundo pela floresta amazônica. Mas ela fica à margem de uma rodovia federal, localização inteiramente inadequada para configurar “segurança máxima”.)

Uma realidade absurda e desmoralizante, como mencionei em post do dia 21 de fevereiro, citando rebelião ocorrida na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG).

Segurança máxima para valer – e polêmica

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As torres de observação: vigilância implacável

Não se trata, definitivamente, do caso da cadeia dura, duríssima, que é a Administrative Maximum Facility (ADX) de Florence, no Estado americano do Colorado.

Inaugurada em 1994, é a única penitenciária de segurança máxima pertencente ao Federal Bureau of Prisons, subdivisão do Departamento de Justiça Americano responsável pelo sistema carcerário, e figura entre os destinos mais temidos pela bandidagem.

Seu apelido, “A Alcatraz das Rockies”, faz referência a Alcatraz, a lendária prisão situada em ilha de mesmo nome próxima a San Francisco, operante entre1934 e 1963, e as Montanhas Rochosas, que cruzam o Colorado.

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As portas e os outros dispositivos automáticos são controladas por uma central

Ao contrário do que ocorre na maioria dos centros de “segurança máxima” brasileiros, a vida dos quase 500 detentos de Florence, que se distribuem em seis andares de um edifício de 36 mil metros quadrados, é… como se imagina seja uma cadeia de segurança máxima, sem aspas.

É dura a ponto de gerar protestos de entidades como a Corte Europeia dos Direitos Humanos, e também uma ação judicial conjunta de 11 internos aberta no ano passado, na qual responsabilizavam o presídio por agressões e negligência a presos portadores de doença mental.

Só cinco horas por semana fora da cela

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Celas com portas intransponíveis e janelas posicionadas para o céu: os bandidos não sabem nem em que ala da prisão estão presos

Em Florence, os presidiários passam dois dias completos por semana sem sair de suas diminutas celas, nas quais há uma cama e uma escrivaninha, ambas de concreto. Não há peças soltas nos banheiros. Nas outras cinco jornadas, têm apenas uma hora para exercitar-se em uma espécie de cela maior, semelhante a uma piscina vazia.

Nada de pátio, nada de contato com outros “moradores”. O contato, rarefeito, com parentes — como também com advogados — é feito tendo uma parede de vidro blindado entre os interlocutores, que falam por telefone. Não é permitido aos detentos nem sequer saber em que ala do presídio estão, já que as celas com portas de aço possuem apenas uma janela estreita posicionada para o céu. Vigiando a tudo e a todos estão centenas de câmeras e sensores de movimentos. Detectores de metais e um complexo sistema de acesso aos visitantes — em conta-gotas — tornam impensável o contrabando de celulares.

Ali, em 19 anos, nunca houve uma fuga, nem qualquer tentativa de rebelião.

Cela de prisão de segurança máxima: um fio de janela, com vidro ultra-blindado

Cela de prisão de segurança máxima: um fio de janela, com vidro ultra-blindado

Terroristas famosos e outros criminosos de peso

Tanta precaução para manter zeradas as estatísticas de rebeliões e fugas na ADX de Florence pode ser explicada na lista de chamada de seus habitantes.

Para lá só vai a mais alta classe de bandidos, de capos de cartéis de drogas a comandantes de nefastas seitas neonazistas assassinas, além de presos com histórico de comportamento extremamente violento em outras cadeias.

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Grades de quase quatro metros de altura e potente cerca elétrica

Mas esta supermax – expressão americana para designar os presídios de segurança máxima – se especializou em manter trancafiados terroristas conhecidos mundialmente. Há em seu interior, inclusive, o que é informalmente chamado de ala dos bombers, em alusão a multiassassinos cujo método de chacina era a explosão de bombas.

 

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Um dos hóspedes famosos de Florence: Theodore Kaczynski, o “Unabomber”, que cumpre prisão perpétua

Entre os mais notórios, ambos cumprindo sentenças perpétuas, encontra-se o americano , culpado de nada menos que 16 ataques com carta-bomba e responsável pela morte de três pessoas e ferido outras 23; e o francês Zacarias Moussaoui, participante da conspiração dos ataques de 11 de Setembro.

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Zacarias Moussaoui, envolvido com os atentados de 11 de Setembro, também deve terminar os seus dias lá

Moussaoui é apenas um dos membros da Al-Qaeda detidos em Florence. Há cerca de outros 20 com ligação à organização terrorista jihadista.

Outro assassino em massa de grande fama, o americano Timothy McVeigh, autor do terrível atentado de Oklahoma City, que matou 168 pessoas e feriu mais de 800 em 19 de abril de 1995, viveu ali antes de ser transferido e executado (fora condenado à pena de morte em 1997 e, depois de uma batalha de recursos e apelos, recebeu a injeção letal em 2011, numa prisão em Indiana).

 

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25/07/2014

às 21:00 \ Política & Cia

BOA NOTÍCIA: Um gol da Polícia contra os criminosos do PCC em São Paulo

(CLIQUE NA IMAGEM PARA AUMENTÁ-LA) (Arte: VEJA)

(CLIQUE NA IMAGEM PARA AUMENTÁ-LA) (Arte: VEJA)

UM GOL DA POLÍCIA

A Operação Bate Bola prende quarenta membros do PCC, incluindo o seu cérebro contábil, e recolhe mensagens trocadas pelos bandidos nos moldes da máfia italiana – com adaptações

Reportagem de Luciano de Pádua publicada em edição impressa de VEJA

As prisões ocorreram duas horas antes do jogo Brasil x Alemanha. Numa estação de metrô da Zona Sul de São Paulo, policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil de São Paulo, prenderam nove mulheres. A partir daí, foi lançada a ofensiva final.

Quatro dias depois da derrota do Brasil por 7 a 1, a Operação Bate Bola já somava quarenta presos. São todos – homens, mulheres e dois adolescentes – acusados de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC), a facção criminosa de São Paulo que surgiu extorquindo detentos na cadeia e enriqueceu traficando cocaína na rua.

Com a participação de mais de 200 policiais, a operação foi resultado de seis meses de investigação e 29 horas de conversas gravadas. Seu principal triunfo foi desvendar a estratégia financeira do PCC. “Conseguimos traçar um retrato atualizado desse grupo criminoso”, diz o delegado Wagner Giudice, diretor do Deic. “Sabemos agora como os seus integrantes se movimentam e temos a certeza de quem é quem. Mas isso é só o começo, não podemos parar.”

Com o cérebro contábil da facção, Glauce O’Hara, e dois de seus auxiliares, todos presos, a polícia recolheu dezenas de bilhetes que revelam detalhes sobre como os criminosos reformularam os seus negócios nos últimos anos. VEJA teve acesso a esses papéis – a saída que a organização encontrou para que os integrantes soltos conti­nuas­sem a receber ordens da cúpula, quase toda encarcerada em presídios de segurança máxima, onde o acesso a telefones celulares é mais difícil.

O método emula aquele usado por décadas por mafiosos italianos, que escreviam suas ordens em minúsculas tiras de papel, os pizzini, que os visitantes levavam para fora da cadeia escondidas entre os dedos dos pés. Quanto aos men­sageiros do PCC, os papéis são dobrados até que caibam numa cápsula, introduzida no ânus, no caso dos homens, ou na vagina, no caso das mulheres.

A Penitenciária de Presidente Venceslau, onde os principais dirigentes da organização criminosa estão enjauladas (Foto: Secretaria de Administração Penitenciária/SP)

A Penitenciária de Presidente Venceslau, onde os principais dirigentes da organização criminosa estão enjauladas (Foto: Secretaria de Administração Penitenciária/SP)

Os bilhetes revelam, por exemplo, o novo status do líder máximo do grupo. Marcos Willians Herbas Camacho, antes chamado de Marcola e agora apelidado Russo (segundo a polícia, a nova alcunha é uma referência a duas autoproclamadas simpatias do bandido, pelo marxismo e por Dostoiévski), passou a ser uma espécie de sócio minoritário do PCC. Marcola, bem como vários outros dirigentes do PCC, cumprem pena na unidade de segurança máxima da Penitenciária de Presidente Venceslau, 610 quilômetros a leste de São Paulo.

Uma das mensagens mostra que o agora ex-Marcola tem uma cota “pessoal” nos lucros das drogas vendidas pela facção – o que ficou comprovado com a descoberta da existência de um cofre onde estariam guardados 628 795,63 reais atribuídos à “família” e outros 34 362 reais pertencentes ao Russo.

Desde 2010, a facção criminosa vem passando por uma reforma administrativa. Em vez de fornecer a droga para ser vendida por bocas de fumo independentes, passou ela mesma a cuidar do varejo. Agora, o PCC tem o controle de toda a cadeia produtiva – traz a droga do exterior e a “batiza”, embala e entrega ao consumidor final. Só na capital paulista, tem hoje 69 pontos de venda.

Cada produto é chamado por um código inspirado em marcas de cerveja: “Skol” significa crack; “Antarctica”, maconha; “Brahma”, cocaína para o mercado interno; e “Itaipava”, cocaína para exportação.

A nova estratégia deixou a facção mais rica. Num dos bilhetes, um dos contadores comemora um lucro recorde. Outro comenta que precisa comprar com urgência máquinas de contar dinheiro. Segundo as investigações, o PCC hoje fatura em torno de 1,4 milhão de reais por semana só na capital. É o triplo do que lucrava em 2011.

Somados os ganhos da Grande São Paulo e da Baixada Santista, o faturamento chega a 90 milhões de reais por ano, o equivalente ao de uma empresa de médio porte. A polícia conta com o fato de ter encontrado 40 quilos de cocaína em nome de Marcola/Russo para provar que ele se mantém ativo no tráfico e conseguir uma nova transferência sua para o Regime Disciplinar Diferenciado, de isolamento total.

Sem seu capitão e com a tática de jogo revelada, o PCC fica mais fraco. Mas está longe de deixar o campo.

18/01/2013

às 14:00 \ Política & Cia

Seios siliconados, mansões, apartamentos pagos em dinheiro vivo, joias, secretárias particulares: as mulheres de bandidos cariocas que cumprem pena gastam dinheiro a rodo — e ajudam os maridos a tocar seu negócio criminoso

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Mulheres herdam poder e fortuna de traficantes presos

Publicado originalmente em 25 de maio de 2012.

(Reportagem de Leslie Leitão publicada na edição impressa de VEJA)

 

Bandidos

HERDEIRAS DO TRÁFICO

 

Os inquéritos policiais não deixam dúvida: as mulheres dos chefões da bandidagem carioca, hoje presos, usufruem à vontade suas fortunas e são essenciais para garantir a continuidade dos principais redutos do crime no Rio

O grupo de mulheres a seguir vem acumulando dinheiro e poder nos principais QGs da bandidagem carioca depois que seus maridos, figuras do alto escalão na hierarquia do crime, foram parar na prisão.

Do lado de fora, são elas que zelam pelo patrimônio que eles amealharam e continuam a acumular, mesmo encarcerados – em alguns casos, há anos.

A lógica da reprodução do dinheiro sujo não varia muito de um caso para o outro. Essas mulheres encabeçam verdadeiras “lavanderias” constituídas de pequenos negócios fincados nas favelas onde vivem e mandam, não raro com mãos de ferro. Também esparramam os tentáculos dos impérios criminosos que representam pelo mercado imobiliário, comprando e revendendo imóveis no Brasil inteiro com a ajuda de redes de laranjas. E servem de leva-e-traz da prisão.

Mesmo na cadeia, os grandes bandidos cariocas continuam mandando no tráfico

“As primeiras-damas do tráfico são, em geral, guardiãs zelosas e aplicadas dos impérios erguidos por seus maridos, quando não ocupam posição de destaque nas quadrilhas”, diz o delegado de polícia Luiz Alberto Andrade, que investigou quatro das cinco mulheres que aparecem nestas páginas e levou três à prisão.

Elas aguardam em liberdade o andamento de processos que se arrastam na Justiça, quase sempre sob a acusação de lavagem de dinheiro e, às vezes, também de associação com o tráfico. Suas histórias, bem detalhadas nos inquéritos aos quais VEJA teve acesso, não só desvendam sua trajetória no mundo do crime como escancaram uma realidade incômoda.

Mesmo na prisão, os grandes bandidos cariocas permanecem no comando do tráfico nas favelas, inclusive naquelas recém-ocupadas pelas Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs, como Rocinha e Complexo do Alemão. Com uma vida cercada de luxos, elas ajudam a garantir aos marginais com quem se uniram o essencial: a continuidade.

Conheça algumas dessas mulheres de bandidos:

A “juíza”

 

Flávia dos Santos Lima, mulher do traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB

Flávia dos Santos Lima, mulher do traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB: seios de silicone, correntes de ouro, maços de dinheiro vivo na bolsa

Flávia dos Santos Lima, 37 anos, nunca se preocupou em esconder os sinais da riqueza que acumulou como “primeira-dama” de Vila Cruzeiro, favela da Zona Norte, um dos mais lucrativos redutos do crime no Rio de Janeiro. Ao contrário.

A mulher do bandido que ordenou o abate de um helicóptero da Polícia Militar, Fabiano Atanásio da Silva, o FB, hoje preso, adora ostentar suas correntes de ouro, várias ao mesmo tempo, e exibir pilhas de dinheiro vivo no meio da rua. Certa vez, apareceu em uma concessionária disposta a sair de carro novo. “Em questão de minutos, ela pagou 100 000 reais em espécie por uma caminhonete preta”, conta um dos investigadores, que prendeu a moça dois meses atrás.

Assídua cliente de clínicas de estética

FB continua na prisão, mas a mulher, que responde a um processo por associação com o tráfico e lavagem de dinheiro, já está livre, cuidando e usufruindo do patrimônio do marido, com quem tem dois filhos. Seu nome consta da clientela assídua de clínicas de estética povoadas por celebridades e sobrenomes da alta sociedade carioca (Flávia não nega: fez lipoescultura, pôs silicone nos seios e aplicou Botox). » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

04/01/2012

às 17:27 \ Política & Cia

Bandidos cariocas veriam o que é bom para a tosse se estivessem nessa cadeia de SP

Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes (SP): o único presídio realmente de segurança máxima do país

Publicado originalmente em 26 de novembro de 2010

É um absurdo que a sucessão de ataques de bandidos que estão horrorizando o Rio de Janeiro desde domingo, causaram pelo menos 30 mortes, dezenas de veículos incendiados e dezenas de arrastões tenham sido ordenados de dentro de uma penitenciária federal, supostamente de “segurança máxima”, inaugurada com estardalhaço pelo governo federal em 2006 na remota Catanduvas, cidade de 10 mil habitantes a 476 quilômetros de Curitiba – e a mais de mil quilômetros do Rio –, próxima a Cascavel, no Oeste do Paraná.

Campeões de Audiência

Campeões de Audiência

Se essa é a “segurança máxima” que o Ministério da Justiça acha que deve existir num presídio, estamos mal.

Talvez as autoridades federais devessem consultar como funciona um presídio em São Paulo – este sim, de segurança máxima, o Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernardes, encravado a 3 quilômetros dessa cidadezinha de 20 mil habitantes a 580 quilômetros de São Paulo, no extremo sudoeste do Estado.

Ou, talvez, seria o caso de o governo do Rio solicitar ao de São Paulo a hospedagem dos líderes de facções mais perigosos, pelo menos provisoriamente, no CRP de Presidente Bernardes. Há 102 celas individuais vazias. Os bandidos cariocas veriam, então, o que é bom para a tosse.

CELAS INDIVIDUAIS, PAREDES DE CONCRETO MACIÇO, PRESOS ALGEMADOS PARA O BANHO DE SOL

Como é a vida no único presídio de segurança máxima com direito a usar este título? Bem, de vez em quando, os bandidos perigosos lá encarcerados, dependendo do bom comportamento, recebem um presentão: um acréscimo de 50% em seu período de banho de sol e exercícios fora das celas. A moleza passa de uma hora por dia para uma hora e meia.

Nas outras vinte e duas horas e meia de um por um dos 365 dias do ano, porém, os sentenciados permanecem reclusos em suas celas individuais.

Ali, a vida é dura: as paredes de cada cela são de concreto maciço, não há mobiliário – a cama tem sua base também de concreto –, como sanitário há um orifício no chão provido de descarga e, além dele, os confortos existentes são uma pia e um cano d’água, sem chuveiro, para o banho, invariavelmente frio. Na janela, uma camada de vidro temperado à prova de bala e, por fora, grades. Nada de televisão, nada de rádio, nada sequer de revistas e jornais. Lazer, só livros da biblioteca da penitenciária, escolhidos a partir de uma lista feita circular entre os detentos. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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