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Pep Guardiola

17/08/2014

às 12:00 \ Disseram

Guardiola e o tiki-taka

“Odeio o tiki-taka.”

Pep Guardiola, técnico do Bayern de Munique, referindo-se, no livro Herr Pep, do jornalista espanhol Martí Perarnau, ao termo que designa o estilo de jogo que marcou sua passagem pelo Barcelona — o treinador considera a expressão pejorativa, porque daria a ideia de uma troca de passes sem objetivo

08/08/2014

às 19:19 \ Tema Livre

FUTEBOL: Alguns (outros) exemplos do Barça para o combalido futebol brasileiro

Xavi (segundo à direita), novo capitão do Barça, com os substitutos Busquets, Messi e Iniesta: escolhidos por eleição com voto secreto, acumulam 48 anos e quase 2 mil jogos pelo clube (Foto: Miguel Ruiz - FC Barcelona)

Xavi (segundo à direita), novo capitão do Barça, com os substitutos Busquets, Messi e Iniesta, invergando o uniforme número 2 do Barça e exibindo a faixa que usarão: escolhidos por eleição com voto secreto, acumulam 48 anos e quase 2 mil jogos pelo clube (Foto: Miguel Ruiz – FC Barcelona)

Com doses de pompa e mistério, o F. C. Barcelona anunciou na quinta-feira o que muita gente já esperava: Xavi Hernández, que há até poucas semanas não tinha como certa sua permanência, será o novo capitão do time.

O genial meio-campista substituirá o grande Carles Puyol, recém-aposentado após nada menos que 19 anos na equipe, dez como portador da faixa vermelha e amarela.

E não só: o comunicado do clube catalão especificava também os outros três capitães substitutos, listados por ordem hierárquica: Andrés Iniesta, Lionel Messi e Sergio Busquets.

Os dois últimos, embora já tenham usado a braçadeira com as cores da bandeira da Catalunha em uma ou outra ocasião, são as novidades entre os comandantes oficiais. Além de Puyol, outro jogador que acumulava mais de uma década de Barça, o goleiro Victor Valdés, também se despediu no final da última temporada, abrindo a segunda vaga na “panelinha”.

Capitão quem?

Rogério Ceni, a gloriosa exceção, recebe em abril certificados do Guinness Book por três recordes, incluindo o de maior número de vezes capitão por um  mesmo clube (866, até novembro de 2013) - Foto: Rubens Chiri - São Paulo Futebol Clube)

Rogério Ceni, a gloriosa exceção, recebe em abril certificados do Guinness Book por três recordes, incluindo o de maior número de vezes capitão por um mesmo clube (866, até novembro de 2013) – Foto: Rubens Chiri – São Paulo Futebol Clube)

É grosseira a diferença de abordagem entre o Barça e, por exemplo, os grandes clubes do futebol brasileiro.

Sem pensar muito, tente responder quem é o capitão de seu time neste momento. Pode não ser tarefa das mais fáceis.

Sempre há uma ou outra exceção – Rogério Ceni, com seus assombrosos 20 anos e mais de 900 jogos na liderança do São Paulo, é a mais óbvia -, mas o fato é que, em nossa cultura, infelizmente, já não se espera quase nada de um capitão.

Contenta-se com sua participação no cara ou coroa prévio aos jogos e o recebimento de um troféu em caso de título. Sendo assim, praticamente qualquer jogador do elenco está apto à tarefa.

Democracia

Outro elemento que chama a atenção na definição do quarteto de líderes do Barcelona é o método: eleições diretas entre os jogadores, com voto secreto. Alguns até poderão rir e achar exagerado, mas a verdade é que isso prova a imagem de respeito que o capitão culé ainda significa, dentro e fora do clube.

Ainda mais em se tratando de uma entidade cujo slogan é Més que um clúb (“Mais que um clube”, em catalão), o que, dependendo da gestão em vigor, pode ser interpretado como um grito claro de afirmação catalã e até de independência em relação a Espanha.

O então capitão Peo Guardiola, em jogo da temporada 1999-2000 contra o Spartak de Praga no Camp Nou (Foto: Arquivo FC Barcelona)

O então capitão Peo Guardiola, em jogo da temporada 1999-2000 contra o Spartak de Praga no Camp Nou (Foto: Arquivo FC Barcelona)

Portanto, se o capitão é nascido na Catalunha, como Puyol, Xavi, Valdés, Busquets ou o hoje técnico do Bayern de Munique Pep Guardiola – que também usou a faixa em seus tempos de jogador –, melhor ainda.

Maltratando os ídolos

Também serve de exemplo ao futebol brasileiro a importância do Barcelona na carreira de cada um dos novos eleitos para chefiar a equipe em sua nova etapa.

Enquanto por aqui comemoramos se nosso ídolo permanece milagrosamente por três ou quatro anos em nosso time, estes quatro novos capitães do Barça foram formados nas divisões de base do clube, e nunca mais se foram. São tratados com enorme respeito e, caso um dia mudem de camisa, continuarão a ser aplaudidos em suas eventuais visitas ao Camp Nou como adversários.

Emerson Sheik e o "pecado" de beijar o amigo; ao lado, os xingamentos (Foto: Instagram)

Emerson Sheik e o “pecado” de beijar o amigo; ao lado, os xingamentos (Foto: Instagram)

Todo o oposto do que acontece frequentemente no nosso futebol. Vejam o Corinthians, por exemplo. O caso mais recente é Emerson Sheik, o grande herói da final da Libertadores 2012, quando marcou os dois gols da vitória contra o Boca Juniors no Pacaembu. Bastou uma brincadeira nas redes sociais – dar um selinho na boca um amigo – e foi condenado ao ostracismo, para finalmente ser varrido do clube pela intolerância obtusa de torcedores.

48 anos e 1939 jogos

Xavi praticamente nasceu no Barcelona, enquanto Busquets chegou aos 17 anos, Messi veio da Argentina aos 13 e Iniesta, que não nasceu na Catalunha, mas na região de Castilla-La Mancha, aos 12. Todos jamais atuaram profissionalmente por outros times.

Os números do quarteto são estarrecedores. Juntos, eles somam nada menos que 1.939 partidas com o time principal, e transcendentais 48 anos ativos com as mesmas cores. Xavi, que tem 34 anos, disputará sua 17 ª temporada com o Barça (723 jogos e 83 gols); Iniesta, 30, a sua 13 ª (507 jogos e 50 gols); Messi, 27, a sua 11 ª (425 jogos e 354 gols); e Busquets, 26 a sua 7 ª (284 partidos e 11 gols).

É. Estamos, sim, muito atrasados.

06/08/2014

às 17:37 \ Tema Livre

QUEM SEGURA PEP GUARDIOLA? O Bayern de Munique já tem o melhor goleiro do mundo, Neuer… mas acaba de comprar outro, ótimo: Pepe Reina, o espanhol do Napoli e da seleção

(Fotos: AFP)

(Fotos: AFP)

Depois de tornar o F. C. Barcelona o melhor time do mundo durante cinco anos, conquistando inacreditáveis 18 títulos no período, o treinador catalão Pep Guardiola parece ter planos tão ambiciosos quanto no Bayern de Munique, que comanda desde o ano passado e já é o número 1.

É nesse contexto, de querer mais, mais e mais, de buscar o máximo, de procurar a perfeição — sua obsessão por ela e seu caráter de workaholic acabaram por desgastar enormemente sua relação com os jogadores do Barça em sua etapa final — que deve ser vista a surpreendente contratação, anunciada hoje, de um dos melhores goleiros da Europa, Pepe Reina, 31 anos, espanhol, titular do Napoli mas pertencente por contrato ao Liverpool. Isso para um time em que já atua o melhor na posição no mundo, Manuel Neuer, 26 anos, recém-consagrado campeão mundial na Copa do Brasil.

Talvez o que tenha movido Guardiola tenha sido a possibilidade de aquisição de um grande goleiro — só não é titular da Espanha há anos porque até recentemente o grande Casillas era absoluto — por uma soma bastante baixa para os padrões europeus: o Liverpool receberá entre 2,5 a 3 milhões de euros (algo como 9,5 milhões de reais) pela transferência.

Não foram divulgados números relativos ao Napoli nem aos ganhos de Reina, cujo contrato será por três temporadas.

Reina será, no Bayern, um suplente de luxo. A intenção de Guardiola, segundo círculos do clube, é permitir que o titular absoluto Manuel Neuer ganhe fôlego ao longo das múltiplas competições que o Bayern disputará na temporada. E, também, no estilo de Guardiola, que aumente a concorrência pela posição no vestiário. Neuer é fabuloso mas, para Guardiola, é precisso sempre um pouco de stress para buscar o melhor.

Reina começou no mesmo Barça em que Guardiola se consagrou como volante e, depois, treinador, passou depois para o Villareal, da Espanha, em seguida defendeu o Liverpool para, na temporada 2014/2014, atuar pelo Napoli.

“Reina é um jogador experiente que preenchia o perfil que buscávamos e, além disso, queria viver em Munique”, disse o ex-craque Karl-Heinz Rumenigge, CEO do Bayern de Munique.

01/08/2014

às 18:26 \ Tema Livre

FUTEBOL: O goleiro Casillas, ícone do Real Madrid — que chegou a ser considerado o melhor do mundo — volta a ser titular e capitão. Mas jogará à sombra de um dos arqueiros sensação da Copa, contratado pelo clube: Keylor Navas, da Costa Rica

Iker Casillas e o filho Martín após a conquista da terceira Champions League da carreira do goleiro, contra o Atlético de Madrid em Lisboa a 24 de maio deste ano: em busca da volta por cima (Foto: Facebook)

Iker Casillas e o filho Martín após a conquista da terceira Champions League da carreira do goleiro, contra o Atlético de Madrid em Lisboa a 24 de maio deste ano: em busca da volta por cima (Foto: Facebook)

As duas últimas temporadas foram as mais turbulentas da longa, brilhante e vitoriosa carreira do goleirão Casillas, para muitos na Europa o melhor goleiro do mundo até recentemente.

O vexame espanhol na Copa do Mundo do Brasil, ilustrado pela esmagadora goleada por 5 a 1 para os holandeses na estreia – com direito a falhas do célebre portero – foi só a ponta do iceberg.

Depois de reinar soberano por mais de uma década no gol do Real Madrid, que assumiu em 1999, no começo de 2013 o único capitão de seleção a erguer duas Eurocopas e uma Copa do Mundo na história do futebol virou motivo de implicância de José Mourinho.

O encrenqueiro técnico português, hoje à frente do Chelsea, aprovou a chegada do bom Diego López e colocou o até então ídolo intocável com frequência espantosa no banco de reservas.

Mantendo a compostura

Com Diego López, o preferido de José Mourinho (Foto: Efe)

Com Diego López, o preferido de José Mourinho (Foto: Efe)

Bom moço, politicamente correto e sempre disposto a representar mundialmente o clube blanco, ao qual chegou com dez anos anos de idade, Iker Casillas Fernández à época manteve a compostura, se recusando a tecer grandes críticas ao treinador e cumprindo seu papel de garoto-propaganda madridista.

Mas nos bastidores, é claro, não demoraram a pipocar rumores sobre seu abatimento e insatisfação com o status de suplente, e desde então seu nome vinha sendo citado como possível novo reforço em outros grandes clubes europeus, a exemplo de Arsenal e Paris St. Germain.

A chegada de Navas

Keylor Navas, goleiro que pegou tudo com a Costa Rica na Copa 2014: novidade no elenco (Foto: Directv)

Keylor Navas, goleiro que pegou tudo com a Costa Rica na Copa 2014: novidade no elenco (Foto: Directv)

Mas eis que, quando boa parte da torcida e imprensa dava por certa a saída de Iker –  como gostam de chamar o atleta de 33 anos -, Carlo Ancelotti, treinador italiano do Real desde o início da temporada 2013-2014, sinaliza não apenas que o manterá no elenco, mas que ele volta a ser o titular.

Era o que vinham garantindo os jornais esportivos madrilenhos Marca e As, após o italiano escalar o capitão no amistoso contra a Roma terminado em derrota por 1 a 0 no último dia 29, até que o próprio Ancelotti deu entrevista deixando tudo claro: o capitão volta com tudo.

É possível que isso tenha surpreendido o próprio jogador, já que está praticamente selada a contratação de Keylor Navas, goleiro da Costa Rica que foi um dos destaques da Copa do Mundo do Brasil. O homem que só não fez chover nas quartas de final contra a Holanda, até o momento filiado ao modesto Levante, da Espanha, deve aportar na capital espanhola no início da semana que vem.

Casillas beijando Ramos após o empate na final da Champions: ufa... (Foto: Stefan Wermuth - Reuters)

Casillas beijando Ramos após o empate na final da Champions (Foto: Stefan Wermuth – Reuters)

A situação sobrou, portanto, para Diego López, o queridinho de Mourinho e que o próprio Ancelotti, curiosamente, quis preservar como “semititular” na última temporada ótima para a equipe, que faturou a Copa do Rei e a sua décima Champions League. Mesmo com erro de Casillas no gol do uruguaio Godin na final contra o Atlético de Madrid.

O beijo afoito e de alívio dado pelo capitão no autor do tento de empate, o zagueiro Sergio Ramos, mostrou o quanto a sua falha lhe havia afetado.

López está sendo pretendido por equipes como o Monaco e o Napoli, e o Real, conforme fontes ligadas à direção do clube, pretende pagar-lhe os salários que corresponderiam até o final de seu contrato, em 2017, levando em conta seu “alto grau de profissionalismo”.

Revezamento e insatisfação

Repetindo uma pouco usual estratégia que Pep Guardiola chegou a empregar por algum tempo no arquirrival Barcelona, com Valdés e Pinto, Ancelotti promoveu o revezamento entre arqueiros. Casillas passou um ano jogando a Champions, enquanto López se encarregava do Campeonato Espanhol e da Copa do Rei.

A estratégia é como uma faca de dois gumes: pode servir tanto para estimular a concorrência e deixar os envolvidos em ponto de bala, como amplia as chances de que os participantes percam a segurança e até entrem em conflito.

Aos 19 anos, na final da Champions em Glasgow na qual o Real Madrid bateu o Valencia em Paris (Foto: Real Madrid)

Aos 19 anos, na final da Champions na qual o Real Madrid bateu o Valencia em Paris (Foto: Real Madrid)

No caso de Iker a questão é ainda mais delicada. Ao relegar tal ícone histórico do clube alvo ao banco, ou até mesmo à tal “titularidade parcial” um, Mourinho e Ancelotti contribuíram para abalar o estado de ânimo do craque.

Um repasso rápido em seu currículo ajuda a entender: pela Seleção Espanhola, da qual também é capitão e veterano de nada menos do que quatro mundiais como titular, ergueu uma  Copa (África do Sul 2010) e duas Eurocopas (2008 e 2012); pelo Madrid, venceu três Champions League, sendo que na primeira, a de 1999-2000, transformou-se no mais jovem goleiro a vencer o torneio (19 anos). Celebrou ainda cinco Campeonatos Espanhóis, duas Copas do Rei e dois Mundiais Interclubes.

Ainda assim, o choque com Mourinho fez com que durante os dois últimos anos a imprensa espanhola falasse mais da vida pessoal do goleiro – seu casamento com a escultural repórter esportiva Sara Carbonero, e o nascimento do filho do casal, Martín – do que de seu desempenho em campo.

Sara Carbonero cobre jogo do marido pela seleção na Copa de 2010 (Foto: A. Estévez - Efe)

A bela Sara Carbonero quando cobria jogo do marido pela seleção na Copa da África do Sul, em 2010 (Foto: A. Estévez – Efe)

Também foi bastante noticiada a queda de braço que travou nos bastidores para que se definisse o seu futuro no clube. Os mesmos diários de Madri garantem que um dos elementos que mais pesou na opção da entidade por Casillas foi evitar o pagamento de sua multa rescisória, cujo valor preciso não foi divulgado mas que uma das mais altas do mundo.

Sairia muito mais caro do que arcar com os cerca de 8 milhões de euros que López receberá ao deixar o clube.

Última chance

Por um motivo ou por outro, a decisão de Ancelotti em favor da dupla Casillas-Navas e o desligamento de López, com o capitão retomando o posto oficial sem ter que dividi-lo com ninguém, tendem a reverter consideravelmente a situação.

Saberemos mais como tudo isso influirá nas atuações de Casillas já a partir do próximo dia 12, quando ele será titular na disputa da Supercopa da Europa com o Sevilla, em Cardiff, no País de Gales, ao passo que avança a temporada do Real Madrid, que amanhã, sábado, às 17 horas do Brasil, enfrentará nos Estados Unidos o Manchester United.

O time está reforçado em grande estilo como sempre: o colombiano James Rodríguez e o alemão Toni Kroos, dois dos maiores nomes do último mundial, já estão contratadíssimos. E ainda se fala na vinda do grande goleador Falcao, também colombiano, hoje no Monaco.

24/07/2014

às 16:00 \ Tema Livre

Técnico estrangeiro para a Seleção virou questão acadêmica. Se fosse pra valer, porém, teria faltado combinar com o lado de lá: quem seria louco de assinar um contrato com… a CBF?

(Fotos: Reuters :: AP :: Getty Images :: Martin Rose/Getty Images)

Guardiola, Mourinho, Klopp e Ancelotti: cogitar não paga imposto — mas qual deles faria a loucura de aceitar? (Fotos: Reuters :: AP :: Getty Images :: Martin Rose/Getty Images)

Com a genial e criativa decisão da CBF de trazer de volta o técnico Dunga para resolver todos os problemas da Seleção Brasileira, tornou-se uma questão acadêmica a contratação ou não de um treinador estrangeiro para o time canarinho.

A polêmica, porém, rolou freneticamente durante os poucos dias decorridos entre a estranha demissão de Felipão — que não teve a hombridade de sair de imediato após o fracasso, mas colocou o cargo “à disposição”, como se não estivesse sempre assim diante da direção da CBF — e a formalização de Dunga como seu substituto.

Foi discutida nas emissoras de rádio e TV, nos canais pagos especializados, nas redes sociais e, certamente, nos botecos Brasil afora.

A CBF e seus asseclas, altivos, asseguraram que “nunca” se pensou em treinador estrangeiro, agindo como parte ofendida com a mera cogitação da hipótese. Como se seleções de peso ao longo da história do futebol não tivessem sido comandadas por treinadores não nascido nos países que os times representam.

Os ingleses, inventores do futebol moderno, já foram treinados por um italiano (Fabio Capello, entre 2007 e 2012), o qual, por sinal, está há dois anos no comando da seleção da ultranacionalista Rússia. Na Copa recém-encerrada, abundaram os treinadores de países distintos daqueles de sua seleção — como os técnicos do Chile e da Colômbia (argentinos), de Camarões (um alemão), da Costa Rica (um colombiano)… e por aí vai.

Treinador estrangeiro não diminui seleção alguma, salvo naqueles países com invencível complexo de vira-latas.

O curioso em tudo isso, para mim, ficou concentrado na suposta “altivez nacionalista” da CBF, irritada com a mera possibilidade de arrastar um grande nome de fora do país para a Seleção.

Curioso e engraçado, porque, no caso, faltou combinar com o inimigo, como diz a piada.

Quem, no universo do futebol, acredita que o espanhol da Catalunha Pep Guardiola (Bayern de Munique), ou o português José Mourinho (Chelsea), ou o alemão Jürgen Klopp (Borussia Dortmund) ou o italiano Carlo Ancelotti (Real Madrid) sequer PENSARIAM em aceitar um convite da CBF?

Esqueçamos os colossais salários que cada um deles recebem. A CBF, embora à custa dos clubes, é riquíssima e provavelmente até poderia pagar. Mas, conhecedores da péssima fama da entidade e de seus cartolas, e vivendo nos ambientes rigorosamente profissionais em que atuam, a possibilidade de um dos quatro — ou outros do mesmo porte — toparem a empreitada era semelhante à de um camarada ir de bicicleta até o planeta Plutão.

18/06/2014

às 18:02 \ Tema Livre

COPA 2014: Eliminação da Espanha não significa o fim do estilo de jogo com que ela encantou o mundo. Significa que ela não conseguiu repeti-lo!

Sergio Ramos e Iker Casillas tentam impedir que o Chile marque, mas Eduardo Vargas não se intimida (Foto: EPA)

Sergio Ramos e Casillas tentam impedir que o Chile marque, mas Vargas faz o primeiro dos 2 x 0:  a ex-campeã despenca para profundezas do abismo (Foto: EPA)

Um dia tinha que terminar, e terminou, para a seleção espanhola que ganhou os principais títulos mundiais entre 2008 e 2012 — duas Eurocopas entre as fortíssimas seleções europeias e o Mundial de 2010.

O show de bola que os espanhóis tomaram da Seleção brasileira no ano passado, na final da Copa das Confederações, parecia que antevia o que ia ocorrer.

De fato, a bisonha eliminação ante o Chile, time muito aplicado ao esquema do técnico argentino Jorge Sampaoli, com vários bons valores individuais e muito da velha e boa garra — que hoje insistem em denominar de “atitude” –, arremessa La Roja da glória para a profundeza dos abismos, sobretudo porque já tivera a espinha partida pela humilhante goleada que sofreu da Holanda logo na estreia.

Fala-se muito que é o fim do estilo de jogo que encantou boa parte do mundo — embora no Brasil muita gente o considere “chato”, como se a beleza do futebol já não fosse, para nós, brasileiros, um valor essencial.

Eduardo Vargas, o grande herói chileno que abriu o placar contra os atuais campeões (Foto: Getty Images South America)

Vargas comemora: o técnico espanhol admitiu que “não há desculpas” para a derrota porque o Chile foi melhor (Foto: Getty Images South America)

Fala-se também no final de toda uma geração.

Não concordo com nenhuma das assertivas, e explico, começando pelo segundo item.

Mesmo antes da eliminação, e após a derrocada ante a Holanda, já se mencionava o “fim de uma geração”.

Isto é apenas parcialmente verdade. Pela implacável passagem do tempo, infelizmente é o fim de carreira na seleção para grandes nomes do futebol espanhol e mundial, como Casillas, Xavi, David Villa, Xabi Alonso e Iniesta, a caminho da aposentadoria que já levou o zagueirão Puyol (autor do espetacular gol de cabeça que eliminou a Alemanha da semifinal em 2010), além de outros bons valores como o goleiro Pepe Reina e o lateral Juanfran, ambos reservas.

Por seu talento e juventude, porém, continuarão por muito tempo ainda nos gramados nomes como Jordi Alba (23 anos), Javi Martínez (25), Pedro Rodríguez (26), Juan Mata (26), e mesmo Gerard Piqué (27 anos), Cesc Fábregas (27), Sergio Ramos (28) e Cazorla (29) , sem contar o provável goleiro titular no futuro, De Gea 23 anos, 1m91), titular do Manchester United.

galeria espanha

Fim de uma geração? Nada disso. Até pela idade, nomes como Jordi Alba, Piqué, Fábregas, Sergio Ramos e Cazorla continuarão (Fotos: Li Yong/ Li Yong/Xinhua Press/Corbis :: Christophe Simon/AFP/Getty Images :: Luis Gene/AFP Photo :: AFP Photo/Kimmo Mäntylä :: Miguel Riopa/AFP)

Por outro lado, não considero que o fim desta seleção espanhola que ganhou quase tudo e consagrou tantos craques seja, necessariamente, o fim do tão falado tiki-taka.

O que ocorreu nesta Copa, em minha modesta opinião de torcedor, é que esta seleção NÃO CONSEGUIU jogar adequadamente o tiki-taka, e um dos fatores para isso foi a insistência do excelente treinador Vicente del Bosque em escalar o centroavante “referência” Diego Costa entre os 11 titulares.

O sergipano tornado espanhol tem um estilo que não guarda qualquer relação com o que a seleção passou a adotar quando começou a ser treinada em 2004 pelo velho sábio Luís Aragonés, preparando-se para a Eurocopa onde, com clara inspiração no formidável toque de bola do F. C. Barcelona, o tiki-taka encheria os olhos da torcida mundo afora.

Diego Costa é um bom jogador, um artilheiro, um atacante perigosíssimo. Sua escalação no time, porém, foi uma espécie de transplante de órgão que não deu certo.

(Foto: Getty Images)

Pep Guardiola, técnico do Bayern de Munique, mostra que o futebol espanhol ainda vive (Foto: Getty Images)

O estilo genial de jogar da Espanha não entrou em campo hoje, com um time irreconhecível que não acertava passes, chutava mal e tinha até colossos como Iniesta tropeçando na bola.

A maior mprova de que o tiki-taka não morreu está além-fronteiras da Espanha — ali, na Alemanha, onde se exibe o atual melhor time do mundo, o Bayern de Munique, treinado pela maior expressão do estilo entre todos, seu técnico Pep Guardiola, o homem que mais ganhou títulos na história do Barça.

24/04/2014

às 20:30 \ Tema Livre

VÍDEO: Pep Guardiola, favorável à separação da Catalunha da Espanha, defende o uso do idioma catalão… em plena Madri

Pep Guardiola fala a jornalistas no estádio Santiago Bernabéu, em Madri: em catalão, por favor (Foto: Real Madrid)

Pep Guardiola fala a jornalistas no estádio Santiago Bernabéu, em Madri: em catalão, por favor (Foto: Real Madrid)

Um dos melhores técnicos do mundo, Pep Guardiola também não faria feio em uma competição entre poliglotas.

Nas entrevistas coletivas que concedia quando comandava o Barcelona (2008-2012), naquele que entrou para história como o melhor período da história do clube, o treinador nascido há 43 anos em Sampedor, interior da Catalunha, não raro dava um verdadeiro show.

Respondia a uma pergunta em seu idioma nativo, o catalão, em seguida tecendo algum comentário em espanhol. Instantes depois recorria, sem hesitar, ao italiano – como jogador, atuou por dois anos no Brescia – ou ao inglês para rebater observações de jornalistas estrangeiros.

No entanto, o momento mais glorioso a contribuir para sua fama de talentoso poliglota ocorreu em julho do ano passado, quando surpreendeu a todos ao responder em alemão, com notável desenvoltura, as primeiras perguntas que ouviu em entrevista coletiva como técnico de seu novo time, o Bayern de Munique. Falei deste episódio neste post.

Poliglota, mas sem – nunca – abrir mão do catalão

Todo este repertório, porém, parece não abalar nenhum fiapo do orgulho independentista catalão de Guardiola.

Separatista assumido – embora tenha defendido a seleção espanhola enquanto jogador -, ele em 2012 chegou a aparecer em vídeo apoiando oficialmente a campanha pela transformação da Catalunha, comunidade autônoma pertencente à Espanha, em um país. “Desde Nova York, aqui vocês têm mais um”, dizia o técnico, que à época passava um ano sabático na Grande Maçã.

E na quarta-feira, dia da derrota por 1 a 0 de seu Bayern para o eterno rival de seu ex-clube, Real Madrid, Pep voltou a dar seu recado soberanista.

Estava nos vestiários do estádio Santiago Bernabéu, em Madri, do espanholíssimo time da casa, representando uma entidade alemã, o Bayern. Até que um repórter da Catalunya Radio, Francesc Garriga, afirmou, antes de formular questão a Guardiola, que sofrera represália da UEFA por ter lhe perguntado em catalão na entrevista coletiva anterior, e que usaria o espanhol.

Ao escutar a explicação, o treinador não arredou pé e comprou a briga: “você está enganado. Pode sim me perguntar em catalão”. O jornalista atendeu a seu pedido, em seguida traduzindo sua pergunta ao castelhano. Pep, é claro, utilizou o mesmo método “tecla sap” para retrucar. Assistam:

 

 

02/04/2014

às 16:00 \ Tema Livre

ÓTIMOS VÍDEOS DE FUTEBOL: O passe cinematográfico para o golaço de Neymar é apenas a “ponta do iceberg”, e cresce o coro para que Andrés Iniesta ganhe logo a Bola de Ouro. Entendam por quê

Andrés Iniesta com a camisa do Barcelona: um craque enorme ainda sem Bola de Ouro da FIFA (Foto: Reuters)

Andrés Iniesta com a camisa do Barcelona: um craque enorme ainda sem Bola de Ouro da FIFA (Foto: Reuters)

Quem, como eu, acompanhou o emocionante empate em 1 a 1 entre Barcelona e Atlético de Madrid ontem (terça-feira, 1º de abril), pôde comprovar pela enésima vez: que bola joga este Andrés Iniesta!

Melhor em campo juntamente com o goleiro adversário (o gigante belga com cara de bebê Courtois), o baixinho de 29 anos, nascido na pequena Fuentealbilla, em Castilla-La Mancha, sudeste da Espanha, deu o passe monumental para o golaço de Neymar que selou o resultado. Uma pintura (o vídeo é da ESPN):

A “assistência”, como são chamados por boa parte da imprensa hoje aquilo que todos conhecemos, desde moleques, como passes, não destoou em nada do que conhecemos de Iniesta. Franzino mas resistente – longe de ser um “cai-cai” –, driblador surpreendente, detentor de uma visão de jogo raríssima e de um chute potente, o camisa 8 do Barça e 6 da seleção espanhola é conhecido por seu dom de deixar os companheiros na cara do gol rival.

Gols decisivos históricos

Como se não bastasse, possui um faro especial para anotar gols decisivos, colecionando dois em particular.

Um foi o famoso Iniestazo, tento de empate contra o Chelsea em Londres nos descontos da semifinal da Champions 2008-2009. Com frieza de gênio, ele chutou de trivela no ângulo para levar o time catalão à primeira das duas edições de finais do torneio que ganharia do Manchester United, iniciando a lenda em torno do Barça de Pep Guardiola.

O vídeo, com narração do Canal + espanhol, é de arrepiar (reparem no normalmente contido treinador correndo em disparada na comemoração):

O outro gol decisivo e emocionante de Iniesta que se eternizou foi, evidentemente, o que marcou contra a Holanda aos 10 minutos do segundo tempo da prorrogação na final da Copa de 2010, na África do Sul, contra a Holanda, que deu à Espanha seu primeiro (e merecidíssimo) título de campeã mundial.

Chutando para marcar o gol que deu à Copa de 2010 à Espanha, na prorrogação da final contra a Holanda (Foto: Alexandre-Battibugli - Placar)

Chutando para marcar o gol que deu à Copa de 2010 à Espanha, na prorrogação da final contra a Holanda (Foto: Alexandre-Battibugli – Placar)

O vídeo abaixo, da mesma emissora, traz uma reconstituição da jogada, com depoimentos dos jogadores que participaram. É só aí que nos damos conta de que o próprio Iniesta já havia dado sua contribuição antes do chute final, com um lindo toque de calcanhar.

Uma (outra) copa no caminho

O acúmulo de demonstrações de talento do atleta, seu currículo invejável (21 troféus relevantes pelo Barça, e mais uma Copa do Mundo e duas Eurocopas pela seleção) e lances isolados como os do clássico contra o Atlético animaram cronistas espanhóis a pedir, como já fizerem em outras ocasiões, a Bola de Ouro da FIFA para Iniesta. O meia-atacante ainda não ganhou o prêmio, embora tenha sido finalista em 2010 (segundo lugar) e 2012 (terceiro).

“Se Iniesta fosse estrangeiro, estaríamos falando da oitava maravilha”, disse o comentarista Manolo Lama à rádio espanhola Cope. “Jamais entenderei como não tem uma Bola de Ouro”. Durante a própria transmissão da partida do Camp Nou pela emissora pública TVE, os jornalistas presentes também reivindicaram o título ao craque.

Ainda faltam nove meses para terminar o ano, os três torneios que o Barcelona disputa ainda estão em andamento, e não há nada definido. Dependendo destes desfechos e, sobretudo, do que consiga fazer Iniesta no mundial do Brasil, estas exigências podem ser cumpridas em dezembro. Por enquanto, fiquem com este último vídeo, do usuário do YouTube HeilRJ03, com as melhores jogadas deste autêntico artista da bola:

06/03/2014

às 16:00 \ Tema Livre

VÍDEOS IMPERDÍVEIS: 5 facetas que explicam a grandeza de Puyol, o zagueirão e capitão que deixará o Barça após 19 anos de glórias

Carles-Puyol

O leão Carles Puyol celebra o gol que anotou no fim de semana passado contra o Almería: um autêntico mito (foto: Manel Montilla – Mundo Deportivo)

Com a firmeza e altivez que lhe deram fama e respeito mundial, Carles Puyol anunciou na terça-feira (4 de março) diante de jornalistas que deixará o Barcelona ao final desta temporada, em junho.

O motivo, segundo o próprio zagueiro e capitão do esquadrão azul-grená há uma década, é a dificuldade que vem encontrando há mais de três anos em recuperar-se de uma série de lesões que parece não ter fim. Puyol, que completa 36 primaveras em abril, havia dito que atuaria até chegar aos 40.

Fontes próximas ao atleta especulam que ele deve tentar cumprir a promessa, mas defendendo as cores de algum clube de uma liga “menor”. O campeonato americano estaria entre suas principais opções, até pelo fato de sua companheira Vanesa Lorenzo, com quem tem uma filhinha, possuir um apartamento em Nova York.

Exemplar raro

Sempre fui um grande admirador da raça, a correção, a lealdade e a eficiência de Puyol e sua inconfundível juba de leão. Carles é um destes exemplares raros de jogadores capazes de colocar a cabeça no pé de um adversário caso isso seja necessário para impedir um gol ou uma jogada de perigo.

Mesmo assim, não pode ser considerado violento. Muito pelo contrário: como bem lembrou editorial do jornal catalão La Vanguardia no dia seguinte ao anúncio, jamais, nos seus 19 anos de carreira profissional, todos vividos dentro do Barça – e 15 dos quais na equipe principal – Puyi, como é chamado pelos colegas, cometeu um lance desleal para com seus rivais.

Há várias maneiras possíveis de homenagear Puyol, este homem detentor de incríveis três Champions League, seis Campeonatos Espanhóis, dois Mundiais de Clubes da FIFA, duas Copas do Rei, duas Supercopas da Europa e seis Supercopas da Espanha pelo Barcelona, além de, é claro, uma Copa do Mundo (2010) e uma Eurocopa (2008) pela seleção espanhola.

Mas, aproveitando que sua camisa é a 5, separei cinco vídeos publicados no YouTube que ilustram diferentes facetas da grandeza do jogador:

-O raçudo

Em jogada válida pela Champions League 2002-2003 contra o Lokomotiv russo, o goleiro já estava vendido quando Puyol se atirou com o corpo (e a alma) para salvar um gol já dado como certo. A bola bateu no escudo do Barça e não entrou.

-O capitão

Nos grandes clubes europeus, a figura do capitão do time ainda tem muito valor. Eles representam a equipe em eventos, proferem discursos em estádios lotados e ajudam a orientar os demais dentro e fora de campo. Neste episódio ocorrido em jogo contra o Rayo Vallecano pelo Campeonato Espanhol 2011-2012, Carles correu para chamar a atenção dos brasileiros Daniel Alves e Thiago Alcântara que, após um gol do segundo, celebravam com uma de suas polêmicas dancinhas. Puyol fazia assim o papel de voz do treinador – no caso, Pep Guardiola, que não suportava as coreografias.

-O catalão

Orgulhosíssimo de suas origens  – nasceu na cidadezinha de Pobla de Segur – Puyol integra o grupo de jogadores que, embora defendam com afinco a seleção espanhola, o fariam ainda com maior intensidade caso a Catalunha se tornasse um país independente e tivesse sua própria seleção oficial. O auge de sua demonstração de amor catalão ocorreu na goleada por 6 a 2 aplicada pelo imbatível Barça de Guardiola no Espanhol de 2009. Ao anotar um gol, Carles tirou a faixa de capitão com as cores da senyera, a bandeira da Catalunha, a beijou e a exibiu, com enorme satisfação mas sem desrespeito, aos quase 100 mil torcedores do espanholíssimo Real Madrid no estádio Santiago Bernabéu.

-O espanhol

Na seleção espanhola, Puyol é quase tão lendário. Disputou três copas – 2002, 2006 e 2010 -, acompanhando, portanto, o surgimento a e consolidação desta geração de ouro da Roja. E não só: quem se esquece que foi dele um dos gols mais decisivos da conquista do caneco na África do Sul, o da semifinal contra a Alemanha?

-O ser humano

Carles Puyol foi o capitão do Barça em três conquistas da cobiçadíssima Champions League Europeia. Em 2006 e 2009, ergueu com sua típica bravura os pesados troféus. Em 2011 em Wembley, porém, fez algo muito maior: na hora H, sem avisar a ninguém, entregou a faixa ao companheiro Éric Abidal, que enfrentava uma luta contra um câncer, e lhe concedeu a honra. O mundo se emocionou (vejam a partir do tempo 1’33” do vídeo).

 

 

14/02/2014

às 18:08 \ Tema Livre

O incrível Bayern de Munique e mais uma de suas marcas assombrosas: estádios lotados, dentro e fora de casa, há 255 jogos seguidos pela Bundesliga

A Allianz Arena lotada, como sempre: exemplo de como o futebol pode ser um sucesso dentro e fora de campo (Foto: Allianz Arena)

A Allianz Arena lotada, como sempre: exemplo de como o futebol pode ser um sucesso dentro e fora de campo (Foto: Allianz Arena)

Enquanto o futebol brasileiro, a não ser por iniciativas dos próprios jogadores como Bom Senso F.C., não dá sinais significativos de que sairá da era medieval tão cedo, alguns grandes clubes europeus caminham na direção diametralmente contrária.

Para muitos o maior time da atualidade, o Bayern de Munique é um grande exemplo do quão diferente do nosso pode ser o futebol.

O elenco do Bayern para a temporada 2013-2014: jogadores como Ribéry, Robben, Lahm (fila inferior à direita), Schweinsteiger (no topo à direita) e os brasileiros Thiago e Dante (terceira fileira)

O elenco do Bayern para a temporada 2013-2014: jogadores como Ribéry, Robben, Lahm (fila inferior à direita), Schweinsteiger (no topo à direita) e os brasileiros Thiago e Dante (terceira fileira) (Foto: Bayern de Munique)

E os fatos de a equipe, atual campeão alemã, europeia e mundial, contar com a base da seleção alemã no elenco – nomes como Boateng, Lahm, Schweinsteiger e Müller -, possuir um dos três melhores jogadores do mundo (o francês Franck Ribéry) e ser dirigida pelo gênio catalão Pep Guardiola são apenas parte de um enorme projeto de sucesso.

Sete anos e meio de casa cheia

No último dia 7, Markus Hörwick, diretor de comunicação do clube bávaro, divulgou a inacreditável informação de que os últimos 255 jogos do esquadrão pelo Campeonato Alemão foram realizados em estádios lotados. Tanto na fabulosa Allianz Arena, casa do Bayern desde 2005 com capacidade total para 71 pessoas, quanto nos alçapões visitantes.

Considerando que o torneio, mundialmente conhecido como Bundesliga, é disputado há mais de 20 anos por 18 equipes no formato pontos corridos (34 rodadas), faz-se o cálculo e chega-se a conclusão de que o Bayern não se apresenta em caráter sold out no certame há exatos sete anos e meio.

Incentivos e ingressos a preços acessíveis

Imagem aérea do estádio (Foto: Allianz Arena)

Imagem aérea do estádio (Foto: Allianz Arena)

O fenômeno da torcida local se explica em parte por uma política de incentivos de fidelidade da própria entidade. Aos 38 mil sócios que possuem carnês para os jogos pede-se que frequentem o mínimo de 8 partidas por temporada. Do contrário, o privilégio passará a mão de outro torcedor.

Ao mesmo tempo, as entradas, embora possam custar até 70 euros (R$ 229,00), são vendidas por uma média de 22 euros (R$ 72,00). Trata-se de mais um motivo para sentar e chorar se compararmos com o futebol brasileiro. Nossos grandes clubes não hesitam em pedir R$ 500,00 ou mais por ingressos sem sequer garantir a segurança dentro ou fora dos estádios aos consumidores.

O futuro é alemão

Quanto ao fato do Bayern também encher os estádios quando joga fora, a resposta pode ser encontrada nas estatísticas da própria Bundesliga. Na temporadas 2012/2013, o campeonato foi o que melhor média de público teve na Europa (41.914), à frente da poderosa Premier League inglesa (35 mil) e do Campeonato Espanhol (28 mil).  O Brasileirão 2013 teve média de 14,9 mil por jogo. Três vezes menos do que na Alemanha.

Esta e uma série de outras razões, que comentei neste post de maio do ano passado, nos levam a crer cada vez mais seriamente de que os alemães, além de estarem entre os favoritos à Copa 2014, em breve terão o melhor campeonato nacional do mundo.

Pep Guardiola no vestiário do clube (Foto: The Guardian)

Pep Guardiola no vestiário do clube (Foto: The Guardian)

Quanto ao Bayern de Guardiola, a história está se fazendo muito rapidamente: a equipe já conta com dois canecos desde sua chegada, no início da temporada – Supercopa da Europa e Mundial de Clubes da FIFA -, e deve abocanhar o bicampeonato alemão com tranquilidade e não há quem duvide de sua capacidade de repetir o feito também na Champions League.

 

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