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País Basco

15/08/2012

às 18:41 \ Tema Livre

Fotos: esta artista executa suas obras efêmeras com um trator — e a ajuda das marés

Gunilla Klingberg (Foto: Bonniers Konsthall)

Gunilla Klingberg (Foto: Bonniers Konsthall)

Por Daniel Setti

Para muita gente, um dos aspectos mais encantadores de uma obra de arte é a atemporalidade, a sensação de que o trabalho de um criador poderá seduzir olhares por décadas ou até séculos após sua realização.

Pois a artista sueca Gunilla Klingberg propõe um ponto de vista oposto com seu projeto mais recente, A Sign in Space (“Um Sinal no Espaço”), que ela começou a exibir no mês passado na praia de Laga, entre o Mar Cantábrico e o Golfo de Biscaia, no País Basco (comunidade autônoma localizada no norte da Espanha).

Gunilla Klingberg

O mar à espreita, esperando para apagar a obra de Gunilla (Foto: gunillaklingberg.com)

Baseando-se no calendário lunar, Gunilla atua de acordo com o movimento das marés. Aproveita, portanto, os momentos de maré baixa para traçar seus desenhos que, com a subida gradual da água, vão sendo apagados pouco a pouco.

Gunilla

Linhas traçadas por Gunilla imitam o movimento da maré (Foto: gunillaklingberg.com)

Não bastando a originalidade conceitual da artista, ela prima também pela criatividade na forma como executa a ideia: os traçados são feitos por um molde de aço anexo a um rolo de trator. A cada passo do veículo, um pedaço de A Sign in Space, composto por formas como estrelas vai aparecendo nas areias.

Gunilla

O trator que passa o rolo criado por Gunilla sobre as areias de Laga (Foto: gunillaklingberg.com)

“Talvez esta obra reflita o caráter não permanente das coisas”, diz Gunilla a respeito de sua criação, que ela costuma apresentar em sessões de dois ou três dias interrompidas, é claro, pela ação das marés. Um método que permite que a cada novo “desenho motorizado” a autora possa “reinterpretar” suas próprias figuras. E dá, em certa medida, crédito parcial ao motorista do trator.

Os padrões repetitivos dos desenhos da artista (Foto: gunillaklingberg.com)

Os padrões repetitivos dos desenhos da artista (Foto: gunillaklingberg.com)

A Sign in Space é um dos trabalhos da exposição Sentido y Sostenibilidade (“Sentido e Sustentabilidade”), que ocorre entre 21 e 23 de setembro em vários municípios que margeiam a Reserva da Biosfera de Urdaibai, no País Basco.

Gunilla

Gunilla e sua obra (Foto: gunillaklingberg.com)

20/05/2012

às 12:13 \ Vasto Mundo

Espanha: delírios do extremismo nacionalista

As quatro protagonistas de "Atlas de Geografia Humana": filme espanhol que, para passar na Catalunha -- onde todos falam espanhol --, foi dublado em catalão (Foto: filmin.es)

Amigos do blog, volta e meia tenho comentado os extremos de delírio a que chegam os nacionalismos de algumas regiões da Espanha, como o País Basco e a Catalunha.

Recentemente mencionei a delirante ideia de um governo provincial basco de extrema esquerda de realizar um censo para constatar quantos são os “bascos puros”, à moda da Alemanha nazista, como se isso fosse possível em se tratando da raça humana.

De outra feita, mencionei como, na Catalunha, a questão linguística é levada a extremos, não raro ridículos, como o ocorrido em 2010 quando da visita de uma delegação de parlamentares da Nicarágua ao Parlamento catalão.

Os deputados catalães, todos, é claro, absolutamente fluentes em espanhol desde o nascimento— com frequência, mais fluentes em espanhol do que em catalão –, exigiram, para conversar com os nicaraguenses, a contratação (com dinheiro público) de especialistas em tradução simultânea do espanhol para o catalão, como se os nicaraguenses fossem turcos, iranianos ou uzbeques, e não produtos da colonização hispânica das Américas.

O cartaz do filme baseado no livro de Almudena Grandes

Pois bem, esta semana resolvi assistir a um filme baseado no romance Atlas de Geografia Humana, de Almudena Grandes, uma das mais bem sucedidas escritoras da Espanha. Havia lido o livro — quatro mulheres que trabalham juntas, numa editora, cada uma em uma função, na confecção de um guia com esse conteúdo e cuja história acaba sendo, também, uma excursão pela geografia humana de cada uma delas.

Fiquei curioso por ver o filme, que passava na TV3, emissora estatal da Catalunha, a região mais rica e desenvolvida da Espanha.

Pois bem, amigos, pasmem: a emissora estatal, com dinheiro público (naturalmente), fez com que o filme – falado em espanhol, idioma que todos os 7,5 milhões de habitantes da Catalunha dominam perfeitamente – fosse dublado em catalão!

Sem mais comentários, a não ser o fato de que, aos trancos e barrancos, consegui assistir e entender boa parte dos diálogos.

E de que, para variar, o filme não chega aos pés do livro.

11/05/2012

às 18:17 \ Vasto Mundo

Governo de extrema esquerda de província basca lembra Alemanha nazista ao fazer censo de “bascos puros”

Garitano com o punho levantado de antigamente: em busca de cidadãos que são bascos "puros", lembrando a Alemanha nazista (Foto: gara.net)

Os extremos se tocam em política – a cada dia isto fica mais claro. Pois é o que está em curso no momento na Espanha, mais especificamente no País Basco.

O governo de extrema esquerda, ultranacionalista e separatista de uma das três províncias bascas, Guipúzcoa, primeiro colocou em marcha um estranho censo sobre quem, na província, fala o idioma basco (os últimos dados disponíveis sobre a totalidade do País Basco mostram que apenas cerca de 35% da população têm o domínio da dificílima língua tradicional, o euskera).

Políticos de diferentes partidos reclamaram, temendo discriminação – por exemplo, nos empregos públicos – de quem não seja corrente em euskera.

Nacionalista que debocha das instituições

Agora, a coisa ficou pior. O “deputado-geral” de Guipúzcoa, Martín Garitano — espécie de mini-governador –, um dos dirigentes da coligação Bildu, no poder, pretende realizar outro censo, desta vez para identificar os guipuzcoanos por seu lugar de nascimento.

Garitano é um daqueles nacionalistas bascos extremados que debocha das instituições espanholas: recusou-se durante bom tempo a hastear a bandeira nacional no edifício em que administra a província — até ser obrigado judicialmente –, ainda é do tempo de fazer discurso com o punho levantado, vai a solenidades oficiais vestido de qualquer jeito, com camisa aberta no peito e calça desbotada, jamais, em qualquer hipótese, refere-se a “Espanha” (é sempre “o Estado espanhol”, ou seja, uma entidade à parte) – e por aí vai.

Guipúzcoa é província importante. Sua capital é a magnífica cidade litorânea de San Sebastian.

O órgão da diputación (o governo da província) encarregado da Migração informou que o objetivo do rescenseamento é estabelecer que cidadãos nasceram “dentro ou fora de Euskal Herria” [entidade que nunca existiu, um país mítico e irrealizável que, além do atual País Basco, incluiria um pedaço do norte da França], com “atenção para o lugar de nascimento de pais e mães”.

“Bascos puros” e a independência

O diretor de Migração, Marcos Nanclares, justifica a medida dizendo que “mais de 25% da população de Guipúscoa nasceu fora de Euskal Herria”. Segundo ele, é preciso criar políticas de integração para somar os “estrangeiros” à província aos ideais de independentismo do governo. “Não apenas isso”, continua, “mas também existem outros 25% da população cuja mãe, pai ou ambos nasceram fora”.

Ou seja, não seriam “bascos puros”. Lembra sinistramente a Alemanha nazista.

Com a maior naturalidade, Nanclares afirmou também que “Euskal Herria jamais poderá alcançar a independência se não formos capazes de criar alianças com as pessoas que vieram de fora de Euskal Herria, de incorporá-las a esse processo”. Ou seja, o governo provincial viola a Constituição, ao pregar a divisão do país — coisa que cidadãos, jornais ou partidos políticos obviamente podem fazer, mas que não se admite sejam parte do trabalho de um governo eleito segundo as normas do país.

Três categorias de cidadãos

É a primeira vez, desde que se instalou a democracia na Espanha, em 1976, que um agente público discrimina oficialmente, de forma criminosa, cidadãos – como se os cidadãos nascidos em Guipúzcoa que têm pais e mães bascos pertencessem a uma determinada espécie (possivelmente superior), os nascidos ali, mas de pai e/ou mãe não basco(s), constituíssem outra categoria de cidadãos, e os demais membros da comunidade fossem uma espécie de terceiro time.

É também a primeira vez que dirigente admite que o governo a que serve trabalha politicamente, lançando mão dos recursos públicos, visando separar o País Basco da Espanha. (No caso do tal “Euskal Herria”, falta só combinar com a França, naturalmente).

Deputada Rafaela Romero: políticas do governo de ultraesquerda da província são "racistas, sectárias, totalitárias e xenófobas, próprias da extrema direita" (Foto: YouTube)

“Políticas racistas, sectárias, totalitárias e xenófobas”

Muito corretamente, a líder do Partido Socialista nas Juntas Generales, o parlamento da província, Rafaela Romero, classificou o censo sobre a origem “racial” dos guipuzcoanos como uma “nova segregação”, que ela equiparou às “políticas mais racistas, sectárias, totalitárias e xenófobas próprias da extrema direita”.

A diputación é uma extravagância – absurda, por falar nisso – da organização política da Espanha. É como se, no Brasil, além do governo federal, dos governos estaduais e das prefeituras, existisse, entre os governos estaduais e as prefeituras, uma outra instância de governo, que tivesse uma série de atribuições, um governador, deputados, funcionários etc etc.

É um absurdo, mas os deputados-gerais, que governam as 50 províncias distribuídas pelas 17 comunidades autônomas do país – como a Catalunha, a Andaluzia ou a Galícia, para citar três – dispõem de poderes, inclusive para praticar idiotices como essa.

Nas eleições do final do ano passado, apesar da impugnação do governo e do equivalente ao Ministério Público espanhol, o Tribunal Supremo considerou válida uma coligação de extrema esquerda, Bildu, próxima à organização terrorista ETA, que até recentemente, e durante 44 anos, pregou a luta armada como forma de tornar independente o País Basco.

É essa turma que está procurando bascos com e sem “pureza racial”.

28/03/2012

às 17:00 \ Vasto Mundo

Vejam — inclusive no futebol — até que ponto chega o fanatismo nacionalista na Espanha

A bandeira constitucional da Espanha: radicais nacionalistas não querem vê-la de perto

Vejam a que ponto chega o fanatismo nacionalista na Espanha — contaminando, naturalmente, o futebol, grande paixão no país.

Dia 25 de maio próximo será a final da Copa do Rei, a ser disputada em Madri, no Estádio Vicente Calderón, 50 mil espectadores, pertencente ao Atlético de Madri.

O Athletic Bilbao é tão "anti-espanhol" que só admite atletas bascos e da vizinha Navarra em sua equipe

A partida reunirá, de um lado, o Athletic Bilbao, time cuja torcida congrega maciçamente nacionalistas e também separatistas do País Basco — time tão entranhadamente “anti-espanhol” que nunca admitiu jogadores na equipe que não sejam bascos de nascimentos ou nascidos em Navarra, região que, sem consultar os navarros, os separatistas bascos consideram “parte histórica” de sua terra.

Do outro lado, estará o FC Barcelona, o melhor time do mundo e que, ao longo da história — sobretudo durante a ditadura franquista, de 1939 a 1975 — sempre foi símbolo da cultura, da história e do orgulho da Catalunha, a região mais rica da Espanha.

Hoje em dia, setores nacionalistas da Catalunha vêm procurando também utilizar o Barça como parte de sua luta política, principalmente depois que o advogado e empresário Joan Laporta presidiu o clube, entre 2003 e 2010, e, no final de sua gestão, declarou-se a favor da independência da Catalunha.

Laporta é hoje deputado separatista no Parlamento da Catalunha.

Escudo do Barcelona: ao longo da história, o clube sempre foi símbolo da cultura e do orgulho catalães

Pois bem, tudo isso posto, a Federação Espanhola de Futebol propôs que, na partida final da Copa do Rei — que partidários mais fanáticos dos dois clubes chamam simplesmente de “Copa”, para não mencionar o Rei Juan Carlos –, ambos os clubes levassem na camiseta um logotipo com a bandeira espanhola.

Ambos os clubes, oficialmente, rechaçaram a proposta.

Em vez disso, como recordação da disputa da final, luzirão nas camisetas um emblema prateado mencionando o torneio, os clubes em disputa e a data.

Tal como ocorria com os nacionalistas que governaram o País Basco durante 30 anos, até 2009 — o atual governo é encabeçado pelos socialistas –, os radicais dos dois clubes fogem da bandeira nacional espanhola como os vampiros diante da cruz.

29/10/2011

às 19:00 \ Vasto Mundo

Não percam esta lista de filmes — com trailers — que ajudam a entender a questão do terrorismo no País Basco

ETA-ameaças-filmes

Cena do filme "Todos Estamos Invitados": ameaça de morte à mesa de jantar

Muitos leitores se mostraram especialmente interessados pela questão do terrorismo no País Basco após o anúncio do “fim definitivo” das “ações armadas” da organização terrorista ETA, tema deste post. O assunto ETA foi objeto também deste outro post, a respeito dos membros do bando escondidos na França ou refugiados na Venezuela e em Cuba, onde estariam vendendo armas para sobreviver.

Com a intenção de enriquecer a discussão sobre este tema, selecionei trailers de alguns bons filmes que abordam a questão basca sob diferentes ângulos e aspectos, também variando de época. Infelizmente não há legendas, mas comento um pouco de cada título para ajudar na contextualização.

A Pelota Basca – Pele contra a Pedra (2003), de Julio Medem

Nascido na linda San Sebastián, “o Rio de Janeiro do País Basco”, o eclético Medem, que pouco antes atraíra atenção mundial com Lucía e o Sexo (2001), debruçou-se sobre o assunto-tabu de seu povo em um documentário com entrevistados de peso.

Participaram do polêmico projeto desde políticos espanhóis de quase todos os partidos (incluindo o ex-primeiro-ministro socialista Felipe González e o atual líder do governo basco, o também socialista Patxi López) a um ex-integrante da ETA, passando por parentes de vítimas dos terroristas. Repercutiu no Brasil, mas atualmente não se encontra em locadoras.

O Lobo (2004), de Miguel Courtois

Conta a fascinante história real de Mikel Lejarza, infiltrado pela polícia espanhola na ETA durante os últimos meses da ditadura do general Francisco Franco (1939-1975). Lobo, como era chamado pelos agentes, fez um grande estrago na organização e contribuiu para a prisão – e posterior execução, ainda vigente durante a ditadura – de importantes dirigentes etarras.

Acabou sendo desmascarado e, dizem, vive clandestinamente até hoje com novos rosto e documentos. Basicamente um filme de ação, O Lobo ganhou a rota comercial e chegou ao mercado brasileiro no formato DVD.

Todos Estamos Invitados (2008), de Manuel Gutiérrez Aragón

Interessantíssimo relato sobre a terrível rotina de quem vive – ou vivia, até o recente anúncio – ameaçado de morte pela ETA. No caso, a de um professor cujo pecado mortal é, sendo basco, divergir dos separatistas violentos.

O filme mostra muito bem por que, no País Basco, temas políticos são uma raridade nas conversas entre as pessoas: em uma das cenas, um amigo ameaça o outro de morte com uma metáfora inequívoca, e os demais ocupantes da mesa fingem não escutar.

Aqui também o telespectador conhece o método favorito de assassinato etarra: disparo à queima-roupa, pelas costas, de preferência na nuca. Inédito no Brasil.

La Casa de mi Padre (2009), de Gorka Merchán

Melhor ainda que o longa anterior – e igualmente sem versão brasileira – La Casa de Mi Padre vai na mesma pegada, esmiuçando o cotidiano de envolvidos com o terrorismo basco e exibindo o quão complexo pode ser o problema, ao estar inserido, sob a forma de apoio ou simpatia, em praticamente toda a sociedade basca.

Em uma mesma família convivem um vereador arbetzale (a formação esquerdista independentista que nunca condenou a violência da ETA), seu irmão que acaba de regressar após anos de autoexílio na Argentina – para onde migrou por ser ameaçado de morte -, o filho envolvido com a kale borroka (violência de rua praticada por jovens simpatizantes, em geral em sintonia com a ETA) e a cunhada, separatista radical, que venera o irmão etarra morto pela polícia.

05/10/2010

às 10:45 \ Vasto Mundo

Terroristas da ETA treinando na Venezuela? Quem diz é um juiz de uma alta corte da Espanha

A Espanha tem um  governo sério, capitaneado pelo primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero.

Não pediria explicações à Venezuela do coronel Hugo Chávez sobre o eventual treinamento que receberam no país terroristas da ETA, a organização ilegal que quer separar o País Basco da Espanha com base na violência armada, se os indícios não fossem sérios.

Tampouco o jornal de centro-esquerda El País, o mais respeitado da Espanha, que divulgou a informação sobre o iminente pedido de explicações, tem reputação de irresponsável.

O fato concreto é que dois “etarras” — como se chamam na Espanha os terroristas bascos –, Juan Carlos Besance e Xabier Atristain, foram presos na quarta-feira passada no País Basco e, durante interrogatório, confessaram ao juiz Ismael Moreno que receberam treinamento na Venezuela em 2008.

TAMBÉM COM OS TERRORISTAS DAS FARC — O juiz integra um tribunal da Espanha denominado Audiência Nacional, que tem entre suas competências a de crimes cometidos no exterior que afetem os interesses espanhóis.

Dias antes, outro juiz da Audiência, Eloy Velasco, havia acusado o governo Chávez, com base em documentos e depoimentos, de colaborar com terroristas da ETA e também das chamadas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), organização criminosa que sobrevive à base de assaltos, sequestros e tráfico de drogas, num processo contra vários cidadãos espanhóis e latino-americanos que tramariam atentados contra altos funcionários colombianos — diplomatas, adidos militares e outros representantes — na Espanha.

Se você, leitor, conseguir entender plenamente a nota que a chancelaria da Venezuela divulgou a respeito do caso da ETA merece um prêmio.

As declarações dos dois etarras presos, diz o Ministério de Relações Exteriores de Chávez, são “suscetíveis de serem desconsideradas em um tribunal porque estão expostas com outros argumentos no julgamento e são declarações às quais não se pode dar credibilidade”.

 

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