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ensino médio

02/10/2014

às 0:00 \ Disseram

Mudanças urgentes

“Do jeito que está, não dá para ficar.”

Dilma Rousseff, a respeito do currículo do ensino médio atual, durante programa eleitoral

18/03/2014

às 15:08 \ Política & Cia

No DF, jovens estudam em centro de “encino”

"Encino": uniforme com erro ortográfico foi distribuído a alunos do ensino médio, em Brazlândia (DF) (Foto: Facebook / Reprodução)"Encino": uniforme com erro ortográfico foi distribuído a alunos do ensino médio, em Brazlândia (DF) (Foto: Facebook / Reprodução)

“Encino”: uniforme com erro ortográfico foi distribuído a alunos do ensino médio, em Brazlândia (DF) (Foto: Facebook / Reprodução)

Por Beatriz Souza, no site da revista Exame

NO DF, JOVENS ESTUDAM EM CENTRO DE “ENCINO”

Uniforme distribuído a estudantes do ensino médio de Brazlândia, no Distrito Federal, veio com erro ortográfico. Fábrica nega que tenha produzido camiseta com problema

As camisetas distribuídas em uma escola pública do Distrito Federal causaram espanto ao quebrar uma da regras de qualquer instituição de ensino: o uso correto da ortografia. O Centro de Ensino Médio 01, de Brazlândia, região a cerca de 30 km do centro de Brasília, virou centro de “encino”.

A Secretaria de Educação do DF, em nota, afirmou haver “indícios de adulteração em seus novos uniformes escolares” e que as possíveis fraudes identificadas serão investigadas pela Polícia Civil.

A imagem foi postada no Facebook por Taynara Santos e já teve mais de 9 mil compartilhamentos. A camiseta é de seu irmão, o estudante Maycon Santos.

“Olha só o nível da camiseta distribuída pelo GDF às escolas públicas. Estão “encinando” direitinho hein”, escreveu ela.

Os uniformes, com gola vermelha e o símbolo do Estádio Mané Garrincha, foram fabricados pela Fábrica Social, entidade vinculada ao governo distrital e que funciona como centro de capacitação profissional.

A Fábrica Social, no entanto, nega ter produzido a camiseta com o “encino”.

“As 2,8 mil camisetas de uniformes, entregues ao Centro de Ensino Médio 01 de Brazlândia na primeira quinzena de fevereiro de 2014 não apresentam erros ortográficos”, disse em nota.

A Secretaria de Educação informou, ainda em nota, que a tela de reprodução em silkscreen utilizada para fazer as 2,8 mil camisetas está em seu poder, “para evitar novas investidas”.

“A divulgação na imprensa do uniforme com grafia errada está sendo tratada como ato de sabotagem pelas duas instituições. Considera-se impossível a reprodução de 27 camisas erradas no universo de 2.800 corretas, observando-se a técnica de produção”, disse.

Mas, procurada pelo site de VEJA, a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF) admitiu que as camisetas foram distribuídas aos estudantes em suas escolas.  A rede escolar do Distrito Federal atende cerca de 445.000 estudantes, segundo o Censo Escolar de 2013.

 

03/06/2013

às 16:50 \ Política & Cia

Sete anos depois de desmascarar o então poderoso ministro Palocci, Francenildo está prestes a concluir o ensino médio

Discreto, Francenildo preferiu dar a entrevista a "O Globo" no estacionamento de um posto de gasolina em Brasília (Foto: André Coelho / O Globo)

Sete anos depois de deixar Palocci em maus lençóis, Francenildo se prepara para concluir ensino médio

Aos 32 anos, ele é aluno de um curso de educação de jovens e adultos

Reportagem de André Coelho, do jornal O Globo 

BRASÍLIA – Sete anos depois de dar o testemunho que derrubou o então todo-poderoso ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o caseiro Francenildo dos Santos Costa está prestes a terminar o ensino médio.

Aos 32 anos, ele é aluno de um curso de educação de jovens e adultos, o antigo supletivo, numa escola pública do Distrito Federal. Nos próximos dias, fará as provas finais de português e matemática. O ex-caseiro conta que a decisão de voltar à escola foi tomada no auge do escândalo que derrubou Palocci:

– Para calar a boca de muita gente que ficava falando que eu era um simples caseiro. E também porque, hoje em dia, para ter um serviço bom, você tem que ter estudo. Se não, você não tem nada. Até para ser gari tem que ter, pelo menos, o ensino médio completo. E, assim mesmo, é penado, trabalha que só.

Se conseguir as notas que precisa, Francenildo receberá o certificado de conclusão do ensino médio antes que a Justiça termine de julgar o processo de indenização que ele move contra a Caixa Econômica Federal por quebra de sigilo bancário.

Francenildo vive com a mulher e dois filhos numa residência alugada, a 15 quilômetros da região central de Brasília. Trabalha como diarista, fazendo serviços de jardinagem, limpeza e pequenos reparos em duas casas no Lago Sul, o mesmo bairro onde ficava a mansão frequentada por Palocci.

A mulher de Francenildo é copeira numa embaixada. A filha caçula está com 2 anos e 5 meses.

– Sete anos depois, é só coisa boa: minha filha nasceu, começou a aparecer trabalho e estou estudando. Se não fosse o estudo, eu não tinha tirado minha carteira de motorista e estava pegando ônibus lotado até hoje.

Francenildo conta que, tão logo tirou a habilitação, comprou um carro Gol, ano 1996, por 8.500 reais parcelados.

O caso Palocci deixou marcas. Em 2006, do dia para a noite, o caseiro virou notícia em todo o país, ao afirmar que vira Palocci na mansão do Lago Sul, local de encontros de negócios, onde o então ministro negava ter ido.

Numa tentativa de desmascarar a testemunha, o sigilo da conta pessoal de Francenildo na Caixa foi violado a pretexto de mostrar que o caseiro teria recebido dinheiro da oposição para acusar o ministro. Mas o depósito fora feito pelo pai biológico do caseiro, um empresário de transporte coletivo em Teresina.

Francenildo diz que seus professores e colegas de turma conhecem a história e que, até hoje, ouve elogios, parabéns, mas também piadas de mau gosto. A exposição pública o deixou ressabiado.

Tanto que ele se recusou a dar entrevista na escola onde estuda ou em casa. Justificou que não queria chamar a atenção dos colegas nem dos vizinhos e preferiu o estacionamento de um posto de gasolina.

Nascido no Piauí, o caseiro conta que veio para Brasília aos 16 anos, semianalfabeto. Antes que a mansão do Lago Sul fosse alugada por auxiliares de Palocci, o imóvel abrigava um escritório de advocacia e Francenildo diz que tinha dificuldades para buscar pastas no arquivo, já que só reconhecia letras e não palavras.

Foi aí que começou a estudar: primeiro, numa escola do Lago Sul e, mais tarde, numa região administrativa nos arredores de Brasília.

Se ganhar a indenização da Caixa, vai doar a instituições de caridade

O maior incentivo para retomar os estudos partiu do advogado de Francenildo, Wlicio Chaveiro Nascimento:

– Lembro-me de virar para ele e falar: “Não espere nada de ninguém, esqueça qualquer promessa e até a indenização, que vai demorar. Cuide da sua vida, vá estudar, porque a única ferramenta que uma pessoa sem herança gorda tem na vida é a educação. Daqui a dez anos, vão perguntar: Cadê o caseiro? E nós vamos responder: Caseiro, não: o doutor ou o técnico está aqui”, diz Wlicio.

Nos últimos anos, o advogado deixou a profissão de lado e passou a atuar no ramo de novas tecnologias para a construção civil. Wlicio quer que Francenildo faça um curso técnico.

Em 2010, a Justiça Federal de Brasília condenou a Caixa, em primeira instância, a indenizar o caseiro em 500 mil reais por danos morais. O banco e o próprio caseiro recorreram. A Caixa, querendo reverter a decisão. Francenildo, aumentar o valor da indenização. O caso aguarda julgamento no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília.

O advogado Wlicio diz que o objetivo de aumentar o valor da indenização é punitivo, para evitar que casos semelhantes se repitam. Segundo ele, o recurso ao TRF-1 diz que qualquer valor acima de 500 mil reais que venha a ser decidido pela Justiça pode ser automaticamente destinado a uma instituição de caridade.

Enquanto espera pelo julgamento do recurso, Francenildo diz que a história toda teve um lado bom e um ruim:

– Fizeram essa sacanagem de invadir a minha conta pessoal. Sai muita propaganda de que banco é seguro, que você pode confiar. Para mim, isso não resolveu nada, liberaram geral. O ponto bom é que eu fui lá (no Congresso) e falei a verdade.

Procurada por O Globo, a Caixa Econômica Federal informou que aguardará a decisão da Justiça e se pronunciará somente no processo.

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27/03/2012

às 17:00 \ Vasto Mundo

Campanha presidencial francesa mostra, por comparação, miséria da discussão política brasileira

sarkozy-hollande

Nicolas Sarkozy e François Hollande: nem um só tema fútil ou irrelevante em discussão

E, comparando com o que estamos acostumados a ver em nossas campanhas presidenciais, dá vontade de chorar.

Da campanha brasileira de 2010, todos nos recordamos. Foi uma sucessão de trocas de acusações que incluíam se o tucano José Serra foi ou não atingido por um objeto capaz de feri-lo durante caminhada no Rio, se a petista Dilma Rousseff mantinha ou retirava declarações anteriores sobre o aborto, quem rezava mais que o outro, quem era mais amigo de infância do eleitorado evangélico – e por aí vai.

Os reais problemas dos brasileiros passaram longe dos debates, fraquíssimos, entre os candidatos.

Fazendo uma rápida comparação com o que tenho visto na França, vejam os temas em discussão:

# Que mecanismos e medidas adotar para reduzir a dívida pública francesa, que chega a 89% de seu Produto Nacional Bruto de 2,2 trilhões de dòlares.

# O que fazer com o parque nuclear francês, responsável por 75% da energia elètrica produzida no país.

# Que caminhos adotar para reconstruir o ensino médio francês, outrora admirável por sua eficiência mas hoje em crise.

# Quanto investir e que decisões adotar para que a França – país que exporta aviões, automóveis, material bélico, satélites e outros produtos de alta tecnologia — não fique para trás no campo da pesquisa e do desenvolvimento.

# Até que ponto deve a França avançar no caminho da integração da Europa? Propugnar por um governo econômico europeu mais poderoso? E quanto â integração no setor de defesa? Se for pelo caminho de uma real integração, qual seria o papel da force de frappe – a capacidade de dissuasão nuclear com seus próprios mísseis e bombas, de que a França tanto se orgulha?

# O papel do Estado francês, tradicionalmente grande e pesado, e da iniciativa privada na criação de empregos.

# A França e sua postura diante da “primavera árabe”.

Os temas não se esgotam aí.

Mas creio que deu para perceber o grau de diferença entre o debate político lá e “neste país”, não?

08/02/2012

às 12:00 \ Política & Cia

Como o Estado de São Paulo quer sua escola pública no nível dos países mais desenvolvidos — até 2030

Incentivo ao mérito: Escola da rede estadual em São Paulo - para melhorar o ensino, só valorizando o professor (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Escola da rede estadual em São Paulo: para melhorar o ensino, só valorizando o professor e incentivando o mérito (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

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A lição número 1

A criação de um plano de longo prazo – 2030 – é a aposta de São Paulo para salvar a educação

Mais de 4 milhões de estudantes frequentam as 5 500 escolas estaduais de São Paulo – uma das maiores redes de ensino do mundo. Caso fosse um país, São Paulo estaria no grupo dos 20% piores em sala de aula, ao lado de Trinidad e Tobago, e na 53ª posição do ranking da OCDE (a organização que reúne as nações mais ricas).

O governador Geraldo Alckmin acredita que um conjunto de decisões pode elevar as escolas paulistas ao patamar das 25 melhores nações do mundo. Esse objetivo exige tempo e disciplina férrea. A meta é para 2030.Um salto dessa magnitude foi dado pela Coreia do Sul, hoje no topo da excelência educacional.

O plano paulista tem um bom ponto de partida. Ele foi elaborado nos últimos oito meses por especialistas em educação, com a ajuda da consultoria McKinsey, que produziu um detalhado diagnóstico das deficiências do sistema e definiu oitenta ações para ser executadas nos níveis fundamental e médio. As ações sugeridas têm em comum a meritocracia e a valorização do professor.

Em um dos itens mais relevantes, estão previstos mecanismos para premiar os mestres com aumentos  gradativos que podem mais que dobrar o teto atual do salário – chegando a 10 000 reais.

Vai depender de fatores como o desempenho de cada um na sala de aula, o resultado de uma prova para testar os conhecimentos em sua área e a assiduidade em classe. Um número grande de professores terá chances reais de ascender na carreira com base no esforço pessoal.

Um programa que concede bônus aos profissionais das escolas que mais avançarem será aperfeiçoado de modo a beneficiar os colégios que conseguirem se manter na zona de excelência.

A ideia dessas iniciativas é transformar uma das menos prestigiadas carreiras — a nobilíssima carreira de professor — em uma das dez mais procuradas pelos jovens. “Está claro que os melhores cérebros só serão atraídos para a docência se tiverem seu talento reconhecido”, diz Herman Voorwald, secretário de Educação de São Paulo.

Um dos maiores gargalos da educação brasileira, a evasão em massa do ensino médio, mereceu atenção especial. A tentativa de diminuir a debandada em São Paulo passará pela diversificação dos currículos, de modo a tornar a escola atraente para jovens com interesses e demandas diferentes.

A experiência internacional não deixa dúvidas de que o caminho é correto. Para reduzir os riscos de retrocesso em um plano de longo prazo, a Secretaria trabalha para que algumas dessas medidas se tornem lei.

No Brasil, o mais comum é que os governantes tentem imprimir sua marca a todo custo, enterrando o que foi erguido antes. Portanto, as chances de sucesso do plano paulista dependerão da cobrança da sociedade e, claro, da grandeza de horizontes dos futuros governantes do estado.

(Reportagem publicada pela edição impressa de VEJA em 19 de outubro de 2011, de autoria de Renata Betti)

05/09/2011

às 8:24 \ Disseram

“Ensino médio no Brasil não faz sentido”

“O ensino médio oferecido no Brasil não faz sentido. Faltam medidas que acompanhem o dinamismo que a comunidade escolar e o mercado de trabalho impõem.”

Marilza Regattieri, economista e pesquisadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), para a revista Nova Escola

 

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