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ensino médio

27/03/2012

às 17:00 \ Vasto Mundo

Campanha presidencial francesa mostra, por comparação, miséria da discussão política brasileira

sarkozy-hollande

Nicolas Sarkozy e François Hollande: nem um só tema fútil ou irrelevante em discussão

E, comparando com o que estamos acostumados a ver em nossas campanhas presidenciais, dá vontade de chorar.

Da campanha brasileira de 2010, todos nos recordamos. Foi uma sucessão de trocas de acusações que incluíam se o tucano José Serra foi ou não atingido por um objeto capaz de feri-lo durante caminhada no Rio, se a petista Dilma Rousseff mantinha ou retirava declarações anteriores sobre o aborto, quem rezava mais que o outro, quem era mais amigo de infância do eleitorado evangélico – e por aí vai.

Os reais problemas dos brasileiros passaram longe dos debates, fraquíssimos, entre os candidatos.

Fazendo uma rápida comparação com o que tenho visto na França, vejam os temas em discussão:

# Que mecanismos e medidas adotar para reduzir a dívida pública francesa, que chega a 89% de seu Produto Nacional Bruto de 2,2 trilhões de dòlares.

# O que fazer com o parque nuclear francês, responsável por 75% da energia elètrica produzida no país.

# Que caminhos adotar para reconstruir o ensino médio francês, outrora admirável por sua eficiência mas hoje em crise.

# Quanto investir e que decisões adotar para que a França – país que exporta aviões, automóveis, material bélico, satélites e outros produtos de alta tecnologia — não fique para trás no campo da pesquisa e do desenvolvimento.

# Até que ponto deve a França avançar no caminho da integração da Europa? Propugnar por um governo econômico europeu mais poderoso? E quanto â integração no setor de defesa? Se for pelo caminho de uma real integração, qual seria o papel da force de frappe – a capacidade de dissuasão nuclear com seus próprios mísseis e bombas, de que a França tanto se orgulha?

# O papel do Estado francês, tradicionalmente grande e pesado, e da iniciativa privada na criação de empregos.

# A França e sua postura diante da “primavera árabe”.

Os temas não se esgotam aí.

Mas creio que deu para perceber o grau de diferença entre o debate político lá e “neste país”, não?

08/02/2012

às 12:00 \ Política & Cia

Como o Estado de São Paulo quer sua escola pública no nível dos países mais desenvolvidos — até 2030

Incentivo ao mérito: Escola da rede estadual em São Paulo - para melhorar o ensino, só valorizando o professor (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Escola da rede estadual em São Paulo: para melhorar o ensino, só valorizando o professor e incentivando o mérito (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

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A lição número 1

A criação de um plano de longo prazo – 2030 – é a aposta de São Paulo para salvar a educação

Mais de 4 milhões de estudantes frequentam as 5 500 escolas estaduais de São Paulo – uma das maiores redes de ensino do mundo. Caso fosse um país, São Paulo estaria no grupo dos 20% piores em sala de aula, ao lado de Trinidad e Tobago, e na 53ª posição do ranking da OCDE (a organização que reúne as nações mais ricas).

O governador Geraldo Alckmin acredita que um conjunto de decisões pode elevar as escolas paulistas ao patamar das 25 melhores nações do mundo. Esse objetivo exige tempo e disciplina férrea. A meta é para 2030.Um salto dessa magnitude foi dado pela Coreia do Sul, hoje no topo da excelência educacional.

O plano paulista tem um bom ponto de partida. Ele foi elaborado nos últimos oito meses por especialistas em educação, com a ajuda da consultoria McKinsey, que produziu um detalhado diagnóstico das deficiências do sistema e definiu oitenta ações para ser executadas nos níveis fundamental e médio. As ações sugeridas têm em comum a meritocracia e a valorização do professor.

Em um dos itens mais relevantes, estão previstos mecanismos para premiar os mestres com aumentos  gradativos que podem mais que dobrar o teto atual do salário – chegando a 10 000 reais.

Vai depender de fatores como o desempenho de cada um na sala de aula, o resultado de uma prova para testar os conhecimentos em sua área e a assiduidade em classe. Um número grande de professores terá chances reais de ascender na carreira com base no esforço pessoal.

Um programa que concede bônus aos profissionais das escolas que mais avançarem será aperfeiçoado de modo a beneficiar os colégios que conseguirem se manter na zona de excelência.

A ideia dessas iniciativas é transformar uma das menos prestigiadas carreiras — a nobilíssima carreira de professor — em uma das dez mais procuradas pelos jovens. “Está claro que os melhores cérebros só serão atraídos para a docência se tiverem seu talento reconhecido”, diz Herman Voorwald, secretário de Educação de São Paulo.

Um dos maiores gargalos da educação brasileira, a evasão em massa do ensino médio, mereceu atenção especial. A tentativa de diminuir a debandada em São Paulo passará pela diversificação dos currículos, de modo a tornar a escola atraente para jovens com interesses e demandas diferentes.

A experiência internacional não deixa dúvidas de que o caminho é correto. Para reduzir os riscos de retrocesso em um plano de longo prazo, a Secretaria trabalha para que algumas dessas medidas se tornem lei.

No Brasil, o mais comum é que os governantes tentem imprimir sua marca a todo custo, enterrando o que foi erguido antes. Portanto, as chances de sucesso do plano paulista dependerão da cobrança da sociedade e, claro, da grandeza de horizontes dos futuros governantes do estado.

(Reportagem publicada pela edição impressa de VEJA em 19 de outubro de 2011, de autoria de Renata Betti)

05/09/2011

às 8:24 \ Disseram

“Ensino médio no Brasil não faz sentido”

“O ensino médio oferecido no Brasil não faz sentido. Faltam medidas que acompanhem o dinamismo que a comunidade escolar e o mercado de trabalho impõem.”

Marilza Regattieri, economista e pesquisadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), para a revista Nova Escola

 

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