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Eduardo Azeredo

17/03/2014

às 15:00 \ Política & Cia

Que plim-plim é esse? Que diabo é isso de a Globo chamar o mensalão de “mensalão do PT”???? Mensalão, felizmente, houve um só até agora — e foi uma tentativa de golpe de Estado branco

Globo

Epa! A Rede Globo já começou, há dias — seguida pela Globo News — a chamar o mensalão, o velho mensalão propriamente dito, de “mensalão do PT”.

Isso significa, obvia e evidentemente, que o jornalismo da emissora, agora que acabou o julgamento do mensalão propriamente dito, tem a intenção de qualificar o propinoduto mineiro como “mensalão tucano”.

Não sou daqueles que patrulham a Globo, não.

Acho que a Globo tem grandes méritos, é disparado uma das melhores emissoras de televisão aberta do mundo, exerceu e exerce um papel importantíssimo na vida e na cultura brasileiras.

Por isso mesmo é que tenho moral para chiar com essa hipótese que mencionei acima.

Chamar o propinoduto mineiro de “mensalão tucano”, como tudo indica que vai ocorrer durante a cobertura do caso, é uma absoluta impropriedade. Por várias razões.

A primeira, mas não a mais importante, é que, além do ex-governador tucano Eduardo Azeredo, único tucano de importância envolvido, há gente de outros partidos, inclusive o PMDB, embrulhados na maracutaia.

O mais importante, o fundamental, é que, embora em Minas tudo indique ter havido CRIME, sim — dinheiro ilegal utilizado em campanha eleitoral, ou seja, fato grave, criminoso, que deve ser punido, e que deve levar o tucano Azeredo para a cadeia se for provada sua culpa — é afirmação absurda afirmar que, em Minas, houve um “mensalão”.

Mensalão, o mensalão propriamente dito, que veio à tona em 2005, foi um esquema de pagamento a deputados corruptos, com uso de dinheiro público, para COMPRAR APOIO parlamentar para o governo lulopetista.

É igualmente CRIME, tanto como o propinoduto, mas muito mais grave porque, como bem disse durante julgamento o então presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto, foi uma tentativa de “golpe de Estado branco” — de um Poder do Estado, o Executivo, garantir apoio em outro Poder, o Legislativo, mediante corrupção.

Chamar de mensalão o propinoduto que teria beneficiado — vamos esperar a comprovação — o à época governador tucano Eduardo Azeredo em sua tentativa de reeleição, em 1998, não é apenas uma impropriedade e um absurdo.

É uma MENTIRA.

 

07/03/2014

às 22:43 \ Política & Cia

VALERIODUTO MINEIRO: Justiça de MG condena Valério por lavagem e evasão

Condenado do mensalão, Marcos Valério desembarca no hangar da PF em novembro (Foto: Eraldo Peres / AP)

Condenado do mensalão, Marcos Valério desembarca no hangar da PF em novembro (Foto: Eraldo Peres / AP)

Reportagem de Laryssa Borges, de Brasília, publicada no site de VEJA

JUSTIÇA DE MG CONDENA VALÉRIO POR LAVAGEM DE DINHEIRO

Decisão da 4ª Vara Federal de MG prevê pena de nove anos e dois meses de prisão para cada um dos condenados, velhos conhecidos da Justiça

A 4ª Vara Federal de Minas Gerais condenou o empresário Marcos Valério e seus ex-sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz a nove anos e dois meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

De acordo com a decisão, os três atuaram deliberadamente para enviar ao exterior pelo menos 628.000 dólares por meio da Beacon Hill Service Corporation e da subconta Lonton, mantidas no JP Morgan Chase Bank, em Nova York. Ao todo, foram mapeadas 23 transferências em que a empresa SMP&B, comandada pelos três condenados, foi a beneficiária ou remetente dos recursos.

De acordo com o Ministério Público em Minas, a remessa ilegal de dinheiro é uma das linhas de investigação do esquema conhecido como valerioduto mineiro, cujo processo principal envolve o ex-deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG). A condenação de Valério e dos ex-sócios, penalizados também pelo mensalão, foi assinada pela juíza Rogéria Maria Castro Debelli no final de janeiro, mas tornou-se pública nesta sexta-feira após a correção de trechos da sentença.

Segundo a acusação, os trabalhos do grupo conhecido como Força-Tarefa Banestado permitiram rastrear, de 1998 a 2001, bilhões de dólares remetidos do Brasil para o exterior, sendo que parte dos valores é resultado do desvio de recursos do valerioduto mineiro. “Emerge do acervo probatório indiciário e contundente certeza irrefutável a respeito da existência de um complexo mecanismo de arrecadação de dinheiros públicos, a partir da prática de crimes contra a administração pública, em suas diversas modalidades, e a posterior injeção daqueles recursos na contabilidade da pessoa jurídica SMP&B Comunicação Ltda, de onde eram repartidos ou expatriados. Tudo realizado com a finalidade de dissimular a origem ilícita deles, seja utilizando-os para efetuar pseudo-pagamentos de obrigações e assim contabilizados, seja realizando a denominada operação dólar-cabo”, diz trecho da decisão.

No início do ano, a 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte já havia condenado Marcos Valério e o advogado Rogério Toletino por corrupção ativa e passiva em um dos processos a que respondem por participação no valerioduto mineiro. A decisão original estabelecia a quatro anos e quatro meses de prisão para cada um, mas houve uma retificação da sentença, reajustando a condenação a dois anos e dois meses para cada réu.

19/02/2014

às 16:23 \ Política & Cia

Azeredo renunciou. Se você é leitor firme do blog, leu aqui há 6 dias que isso iria acontecer

Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas e, agora, ex-deputado pelo PSDB: queixa de ser "alvo político" (Foto: Beto Oliveira / Agência Câmara)

Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas e, agora, ex-deputado pelo PSDB: queixa de ser “alvo político” (Foto: Beto Oliveira / Agência Câmara)

Dizendo-se inocente do esquema de dinheiro ilegal para a campanha de sua tentativa de reeleição ao governo de Minas, em 1998, o atual deputado Eduardo Azeredo (PSDB), como se sabe, renunciou hoje, dizendo-se inocento e ser um “alvo político”.

LEIA AQUI REPORTAGEM COMPLETA DO SITE DE VEJA.

Este blog anunciou a renúncia há exatos seis dias, com o seguinte texto:

“O deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) cogita de renunciar ao cargo nos próximos dias ou mesmo nas próximas horas.

Acusado de beneficiar-se de um esquema ilegal de financiamento de campanha na tentativa de se reeleger governador do Minas em 1998 — impropriamente chamado de “mensalão mineiro”, por não se tratar de nada parecido ao mensalão do PT –, Azeredo foi denunciado no dia 7 passado, sexta-feira, pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sob a acusação de peculato e apropriação indébita.

O chefe do Ministério Público pediu pena de 22 anos de prisão para o ex-governador e mais uma multa de 451 mil reais.

Azeredo cogita renunciar por suas razões:

1. Ele afirmou a pessoas próximas que, sem o mandato, se sentiria mais à vontade para defender-se no processo, em que alega inocência.

2. Com isso, além do mais, deixaria de ser uma pedra no caminho da campanha do presidenciável tucano Aécio Neves (MG).”

Quem quiser conferir o post original, ele está neste link.

18/02/2014

às 15:00 \ Política & Cia

MENSALÃO: o chamado “mensalão mineiro” encerra, sim, acusação de crimes, que devem ser punidos — mas o do PT é muito mais grave: foi um ATENTADO à República e à democracia

Ministros do STF julgando o mensalão: "Atentado contra a democracia" (Foto: Nelson Jr. / STF)

Ministros do STF julgando o mensalão: “o chamado mensalão mineiro abrange denúncia de crime, mas o mensalão propriamente dito, além de crime, foi um atentado contra a democracia, de gravidade só comparável à de um golpe de Estado” (Foto: Nelson Jr. / STF)

 

Publicado originalmente a 13 de setembro de 2012, às 18h30. Republicado agora por ser oportuníssimo

O texto que se segue é do leitor e amigo do blog Ruy Jorge, respeitado advogado na capital do país, de quem tenho a honra de ser amigo desde quando, jovens, frequentamos o Curso de Direito da Universidade de Brasília — em cujo vestibular, diga-se de passagem, ele passou em primeiro lugar.

Eu próprio poderia ter escrito este texto, porque CONCORDO INTEIRAMENTE COM ELE.

Post do Leitor

Também sou daqueles que defendem a plena punição de todos aqueles que cometeram crimes, independentemente de pertencerem a qualquer grupamento político. Acho, entretanto, que é necessário separar coisas distintas.

O apodo “mensalão mineiro” ou “mensalão tucano” não passa de uma criação petista visando a equiparar situações distintas, embora – repito – ambas passíveis de sanção penal.

Embora as acusações abranjam, em ambos os casos, desvio de dinheiro público, são elas diferentes. No mal apelidado mensalão mineiro trata-se, verdadeiramente, de crime eleitoral – nem por eleitoral menos crime.

Já o mensalão de verdade – o que está sendo julgado no STF – foi algo muito mais grave, pois, além do desvio de dinheiro público – comum a ambos – o que houve foi um grave atentado à democracia, com a compra apoio político de parlamentares e de partidos inteiros, numa tentativa de perpetuação do PT no poder.

No caso do deputado Eduardo Azeredo [na ocasião dos fatos, 1998, candidato à reeleição como governador de Minas], não houve nenhuma referência a qualquer tentativa de compra de apoio político ao governo, em nenhuma casa parlamentar.

Apontados como mentores do esquema de arrecadação de fundos:  Eduardo Azeredo e Walfrido Mares Guia (Fotos: Agência Brasil :: Rafael Neddermeyer & Sergio Lima / Folha Imagem)

O ex-governador e hoje deputado tucano Eduardo Azeredo é o principal réu do chamado “mensalão mineiro”, no qual também figura o ex- ministro do Turismo de Lula Walfrido Mares Guia (Fotos: Agência Brasil :: Rafael Neddermeyer & Sergio Lima / Folha Imagem)

E a compra de apoio parlamentar é o que qualifica e torna incomparavelmente mais grave o crime do lulalato.

O apodo “mensalão mineiro” ou “mensalão tucano” não passa de uma manobra dos petistas – que construíram a tese do caixa dois e do crime eleitoral – para equiparar crimes totalmente diferentes. Uma tentativa de incutir na mente do povo a ideia de que ambos não passaram da mesma coisa, e que, assim, o mensalão foi “apenas” um crimezinho eleitoral, tal como o outro.

E a mídia – grande parte dela sem se dar conta das intenções ocultas – aderiu, gostosamente, à manobra e acabou por dar a ambos os crimes – crimes, note bem – a mesma conotação.

Volto a repetir: qualquer crime deve ser punido – acho, até que os de natureza eleitoral deveriam ser tratados pela lei com rigor maior do que previsto na atual legislação, pois distorcem o resultado das eleições.

Mas o caso do mensalão traduz atentado à democracia e à República de gravidade só comparável à de um verdadeiro golpe de Estado.

Equiparar ambos, ainda de apenas dando o mesmo “apelido”, acaba por fazer o jogo dos inimigos da democracia e dos candidatos a tiranete…

Nunca me conformei em ver setores da mídia abraçar, de forma tão cândida – alguns, outros não – uma meia-verdade, maliciosamente plantada, a qual vem acabando por ganhar a conotação de uma mentira inteira.

(ATUALIZAÇÃO: LEIAM AQUI NOTÍCIA SOBRE A PRIMEIRA CONDENAÇÃO NO CASO MINEIRO)

16/02/2014

às 17:00 \ Política & Cia

Neil Ferreira: Frase atribuída a Eduardo Azeredo: “Sou inocente como o Lula”

"O PSDB, partido do Azeredo, tem um QI menor do que o dele. Não o suspendeu nem o licenciou pra se defender, no dia em que ocupou as manchetes a notícia daquilo que a mídia batizou de 'Mensalão Mineiro'". (Foto: Geraldo Magela / Ag. Senado)

“O PSDB, partido do Azeredo, tem um QI menor do que o dele. Não o suspendeu nem o licenciou pra se defender, no dia em que ocupou as manchetes a notícia daquilo que a mídia batizou de ‘Mensalão Mineiro’”. (Foto: Geraldo Magela / Ag. Senado)

Por Neil rsrsrs Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

Neil Ferreira

Antes Scriptum: Uma lágrima pelo cinegrafista da Band, assassinado pelos bandidos que os jornais chamam quase carinhosamente de “manifestantes”.

A “Sininho”, granfininha que roubou o nome da fadinha Tilim Tilim, do “Peter Pan”, que disse trabalhar para um deputado federal do PSOL, também merece cana, ela e o chefe dela.

Outra lágrima para o jornalista e escritor Renato Pompeu, que nos deixou e deixou textos inesquecíveis; seu livro “Quatro Olhos” e nada menos do que genial.

E um sorriso de alívio pra comemorar a volta da chuva.

Pode ser internetice, tomara que não seja.

Mas duvido de que na política brasileira haja tanta sabedoria em apenas cinco palavras. Gostaria de ter sido o autor, não fui. Azeredo deveria assiná-la rindo às escâncaras, mas precisaria ter mais do que apenas dois neurônios adormecidos e QI de galinha, 12, necessários pra se meter numa roubada tão absurda.

O PSDB, partido do Azeredo, tem um QI menor do que o dele. Não o suspendeu nem o licenciou pra se defender, no dia em que ocupou as manchetes a notícia daquilo que a mídia batizou de “Mensalão Mineiro”.

Azeredo e o PSDB sangraram em vida e vão sangrar mais durante o julgamento, o PT terá a oportunidade de fazer o que sabe fazer melhor: produzir dossiês farjutos pra destroçar biografias.

Mas enquanto houver humor nem tudo está perdido, não sei se Azeredo falou mesmo isso e a sério, ou se quiseram que assinasse, pra dar uma de Millôr Fernandes.

Tomara que a frase, pelo veneno que contém, tenha acordado a oposicinha. Pra mim, acertou na mosca varejeira-mor, gordona e com um zumbido infernal que não acaba nunca, acho que tem a língua-presa e não há inseticida que a combata, só tem o voto e mais nada.

Já viu varejeira com a língua presa não viu? Nem ouviu? Nem ao vê-la e ouvi-la não sentiu um certo nojo por saber por onde ela avoeja? Então tá, estou sendo lido por um cidadão que mora na Suécia.

Outra varejeira das gordonas é o Procurador Geral da República, que ofereceu denúncia contra Azeredo: condenou-o com multa e dosimetria e tudo, a 24 anos de prisão, sem julgamento nem direito à defesa, conforme reza a Constituição.

A Constituição deve ser beata como as minhas tias velhas e sábias, “reza” sempre que citada.

“Sou inocente como o Lula”, vou colar no meu carro, distribuir na internet, citar na roda dos amigos em que me meto aos sábados, discutindo por e-mail quem vai ganhar o jogo do domingo.

Claro que vai ser o Corinthians. Pode-se dizer que tenho dor de cotovelo do Corinthians, que sempre leva uma mãozinha do Ministro que tem o apito na boca e o cartão amarelo no bolso. Tenho; fazer o quê.

Mas não sou como uns e outros que nada vê, nada escuta, nada fala; é vascaíno e finge que torce pro Corinthians. Eu vejo, escuto e falo.

Marco Aurélio Mello, Ministro do Supremo, não faz segredo: nas manhãs dos sábados pega a moto e vai ao boteco da sua preferência, numa periferia de Brasília, nada de clubes chiques e altas rodas, jogar disputadíssimas partidas de sinuca, com uma turma de amigos que nem de longe sabe que ele é uma das mais importantes Excelências do Brasil.

Nas quartas à noite e em alguns sábados e domingos, fica incomunicável quando o Flamengo está no campo. Seu sagrado direito de ir e vir, como reza a Constituição, fica revogado pela paixão; não se move nem respira, a não ser que o Mengão faça uma jogada celestial e gooool!, sacudindo a galera aos trinta e três minutos do segundo tempo.

Admirei-o quando denunciou “o país do faz de conta” (o nosso) no seu discurso de posse na Presidência do TSE, em outro mandato, antes deste atual, arrepiando meio mundo que vestiu a carapuça.

Gostei dele ao fazer a primeira de uma série de reuniões na sua salona, com a mesa que mais parece pista de pouso de aeroporto internacional, tal o seu tamanho.

Na cabeceira, dois celulares e um deles tocou o Hino do Flamengo, a todos os decibéis possíveis.

O Ministro, gentil, pediu licença (vênia Ministro só pede pra outro Ministro) e disse “É meu filho”. Tal filho, tal pai, ele liga para o filho e a filha, ambos na carreira de Direito, e a esposa, com o mesmo Hino do Flamengo. Só não dá pra admirá-lo se você for Flu ou Vasco.

Flamenguista, craque na sinuca e sem a capa preta, é humano; e, humano, tem mais condições de exercer a Justiça ao vestir a capa preta.

"Se algum dia fosse contratado pra criar uma imagem que servisse de logotipo ao Melandowski, pegaria da RCA Vitor o cachorrinho com quase metade da carinha preta e a outra quase metade branca, com a cabecinha inclinada ouvindo a voz do seu dono que, como já falei (já?), é apenas o Dirceu de La Mancha, a Triste Figura em pessoa" (Imagem: Francis Barraud)

“Se algum dia fosse contratado pra criar uma imagem que servisse de logotipo ao Melandowski, pegaria da RCA Vitor o cachorrinho com quase metade da carinha preta e a outra quase metade branca, com a cabecinha inclinada ouvindo a voz do seu dono que, como já falei (já?), é apenas o Dirceu de La Mancha, a Triste Figura em pessoa” (Imagem: Francis Barraud)

Seus votos são tudo, menos esperados. Orgulha-se de ser “maioria de um” no pleno da corte, pleno de guardiões da Constituição; e ri

Mas vai falar isso pro Ministro Joaquinzão, esse sim o tal “ponto fora da curva”, inigualável durante o Julgamento do Mensalão.

Agora, quando impediu que Melandowski, em impedimento, tentasse melar a pena e aliviar o xadrez do seu dono, Dirceu o Inocente Injustiçado, acendeu novamente a minha vã filosofia de querer ver uma tabelinha FHC e Joaquinzão, tipo Pelé e Coutinho, no Brasileirão de Outubro.

Os Idos de Junho mostraram que esse meu sonho, se realizado, poderia endurecer o jogo pra Miss Piggy, mas qual o quê.

Joaquinzão não dormiu na cadeirona, pegou no pulo a jogada melandowskiana em impedimento, tacou-lhe o cartão amarelo e o deixou falando sozinho.

Qual sozinho qual nada, o Supremo está supremo de Ministros “da casa”, cada um com um “button”com a estrela vermelha nas suas capas pretas, identificando a militância, prontinhos pra marcar gols até com mão, quando a Excelência que respeitamos mais do as outras aparenta estar distraída. Não está, nem nunca estará. (Amém)

O Ministro Marco Aurélio confirmou que também é um “ponto fora da curva” quando disse o que disse na entrevista à VEJA. Falô e disse, embora ele e o Ministro Joaquinzão troquem bicadas nas sessões que assisto pela TV.

Se algum dia fosse contratado pra criar uma imagem que servisse de logotipo ao Melandowski, pegaria da RCA Vitor o cachorrinho com quase metade da carinha preta e a outra quase metade branca, com a cabecinha inclinada ouvindo a voz do seu dono que, como já falei (já?), é apenas o Dirceu de La Mancha, a Triste Figura em pessoa.

O seu dono nem é o Lula, veja como a cuja Excelência é barata. Explique-se: barata não é aquele honorável inseto em que Samson Gregor se transformou, na novela de Kafka. “Barata” neste texto é um ser estranho que faz a mulherada gritar e subir nas cadeiras; é uma Excelência “comum, vulgar, de preço baixo”.

Tirei a definição do Aurélio, meu salva-vidas. Se a frase for do marqueteiro do Azeredo, espalhada ao mundo pela força da internet, melhor; é sinal de que ele produzirá mais e até melhores.

Como disse Andy Warhol, todo mundo vai ter seus quinze segundos de Millôr Fernandes na vida. Isso se vida for justa; não é.

Que as letras, pequenos seres traiçoeiros que formam as palavras que me agoniam quando não as encontro perfeitas, não me faltem pelo menos até Outubro.

13/02/2014

às 2:52 \ Política & Cia

O CHAMADO “MENSALÃO MINEIRO”: EDUARDO AZEREDO PENSA EM RENUNCIAR

Azeredo: renúncia o deixaria mais à vontade para defender-se e amenizaria um problema para a campanha presidencial do tucano Aécio Neves (Foto: O Globo)

Azeredo: renúncia o deixaria mais à vontade para defender-se e amenizaria um problema para a campanha presidencial do tucano Aécio Neves (Foto: O Globo)

O deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) cogita de renunciar ao cargo nos próximos dias ou mesmo nas próximas horas.

Acusado de beneficiar-se de um esquema ilegal de financiamento de campanha na tentativa de se reeleger governador do Minas em 1998 — impropriamente chamado de “mensalão mineiro”, por não se tratar de nada parecido ao mensalão do PT –, Azeredo foi denunciado no dia 7 passado, sexta-feira, pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sob a acusação de peculato e apropriação indébita.

O chefe do Ministério Público pediu pena de 22 anos de prisão para o ex-governador e mais uma multa de 451 mil reais.

Azeredo cogita renunciar por suas razões:

1. Ele afirmou a pessoas próximas que, sem o mandato, se sentiria mais à vontade para defender-se no processo, em que alega inocência.

2. Com isso, além do mais, deixaria de ser uma pedra no caminho da campanha do presidenciável tucano Aécio Neves (MG).

07/01/2014

às 18:35 \ Uncategorized

Denúncia envolvendo tucanos em SP já está no Supremo

AGORA É COM ELA -- Rosa Weber: ela dirá se há indícios para investigar tucanos acusados de corrupção no caso do metrô (Foto: Nelson Jr / STF)

AGORA É COM ELA — Rosa Weber: ela dirá se há indícios para investigar tucanos acusados de corrupção no caso do metrô (Foto: Nelson Jr / STF)

Reportagem de Daniela Lima, publicada em edição impressa de VEJA

CARTEL NA MIRA DO STF

A denúncia envolvendo nomes do PSDB chega ao STF. O PT usará o caso na campanha de 2014 para tentar minimizar os efeitos da prisão dos mensaleiros 

O inquérito que investiga o suposto pagamento de propina a políticos do PSDB em licitações de trens e metrô de São Paulo foi enviado ao Supremo Tribunal Federal, que agora vai analisar se existem indícios para a continuação da investigação criminal.

O caso chegou à mais alta corte do país porque envolve políticos com foro privilegiado, entre eles três secretários do governador paulista, Geraldo Alckmin: os tucanos Edson Aparecido (Casa Civil) e José Aníbal (Energia) e Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico), do DEM.

Outras sete pessoas são investigadas. Seus nomes aparecem em depoimento de Everton Rheinheimer, ex-executivo da Siemens, a empresa alemã que em julho admitiu a existência de um cartel entre as companhias para dividir contratos de licitação.

Em uma denúncia anônima, Rheinheimer havia dito ter provas contra os tucanos, mas no depoimento oficial, na semana passada, recuou e disse não ter como provar as acusações. A decisão sobre o caso está nas mãos da ministra Rosa Weber, mas não deve sair antes de fevereiro de 2014, quando o Supremo volta do recesso.

O caso do cartel dos trens terá lugar garantido na troca de acusações na campanha eleitoral do ano que vem, assim como o chamado mensalão mineiro, que tem entre os acusados o tucano e ex-governador do estado Eduardo Azeredo. As duas denúncias serão usadas pelo PT para tentar amenizar os efeitos da prisão dos mensaleiros petistas neste ano.

ALCKMIN -- “Seriedade e rapidez nas investigações”: contra a tentativa de igualar os casos, tucanos buscam assinalar as diferenças (Foto: Claudio Barbosa / Futurapress)

ALCKMIN — “Seriedade e rapidez nas investigações”: contra a tentativa de igualar os casos, tucanos buscam assinalar as diferenças (Foto: Claudio Barbosa / Futurapress)

Alckmin e o candidato do PSDB à Presidência, o senador Aécio Neves, já buscam delinear as diferenças. “Nós queremos que a investigação se faça com seriedade e rapidez”, afirmou Alckmin.

“Se alguém do PSDB tiver feito algo errado, que vá para a cadeia também”, disse Aécio.

Do outro lado, durante o congresso do PT em Brasília dias atrás, petistas gritaram frases de apoio ao mensaleiro preso José Dirceu.

Presente ao evento, o ex-presidente Lula, ao mencionar o petista condenado em seu discurso, proferiu uma declaração propositalmente desconexa: ele não defendeu Dirceu explicitamente,
mas disse que “houve uma desproporcionalidade” na maneira como a imprensa tratou a questão do pedido de
emprego do condenado num hotel de Brasília e a notícia do encontro de cocaína num helicóptero pertencente à família de um senador mineiro do PDT.

A presidente Dilma não fez menção aos mensaleiros em sua fala. Corrupção é um mal a que nenhuma sigla política está imune. O que as distingue é a reação de seus partidários quando a lambança vem à tona.

08/12/2013

às 19:26 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: É a tua, tá?

Não é porque o mensalão mineiro ainda não foi julgado, mesmo com um menos um tucano que já foi importante, o Eduardo Azeredo, que a prisão dos mensaleiros é injusta (Foto: George Gianni/ PSDB)

Não é porque o mensalão mineiro ainda não foi julgado, mesmo com um menos um tucano que já foi importante, o Eduardo Azeredo, que a prisão dos mensaleiros é injusta (Foto: George Gianni/ PSDB)

Notas da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica hoje, domingo, em vários jornais

É A TUA, TÁ?

É triste ouvir políticos veteranos comportando-se como crianças. Porque, fora a safadeza, isso de dizer “eu sou ladrão, mas foi ele que começou” é infanto-juvenil: se é ladrão, fora da lei, que seja investigado e julgado.

Se o adversário também é ladrão, que também seja investigado e julgado. Não é porque os ladrões estão em partidos adversários que a ladroeira de um compense a do outro.

A moda agora é reclamar da demora no julgamento do mensalão mineiro, como se isso tornasse injusto o julgamento do mensalão. Só que uma coisa não tem nada a ver com outra: os responsáveis pelo mensalão mineiro têm de ser julgado, e logo, mas não para compensar o processo contra os réus do mensalão.

Um criminoso não pode deixar de ser punido porque outros criminosos ainda não o foram. E não se trata apenas do mensalão mineiro (onde há pelo menos um tucano que já foi importante, Eduardo Azeredo, ex-presidente nacional do PSDB, ex-governador de Minas, há gente que mudou de lado, como Marcos Valério, há amplo material para julgamento).

Há o escândalo da Bancoop, o do Banestado, o da Alstom-Siemens (cartel dos trens urbanos de São Paulo, com eventual propina), o desvio do ISS da Prefeitura paulistana, que já derrubou um secretário do prefeito Haddad (PT).

O que não falta é caso para ser investigado. Que a filiação política não seja levada em conta: o que se vê nas propinas paulistanas, por exemplo, é uma aliança pluripartidária para delinquir – vulgo “quadrilha”.

“Mamãe, foi ele que começou”. E daí? Daí, o final tem de ser nos tribunais.

A emenda e o soneto

José Genoíno renunciou à Câmara, segundo se informou, para não ter o nome associado à cassação de seu mandato.

Preferiu associar seu nome ao do ex-presidente Collor, do senador Renan Calheiros, do senador Jader Barbalho, do deputado Valdemar Costa Neto, que também renunciaram para fugir à cassação.

Implicância

O senador Zezé Perrela, do PDT mineiro, defendendo seu filho Gustavo, deputado estadual pelo Solidariedade, cujo helicóptero foi apreendido com 450 quilos de cocaína, disse que ninguém de sua família precisa da política.

Tudo bem – mas por que, então, tanto a Assembléia mineira quanto o Senado foram chamados a entrar com dinheiro público para pagar o combustível do “helipóptero”?

Desvio permitido

A deputada estadual Janira Rocha (PSOL) em frente à Alerj, durante uma manifestação (Foto: Reprodução / Facebook)

A deputada estadual Janira Rocha (PSOL) em frente à Alerj, durante uma manifestação (Foto: Reprodução / Facebook)

A deputada Janira Rocha, do PSOL fluminense, é acusada de exigir parte do salário dos funcionários de seu gabinete e de desviar dinheiro de um sindicato para financiar a campanha.

O partido, no Rio, decidiu expulsá-la; mas a direção nacional do PSOL a manteve. Mais dinheiro é melhor que menos dinheiro.

O PSOL faz lembrar o secretário de Estado americano Cordell Hull, questionado pelo apoio ao feroz ditador dominicano Rafael Trujillo: “Pode ser um canalha, mas é o nosso canalha”.

Na verdade, ele não disse “canalha”, mas deixa pra lá.

27/11/2013

às 15:30 \ Política & Cia

VALERIODUTO TUCANO: Cúpula do PSDB pressiona para que Azeredo deixe o partido

PSDB: controle de crise no caso de Eduardo Azeredo (Foto: Elza Fiúza / ABr)

PSDB: controle de crise no caso de Eduardo Azeredo (Foto: Elza Fiúza / ABr)

Nota de Otávio Cabral, publicada em edição impressa de VEJA

ANTÍDOTO TUCANO

A cúpula do PSDB pressiona o deputado Eduardo Azeredo (MG), que será julgado no Supremo Tribunal Federal no caso do valerioduto mineiro, a se desfiliar do partido.

Se não aceitar, ele será expulso caso seja condenado.

Os tucanos tentam, com isso, evitar que esse processo provoque o mesmo desgaste que o mensalão mais famoso provocou na imagem do PT.

24/11/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Carlos Brickmann: O nascer da crise

Olívio Dutra:  "Olívio Dutra, fundador do PT, ministro de Lula, ex-governador do Rio Grande do Sul, disse que Genoíno, Dirceu e Delúbio se conduziram mal, que o processo não podia ter final diferente e que não os considera presos políticos" (Foto: reprodução)

UMA EXCEÇÃO — Olívio Dutra, “fundador do PT, ministro de Lula, ex-governador do Rio Grande do Sul, disse que Genoino, Dirceu e Delúbio se conduziram mal, que o processo não podia ter final diferente e que não os considera presos políticos” (Foto: reprodução)

Notas da coluna que o jornalista Carlos Brickmann publica hoje, domingo, em vários jornais

O NASCER DA CRISE

Diz a lógica que quem não tem direitos políticos não pode ocupar mandato eletivo. Disse o Supremo que a perda de mandato de condenados é automática, porque a pena inclui a perda de direitos políticos.

Em caso de parlamentares, cabe à Casa a que pertencem apenas declarar a perda do mandato.

Dizem os parlamentares, naqueles acessos incontáveis de coleguismo, que cabe a eles e só a eles decidir sobre perda de mandatos – ou seja, há a possibilidade de criação da Bancada da Papuda, só com presos que ocupam cadeiras no Congresso.

Além da autodefesa – sabe-se lá o que o futuro pode reservar a Suas Excelências, se pegar a moda de investigá-los – há outro objetivo na defesa dessa estranha tese: o deputado José Genoíno, do PT paulista, pediu aposentadoria por invalidez.

O pedido será examinado no início do ano que vem. A jogada é adiar a votação da cassação até que Genoíno se aposente, com salários e vantagens integrais.

Que o caro leitor imagine a reação da opinião pública à aposentadoria do presidiário.

Barulho sem gente

Quem acompanha as redes sociais, em que petistas radicalizados sustentam que os procuradores da República e os ministros do Supremo nomeados por presidentes petistas perseguem petistas, e juram que quem quer que não concorde com eles é da zelite, du zianque e da extrema direita, pensa que o PT inteiro está pintado para a guerra.

Não é bem assim: Olívio Dutra, fundador do PT, ministro de Lula, ex-governador do Rio Grande do Sul, disse que Genoíno, Dirceu e Delúbio se conduziram mal, que o processo não podia ter final diferente e que não os considera presos políticos.

Do PT do Paraná, só Zeca Dirceu, filho de Dirceu, assinou o protesto contra a prisão. Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo, ministros de Dilma, calaram-se – silêncio compartilhado pelo presidente do PT paranaense.

Mensalão: o mesmo, diferente

Walfrido Mares Guia (Foto: PTB)

Walfrido Mares Guia (Foto: PTB)

Ao ler o noticiário sobre o valerioduto tucano, que segundo o relator, ministro Luís Roberto Barroso, deve ser julgado no início do ano que vem, não se surpreenda se achar que está encontrando informações repetidas.

O caso mineiro envolve Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas, ex-presidente nacional do PSDB – a grande novidade.

Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz já estão até condenados pelo outro Mensalão.

Walfrido Mares Guia, que era Azeredo na época e hoje é dilmista e lulista, praticamente escapou do caso por ter completado completar 70 em 2012

[Isso permite ao ex-ministro requerer a prescrição dos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, pelos quais foi denunciado pelo Ministério Público Federal. O prazo de prescrição para esses crimes é de 16 anos, mas cai pela metade quando o réu atinge 70 anos. Para se calcular o tempo de prescição, deve-se considerar o período de tempo transcorrido entre a ocorrência do fato denunciado e a aceitação da denúncia pela Justiça. No caso de Minas, a denúncia foi oferecida em 1998 e só aceita pela Justiça mineira em 2010, 12 anos depois. Tendo mais de 70 anos, para Mares Guia a prescrição ocorreu em 2006.]

 

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