21/05/2013
às 15:00 \ Política & CiaO senador Eduardo Suplicy, uma metamorfose ambulante, senador há 23 anos, quer ficar mais oito a partir de 2014

Suplicy: logo ele, o grande defensor da "democracia interna" e das primárias no PT, quer ser candidato só porque Lula garantiu? (Foto: Agência Senado)
Amigas e amigos do blog, nem vou discutir as incontáveis atitudes destrambelhadas do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ao longo dos anos mais recentes de sua carreira, a série de desconcertantes e patéticas cenas a que o público se acostumou desde que o senador, anos atrás, cismou de desafinar o Blowin` in the Wind de Bob Dylan do alto da tribuna do Senado.
Vou-me restringir a seu pleito, uma vez mais recolocado sobre a mesa, de de novo candidatar-se ao Senado para a única vaga em disputa em 2014 por São Paulo, da qual é atualmente o titular, pelo terceiro mandato de oito anos consecutivo. Suplicy quer mais oito, o que o faria chegar, caso eleito e tudo corresse bem, a 32 anos na mesma cadeira.
O senador tem, naturalmente, todo o direito de pleitear a candidatura. Ocorre, porém, que as realidades da vida envolvendo o PT levam o partido a querer composições na chapa que tentará apear do Palácio dos Bandeirantes o governador tucano Geraldo Alckmin. Para tanto, a vaga de candidato ao Senado na coligação que o PT vai liderar na corrida pelo cargo de governador é uma espécie de joia da coroa que o lulopetismo pretende oferecer em troca de mais minutos no horário eleitoral e mais apoio político a seu candidato ao Bandeirantes, ainda não escolhido.
O cardindato petista gostaria de oferecer a vaga a figuras como o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) ou o deputado Celso Russomano (PRB), o Menino Malufinho, que concorreu à Prefeitura no ano passado e liderou as intenções de voto durante bom tempo — mas, no final, não conseguiu chegar ao segundo turno.
Suplicy reage a isso, o que é normal e esperado. A forma de reagir, porém, é que se pode contestar. O senador guarda cópia de carta pessoal que enviou a Lula a respeito do problema — Lula, sempre ele, o sumo sacerdote que resolve tudo no PT em qualquer parte “deztepaiz” — e jura ter obtido a “garantia” de Lula de que o lugar de candidato é seu.
Ora, que raio de “democracia interna” é essa do PT, em que Lula, como um deus, garante isso ou aquilo a torto e a direito?
Sim, sei perfeitamente que no PT as coisas são assim e que a democracia direta foi para a cucuia há muito tempo.
Mas, de todos os lulopetistas de escola, Suplicy é o menos indicado para exibir garantias de Lula como forma de obter uma candidatura.
Ele foi, ao longo de décadas, o maior defensor dentro do PT de eleições primárias, ou seu equivalente, para a escolha de candidatos.
Tanto fez, e tanto reclamou, que conseguiu, ele próprio, disputar COM LULA o direito a ser candidato à Presidência em 2002, lembram-se?
Foram realizadas as eleições internas, Lula levou 80% dos votos, mas Suplicy exerceu seu direito democrático de concorrer.
Agora, ele, Suplicy, esquece completamente esse critério e exibe promessas de Lula como sinal de seu direito supostamente adquirido?
O senador é, efetivamente, uma metamorfose ambulante. E, com essa qualificação, estou sendo até generoso com Sua Excelência.
Tags: "democracia interna", "Menino Malufinho", Bob Dylan, Celso Russomano, democracia, Eduardo Suplicy, Geraldo Alckmin, Gilberto Kassab, horário eleitoral, Lula, lulopetismo, metamorfose ambulante, PT, Senado

















































































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