Blogs e Colunistas

Bob Dylan

13/11/2014

às 14:00 \ Música no Blog

Para começar bem a tarde: gigantes do mundo da música prestam uma homenagem fenomenal a Paul McCartney

the art of mccartney

No mundo da música, é comum que grandes nomes se juntem para homenagear uns aos outros. Quem recebe a honraria da vez é Sir Paul McCartney, na forma de um CD com 34 de seus maiores sucessos regravados por outras lendas contemporâneas.

A coletânea The Art of McCartney só será lançada na próxima segunda-feira, mas, para a felicidade dos audiófilos, a íntegra já foi publicada no YouTube. Fazem parte da colaboração nomes como Billy Joel, Bob Dylan, Roger Daltrey, Smokey Robinson, Alice Cooper, B. B. King e Sammy Hagar.

Confiram clássicos como Maybe I’m AmazedYesterdayHelter SkelterLive and Let DieLet It Be cantados por fãs particularmente talentosos do ex-Beatle, que se apresenta no Brasil no fim do mês:

20/04/2014

às 12:00 \ Música no Blog

FOTOMONTAGENS: O pai coruja que inseriu os filhos em capas de discos

Nat filho

O menino Taj emula o grande Nat King Cole na fotomontagem feita pelo pai, Lance; abaixo, a capa original do disco, “The Very Thought of You” (1958) (Montagens: Lance Underwood)

Nat King

O pai é um fã incorrigível de música, com especial queda para um dos principais fetiches deste universo, as capas de discos; os filhos, entusiastas incondicionais das “viagens” do pai. Em alguma coisa interessante esta química teria que resultar.

Pois para expressar a paixão por seu grande, o americano Lance Underwood recrutou sua prole, ou seja, os meninos Taj e Amar, com o intuito de reproduzir as artes originais de seus álbuns favoritos, tendo a dupla como protagonista.

Não que Underwood seja um especialista em Photoshop ou direção de arte. E muito menos que seja fácil imitar os projetos gráficos das bolachas que ele venera, sobretudo as icônicas lançadas pelo selo de jazz Blue Note nos anos 1950 e 1960.

Mas a brincadeira valeu a pena. E está disponível para quem quiser curtir no tumblr QT Albums, nos quais Taj, Amar e, em alguns casos, o próprio Lance, bancam crooners (como o Nat King Cole da abertura do post), jazzistas, rappers e até astros do folk, como Bob Dylan. Abaixo, mais alguns exemplos:

Wayne filhos

Taj em “Speak No Evil”, de Wayne Shorter (1964)

Amar em "Speak No Evil", de Wayne Shorter (1964)

Dylan filho

Amar e “The Times They Are A-Changin’”, de Bob Dylan (1964)

Amar e "The Times They Are A-Changin'", de Bob Dylan (1964)

Roy Ayers filho

Taj vira o psicodélico Roy Ayers de “Ubiquity” (1971)

Roy Ayers

Dr Filho

Taj novamente, agora como Dr. Dre e “The Chronicle” (1992)

Dr Dre

Bud filho

De volta ao jazz: agora Amar presta tributo a “The Scene Changes – The Amazing Bud Powell”, de Bud Powell (1958), com “canja” do pai Lance

Bud Powell

Donald filho

E tome mais jazz: Taj revive Donald Byrd em “Fuego” (1959)

Donald Byrd

Andrew Hill Dylan filho

Taj e “Smoke Stack”, de Andrew Hill (1963)

Andrew Hill

23/03/2014

às 17:00 \ Tema Livre

Conhece Sixto Rodriguez, o gigante oculto do folk?

SANTO DE CASA -- Sixto Rodriguez: seu milagre se deu na África do Sul, onde suas canções viraram hinos contra o apartheid (Foto: David Wolf-Patrick / Getty Images)

SANTO DE CASA — Sixto Rodriguez: seu milagre se deu na África do Sul, onde suas canções viraram hinos contra o apartheid (Foto: David Wolf-Patrick / Getty Images)

Texto de Sérgio Martins, publicada em edição impressa de VEJA

O GIGANTE OCULTO DO FOLK
A improvável história de sucesso de Sixto Rodriguez

Em março de 1998, Sixto Rodriguez, empregado do ramo de demolição em Detroit, pediu alguns dias de licença no trabalho. Explicou ao chefe que pretendia viajar para a África do Sul, onde era mais popular que Elvis Presley e os Rolling Stones. Deve ter soado como a pior desculpa já inventada para faltar ao trabalho. Mas era verdade.

Por uma dessas conspirações do acaso, os dois discos do americano, que somados não venderam mais de vinte cópias em seu país de origem, foram exportados para a África do Sul nos anos 1970. Lá, integraram-se à trilha de protesto contra o regime do apartheid (reza a lenda que o ativista Stephen Biko, morto sob tortura na prisão, era fã de Rodriguez).

Sixto Rodriguez e seu renascimento artístico foram tema de Searching for Sugar Man, vencedor do Oscar de documentário em 2013. O filme ainda não foi exibido no Brasil, mas a trilha está nas lojas. Searching for Sugar Man traz faixas dos dois discos do cantor, além de três composições inéditas.

Histórias de artistas injustiçados muitas vezes são idealizações sentimentais de personagens que, na verdade, careciam de talento. O caso mais emblemático é o do pianista australiano David Helfgott, retratado no drama Shine — Brilhante. O filme apresentava Helfgott como uma espécie de gênio perturbado cuja carreira teria sido sabotada por um pai tirano e um colapso nervoso. Nas apresentações que teve a oportunidade de fazer depois do filme, o pianista não se revelou o prometido virtuose.

Rodriguez está em outra categoria. Seu fracasso comercial nos Estados Unidos pode ser creditado ao azar: Cold Fact, de 1970, e Coming from Reality, de 1971, são trabalhos acessíveis, radiofônicos. Rodriguez é um autor e cantor de forte influência folk — a comparação mais óbvia é com Bob Dylan.

Sua voz, no entanto, é mais potente: soa como um José Feliciano da era da lisergia. As letras revelam tipos comuns da hoje falida Detroit, que já era decadente nas décadas de 60 e 70. São traficantes (o Sugar man do título), mulheres fáceis, desempregados.

Em ‘Cause,profético: o cantor foi dispensado por sua gravadora exatamente nesse período. O sucesso do documentário rendeu a Rodriguez, hoje com 71 anos, seu merecido quinhão de popularidade para além da África do Sul.

Ele se apresentou em festivais de música na Europa e tem feito shows nos Estados Unidos. Não mudou seu estilo de vida austero: mora há quatro décadas na mesma casa, em Detroit.

Sugar Man:

01/02/2014

às 21:04 \ Política & Cia

Neil Ferreira: As notícias mais quentes deste século

"A 1ª notícia mais quente deste século até agora: Sir Paul McCartney, and Sir Ringo Starr, juntos no palco do Grammy 2014, quase mataram o véio aqui do coração" (fOTO: Matt Sayles / Invision / AP)

“A 1ª notícia mais quente deste século até agora: Sir Paul McCartney, and Sir Ringo Starr, juntos no palco do Grammy 2014, quase mataram o véio aqui do coração” (fOTO: Matt Sayles / Invision / AP)

Por Neil yeah yeah yeah Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

AS NOTÍCIAS MAIS QUENTES DESTE SÉCULO

Neil Ferreira

Neil Ferreira

A 1ª notícia mais quente deste século até agora: Sir Paul McCartney, a.k.a Macca, and Sir Richard Starkey, a.k.a Ringo Starr, Knights of the British Empire, (KoBE), juntos no palco do Grammy 2014, quase mataram o véio aqui do coração.

A 2ª notícia mais quente deste século: a temperatura média desta semana em São Paulo, de uns 40 graus com sensação térmica de uns 70 e tantos, que não mataram este véio que vos fala de canícula porque foi uma friagem perto da 1ª, que esquentou corações e mentes dos velhinhos da geração Flower Power, a mesma que deu um nó mais do que irônico numa campanha presidencial dos Estados Unidos.

A campanha, chupada de Henri de Bourbon, da França, não o Louis 51, que você sabe quem é, prometia aos famintos sans-culottes “Uma galinha em cada panela”, em francês, na língua alonsanfã. Na campanha , o slogan era o mesmo em inglês, eu estava lá. Os marqueteros apareceram com a tradução: “A chick em every pot”, a mesma “Uma galinha em cada panela”.

Os hippies destroçaram essa promessona, nível Miss Piggy, aqui na Banânia Mãe do Pac, Programa de Ajuda a Cuba, sendo Pai o notório Louis 51.

Com o slogan invertido, que foi parar nos noticiários de TV do fim da tarde, do horário nobre às 8h e 9h da noite, das “late news” da meia noite e os da manhã do dia seguinte, a ripongada gritava “A pot em every chick”; eu vi.

“A pot in every chick” é “Uma dose em cada galinha”, sendo “pot” uma “dose” do quer que alguém enfiasse na corrente sanguínea pra ir bater no cérebro, desde a Mary Juana, aos moranguitos (strawberries), aos brownies turbinados. “Chick” , galinha, também significava a menina enturmada (“groupie”) que dava pra todo mundo.

“Uma dose em cada galinha (cada menina)” acabou com o slogan “Uma galinha em cada panela”, com o humor e o teatro das ruas, usados como armas da revolução da inteligência. Como toda revolução da inteligência, essa também deu em nada.

“Interdit d´Interdire “, maio de 68 em Paris, acabou numa canção medíocre do Caetano Veloso, quem diria. Dany Le Rouge virou verde, Dany Le Vert, não mais barricadas na Rue de La Sorbonne, com Jean Louis Barrault como cumpanhero de lutas; verde politicamente correto, longe dos guerrilheiro das ruas. Nossos verdes, segundo meu entendimento, também não fedem nem cheiram, como se diz na cidadezinha onde nasci.

Eu me lembro das passeatas contra a guerra do Vietnã; dos “buttons” e cartazes “War is good business, invest your son”, “Guerra é bom negócio, invista seu filho” e “Oh Lee Harvey Oswald, where are you now we need you sou much” – “Oh Lee Harvey Oswald, onde você está agora que precisamos tanto de você”, este claramente contra o Presidente Lyndon Johnson.

Há nas redações um ditado interessante: “Quando um cachorro morde um homem não é notícia; quando o homem morde o cachorro é notícia”. Há outro: “Quando o cachorro balança o rabo não é notícia; quando o rabo balança o cachorro é notícia”.

O cachorro aqui mordeu o Chicão; e o rabo do cachorro aqui balançou o cachorro aqui, sob a violenta emoção que me assaltou e me domina até agora. Vimos ao vivo, eu e metade do universo, os dois Beatles remanescentes. Isso sim é que é notícia, não uma certa presidente mordendo cachorros por causa da sua foto com olheiras profundas, me lembrei do filme “Eyes Wide Shut”, “De olhos Escancaradamente Fechados” (1999, Kubrick). É o que ela deveria fazer, fechar os olhos e cair fora de fininho.

Separados há muitos anos, os dois ex-Beatles juntaram-se de “surpresa” para uma canja que colocou ajoelhados de puro êxtase meus olhos e ouvidos.

Vi ambos entrarem ao mesmo tempo, Sir Ringo vindo da esquerda do palco, lépido, feliz, nos seus mais de 70 anos e Sir Macca vindo da direita, ainda não chegado aos 70 , sob uma tempestade de aplausos das feras da música pop contemporânea e de big stars de todas artes. Até a Bruxa Japonesa do Mal Absoluto teve a cara de pau de ir à primeira fila chacoalhar seus ossos buchenwaldianos, especialmente pra me fazer uma desfeita pessoal; fez.

Esses músicos cresceram como eu envelheci: ouvindo e se perguntando o que esses caras têm que ninguém mais tem. Nem Elvis, nem Michael Jackson, nem Jagger, embora eu escute os Stones com os olho cheios d’água, cantando “She´s a rainbow” que me faz chorar por uma canção como quando era jovem.

Bob Dylan era e é o meu bardo; fantástica a “Tweeter and the Monkey Man”, que ele fez com os “Traveling Wilburys”, uma banda de gênios que durou apenas dois álbuns; perda irreparável.

Sir Ringo e Sir Macca fizeram em dueto mágico “It don´t come easy” um hino dedicado pelos ex-beatles Sires Paul, George e Lennon ao ex-Beatle Sir Ringo, para seu primeiro álbum solo, de 1972.

Era mais uma vez o humor contando uma história séria. Ao ser formada a banda que se transformaria nos Beatles pelos pouco mais que adolescentes Paul, George e Lennon, diz a lenda urbana que Paul e Lennon eram os líderes, singers song writers; George o talento musical e Ringo apenas disse “sim” quando procuravam um baterista.

Descobriu-se que Ringo deu um duro danado pra ser baterista dos Beatles, o que não é mole. É o que digo em casa cada vez que um problema duro de resolver se apresenta e ameaça os ânimos: “It dont come easy”, “Não é moleza”.

Sir Macca e Sir Ringo estão tão afinados como se tocassem juntos há 50 anos; e tocam. Por falar em 50 anos: eles gravaram uma participação no show de 50 anos de sua primeira aparição nos Estados Unidos, então apresentada no programa de Ed Sullivan. Esse show receberá o título de “A Noite que Mudou a América”; e mudou o resto do mundo.

Ofereço algumas lágrimas a “Hey Jude”, de Sir Paul, meu hino e de quem conhece o meu coração. Escrevo pra mim mesmo, eu mesmo ouço: “Hey Jude, don´t carry the world upon your shoulders”.

Não ligo a mínima se uma certa presidente torra nossos $urreais em Davos e em banquetes em Lisboa, berrando que paga suas contas. Paga, com o nosso dinheiro. Que se lixem pelo menos agora, que estou em estado de graça, amém.

26/10/2013

às 12:05 \ Música no Blog

In-Edit, ótimo festival de documentários musicais realizado há cinco anos no Brasil, em andamento agora em Barcelona: verdades sonoras em tempos de Procure Saber

Cena de "Narco Cultura", um dos documentários do festival In-Edit 2013 em Barcelona (Foto: divulgação)

Cena de “Narco Cultura”, um dos documentários do festival In-Edit 2013 em Barcelona (Foto: divulgação)

Por Daniel Setti

A 11ª edição do In-Edit, festival de documentários musicais inaugurado na última quinta-feira (24 de outubro) em Barcelona e que durará até o próximo domingo (3 de novembro), traz este ano 49 filmes, exibidos em três salas de cinema do centro da cidade catalã. Palestras e entrevistas com alguns dos diretores das obras exibidas completam o programa.

Entre os destaques despontam Narco Cultura, sobre a cena musical que louva traficantes do norte do México, de Shaul Schwarz,  A Life in the Death of Joe Meek, de Howard S. Berger e Susan Stahman, a respeito do mítico produtor inglês Joe Meek (1929-1967), e uma série de curta-metragens do cineasta Dick Fontaine que enfocam jazzistas históricos como Ornette Coleman e Sonny Rollins, entre muitos outros. Como já virou costume, produções brasileiras estão representadas (em 2013, Música Serve Para Isso, de Bel Bechara e Sandro Serpa, sobre a dupla paulistana Os Mulheres Negras)

O eclético evento, sempre excelentemente curado, tornou-se uma das obrigatoriedades do calendário cultural barcelonês. Há tempos gera também repercussão mundial, com direito a expansão a três outras “filiais” anuais.

No Brasil foram realizadas, desde 2009, cinco edições em diferentes cidades – a última, em maio deste ano, incluiu São Paulo e Salvador -; Santiago do Chile possui ainda mais tradição, e atualmente prepara sua décima montagem para dezembro, com extensão à cidade de Concepción; e Berlim sediou dois In-Edit, em 2011 e 2012.

Gênero em expansão – ou não

Representantes do Procure Saber, entre os quais Carlinhos Brown, Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Fafá de Belém e CAetano Veloso, encontram com a presidente Dilma Rousseff (Foto: André Coelho - Agência O Globo)

Representantes do Procure Saber, entre os quais Carlinhos Brown, Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Fafá de Belém e Caetano Veloso, encontram com a presidente Dilma Rousseff (Foto: André Coelho – Agência O Globo)

O crescimento do interesse do público pelo gênero é nítido: segundo a produção do festival em Barcelona, desde sua fundação os resultados de bilheteria só melhoram, começando com simbólicos 1.200 cinéfilos musicais em 2003 e atingindo 31.062 no ano passado. Um sucesso que só poderia incentivar a rodagem de mais e melhores documentários baseados em música.

A lógica, porém, não necessariamente vale para o Brasil, território de centenas de personalidades, gêneros e movimentos musicais dignos de biografias decentes. Sobretudo se considerarmos a fervorosa discussão em voga no país atualmente, envolvendo a criação do grupo Procure Saber, por meio do qual figurões da MPB como Caetano Veloso, Chico Buarque e Roberto Carlos pretendem controlar quem escreve ou não suas histórias.

Muitas vezes baseados em biografias (autorizadas ou não), os melhores documentários musicais são os parentes mais próximos dos livros que repassam vida e obra dos artistas. Podem constituir em árduos trabalhos que envolvem reportagens, pesquisas e entrevistas. Segundo o raciocínio dos integrantes do Procure Saber, portanto – embora o debate não envolva diretamente produções biográficas audiovisuais -, estes filmes também deveriam priorizar a intimidade dos retratados em detrimento da abordagem jornalística.

Sendo assim, provavelmente não é casualidade o fato de que, até hoje, nenhum dos grandes cantores partidários da iniciativa tenha o seu documentário definitivo, independente, no qual iluminação artística e podres da vida pessoal dividem espaço na edição.

Bob Dylan filmado por D. A. Pennebaker no clássico "Don't Look Back" (1967) (Foto: divulgação)

Bob Dylan filmado por D. A. Pennebaker no clássico “Don’t Look Back” (1967) (Foto: divulgação)

O mesmo não pode ser dito a respeito de um sem-fim de ícones musicais de outras paragens, entre os quais Bob Dylan (retratado como o gênio que é, mas um gênio esnobe e mal-humorado em Don’t Look Back, de 1967, dirigido por D. A. Pennebaker).

Se há uma lição deste exemplo, é a de que Dylan sobreviveu intacto ao olhar cru e não complacente de Pennebaker; sua música também. E a película é, além de documento importante, uma obra-prima que, ano após ano, continua enchendo salas de festivais como o In-Edit.

21/05/2013

às 15:00 \ Política & Cia

O senador Eduardo Suplicy, uma metamorfose ambulante, senador há 23 anos, quer ficar mais oito a partir de 2014

Suplicy: logo ele, o grande defensor da "democracia interna" e das primárias no PT, quer ser candidato só porque Lula garantiu? (Foto: Agência Senado)

Amigas e amigos do blog, nem vou discutir as incontáveis atitudes destrambelhadas do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ao longo dos anos mais recentes de sua carreira, a série de desconcertantes e patéticas cenas a que o público se acostumou desde que o senador, anos atrás, cismou de desafinar o Blowin` in the Wind de Bob Dylan do alto da tribuna do Senado.

Vou-me restringir a seu pleito, uma vez mais recolocado sobre a mesa, de de novo candidatar-se ao Senado para a única vaga em disputa em 2014 por São Paulo, da qual é atualmente o titular, pelo terceiro mandato de oito anos consecutivo. Suplicy quer mais oito, o que o faria chegar, caso eleito e tudo corresse bem, a 32 anos na mesma cadeira.

O senador tem, naturalmente, todo o direito de pleitear a candidatura. Ocorre, porém, que as realidades da vida envolvendo o PT levam o partido a querer composições na chapa que tentará apear do Palácio dos Bandeirantes o governador tucano Geraldo Alckmin. Para tanto, a vaga de candidato ao Senado na coligação que o PT vai liderar na corrida pelo cargo de governador é uma espécie de joia da coroa que o lulopetismo pretende oferecer em troca de mais minutos no horário eleitoral e mais apoio político a seu candidato ao Bandeirantes, ainda não escolhido.

O cardindato petista gostaria de oferecer a vaga a figuras como o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) ou o deputado Celso Russomano (PRB), o Menino Malufinho, que concorreu à Prefeitura no ano passado e liderou as intenções de voto durante bom tempo — mas, no final, não conseguiu chegar ao segundo turno.

Suplicy reage a isso, o que é normal e esperado. A forma de reagir, porém, é que se pode contestar. O senador guarda cópia de carta pessoal que enviou a Lula a respeito do problema — Lula, sempre ele, o sumo sacerdote que resolve tudo no PT em qualquer parte “deztepaiz” — e jura ter obtido a “garantia” de Lula de que o lugar de candidato é seu.

Ora, que raio de “democracia interna” é essa do PT, em que Lula, como um deus, garante isso ou aquilo a torto e a direito?

Sim, sei perfeitamente que no PT as coisas são assim e que a democracia direta foi para a cucuia há muito tempo.

Mas, de todos os lulopetistas de escola, Suplicy é o menos indicado para exibir garantias de Lula como forma de obter uma candidatura.

Ele foi, ao longo de décadas, o maior defensor dentro do PT de eleições primárias, ou seu equivalente, para a escolha de candidatos.

Tanto fez, e tanto reclamou, que conseguiu, ele próprio, disputar COM LULA o direito a ser candidato à Presidência em 2002, lembram-se?

Foram realizadas as eleições internas, Lula levou 80% dos votos, mas Suplicy exerceu seu direito democrático de concorrer.

Agora, ele, Suplicy, esquece completamente esse critério e exibe promessas de Lula como sinal de seu direito supostamente adquirido?

O senador é, efetivamente, uma metamorfose ambulante. E, com essa qualificação, estou sendo até generoso com Sua Excelência.

27/04/2013

às 19:00 \ Política & Cia

Neil Ferreira: A rapadura está cada vez mais amarga

A rapadura, quem diria, não é mais doce -- e continua dura de roer --  e tem deixado um gostinho amargo (Foto: Felipe Rau / AE)

A rapadura, quem diria, não é mais doce -- e continua dura de roer -- e tem deixado um gostinho amargo (Foto: Felipe Rau / AE)

Por Neil quase desistindo Ferreira, publicado no Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo

A RAPADURA ESTÁ CADA VEZ MAIS AMARGA

Abcdefghjklmnopqrstuvxz, 23 letrinhas que choram num soluço de dor (ou numa declaração de amor).

Arrumadas de forma conveniente produzem a Bíblia, o Torah e o Alcorão (em português falado no Brasil). A Enciclopédia Britânica, 1984, As portas da Percepção, Guerra e Paz, As profecias de Nostradamus, o Acórdão do STF e os nomes da Gangue dos Quatro, que votou em bloco pra livrar as caras dos mensaleiros: Melandowski, Dias Toffoli e as moçoilas Cármen Lúcia e Weber.

Os votos na Comissão de Constituição e Justiça dos cidadãos acima de qualquer suspeita Genoíno, João Paulo Cunha e Paulo Maluf.

O “Apocalipse Segundo João”, “As Portas da Percepção”, as letras do Jim Morrison e Bob Dylan, “She´s Like a Rainbow” de Jagger e Keith Richard. As Obras Completas de Shakspeare e dos Beatles, as poesias do Vinícius, o Pai Nosso Que Estais no Céu, a “Ave Maria no Morro”, “Aquele Abraço” do Gil, “Fio Maravilha” de Jorge Ben, Luís “Respeita Januário” Gonzaga. “Eu quero é sossego”, do Tim Maia, que sossegou.

E mais toda a sabedoria, humor e tragédias da humanidade, aí incluídos o besteirol “50 Tons de Cinza” e porno-assemelhados, como “Fome Zero”, “Pac”, “Minha Casa Minha Vida”, “O Mensalão Não Existe”, “Nunca antes na história deçepaíz”.

Há também os tarjas-pretas impróprios para dimenores,”Relaxa e Goza” e “Lula é Deus”, atribuídos à Martaxa e “Quando Lula fala o país se ilumina”, obscenidade de suposta autoria de Spinoza, pronunciada através do cérebro, boca, língua e lábios da Profª Drª Chauí.

“And last but not the least”, o imortal enunciado do cientista Luís Inácio, verdadeiro autor da Teoria da Relatividade, dele surrupiada pelo Hospital Albert Einstein. Candidato com toda justiça ao Prêmio Nobel de Física Quântica por ter demonstrado que “se a Terra fosse quadrada ou retangular, noçopaíz não tinha polussão”.

Seus estudos são aplaudidos por Hawking e Sagan , a romancista de “Bonjour Tristèsse”, não o Carl, de “A verdade está lá Fora”. A Teoria do Big Bang, que só ocorreu por sua vontade, permissão e comando, está em vias de sofrer correções.

Invente a bobagem que que quiser, como “Paz e Amor”, “Eu te amo”, “Você é bipolar”, “A inflação é conquista nossa!” (de indiscutida autoria da Tia), que aquelas 23 letrinhas produzem.

As letras, danadas, servem a vários senhores (Imagem: Latinstock)

As letras, danadas, servem a vários senhores (Imagem: Latinstock)

Durante alguns anos usei-as neste espaço plural deste DC para divulgar ideias paranoicas e teorias da conspiração que, espero, os leitores não tenham levado a sério; eu levei, para desabafar e me divertir.

A cada desabafo, divirto-me menos e sou remetido a uma magistral definição da Itália, feita pelo sisudo The Times, de Londres: “Não é só impossível governar a Itália; é inútil”.

Não é só impossível entender a aceitação bovina do “país dos mais de 80%” a toda a corrupção praticada nas nossas fuças — é inútil.

O que sobra em indignação em uma parcela da população, chamada com desprezo de “zelite”, sobra em porres de alegria para quem privatiza nos seus bolsos o nosso Pib – Produto Interno dos Burros.

Nós somos os burros de carga que produzimos, enquanto “eles”, você sabe quem são eles, socializam (rachuncham entre os sócios) cada centavo que pinga na soma dos trilhões que nos arrancam do couro em impostos escorchantes.

O “Leão” é apenas um cobrador treinado para cobrar; o perigo reside no seu “domador”, que o põe para cobrar. “Um dia é da caça o outro é do caçador”. É nada.

Fiz 70 anos na semana passada e nunca vi um só dia da caça. Não acredite em “vox populi vox Dei”. Vox populi é vox Deles, espalhada aos quatro mil ventos pela maior verba de propaganda oficial nunca antes vista “neçepaíz”, para hipnotizar, capturar e aprisionar corações e mentes do povão do “país dos mais de 80%”.

Não o meu coração nem a minha mente; não sou povão, sou zelite assumido, estrangeiro sem visto de permanência nesse país dos infelizes felizes , que com 71 reais por mês foram catapultados à Crasse Mérdia, por Decreto Imperial da Imperatriz.

Contemplo 3 saídas possíveis, que fantasio usar: Congonhas, Guarulhos e Viracopos, vira vira vira, virou! Se for pra virar, que seja Black Label cowboy e não a preferência oficial nacional, a 51.

Tenho a sensação de que perdi o meu tempo e o tempo de quem me leu, se é que alguém leu, e desperdicei este precioso espaço. Aprendi que espaço livre na imprensa é mais uma espécie em risco de extinção, como a ararinha azul.

Sei que a Democracia é a prevalência da vontade da maioria. Respeito-a, mas suspeito de que essa Democracia que temos é “La Democrácia” dos irmãos Castro, Evo Morales, La Kirchner, do Fantasma de Chávez reencarnado no Passarinho Bolivariano, do Lula e da Madama, iluminada, “La Democrácia”, pelos Faróis da Humanidade, o Cumpanhero Stálin e o gordinho da Coréia do Norte. Conte comigo fora dessa.

A rapadura está implorando para ser atirada ao lixo, por amarga que ficou; e estou a ponto de jogar a toalha.

Os mensaleiros ameaçam melar o julgamento do STF, cana neles.

25/11/2012

às 12:00 \ Tema Livre

Encontros memoráveis entre personalidades famosas — III: há Madonna, Marilyn, Schwarzenegger, Elvis, John Lennon, princesa Diana…

Alain Delon, Brigitte Bardot e o produtor musical Eddie Barclay

Alain Delon, Brigitte Bardot e o produtor musical Eddie Barclay

Celebridades de todos os tempos, de todas as áreas — charmosos ou chatos, talentosos ou medíocres.

Aqui, mais um post da série Encontros Memoráveis entre Personalidades Famosas — o terceiro que publicamos no blog — , para sua diversão e deleite.

Essas fotos foram colhidas aqui e ali, pela internet.

John Lennon, Yoko Ono e o ex-primeiro-ministro canadense Elliot Trudeau

John Lennon, Yoko Ono e um primeiro-ministro do Canadá que marcou época -- até porque usava tênis brancos com seus ternos e era casado com uma mulher belíssima e muito mais jovem --, Pierre Elliott Trudeau

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Jack Nicholson, Lauren Bacall e Warren Beatty

Jack Nicholson, Lauren Bacall e Warren Beatty

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Fredericco Fellini, Marcello Mastroianni e Sophia Loren

Federicco Fellini, Marcello Mastroianni e Sophia Loren

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Ella Fitzgerald e Marilyn Monroe

Ella Fitzgerald e Marilyn Monroe

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Elizabeth Taylor e a princesa Diana

Elizabeth Taylor e a princesa Diana

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Eartha Kitt e James Dean

Eartha Kitt e, mais atrás, James Dean

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Dean Martin, Shirley MacLaine e Elvis Presley

Dean Martin, Shirley MacLaine e Elvis Presley

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David Bowie e Elizabeth Taylor

David Bowie e Elizabeth Taylor

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David Bowie, Art Garfunkel, Paul Simon, Yoko Ono, John Lennon e Roberta Flack

David Bowie, Art Garfunkel, Paul Simon, Yoko Ono, John Lennon e Roberta Flack

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Danny de Vitto e Christopher Reeve

Danny de Vitto e Christopher Reeve

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Claire Danes, Giancarlo Giammetti, Madonna, Gwyneth Paltrow, Valentino e Anne Hathaway

Claire Danes, Giancarlo Giammetti, Madonna, Gwyneth Paltrow, Valentino e Anne Hathaway

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Brigitte Bardot e Kirk Douglas

Brigitte Bardot e Kirk Douglas

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Bob Dylan, Neil Young e Eric Clapton

Bob Dylan, Neil Young e Eric Clapton

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Audrey Hepburn e Grace Kelly

Audrey Hepburn e Grace Kelly

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Arnold Schwarzenegger e Shaquille O'Neal

Arnold Schwarzenegger e Shaquille O'Neal

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Andy Warhol e Alfred Hitchcock

Andy Warhol e Alfred Hitchcock

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Akira Kurosawa, Sydney Pollack, Barbra Streisand e John Huston

Akira Kurosawa, Sydney Pollack, Barbra Streisand e John Huston

 

 

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13/11/2012

às 15:00 \ Política & Cia

O senador Suplicy não tem mais limite para o ridículo

Amigas e amigos do blog, as iniciativas ridículas e grotescas do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) estão num tal crescendo que fica difícil saber como (e em que tipo de instituição) vão terminar.

Meu amigo e irmão Augusto Nunes publicou, na seção “História , em seu esplêndido blog, um post mostrando algumas das manifestações do senador nesse sentido. Não resisto em reproduzir aqui para vocês.

O titulo original do post do Augusto está em negrito, abaixo:

Suplicy e seu Museu do Absurdo

Sem consultar ninguém, o senador Eduardo Suplicy convidou Chambinho do Acordeon, que interpreta Luiz Gonzaga no filme Gonzaga ─ De pai para filho, para apresentar-se no Congresso nesta segunda-feira.

Alegando impedimentos regimentais, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), que presidia a sessão do Senado, proibiu a ampliação do imenso acervo de odes à insensatez, monumentos ao besteirol e hinos à cretinice acumulados pelo parlamentar paulista.

Confiram algumas peças do Museu do Absurdo fundado por Suplicy:

Outubro de 2012, em Diadema:  interpretando mais uma vez Blowing in the Wind, de Bob Dylan.

Junho de 2012, no Senado: fantasiado de Robin Hood, o parlamentar do PT paulista defendeu a criação de um fundo internacional destinado à erradicação da pobreza, financiado por recursos oriundos de uma taxa sobre operações financeiras.

Novembro de 2010, no Senado: interpretando a canção Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores em homenagem ao autor Geraldo Vandré

Agosto de 2009, no Senado: interpretando Father and Son, de Cat Stevens, em homenagem ao Dia dos Pais

Agosto de 2009, no Senado: exigindo aos berros a renúncia de José Sarney.

 

Outubro de 2009, no Congresso: abrilhantando o programa Pânico na TV como astro convidado

Maio de 2007, no Senado: cantando o rap Homem na Estrada, do grupo Racionais, durante a sessão que analisou o projeto de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

23/09/2012

às 15:00 \ Tema Livre

VÍDEOS: os divertidos clipes da banda Eytan and the Embassy, que quebraram recordes malucos por incluir 18 astros do rock e 13 personagens de “Guerra nas Estrelas” nas mesmas tomadas

Geoffrey Countryman, saxofonista do Eytan and the Embassy, se transforma em Princesa Lea em um dos clipes da banda (Foto: divulgação)

Geoffrey Countryman, saxofonista do Eytan and the Embassy, se transforma em Princesa Lea em um dos clipes da banda (Foto: divulgação)

 Em junho deste ano, a banda de rock novaiorquina Eytan and the Embassy causou certo burburinho na internet ao lançar o clipe da música “Everything Changes”, dirigido por Joe Pickard, no qual o vocalista Eytan Oren “interpreta” 18 estrelas diferentes da música pop na sequência.

Rodado em uma única tomada, durante a qual Oren muda freneticamente de roupas, perucas e adereços para se parecer a cada um dos ídolos – Elvis Presley, Bob Dylan, David Bowie e Beastie Boys entre eles – o vídeo só começou a ficar pronto após um dia de ensaio e 30 tentativas (aqui é possível ver o making of).

Mas até que valeu a pena, já que a versão disponível no You Tube contabiliza mais de 500 mil views e o site RecordSetter, dedicado a registrar recordes pitorescos divulgados no mundo virtual, fez questão de certificá-lo como o “clipe em que há o maior número de mudanças de figurinos em um mesmo take”. Assistam abaixo:

Não satisfeita com a repercussão, a banda voltou à mesma brincadeira agora, só que explorando uma galáxia bem distante – ou nem tanto assim – da música pop.

Trata-se de um novo vídeo com estrutura semelhante, só que tendo como protagonista o saxofonista do quinteto, Geoffrey Countryman, e as roupas e acessórios escolhidos dessa vez são de personagens da saga cinematográfica Guerra nas Estrelas. A direção é creditada a um certo “Fanatic”.

O desfile de 13 trajes é um belo resumo de quem importa no universo criado por George Lucas: Luke Sywalker, Chewbacca, a Princesa Lea e, claro, Darth Vader comparecem. Confiram:

Não é nem preciso dizer que o RecordSetter já tratou de homenagear o grupo com o título de “clipe com mais figurinos de Star Wars”.

 

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