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Billie Holiday

29/12/2012

às 14:00 \ Música no Blog

Documentário produzido por Clint Eastwood narra, sem sobressaltos, a saga do longevo bom moço do jazz: Dave Brubeck, falecido este mês

Cartaz do documentário

Post publicado originalmente em 7 de novembro de 2011. Pouco mais de um ano antes da morte de Dave Brubeck, ocorrida no último dia 5.

Por Daniel Setti

Dave Brubeck, o simpático senhor de 89 anos (à época das filmagens; em dezembro completa 91) que conta um pouco a sua vida diante das câmeras em In His Own Sweet Way, documentário do ano passado co-produzido por Clint Eastwood e dirigido por Bruce Ricker (assistam a trecho aqui), é um “ficha limpa” de se tirar o chapéu. Música no Blog conferiu em sessão do festival In-Edit ocorrida na semana passada em Barcelona.

Bom soldado, serviu os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e animou soldados no front com o seu piano; esposo infinitamente dedicado, permanece há 65 anos com a companheira Iola; orgulhoso pai de seis filhos, há décadas recruta os quatro que são instrumentistas para tocar em sua banda; branco em um universo em que predominam os talentos de pele negra – o jazz -, nunca se conformou por ter sido o primeiro de seus astros a aparecer, em 1954, na capa da revista Time. Antes, portanto, que Duke Ellington, Billie Holiday, Louis Armstrong, Charlie Parker e tantos outros merecedores.

Dave-Brubeck-Time-revista

A capa da Time com ilustração do rosto de Brubeck

“Maluquice” que virou hit

Dá gosto que a exemplar trajetória pessoal de Brubeck, pianista e compositor nascido em Concord, Califórnia, em 1920, esteja à altura de sua importância como músico. Em plena década de 1950, enriqueceu o jazz ao acrescentar toques de mestres eruditos como Ravel e Debussy em suas composições e entortou a cabeça de críticos e admiradores por trazer ao jazz os ritmos que fugiam à regra do 4/4 (aquele que qualquer ser humano é capaz de marcar com um estalar de dedos contando 1,2,3,4).

Ainda assim, conseguiu a façanha de transformar estas ideias malucas em hits. Com a imprescindível ajuda, é importante mencionar, do saxofonista Paul Desmond (1924-1977), um de seus fiéis escudeiros de banda (os outros eram o baixista Eugene Wright e o espetacular baterista Joe Morello, falecido este ano).

É de Desmond a autoria de “Take Five” (presente no clássico álbum Time Out, de 1959), um dos temas de jazz mais conhecidos e cujo compacto figurou por décadas como o mais vendido da história do gênero. Uma proeza e tanto para uma composição estruturada um nada comum ritmo 5/4.

O penetra Eastwood

Em termos de técnicas narrativas, o documentário é conservador, apostando na fórmula entrevista com o protagonista + fotos e vídeos de arquivo + participação de familiares, especialistas e admiradores famosos (Bill Cosby, George Lucas, Sting, Keith Emerson, Jamie Cullum). O que não compromete sua qualidade informativa e audiovisual.

Já a presença de Eastwood não só detrás das câmeras acaba sendo um mero truque para alavancar a divulgação do filme. Se o octogenário ator, diretor e fã de jazz – dirigiu o ótimo Bird (1988), sobre Charlie Parker – não aparecesse, em nada mudaria o roteiro. Poderia contentar-se com o nomão impresso nos créditos.

Mas eleestá lá, sentado quieto ao lado de Brubeck ao piano em imagens extraídas de outro documentário seu, Piano Blues (2003). Chega a tocar uns acordes a quatro mãos com o entrevistado. Desnecessário, como Martin Scorsese soube que o era para o épico que produziu sobre George Harrison, no qual não dá as caras.

Abaixo, “Take Five” interpretada por Dave Brubeck Quartet na Alemanha em 1966.

(Mais sobre música neste link)

01/05/2012

às 12:00 \ Música no Blog

Dia Internacional do Jazz, Parte 2 – o “Trio Parada Dura” do gênero: Louis Armstrong, Duke Ellington e Billie Holiday

Duke-Louis

Duke Ellington e Louis Armstrong em Nova York, em 1969 (Foto: AP Images)

Por Daniel Setti

Ainda em celebração ao primeiro Dia Internacional do Jazz, data festiva criada pela Unesco celebrada ontem (segunda-feira), pegamos carona novamente na fantástica série documental Jazz, de Ken Burns, mencionada no post anterior, para recuperar o que o diretor considera, muito sabiamente, o “Trio Parada Dura” do gênero. Em outras palavras, os três músicos que melhor personificam o jazz, cada qual à sua maneira:

Louis Armstrong (1901 – 1971, nascido em New Orleans, Louisiana): o homem que elevou o improviso instrumental – o trompete, no caso – a arte, estabelecendo um padrão de qualidade que persiste até hoje. De quebra, ainda foi um dos maiores, mais singulares e influentes cantores do século 20. Abaixo, Satchmo, como era apelidado, canta e toca “Dinah”, de Harry Akst, Joe Young e Sam M. Lewis, em Copenhagen, Dinamarca, em 1933.

Duke Ellington (1899 – 1974, nascido em Washington, D.C.): o compositor mais importante, a ponto de outro monstro, Miles Davis (1926-1991), ter dito que “uma vez por ano os músicos deveriam parar de tocar e agradecer a Duke Ellington”. Também bandleader e pianista de primeira, manteve-se nada menos que 50 anos à frente de sua orquestra e deixou uma discografia que tende ao infinito. Aqui, o “Duque” mostra um dos clássicos de sua autoria, “Sophisticated Lady” (com Irving Mills), em apresentação dos anos 1960 também na capital dinamarquesa. Solo de sax barítono por Harry Carney (1910-1974).

Billie

Billie Holiday (Foto: William Gottlieb)

Billie Holiday (1917-1959, nascida em Filadélfia, Pensilvânia): o que seria do jazz, e da música em geral, sem a voz feminina? Difícil imaginar. Billie era a cantora perfeita, com seu timbre inimitável, precisão sem exageros e capacidade ilimitada para emocionar com sua interpretação. Ainda por cima compunha. O vídeo abaixo, de 1952, no qual a Lady Day interpreta “God Bless the Child”, da qual é uma das autoras (com Arthur Herzog Jr.) e “Now Baby or Never”, também sua, que o diga. Acompanha a diva ninguém menos que Count Basie (1904-1984) e orquestra.

(Mais sobre música neste link)

13/12/2011

às 10:23 \ Música no Blog

Aos 91 anos, Clark Terry, o mais veterano das lendas vivas do jazz, resiste bravamente a uma amputação de perna

Trompetista Clark Terry: lenda viva do jazz completa 91 anos (Foto: clarkterry.com/)

Há diferentes maneiras impressionantes de se apresentar o trompetista Clark Terry, que amanhã completa 91 idade.

Participou de mais de 900 gravações em sete décadas de carreira; tocou para oito presidentes americanos e diante de plateias dos sete continentes; quebrou um enorme tabu racial ao ser, em 1960, o primeiro músico negro contratado pela rede de TV NBC; ganhou cerca de 250 prêmios, sendo o mais recente um Grammy pelo conjunto de sua obra, no ano passado (apenas outros três trompetistas receberam a mesma homenagem: Louis Armstrong, Dizzy Gillespie e Miles Davis).

Inventou o mumble, um jeito de cantar de forma ininteligível e divertida, inspirada nos míticos cantores de blues, e introduziu o flugelhorn, espécie de “primo do trompete”, no jazz; foi o herói musical de outras lendas de seu instrumento, como Miles Davis e Quincy Jones; colaborou com praticamente todas as figuras mais importantes da história do jazz, de Duke Ellington a Count Basie, passando por Billie Holiday, Oscar Peterson, Thelonious Monk, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Ray Charles e dezenas de imortais; deu aulas para músicos de diversos países a partir dos anos 1960.

Amputações

Com tal currículo insuperável, porém, este nativo de Saint Louis, no estado americano de Missouri passou na última quarta-feira por seu desafio mais duro. Em decorrência de uma série de problemas de saúde que o mantém internado em um hospital do estado de Arkansas desde o início de outubro, teve a perna direita amputada. A cirurgia, segundo relata sua esposa Gwen no blog do músico, foi bem-sucedida e Terry está otimista. “Não se preocupe. Só porque você perde sua perna não significa que você perde a sua vida”, disse o nonagenário, que em 2009 escapou por muito pouco de outra amputação, a de um dedo da e uma das mãos.

Enquanto Terry se recupera, recebendo a visita de dezenas de amigos e alunos– muitos deles chegam com instrumentos a tiracolo, realizando animados recitais privados ao mestre –, dois de seus maiores admiradores, os cineastas Adam Hart e Alan Hicks, realizam campanha na internet para obter financiamento de um documentário sobre o trompetista (assista ao trailer e saiba detalhes). Ao mesmo tempo, saiu nos EUA o livro “The Autobiography of Clark Terry”, escrito com a ajuda de Gwen.

Abaixo, Clark Terry brilha com seu trompete e seu mumble em edição do programa Legends of Jazz, exibido em 2006 pela WTTV, de Chicago.

16/04/2011

às 8:01 \ Música no Blog

Música no Blog: Sarah Vaughan, com “Perdido”

Dona de uma das vozes mais maravilhosas do século 20, Sarah Vaughan (1924 – 1990) está no topo da lista das melhores cantoras de jazz do mundo, ao lado de Ella Fitzgerald e Billie Holiday.

Nascida em Newark, New Jersey, começou a cantar aos sete anos de idade no coral de um igreja Batista, onde também aprendeu a tocar piano e orgão. Em 1982, recebeu um Grammy  por sua performance vocal. Com uma incrível habilidade para alcançar graves e agudos perfeitos e uma ampla capacidade expressiva, Sarah dava a impressão de poder fazer qualquer coisa que quisesse com a voz.

httpv://www.youtube.com/watch?v=8m1X6y9Gzhs&feature=player_embedded#at=13

04/04/2011

às 9:15 \ Música no Blog

Música no Blog: Oscar Peterson, o gênio do piano

Ele tinha 1,91 metro de altura e pesava 113 quilos, mas hipnotizava as plateias pela leveza com que suas mãos deslizavam pelo piano. Dono de uma técnica apuradíssima, o canadense Oscar Peterson (1925 – 2007) fazia parte do seleto grupo de jazzistas capazes de criar obras-primas de improviso.

Em cinquenta anos de carreira, registrou sua obra em mais de 200 álbuns – que lhe renderam oito prêmios Grammy – e dividiu o palco com alguns dos nomes mais importantes do jazz: Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Charlie Parker, Ray CharlesLouis Armstrong.

11/03/2011

às 15:58 \ Música no Blog

Música no Blog: parece Billie Holiday, mas é Madeleine Peyroux

Madeleine Peyroux tem 36 anos de idade, mas já é considerada um grande nome do jazz há muito tempo. Norte-americana com ancestrais franceses, ela passou parte de sua vida em Paris, onde foi cantora nas ruas e no metrô, e sua voz desde cedo chamou a atenção devido à semelhança com a da extraordinária Billie Holiday (1915-1959).

Neste vídeo ela canta um dos números mais pedidos em seus shows , “Dance Me To The End Of Love”, do cantor e compositor Leonard Cohen.

httpv://www.youtube.com/watch?v=9PSuzsq7WJQ&feature=related

17/01/2011

às 14:41 \ Música no Blog

Os leitores acertaram a voz feminina do nosso teste musical: é da deusa loura Marilyn Monroe

Amigos do blog, este post foi publicado originalmente no dia 22 de novembro passado. Mas venho detectando, pela ferramente de edição do blog, que todos os dias duas ou três dezenas de leitores escrevem “Marilyn Monroe” em seus mecanismos de busca, aparentemente procurando este post. Republico-o, pois, para alegrar um pouco o ambiente).

Amigos do blog, desta vez a grande maioria acertou o teste musical que propusemos.

Sim, é ela mesma, a deusa Marilyn Monroe, morta em 1962 aos 36 anos de idade, quem canta “She Acts Like a Woman Should”, que interpretou no filme clássico de Billy Wylder Quanto Mais Quente Melhor (1962), que protagonizou ao lado de Tony Curtis e Jack Lemmon. (Clique aqui para relembrar o teste e ouvir trecho da canção).

Dos 61 leitores que comentaram o post e votaram — alguns milhares, indicam nossos registros, passaram pelo post sem comentar –, 35 optaram por Marilyn. Em segundo lugar, com 10 votos, empataram a cantora e atriz de musicais e comédias dos anos 50 e 60 Doris Day, já falecida, e a nova diva do jazz Madeleine Peyroux.

A supersexy Julie London alcançou 4 votos e a estrela do jazz e do pop Norah Jones, 1. O leitor Markito-Pi chegou a sugerir Billie Holliday, mas ninguém mais o acompanhou. Não foram votadas a musa do cinema francês Brigitte Bardot e a grande intérprete de jazz americana Dee Dee Bridgewater.

O CD abaixo, “I Wanna Be Loved by You”, de onde extraímos a faixa para o teste musical, reúne 21 canções interpretadas por Marylin ao longo de sua carreira.

 

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