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Arquivo de 5 de setembro de 2012

05/09/2012

às 19:14 \ Tema Livre

Fotos do espaço: um espelho da nossa extraordinária pequenez

A 140 milhas da superfície da Terra, a borda da Estação Espacial Internacional, a imagem maravilhosa da aurora boreal, também conhecida como as luzes do norte

A 220 quilômetros da superfície da Terra, a bordo da Estação Espacial Internacional, a imagem maravilhosa da aurora boreal, também conhecida como as luzes do norte

Amigas e amigos do blog, já falamos aqui do astronauta-poeta, mas sempre podemos relembrar como somos pequenos dentro da nossa significância, nesse mundão maravilhoso. Então resolvemos trazer bis.

Douglas Wheelock, o astronauta-fotógrafo-poeta, esteve em 2007 a bordo do STS-120 Discovery, e através do módulo Harmony, visitou a Estação Espacial Internacional. Em 2010, a bordo do Soyuz TMA 23S Olympus, voltou à ISS, onde ficou de junho a novembro. Ele acumulou 178 dias no espaço, e proporcionou aos terrestres, meros mortais, algumas imagens que nos fazem pensar, compartilhando-as através do seu endereço de twitter @Astro_Wheels.

O coronel Douglas Wheelock, da Nasa, comemorou seu Tweet de número 100 com esta foto da aurora boreal, tirada a partir da Estação Espacial Internacional

O coronel Douglas Wheelock, da Nasa, comemorou seu Tweet de número 100 com esta foto da Aurora Boreal, tirada a partir da Estação Espacial Internacional

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Big Apple: As luzes de Manhattan dão uma indicação clara de Nova York à noite

The Big Apple: as luzes de Manhattan brilham fortemente na noite do espaço

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Foto publicada pelo astronauta em 31 de agosto de 2012, mostrando o furacão Earl. O centro da tempestade pode ser visto no lado esquerdo

Foto publicada pelo astronauta em 31 de agosto de 2012, mostrando o furacão Earl. O centro da tempestade pode ser visto no lado esquerdo. Em primeiro plano, acoplada à Estação Espacial Internacional, a nave russa Soyuz

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O olho da tempestade, bem abaixo da ISS: o furacão Earl, segundo em intensidade no Atlântico, em 2012

O olho da tempestade, bem abaixo da ISS: o furacão Earl, segundo em intensidade no Atlântico, em 2012

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"Chomolungma" -- o Monte Everest a partir do espaço

"Chomolungma" -- o colossal Monte Everest se apequena lá de cimao

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Mais uma vez, a Estação Espacial Internacional oferece uma visão de tirar o fôlego para o nosso Planeta Azul

Mais uma vez, a Estação Espacial Internacional oferece uma visão de tirar o fôlego do nosso Planeta Azul

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Uma manhã calma dezembro, há 70 anos hoje. Da santidade pacífica de espaço

"Uma manhã calma de dezembro, da santidade pacífica do espaço"

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"Haverá amor e riso ... e paz para sempre ... amanhã ... só você esperar para ver!"

A Europa, que à noite parece não dormir: "Haverá amor e riso ... e paz para sempre ... amanhã ... só você esperar para ver!"

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"Para sempre grato por essa atmosfera que torna o nosso Planeta Azul um lugar que podemos chamar de lar"

Outro ângulo da Europa superiluminada, com a Aurora Boreal de fundo: "Para sempre grato por essa atmosfera que torna o nosso planeta um lugar que podemos chamar de lar"

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"Sonhadores, dedico meu tweet 500 a nossa próxima geração de sonhadores, cientistas, ousando explorar o espaço"

"Sonhadores, dedico meu tweet 500 a nossa próxima geração de sonhadores, cientistas, ousando explorar o espaço"

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"Um assento na primeira fila para uma caminhada espacial"

"Um assento na primeira fila para uma caminhada espacial"

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"Nosso 'Planeta Azul' incrível! Testemunhar a Aurora da Estação Espacial é uma mudança de vida"

"Nosso 'Planeta Azul' incrível! Testemunhar a Aurora Boreal da Estação Espacial é uma mudança de vida"

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Nova York vista do espaço

Nova York vista do espaço

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Furacão Danielle, visto da órbita terrestre, a partir da ISS, em 28 de agosto de 2010

O furacão Danielle, visto da órbita terrestre, a partir da ISS, em 28 de agosto de 2010

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Douglas Wheelock e seu transporte para o infinito

Douglas Wheelock e seu transporte para o espaço

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Douglas Wheelock, com seu sorriso franco e sua alegria de quem viu - e mostrou - o que poucos puderam

Douglas Wheelock, com seu sorriso franco e sua alegria de quem viu - e mostrou - o que poucos puderam

LEIAM TAMBÉM:

Uma pausa nas notícias chatas: fotos estupendas do astronauta-poeta

05/09/2012

às 18:15 \ Política & Cia

Dora Kramer: Um (a) por todos

"Mexeu com um, mexeu com a categoria" (Foto: Wilson Dias / ABr)

Dilma: "'herança bendita' que recebeu de Lula" (Foto: Wilson Dias / ABr)

Artigo publicado hoje no jornal O Estado de S.Paulo

UM (A) POR TODOS

 

Ao molde do tempo em que sindicatos eram sindicatos, no PT funciona assim: mexeu com um, mexeu com a categoria. E se esse “um” é tido como o garantidor da sobrevivência, por mais razão mobilize-se a elite da tropa.

Em palavras breves, sem pretensão analítica profunda, podemos resumir assim a reação da presidente Dilma Rousseff em defesa do ex-presidente Lula contra as críticas feitas em artigo pelo antecessor Fernando Henrique Cardoso.

O contra-ataque poderia ser visto como uma tentativa de interditar a liberdade de opinião. Só por aqui e numa perspectiva autoritária é que se vê a exposição de um raciocínio como ofensa pessoal.

Embora perfeitamente adequada à ocasião, essa seria uma interpretação incompleta em face do real objetivo da nota da presidente para rebater o artigo “herança pesada” em que FH diz o óbvio sobre o legado de retrocesso moral e ético deixado por Lula.

Tão óbvio que há dele provas cabais. A demissão de sete ministros no primeiro ano do governo de Dilma dá testemunho substancioso a respeito.

Fosse pouco, o Supremo Tribunal Federal há um mês conta essa história três vezes por semana em todos os detalhes com transmissão direta pela televisão, fundamentação jurídica e posicionamentos contundentes.

A essa autonomia recebida pela sociedade como um legítimo resgate da legalidade, o presidente do PT dá o nome de “golpe”.

Voltemos, porém, a Dilma e sua manifestação nesse momento de profunda consternação que se abate sobre o PT e da mais aguda desmoralização ao desmonte da farsa anunciado por Lula.

O que fez a presidente? Nada demais. Divulgou uma nota em termos absolutamente razoáveis sob a concepção dela dos fatos, para defender a “herança bendita” que recebeu de Lula.

Claro que não cita o ponto principal abordado por FH, “o estilo bombástico de governar que esconde males morais e prejuízos materiais para o futuro da nação”.

Fala sobre o crescimento da economia – sem desta vez associá-lo à reconstrução da credibilidade do País consolidada pelo autor que contraditava -, sobre justiça social e sobre o reconhecimento de seu criador no cenário internacional.

Não é a verdade toda, mas ainda assim, verdades.

A presidente não incorreu em impropriedade, não desrespeitou leis, nada fez de excepcional além de resguardar o patrimônio político do grupo hoje por ela representado.

Fez, como petista, o que os correligionários de Fernando Henrique não fizeram quando o PT vendeu – e a sociedade comprou – a tese de que recebia uma “herança maldita”.

Dilma demarcou terreno e deu uma lição aos tucanos, FH aí incluído, que viveram a ilusão de enxergar nos gestos de boa educação da presidente algo além de um movimento que agregaria novos valores – e por consequência novos eleitores – ao projeto de poder do PT.

 

Reciclar

"Foi-se o tempo em que motoristas falavam e, se fosse o caso, incriminavam em comissões parlamentares de inquérito" Na foto, André Teixeira Jorge, motorista da Delta, em depoimento na CPI do cachoeira (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

"Foi-se o tempo em que motoristas falavam e, se fosse o caso, incriminavam em comissões parlamentares de inquérito" Na foto, André Teixeira Jorge, motorista da Delta, em depoimento na CPI do cachoeira (Foto: Geraldo Magela / Agência Senado)

Foi-se o tempo em que motoristas falavam e, se fosse o caso, incriminavam em comissões parlamentares de inquérito. Um ex-motorista da Delta ficou calado ontem na CPI do Cachoeira, assim como a ex-mulher do bicheiro. Agora só falta uma secretária calar para negar a velha escrita sobre fontes de comprovação de denúncias em CPIs.

Isso posto, é evidente que esse silêncio é uma espécie de defeito da qualidade das investigações parlamentares: a partir do momento que aquele tipo de depoimento começou a gerar consequências – muitas vezes nefastas para o denunciado largado à própria sorte (ou azar) depois do relevante serviço prestado -, mesmo as testemunhas ficam reticentes.

De onde estaria na hora de se revisar os métodos e os conceitos para adaptar as comissões de inquérito aos novos tempos. Enquanto os investigados aperfeiçoaram seus procedimentos, as CPIs continuam obedecendo a uma dinâmica ultrapassada.

Quando a forma antiga se alia ao propósito da maioria de postergar para não investigar, seus integrantes fazem papel de bobos da corte.

05/09/2012

às 17:00 \ Política & Cia

Relator da CPI do Cachoeira vai apontar governador Perillo (PSDB) como agindo a favor do malfeitor Cachoeira

Marconi Perillo, governador de Goiás: CPI recebeu documentos que mostram a evolução patrimonial após assumir governo do estado (Foto: Wilson Dias / ABr)

Marconi Perillo, governador de Goiás: CPI recebeu documentos que mostram a evolução patrimonial após assumir governo do estado (Foto: Wilson Dias / ABr)

Perillo cooptado

Ilimar Franco, O Globo

Nota publicada hoje no blog do jornalista Ricardo Noblat 

O relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), apresentará relatório parcial apontando o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) como figura política cooptada pela organização criminosa e que, portanto, agia a favor do contraventor.

Sessão da CPI do Cachoeira (André Borges/Folhapress)

Sessão da CPI do Cachoeira (André Borges/Folhapress)

Os integrantes da CPI reiteram que a comissão não foi esvaziada e voltará turbinada por novos elementos provenientes dos documentos em análise.

05/09/2012

às 15:58 \ Política & Cia

Merval Pereira: nota de Dilma respondendo a FHC deve levar em conta que ela não controla o PT

Dilma e Fernando Henrique Cardoso

Nota de Dilma respondendo a FHC deve levar em conta que ela não controla o PT

Deve-se atribuir a nota oficial da presidente Dilma Rousseff em defesa de Lula e com críticas indiretas ao ex-presidente tucano Fernando Henrique ao abalo interno que o julgamento do mensalão está produzindo nas entranhas do PT. Está certo também quem disse que Fernando Henrique “pediu” um posicionamento da presidente, ao tentar pô-la em contraponto a Lula, sobretudo em questões de moralidade pública.

Mesmo que atos e alguns gestos seus sejam interpretáveis nesse sentido, é ingenuidade querer provocar divisão entre o criador e a criatura mais explícita do que ela pode ser dentro de um quadro político em que a presidente, por mais popular que seja, não tem o controle do PT e nem está a caminho de tê-lo, pela simples razão de que não é especialista em política partidária para querer entrar nesse embate com seu protetor.

É de conhecimento generalizado a ocorrência frequente de desentendimentos entre aquele que assumiu o poder e o que foi responsável pela sua ascensão, mas é preciso que aquele tenha planos políticos que impliquem suplantar o protetor, o que não é o caso de Dilma Rousseff, por circunstâncias várias. Se o ex-presidente Lula estiver em condições físicas de tentar voltar à Presidência em 2014, e quiser fazê-lo, será desnecessária qualquer tentativa de resistência por parte de Dilma, pois a vaga é de Lula, mesmo que não naturalmente, pelo menos por seu prestígio dentro do próprio partido.

Não é razoável pensar que a presidente Dilma, diante de uma situação dessas, pense em trocar de legenda para tentar a reeleição fora do PT. A situação partidária da presidente é curiosa: embora popular, não tem apoio dentro do PT, cuja ala majoritária demonstra saudosismo em relação ao período em que Lula era o presidente. Mas é a melhor alternativa do partido para a eleição de 2014 se Lula não quiser ou não puder se candidatar novamente.

Ela certamente terá problemas com o partido caso o ex-ministro José Dirceu saia incólume politicamente do julgamento do mensalão, o que parece improvável pelo rumo atual. Dirceu já manifestou desejo de se candidatar à presidência do PT caso absolvido, e trabalharia dentro do PT e no Congresso para ser anistiado de sua cassação. Seria sem dúvida uma sombra para o governo. Poderia atuar em relação ao governo Dilma como Ulysses Guimarães, do PMDB, no governo Sarney, sendo o porta-voz do PT com capacidade de vetos até mesmo na escolha de ministros.

Seria ingenuidade, ou precipitação, entender as gentilezas da presidente Dilma com FH como gestos calculados de uma aproximação com os tucanos em caso de necessidade futura. Foram gestos republicanos.

As diferenças entre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula não são tão profundas a esse ponto, e ela não me parece uma política disposta a gestos ousados como seria o rompimento com seu criador Lula, por mais discordâncias que tenham. A nota oficial da presidente, portanto, foi mais uma demonstração exagerada de lealdade pessoal a Lula do que jogada política para o PT, embora tenha agradado aos militantes do partido, agastados com sua proximidade com FH.

O PSDB, por seu turno, continua cometendo o erro de sempre, evitando embates diretos com uma presidente popular. A nota oficial do partido, em defesa de FH, peca de novo pelo uso da ironia ao dizer que “compreendem” a posição da presidente, que não poderia admitir que demitira sete ministros no seu primeiro ano de governo por suspeita de corrupção. Ou que ela não tinha como enfrentar as críticas ao peso da “herança moral” negativa, no momento em que o mensalão está sendo escancarado ao grande público, e até mesmo a imprensa internacional classifica o julgamento como sendo também o da “era Lula”.

Desse ponto de vista, e provavelmente por não precisar mais de se eleger, o ex-presidente tucano é sempre o mais perspicaz crítico do governo petista. Essa disputa entre Lula e FH é partidária, e não de governo. Os dois são os grandes líderes dos dois maiores partidos do país, e o tempo é de eleição. Ela tem muito de visões de mundo diferentes, mas também tem um toque pessoal. Fernando Henrique sabe que suas críticas atingem Lula na alma, e tira proveito político dessa fraqueza de um adversário que é mais forte do que se sente diante do intelectual feito político que um dia já apoiou.

05/09/2012

às 14:38 \ Política & Cia

Contra pirataria, remédios vão ganhar seu próprio ‘RG’

Polícia Federal apreende anabolizantes e remédios contra impotência ilegais na fronteira com o Paraguai em março de 2012 (Foto: PF / Divulgação)

Polícia Federal apreende anabolizantes e remédios contra impotência -- todos ilegais -- na fronteira com o Paraguai em março passado (Foto: PF / Divulgação)

Reportagem de Guilherme Rosa publicado em VEJA.com

CONTRA PIRATARIA, REMÉDIOS VÃO GANHAR SEU PRÓPRIO ‘RG’

Para conter o comércio de medicamentos falsificados e estancar um prejuízo anual de 13 bilhões de reais, uma lei de 2009 deve finalmente sair do papel e permitir o monitoramento de remédios desde a fábrica até o balcão da farmácia

A Organização Mundial da Saúde estima que 10% dos remédios consumidos no mundo sejam falsificados. Em países em desenvolvimento, como o Brasil, a taxa sobe até 30%. Para conter a pirataria e estancar um prejuízo estimado em 13 bilhões de reais ao país por ano, uma lei de 2009 deve finalmente sair do papel no segundo semestre deste ano.

O texto cria o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos e deve permitir que os remédios sejam rastreados desde a fabricação até o balcão da farmácia. A norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confere a cada medicamento um identificador único – uma espécie de RG do remédio.

O comércio de medicamentos falsificados é considerado crime hediondo, com pena de 10 a 15 anos de prisão. Para enganar o consumidor, os piratas copiam as caixas, as embalagens e até mesmo as cores e formatos dos comprimidos.

Na melhor das hipóteses, as vítimas estarão consumindo uma pílula de farinha e correrão, sem saber, todos os riscos de quem interrompe ou nem inicia o tratamento médico. Na pior das hipóteses, estarão consumindo outra substância qualquer, potencialmente prejudicial, às vezes letal.

Em 2006, mais de 100 pacientes morreram no Panamá por conta de medicamentos feitos com glicerina falsificada. Em 2008, versões contaminadas do anticoagulante Heparina, importadas da China, mataram 62 pessoas nos Estados Unidos.

Em 2011 foram apreendidas na Inglaterra versões piratas dos remédios Truvada e Viread, contra a aids. Estimativas da International Policy Network, organização sediada em Londres, mostram que o consumo de remédios falsos contra tuberculose e malária foi responsável por mais de 700.000 mortes até hoje.

Segundo o diplomata Roberto Abdenur, atual presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), a falsificação de remédios é a forma mais cruel de pirataria. Enquanto na maioria das vezes o consumidor de eletrônicos, CDs e DVDs piratas sabe que está comprando produtos falsos, aquele que compra os medicamentos frequentemente está agindo de boa-fé. ‘E os mais pobres, em busca de preços acessíveis, são os mais afetados’, afirma.

 

Pirataria on-line

Segundo a Anvisa, os pontos de venda tradicionais de remédios piratas são camelôs e feiras livres. Mas medicamentos falsos também podem ser encontrados em farmácias, principalmente fora dos grandes centros do país. “O mercado brasileiro é muito grande. Temos muitos municípios onde a fiscalização é tênue, e a informalidade, alta”, afirma Sérgio Mena Barreto, presidente executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).

Na última década, o avanço tecnológico abriu mais uma rota para esse comércio ilegal: a internet. Segundo uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Saúde e divulgada pelo jornal O Globo, existem cerca de 1.200 sites ilegais que vendem remédios no país.

A Anvisa informa que as farmácias on-line só podem funcionar se também existirem fisicamente, com endereço comprovado, e com a autorização da agência. Segundo o delegado Paulo Alberto Mendes Pereira, da 2ª Delegacia de Saúde Pública e Crimes Envolvendo Medicamentos, de São Paulo, o combate a essas farmácias não é fácil. “Muitos desses sites estão registrados em outros países, o que dificulta o trabalho. No entanto, há 40 dias realizamos uma operação onde apreendemos 4 mil remédios comercializados ilegalmente pela internet”, conta.

 

Armas e drogas

Segundo o Centro para Medicina de Interesse Público, grupo de pesquisa americano financiado pela indústria farmacêutica, o mercado mundial de medicamentos falsos cresce anualmente 13%. A pirataria é praticada em escala global e assim se liga a outras máfias, ao tráfico de drogas e ao de armas.

“Já foram apreendidos carregamentos de remédios piratas nos mesmos contêineres que eletrônicos falsos e munições”, diz Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria (FNCP), entidade formada por empresas brasileiras com o objetivo de combater a falsificação de produtos. Só no Brasil, Vismona calcula que os prejuízos alcancem 13 bilhões de reais, dos quais cinco bilhões só em sonegação de impostos.

 

O RG do remédio

Atualmente, os mecanismos de certificação dos medicamentos no Brasil são frágeis. ‘Não há como controlar os lotes de remédio’, diz Sérgio Mena Barreto, da Abrafarma. Já a nova tecnologia a ser implantada pela Anvisa tornará possível monitorar todo medicamento produzido e vendido no Brasil ao longo de toda cadeia produtiva.

Quando a lei foi foi aprovada, em 2009, estipulou-se que a Anvisa teria três anos para estabelecer as normas a serem usadas. Por fim, a agência decidiu adotar uma tecnologia conhecida como Datamatrix, parecida com o código de barras.

Mas, enquanto este último permite o armazenamento de apenas um número de vários algarismos, o Datamatrix possibilita a leitura de vários dados, pois as informações são guardadas tanto em linhas quanto em colunas. O código deve conter o número de registro da droga, lote, validade e um identificador único do medicamento, que funcionaria como uma espécie de RG.

Segundo a Anvisa, os detalhes sobre o sistema de identificação ainda estão sendo fechados e devem ser anunciados no segundo semestre. Espera-se que a lei enfim saia do papel. Nesses três anos de discussões, foram apreendidos no Brasil mais de 153.000 comprimidos de remédios falsos. Só no ano passado, foram realizadas 40 operações conjuntas, durante as quais foram interditados 177 estabelecimentos e presas 156 pessoas.

 

SAIBA COMO IDENTIFICAR OS REMÉDIOS FALSIFICADOS

Segundo uma pesquisa encomendada pela Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), 6% dos brasileiros compram remédios em camelôs, e 1%, em sites não autorizados. A Interfarma dá algumas dicas para o consumidor reconhecer os produtos piratas:

Raspadinha – Todos os medicamentos têm na embalagem uma espécie de “raspadinha”. Com qualquer objeto metálico é possível raspar e encontrar um código de segurança do produto.

Selo de segurança – Medicamentos mais caros também têm selos de segurança na parte interna. Na dúvida, entre em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do fabricante.

Formas e cores – Farmacêuticas investem para variar a forma de seus comprimidos. Alguns são triangulares, outros em forma de balão. Outro diferencial são as cores, texturas e logomarcas fixados na pílula. Prestar atenção nestes detalhes também ajuda a evitar produtos pirateados.

Confiança na venda – Por fim, outra forma de evitar a falsificação é sempre recorrer a pontos de venda de confiança e exigir nota fiscal da venda.

 

VEJA QUAIS REMÉDIOS FORAM FALSIFICADOS NOS ÚLTIMOS 3 ANOS

“Os remédios mais pirateados são aqueles que vendem muito e são caros”, diz João Fittipaldi, diretor médico da Pfizer Brasil. “Ninguém vai falsificar a aspirina.”

Entre os principais alvos dos falsários estão remédios contra disfunção sexual (como o Viagra, da Pfizer), emagrecedores e anabolizantes. Mas já houve apreensões de medicamentos contra o câncer e até de vacinas contra a gripe. Confira abaixo: » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

 

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