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Arquivo de 22 de fevereiro de 2012

22/02/2012

às 20:06 \ Tema Livre

Fotos e vídeos de fazer chorar: chimpanzés presos por mais de 30 anos para experiências de um laboratório vêem pela primeira vez a natureza e o sol

Momento inesquecível e belíssimo: depois de 30 anos longe da luz natural, três chimpanzés saem pela primeira vez à luz do sol. Um deles parece sorrir (Foto: Jens Koch)

Eles são 38 chimpanzés, ao todo, e têm nomes como Susi, David, Clyde, Lingo ou Moritz. Arrancados dos braços das mães, na África, ainda bebês, ou já nascidos em cativeiros, foram mantidos por 30 anos ou mais sem contato com qualquer outro animal, com a natureza ou com o sol, vivendo em ambiente fechado e, para experimentos farmacêuticos de um laboratório austríaco, infectados com vírus como os da hepatite e do HIV.

Com a compra do laboratório austríaco pela multinacional americana Baxter, em 2002, os testes seriam imediatamente suspensos. Os novos proprietários ainda anunciaram que a empresa tinha a “responsabilidade moral” de melhorar a vida dos chimpanzés, que em condições normais podem viver até os 60 anos de idade.

O chimpanzé "Clyde" estranha a natureza e parece hesitar antes de sair ao ar livre (Foto: Jens Koch)

Eles foram então levados para um local fechado num parque tipo safari enquanto se providenciava a construção de um abrigo natural para animais nessas condições, mas dois anos depois problemas financeiros levaram à interrupção do empreendimento e os macaquinhos foram obrigados a viver em jaulas até setembro de 2011.

Aí, finalmente, veio a liberdade, com os chimpanzés transferidos para um santuário ao ar livre em Gänserndorf, quase na fronteira da Áustria com a Eslovênia, pertencente à ONG de proteção a animais Gut Aiderbichl, dirigido pelo conservacionista Michael Aufharser, 60 anos.

De partir o coração: a chimpanzé Suzy, de 37 anos de idade, finalmente deita-se num gramado e curte a luz do sol. Ela estava trancada há 35 anos (Foto: Roger Allen)

A Gut Aiderbichl abriga mais de mil animais vítimas de maus tratos e deu origem a 15 outras pequenas fazendas com o mesmo propósito na própria Áustria, na Alemanha, na Suíça e na França.

Segundo Aufharser, dois chimpanzés morreram antes de finalmente voltarem a viver como deveriam, e mais de um enlouqueceu no cativeiro. Agora, estão tentando a recuperação de todos os sobreviventes.

Vejam, agora, o incrível vídeo do momento em que os chimpanzés saem pela primeira vez à luz do sol em décadas.

22/02/2012

às 20:00 \ Política & Cia

Corda aperta no pescoço do cartola Ricardo Teixeira. Sua derrocada — finalmente — está próxima

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Fora de Campo: ameaçado de perder seus bens, Teixeira vendeu tudo e refugiou-se na Flórida; depois de 23 anos de poder, saída pela porta dos fundos (Foto: Sebastião Moreira / EFE)

Como um afogado que se agarra no que puder e dá suas últimas braçadas, Ricardo Teixeira, presidente da CBF, ainda resiste. Diante do coro de dirigentes (e, por baixo do pano, autoridades do governo) que querem ver seu fim depois de 23 anos de poder absoluto e cinzento sobre o futebol brasileiro, ainda se erguem vozes como a do presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelletto, para quem, se quiser, o cartola “fica mais trinta anos” no cargo.

Mas leia a reportagem de Otávio Cabral, publicada na edição de VEJA que está nas bancas, para ver se Teixeira conseguirá se segurar.
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Jogo encerrado?

Envolvido em escândalo de corrupção e chantageado por antigos aliados, Ricardo Teixeira deve deixar a presidência da CBF dois anos antes da Copa do Mundo no Brasil

 

Estava tudo programado para que ele tivesse uma despedida de gala e saísse de cena da forma como passou as últimas duas décadas: poderoso, rico, temido e cercado de acólitos.

Mas deu tudo errado para Ricardo Teixeira, o capo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Envolvido em um escândalo internacional de corrupção, encurralado pela FIFA, pressionado pelo governo brasileiro e abandonado pelos antigos aliados, o cartola desistiu de esperar pela Copa do Mundo de 2014, quando pretendia anunciar sua aposentadoria em grande estilo.

Em vez disso, ameaça sair de campo sorrateiro, praticamente expulso. Depois de 23 anos no poder, a situação de Teixeira na CBF parece insustentável.

Roteiro de filme de mafiosos

A história da sua derrocada parece um roteiro de filme de mafiosos.

Aquele que terminou por ser seu principal algoz foi um parceiro de negócios por mais de vinte anos: o suíço Joseph Blatter, presidente da FIFA. A cumplicidade da dupla, além de lhe render incontáveis frutos, foi fundamental para que Teixeira conseguisse trazer a Copa ao Brasil.

A partir daí, porém, o cartola passou a achar que teria força suficiente para tomar o lugar de Blatter. No ano passado, apoiou um candidato que se opunha a ele, contrariou a vontade do suíço ao trabalhar para levar as Copas de 2018 e 2022 à Rússia e ao Catar e excluiu a FIFA da organização da competição no Brasil.

Sentindo-se traído, Blatter, no meio do ano passado, vazou para a imprensa inglesa o relatório de uma investigação sobre corrupção no futebol feita na Suíça. De acordo com o inquérito, que corre em sigilo, Teixeira recebeu até 1999 o equivalente a 15 milhões de reais da empresa de marketing ISL a título de propina para facilitar a compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo.

Ele entrou com uma ação na Justiça suíça para impedir a divulgação oficial dos resultados da investigação. A informação de que a perderá foi fundamental para antecipar sua saída de cena.

Até a “bancada da bola” o abandonou

Ao longo dos últimos anos, preocupado em dominar o mundo, o cartola descuidou do time da casa, o que muito contribuiu para o seu enfraquecimento.

Ao perceberem que a CBF deixava de ser uma fonte generosa e inesgotável de financiamentos e subsídios, dirigentes de federações e clubes começaram a tramar sua queda.

O mesmo ocorreu com a “bancada da bola” — grupo de políticos financiados pelo cartola e que defendia a CBF em brasília. Sentindo-se deixada à míngua, ela abandonou Teixeira. Na semana passada, o cartola não conseguiu nem mesmo organizar um jantar de despedida com parlamentares. Weber Magalhães, um dos vices da CBF, telefonou para diversos deputados e senadores fazendo o convite — e de todos recebeu uma porta na cara.

Dilma quer vê-lo longe da administração da Copa

Com a troca de Lula por Dilma Rousseff na Presidência, o chefe da CBF perdeu um aliado e ganhou uma adversária — Dilma nunca fez segredo de que queria vê-lo longe da administração da Copa.

Sem apoio, ele não teve como evitar, por exemplo, que o governo brasileiro pedisse à Suíça o envio dos detalhes do inquérito que o compromete. O governo suíço já aceitou o pedido, o que deve provocar a abertura de um processo no Brasil e, muito provavelmente, um pedido de bloqueio dos seus bens.

 

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PASSADO...: Teixeira pôs à venda sua fazenda em Piraí, no Estado do Rio, fechou um laticínio, um restaurante e uma boate, e vendeu um apartamento no Leblon (Foto: Cecília Acioli / Folhapress)

Lutando para preservar a fortuna

Há algum tempo, Teixeira começou a trabalhar para preservar, ao menos, sua fortuna, avaliada em 50 milhões de reais.

Em outubro passado, leiloou todo o gado que tinha na fazenda Santa Rosa, em Piraí (RJ). Arrecadou quase 2 milhões de reais. No mês seguinte, encerrou as atividades do laticínio Linda Linda (com o qual ganhava dinheiro vendendo queijo e leite à… isso mesmo, CBF).

A própria fazenda, sede de grandes festas na fase do poder, está à venda. Um restaurante e uma boate que ele tinha no Rio de Janeiro foram fechados. E o apartamento onde vivia, no Leblon, já foi vendido.

Sua estratégia é desfazer-se de todos os bens e enviar o dinheiro para bem longe do alcance da Justiça brasileira, no caso de um pedido de bloqueio de bens.

Apartamento em Paris, casa na Flórida e presentes de milhões para aliados — inclusive o tio

No último ano, ele comprou um apartamento em Paris e uma casa em Boca Raton, na Flórida.

É lá que, a partir de agora, pretende viver com a mulher e a filha de 9 anos.

Em seus últimos dias como presidente da CBF, Teixeira usou a caneta para demitir aliados fiéis — e brindá-los com indenizações polpudas.

Seu tio Marco Antonio Teixeira, ex-secretário-geral, deixou a entidade com 2 milhões de reais no bolso. Antônio Osório, diretor financeiro, recebeu mais de 1 milhão de reais.

... e futuro: e tentou fazer de Ronaldo e Andrés Sanchez seus sucessores no comando do futebol brasileiro (Foto: Fernando Donasci / Ag. O Globo)

... E FUTURO: e tentou fazer de Ronaldo e Andrés Sanchez seus sucessores no comando do futebol brasileiro (Foto: Fernando Donasci / Ag. O Globo)

Teixeira ainda se esforçou para manter algum poder, e alguns negócios, por meio da nomeação de aliados na CBF.

Para a organização da Copa, ele designou o ex-jogador Ronaldo. E, para comandar as seleções, o escolhido foi o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, amigo de Lula. O ex-governador de São Paulo José Maria Marin, seu sucessor natural no cargo, joga no mesmo time. Mas o único que deve sobreviver é Ronaldo, mesmo assim com poderes reduzidos.

Marin, que em janeiro foi pilhado embolsando uma medalha destinada aos campeões de um torneio de futebol amador, não deverá chegar a esquentar a cadeira da presidência. » Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

22/02/2012

às 18:47 \ Política & Cia

O porta-aviões “São Paulo” teve incêndio a bordo. O que há de errado com ele? A Marinha precisa explicar

Segundo incêndio em seis anos — desta vez com um marinheiro morto e três feridos –, provavelmente causados, ambos , por curto-circuito, pouquíssimos exercícios desde que foi comprado à França e incorporado à Marinha de Guerra do Brasil, em 2000 e, segundo especialistas em temas militares, equipamentos eletrônicos ainda incompletos, aviões defasados e ainda não atualizados tecnologicamente, além de falta de guarnição protetora adequada.

Alguma coisa anda errada com o porta-aviões São Paulo, ex-Foch quando servindo à França, nau capitânea da esquadra brasileira.

Os comunicados lacônicos da Marinha sobre o incêndio em nada ajudam a esclarecer coisa alguma.

Visto do mar, o fumacê no "São Paulo" ocorrido no ano passado (Foto: jb.com.br)

Em maio do ano passado, uma enorme cortina de fumaça negra se ergueu próximo à Praza Quinze, no Centro do Rio de Janeiro, na área do I Distrito Naval, espraiando-se pela Baia de Guanabara e causando susto e apreensão em milhares de pessoas. A fumaça provinha de um “teste de máquina” do São Paulo, que passava por reparos. Na ocasião, em nota oficial, a Marinha informou que continuavam “as experiências de máquinas do navio-aeródromo São Paulo, iniciadas no ano passado [2010].

E prosseguia afirmando que estavam sendo realizadas “inspeções operacionais, que visam aprimorar o treinamento das equipes do navio, para que ele possa voltar a operar na sua plenitude com helicópteros e aviões, voltando assim ao ciclo de atividades operativas e atendendo às necessidades da Marinha do Brasil”.

O objetivo da experiência de máquinas seria “verificar as obras efetuadas e realizar ajustes finais nos sistemas de bordo, como, por exemplo, no sistema de propulsão”. Segundo a nota, o longo tempo em que o navio esteve imobilizado contribui para a presença da fumaça.

Comunicado lacônico e hermético, como se vê, para qualquer brasileiro não iniciado em assuntos navais.

Espera-se que as investigações já anunciadas sobre o incêndio permitam que, de forma transparente, a Marinha informe o real estado do maior porta-aviões em atividade no Hemisfério Sul.

22/02/2012

às 16:27 \ Vasto Mundo

Ex-dissidente do regime comunista, escolha do novo presidente da Alemanha é duplamente simbólica

Gauck é cumprimentado por Merkel: pela primeira vez, dois ex-alemãs orientais no poder na Alemanha unificada (Foto: euronews.net)

É duplamente simbólica a escolha, por consenso, do militante dos direitos humanos Joachim Gauck, 72 anos, como o próximo presidente da Alemanha, após a renúncia do ex-presidente democrata-cristão Christian Wulff, 52 anos, imerso numa nuvem de acusações de corrupção, favorecimentos ilegais e constrangimento à imprensa.

Gauck, pastor protestante nascido na ex-Alemanha Oriental, cujo pai sofreu os horrores do Gulag soviético na Sibéria, era dissidente do regime comunista e, em reconhecimento a seus serviços e sua bravura, com a reunificação da Alemanha, em outubro de 1990, foi eleito pelo Parlamento como o chefe da agência que apurou os crimes cometidos pela Stasi, a horrenda polícia política alemã-oriental.

Sua escolha uniu todos os partidos políticos da Alemanha – a União Democrata-Cristã (CDU) da chanceler Angela Merkel, seus aliados da União Social-Cristã, a CSU (partido só existente na Baviera) e do Partido Liberal (FDP, bem como os oposicionistas Partido Social-Democrata (SPD) e os ecologistas reunidos na Aliança 90/Verdes.

Na eleição de Wulff, em 2010, Merkel apoiara o presidente agora renunciante contra o próprio Gauck, que não tem partido mas alinha-se em geral à esquerda do espectro político alemão. A popularidade de Gauck, tido como político de honradez inatacável, contribuiu para a chanceler apoiar sem restrições o antigo oponente.

O duplo simbolismo vem do fato de que, além de significar um raríssimo consenso entre os políticos alemães, a escolha de Gauck representará um caso inédito na história da Alemanha reunificada: tanto o presidente da República – que detém poucos poderes, mas se supõe que seja um centro irradiador de moralidade pública e moderação — como a chanceler (primeira-ministra) são políticos oriundos da ex-Alemanha comunista.

Merkel, 57 anos, nasceu em Hamburgo, na então Alemanha Ocidental, mas transferiu-se meses após o nascimento para a pequena Templin, na Alemanha Oriental, para cuja paróquia seu pai, pastor luterano, foi transferido. Ela criou-se, estudou e formou-se em física na Alemanha Oriental e lá viveu até a reunificação, em 1990.

22/02/2012

às 16:00 \ Números, Tema Livre

Números são números: compare alguns de Neymar, Messi e… Pelé

Messi comemora gol contra o Napoli, no ano passado: como não era atacante na era pré-Guardiola (antes de 2008), precisou de cinco anos de carreira para chegar aos 100 gols, aos 22 anos, em 2009

Amigos, a conta foi feita em recente edição de VEJA, na seção “Números”.

O maior jogador de futebol do mundo, o argentino Messi, do Barcelona, atingiu seu centésimo gol — marco importante na carreira de qualquer craque — depois de cinco anos como profissional, em 2009, quando tinha 22 anos. Há que se fazer a ressalva de que Messi só passou a jogar mais na frente, e se tornou um artilheiro extraordinário, depois que o treinador Pep Guardiola assumiu a direção do Barça, em 2008.

Neymar comemora um de seus dois gols na partida em que a seleção brasileira venceu a Escócia por 2 a 0, em Londres, em março do ano passado (Foto: Placar)

O maior jogador de futebol do Brasil, o garoto Neymar, do Santos, precisou de quase três anos (35 meses) para comemora o gol número 100, o que aconteceu no dia 5 passado, na partida em que seu time venceu o Palmeiras por 2 a 1, pelo Campeonato Paulista. Por coincidência, era o dia em que completava 20 anos.

Enquanto Tostão e Jairzinho correm para comemorar seu gol, Pelé desfere o imortal soco no ar na estreia da Copa de 1970, no México, contra a então Checoslováquia: com 17 anos, ele já havia feito 100 gols (Foto: Lemyr Martins)

O maior jogador de futebol da história, Pelé, emplacou seu centésimo balançar das redes adversárias depois de 22 meses de carreira, em 1957, em partida em que seu clube, o Santos, derrotou a Ponte Preta por 4 a 1. Ele tinha… 17 anos.

22/02/2012

às 15:00 \ Vasto Mundo

Quem diria: o Paraguai dando lições de democracia

Fernando Lugo, do Paraguai: raro caso de presidente que não lutou por sua reeleição na América Latina (Foto: veja.abril.com.br)

Criticado por tantas coisas — desde uma certa afinidade com o “bolivarianismo” do ditador da Venezuela, Hugo Chávez, como por questões pessoais, como o fato de ter tido um filho quando era bispo da Igreja Católica –, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, está surpreendendo até a oposição (principalmente o velho Partido Colorado, que mandou no Paraguai durante meio século) ao resistir à pressão de correlegionários, ministros e puxa-sacos de todo gênero para que tente mudar a Constituição de forma a poder candidatar-se à reeleição em 2013.

Justamente o Paraguai da bagunça, da falta de instituições confiáveis, de uma democracia ainda claudicante após a corrupta e sanguinária ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989) e de três presidentes seguintes ainda integrantes do Partido Colorado, foge à regra de praticamente toda a América Latina, inclusive o Brasil, onde a reeleição ou foi extorquida do Legislativo por pressões, ou por corrupção ou, no mínimo, por decisões eticamente controvertidas.

É ainda do Paraguai que vem um outro surpreendente sinal, desta vez de repúdio a ditaduras além-fronteiras. O Senado do Paraguai continua, firme, se recusando, como  faz há mais de dois anos, a aprovar o ingresso da Venezuela no Mercosul.

O Senado do Paraguai em sessão: "não" à Venezuela no Mercosul (Foto: expomercosur.com)

Os acordos do Mercosul prevêem a chamada “cláusula democrática” — mérito, diga-se de passagem, dos ex-presidente José Sarney, do Brasil, e Raúl Alfonsín, da Argentina: países sem instituições democráticas não podem integrar o órgão. Prevêem, ainda, que a adesão de qualquer país deve ser aprovada pelos Congressos dos países-membros.

No caso — vergonhoso — do Brasil, confirmando decisão da Câmara dos Deputados, o Senado aprovou a adesão da Venezuela em dezembro de 2009, apesar da notória feição autoritária do regime de Chávez, que sufoca a imprensa livre, intefere no Judiciário, persegue opositores, confisca propriedades de grupos econômicos não afins com o regime, moldou uma Constituição e um legislativo à sua maneira e, em grande parte, governa por decreto.

O único consolo para a triste decisão do Senado brasileiro foi a votação apertada (35 votos a 27). A Argentina e o Uruguai já tinham aprovado então a entrada do que seria o quinto integrante do bloco.

Quem diria: o velho Paraguai dando exemplos — e lições — de apreço à democracia.

22/02/2012

às 14:00 \ Tema Livre

É boa notícia ter uma empresária competente como vice do Comitê Organizador da Rio 2016

Luiza Trajano levou o Magazine Luiza ao posto de terceira rede de varejo do país (Foto: VEJA SP)

A empresária Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues pode não ter (ainda) virado ministra de um provável futuro Ministério das Micro e Pequenas Empresas, como quer a presidente Dilma, mas é uma boa notícia sua designação para ocupar uma das vice-presidências do Conselho Diretor da Rio 2016, a entidade responsável pela organização das Olimpíadas do Rio .

O Conselho da Rio 2016 é comandado pelo cartola Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), e integrado por cinco vice-presidentes: além de Luiza, Edson Menezes, ex-atleta do volêi, o veteraníssimo cartola André Richer, várias vezes presidente do Flamengo, ex-presidente do COB e seu atual vice, José Antônio Nascimento Brito, ex-diretor e acionista do Jornal do Brasil, e o banqueiro Manoel Cintra.

Luiza Helena Trajano, sobrinha de Luiza Trajano, fundadora em 1957 em Franca (SP) do Magazine Luiza, e principal executiva do grupo há 22 anos, foi a grande responsável pela transformação de uma operação de bom porte, mas enraizada sobretudo em cidades do interior, num gigante de varejo com mais de 600 lojas espalhadas pelo Brasil — a terceira maior rede do setor, após o grupo Pão de Açúcar e a Máquina de Vendas, holding que reúne diversos grandes grupos regionais e está presente, sob diferentes marcas, em todo o país.

Tecnicamente, o convite foi feito por Nuzman, presidente do Comitê, que é uma empresa privada. Não parece excluída de forma alguma, no entanto, o dedo do Palácio do Planalto.

Para quem torce para que o Brasil não dê nenhum tipo de vexame na organização das Olimpíadas do Rio, é animador ter a presença de uma empresária de grande respeito e competência num organismo que autoriza despesas, contrata serviços e adquire bens, entre outras tarefas.

22/02/2012

às 9:20 \ Disseram

Para Demóstenes Torres, Fernando Pimentel é como Cesare Battisti

“No Senado, o ministro é considerado um fugitivo. Sugiro que como Cesare Battisti ele peça refúgio no Palácio do Planalto.”

Demóstenes Torres, senador (DEM-GO), irritado com as dificuldades para levar o ministro Fernando Pimentel ao Congresso para esclarecer acusações que pesam sobre ele.

 

22/02/2012

às 2:00 \ Tema Livre

Vinicius de Moraes: “Soneto de Quarta-feira de Cinzas”

 

Por seres quem me foste, grave e pura

Em tão doce surpresa conquistada

Por seres uma branca criatura

De uma brancura de manhã raiada

 

Por seres de uma rara formosura

Malgrado a vida dura e atormentada

Por seres mais que a simples aventura

E menos que a constante namorada

 

Porque te vi nascer de mim sozinha

Como a noturna flor desabrochada

A uma fala de amor, talvez perjura

 

Por não te possuir, tendo-te minha

Por só quereres tudo, e eu dar-te nada

Hei de lembrar-te sempre com ternura.

 

(Vinicius de Moraes, Poemas, Sonetos e Baladas, Editora Gaveta, Rio de Janeiro, 1946)

 


 

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