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Vacinação contra paralisia infantil começa neste sábado

Não há registros da poliomielite no Brasil desde 1989, mas o Ministério da Saúde faz um apelo para que os pais não deixem de imunizar seus filhos

Começa neste sábado a campanha nacional de vacinação contra a paralisia infantil. A meta do Ministério da Saúde é chegar a 12,2 milhões de crianças, o que corresponde a 95% do público alvo – crianças de seis meses a menos de cinco anos. Apesar de não haver registros da poliomielite no Brasil desde 1989, a pasta faz um apelo para que os pais não deixem de imunizar seus filhos. A campanha vai até 21 de junho.

Neste ano, o governo investirá 32,3 milhões de reais por meio de repasses do Fundo Nacional de Saúde para os estados e municípios. Serão mobilizados 115.000 postos de vacinação e 350.000 profissionais da área.

Desde o ano passado, quando foram imunizadas mais de 14 milhões de crianças, o Ministério da Saúde utiliza a vacina injetável, considerada mais segura nas primeiras doses da imunização. Ela deve ser aplicada em dois momentos: quando a criança completa dois e quatro meses. Já para crianças entre seis meses e cinco anos, será utilizada a oral. Caso a criança menor de cinco anos nunca tiver tomado nenhuma das duas dosagens injetáveis, não tomará as gotas neste momento. Ela será redirecionada a um centro de saúde para fazer a prevenção inicial. A pasta sugere que sejam disponibilizadas doses injetáveis nos postos de saúde durante a campanha, para já dar início à vacinação.

De acordo com Joaquin Molina, representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, o maior desafio da entidade é erradicar a poliomielite, que, acordo com ele, é a segunda doença que está mais próxima de ser eliminada. Apesar disso, a orientação é que a imunização seja mantida. “Na confiança de que não temos casos, se a vacina não for tomada, haverá oportunidade de o vírus da poliomielite se espalhar. A principal barreira é a vacinação.”

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, alertou para os casos que podem vir do exterior. “O vírus ainda circula em muitos países. A doença pode ser reintroduzida por pessoas que viajam e que têm contato com a doença. Por isso, é muito importante manter nossas crianças vacinadas.”

Paralisia infantil – Causada por um vírus, a poliomielite atinge com mais frequência crianças de até cinco anos, podendo causar paralisia e levar à morte. Transmitido por via fecal-oral, o vírus tem uma incidência maior em países com baixos índices de condições sanitárias e higiene. Não existe tratamento para a doença, mas a prevenção por meio da vacina garante imunidade contra o problema.

O Secretário em Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, explicou que a dosagem oral pode ajudar na erradicação da doença ao proteger inclusive quem não a tomou. “Quando a criança defeca, ela está expelindo o poliovírus vacinal. Isso vai contaminar córregos, locais onde o acesso ao saneamento não é tão bom. Se por um acaso chegasse um estrangeiro contaminado, nós já teríamos estabelecido a proteção no ambiente”, explicou Barbosa.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil não registra um caso de poliomielite desde 1989 e, desde 1994, mantém o certificado emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de erradicação. Mesmo assim, é importante que a vacinação seja mantida, já que o vírus ainda circula ao redor do mundo. Entre 2011 e 2012, 16 países registraram casos da doença. Já neste ano, até o dia 22 de maio, foram 32 casos – oito no Paquistão, 22 na Nigéria e dois no Afeganistão.