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Vacina da Johnson & Johnson oferece proteção robusta com apenas 1 dose

Estudo publicado na Nature mostra que vacina produz anticorpos neutralizantes capazes de proteger primatas contra infecções subsequentes do coronavírus

Por Da redação - Atualizado em 30 jul 2020, 18h52 - Publicado em 30 jul 2020, 18h39

Estudo publicado na renomada revista científica Nature nesta quinta-feira, 30, mostrou que uma dose da vacina desenvolvida pela gigante americana Johnson & Johnson provoca forte resposta imune, capaz de proteger primatas contra infecções subsequentes do SARS-CoV-2, nome oficial do novo coronavírus.

De acordo com os resultados, a vacina, baseada em vetor de adenovírus sorotipo 26 (Ad26), provocou uma resposta imunológica robusta, demonstrada por anticorpos neutralizantes, impedindo infecções subsequentes e fornecendo proteção completa ou quase completa aos pulmões de primatas não humanos.

“Os dados pré-clínicos, gerados em colaboração com a equipe da Johnson & Johnson, destacam o potencial desta candidata à vacina contra o SARS-CoV-2. Além disso, os dados do estudo também sugerem que os níveis de anticorpos poderiam funcionar como um potencial biomarcador para a proteção mediada por vacina”, disse Dan Barouch, diretor do Centro de Virologia e Pesquisa de Vacinas do BIDMC e do Instituto Ragon, instituições ligadas à Universidade Harvard, que conduziu o estudo em conjunto com a Janssen, farmacêutica da Johnson & Johnson.

Os testes clínicos fase 1/2a em humanos já estão em andamento nos Estados Unidos e na Bélgica. Essa etapa busca avaliar  segurança, reatogenicidade (reações esperadas à vacinação, como edema ou dor) e imunogenicidade da vacina em mais de 1.000 adultos saudáveis de 18 a 55 anos, bem como adultos de 65 anos de idade ou mais. A previsão da empresa é ampliar o estudo de fase 1 para o Japão e a fase 2a para Holanda, Espanha e Alemanha.

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A fase 3, que avalia a eficácia do imunizante, têm início previsto para setembro. De acordo com a Johnson & Johnson, os estudos avaliarão a resposta à aplicação de uma e de duas doses da vacina

“Estamos animados ao ver esses dados pré-clínicos, pois mostram que a nossa candidata à vacina gerou uma forte resposta de anticorpos e ofereceu proteção com uma única dose. As descobertas nos dão confiança enquanto progredimos em nosso desenvolvimento da vacina e na ampliação da escala de fabricação em paralelo. Com isso, iniciamos o estudo de Fase 1/2a em julho com a intenção de realizar o estudo Fase 3 em setembro”, afirmou Paul Stoffels, vice-presidente e diretor científico da Johnson & Johnson.

Estudo em primatas

Os pesquisadores imunizaram os primatas com um painel de protótipos de vacinas e depois os expuseram ao novo coronavírus. Os resultados mostraram que, dos sete protótipos de vacina testados, a Ad26.COV2.S, nome do imunizante desenvolvido pela Johnson & Johnson, provocou os níveis mais elevados de anticorpos neutralizantes contra o SARS-CoV-2.

Esse nível de anticorpos correlacionou-se com o nível de proteção. Os seis primatas que receberam a vacina não apresentaram vírus detectável no trato respiratório inferior após exposição ao coronavírus e apenas um deles apresentou níveis baixos do vírus em um teste nasal, em um único momento.

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“À medida que combatemos coletivamente esta pandemia, permanecemos profundamente comprometidos com nosso objetivo de fornecer uma vacina segura e eficaz ao mundo. Nossos resultados pré-clínicos nos fornecem uma razão para otimismo, enquanto iniciamos nossos primeiros estudos clínicos em humanos.”, afirmou Mathai Mammen, chefe global da Janssen Research & Development, da Johnson & Johnson.

A Johnson & Johnson se comprometeu em fornecer mais de um bilhão de doses da vacina globalmente até meados de 2021, contanto que ela seja segura e eficaz. Para isso, continua aumentando a sua capacidade de fabricação e está em discussões com parceiros globais para garantir o acesso mundial.

 

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