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Tumor maligno raro é confundido com gravidez

A britânica Jemily Brown, de 35 anos, foi diagnosticada com pseudomixoma peritoneal - tipo raro de câncer que provoca aumento do abdômen

Em abril de 2017, a britânica Jemily Brown começou a apresentar alguns sintomas muito conhecidos das mulheres: enjoos e vômitos, cansaço e crescimento da barriga. Para muitos, um sinal claro de gravidez. A própria Jemily ouviu diversas vezes estranhos perguntarem quando o bebê nasceria. E todas as vezes precisou dizer que não estava grávida. Cinco meses após o surgimento dos sintomas, a britânica foi diagnosticada com pseudomixoma peritoneal (PMP) – um tipo raro de câncer que atinge uma em cada 500.000 pessoas no mundo.

A doença geralmente começa com um pólipo no apêndice. Em seguida, as células cancerígenas se espalham para o revestimento da cavidade abdominal, onde produzem um muco em formato líquido, chamado de mucina, que se acumula no abdômen. Ao perceber os sintomas, Jemily procurou um hospital e foi erroneamente diagnosticada com embolia pulmonar – condição que não causa aumento da barriga. 

Os meses foram passando e ela não parecia melhorar. Um exame médico apontou a presença de um líquido que se acumulava no abdômen. A constatação trouxe o diagnóstico de câncer e, em outubro de 2017, Jemily foi submetida a quimioterapia intraperitoneal – um tratamento no qual os medicamentos da quimioterapia são aquecidos e colocados diretamente no abdômen durante a cirurgia. 

A equipe médica também constatou que o tumor havia afetado outras regiões do corpo. Por causa disso, foi necessário remover alguns órgãos: intestino grosso, parte do intestino delgado, apêndice, baço, ovários, trompas de Falópio, útero e omento (camada de tecido gorduroso que se estende sobre o abdômen). Os médicos também retiraram o umbigo e limparam a mucina presente no diafragma (músculo que ajuda na respiração).

Ao final da cirurgia, que durou 12 horas, A britânica havia perdido diversos órgãos e seis litros de mucina. Com a remoção do intestino, Jemily precisa ser alimentada por via intravenosa todas as noites e o resíduo alimentar se acumula em uma bolsa de colostomia. 

O retorno do câncer

Depois da cirurgia, Jemily acreditou que a pior parte tinha passado. Apesar de não poder retomar a rotina, a mulher esperava ser capaz de seguir em frente. Um ano depois da cirurgia, no entanto, os médicos informaram-na de que o tumor havia retornado. A notícia catastrófica foi recebida com positividade. “A cirurgia inicial me tirou muito, mas valeu a pena pelos 14 meses que tive depois”, disse ao Daily Mail

Desta vez, Jemily precisaria passar por seis rodadas de quimioterapia, que fez esperando bons resultados. Outra vez, a notícia não foi animadora. Logo após terminar o tratamento, ela precisou ir ao hospital por causa de um problema em sua bolsa de colostomia. Enquanto os médicos investigavam a causa, descobriram que o líquido havia retornado e estava comprimindo seus órgãos.

Em março deste ano, os médicos concluíram que a única forma de tratá-la era por meio do transplante de múltiplos órgãos. Ou seja, ela precisaria trocar diversos órgãos ao mesmo tempo em uma única cirurgia. Esse procedimento só foi realizado 14 vezes em todo o mundo.

‘Aproveitamos a vida’

Agora com 35 anos, Jamily aguarda na lista de transplante para passar pela cirurgia. Os médicos disseram que após o transplante, ela precisará ficar mais oito semanas nos hospital e mais um período de recuperação de seis meses em casa. A nova intervenção é capaz de melhorar a qualidade de vida de Jemily, mas não é a cura para o câncer que ela tem.

Apesar disso, ela diz que a provação trouxe benefícios: Jemily se sente mais próxima da filha Mayana, de 10 anos, e do marido Tim, de 40 anos. “Não é algo que você quer passar, mas ao mesmo tempo nos aproximou [como família], nós com certeza estamos aproveitando nosso tempo juntos”.

O marido conta que se surpreende com a positividade da esposa. “Tem sido uma grande mudança de vida. Você tem que se adaptar ao que é normal. Ela manteve uma perspectiva positiva em circunstâncias horrendas e tenta permanecer positiva. Mas é difícil saber pelo que ela passou e o que ainda pode acontecer. Apesar disso, ainda tentamos aproveitar as coisas e viver todos os dias ao máximo”, disse ao Daily Mail