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Saiba qual é a melhor forma de superar um medo

Um novo estudo sugere que imaginar o que desencadeia o medo é tão eficiente quanto expor a pessoa ao gatilho em si na superação de fobias

Por Da Redação - Atualizado em 22 nov 2018, 20h02 - Publicado em 22 nov 2018, 18h54

O medo é um sentimento experimentado por todos, independente de idade ou sexo. No entanto, para alguns essa sensação é tão forte que pode se transformar em uma fobia ou trauma, se tornando um problema psicológico e emocional. Quando isso acontece, qualquer som, imagem ou memória pode ser tornar gatilho e transformar um dia normal em pesadelo. Para quem sofre com este tipo de distúrbio, o principal desejo é a superação, que muitas vezes só é alcançada com a ajuda de especialistas.

Atualmente, a terapia de exposição, que utiliza gatilhos reais dentro de um ambiente seguro, é um dos principais tratamentos para as fobias. A técnica promove a reprogramação mental ao alterar a forma como o cérebro reage aos estímulos externos e, consequentemente, aos medos. Entretanto, ela demanda interações diretas com os gatilhos ou fonte causadora do medo, o que pode provocar reações desagradáveis e criar traumas ainda mais profundos no paciente. Por causa disso, muitos psiquiatras preferem optar pelos estímulos imaginários, mas estes são considerados menos eficazes. Até agora.

Estímulos reais x estímulos imaginários

Um novo estudo, realizado pela equipe do Hospital Mount Sinai, nos Estados Unidos, descobriu que a imaginação pode ser tão eficiente – e menos traumatizante – quanto a exposição ao gatilho em si. Para chegar a esta conclusão, os cientistas analisaram as respostas cerebrais de pacientes expostos a estímulos reais e imaginários. Os resultados indicaram que quando exposto aos gatilhos imaginários o cérebro também é reprogramado para permitir a superação do medo.

O experimento

Para testar essa teoria, os pesquisadores recrutaram voluntários saudáveis e criaram um medo, antecedido por um gatilho. Isso foi feito da seguinte forma: eles tocaram uma sirene e, em seguida, aplicaram um choque nos voluntários. Logo, eles passaram a associar o som com a dor física e isso se tornou um medo. Simultaneamente, sua atividade cerebral foi monitorada por ressonância magnética.

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Em seguida, eles foram divididos em três grupos: o primeiro foi exposto novamente ao som que indicava a chegada do choque, mas não recebeu o choque. O segundo foi instruído a usar a imaginação para recriar o barulho e também não recebeu a descarga elétrica. Já o terceiro, que era o grupo de controle, precisou imaginar qualquer som com efeito calmante, como canto de pássaros ou água corrente, mas, em hipótese alguma, o barulho da sirene. Essa instrução tinha como objetivo analisar a imaginação auditiva sem a ativação de um gatilho específico de medo. Nessa etapa, sua atividade cerebral também foi monitorada por ressonância magnética.

Os resultados mostraram que o padrão cerebral do grupo 1 (que ouviu o som real, mas não recebeu o choque) foi semelhante ao do grupo 2 (que imaginou o som real e não recebeu o choque). No início, foram ativados os mesmos circuitos neurais que iniciavam uma resposta ao medo, alertando o corpo a se preparar para a dor. No entanto, após diversas repetições desse processo, sem o choque de fato, houve uma alteração no padrão cerebral. Os sinais que antes estimulavam apenas áreas de ativação do medo, começaram a ativar também a rede de repressão ao medo.

Para testar se associação entre som e choque foi interrompida, os participantes receberam uma série de quatro choques que vieram sem aviso prévio. Em seguida, o som foi tocado novamente, mas nada aconteceu. Uma segunda observação mostrou que, apesar de não ter ocorrido uma interrupção completa da relação entre o som e o choque, a ativação dos circuitos do medo foi bem menor do que as notadas anteriormente.

Em ambos os casos, o “centro central” de supressão do medo estava no córtex pré-frontal ventromedial. “Nós já sabíamos que essa parte do cérebro desempenha um papel crítico nesse processo de aprendizagem de extinção. E vimos que esse eixo central também estava ativo na terapia de exposição imaginária.”, explicou Daniella Schiller, principal autora do estudo, ao Daily Mail.

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Já o grupo de controle, que deveria imaginar um som aleatório e também não foi submetido ao choque novamente, não foi capaz de ativar a rede de repressão. Isso significa que eles continuaram experimentando o medo de receber a descarga elétrica e até mesmo a dor do choque, mesmo quando criada pela própria imaginação.

De acordo com os autores, esses resultados mostram que não é apenas um tipo de relaxamento que ajuda na superação do medo, mas a imaginação do gatilho específico.

“Tanto a terapia de exposição real quanto a de exposição imaginária não apaga ou elimina completamente a associação entre um gatilho e a experiência do medo, mas a mantém sob melhor controle. Isso expande nossa caixa de ferramentas para que possamos usar exposição real ou exposição imaginária e elas podem ser uma terapia combinada ou um tratamento complementar a um medicamento.”, afirma Daniella.

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