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Por que a epidemia no Brasil lembra a dos EUA e é diferente da europeia

As dimensões continentais e eficácia nos confinamentos estão entre os motivos principais

Por Giulia Vidale, Alexandre Senechal - Atualizado em 27 jul 2020, 19h35 - Publicado em 27 jul 2020, 19h27

Nesta segunda-feira, 27, o Brasil registrou uma média móvel de novos casos de coronavírus de 46.247 – a mais alta da série histórica no país –  e de mortes de 1071,1, elevando o total de pessoas infectadas no país para 2.442.375 e vítimas fatais a 87.618. Após um período de estabilização no número de casos e de mortes, na última semana, a curva de casos voltou a subir.

Se compararmos a evolução da pandemia no Brasil com a de outros países, veremos que a do Brasil é mais parecida com a dos Estados Unidos do que a dos países da Europa, por exemplo. Enquanto a Itália e a Espanha, por exemplo, viram o número de casos aumentar exponencialmente, atingir o pico e logo em seguida apresentar uma acentuada e constante queda no número de novos casos e óbitos por Covid-19, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos ainda não houve regressão geral e consistente da pandemia.

Alguns fatores contribuem para essa característica. O primeiro deles é a dimensão continental do Brasil e dos Estados Unidos. Enquanto ambos estão no top 5 do ranking de maiores nações do mundo em extensão territorial, os países europeus cabem dentro de um estado brasileiro – a Itália é quase do tamanho do Maranhão e a Espanha, de Minas Gerais. Essa imensidão geográfica faz com que as regiões desses países enfrentem a epidemia em momentos diferentes. É como se existissem micro países dentro do país. Ou seja, cada região está em uma fase diferente da pandemia e isso afeta a curva do país, que vai ser um retrato de regiões em ascensão e outras em declínio, simultaneamente.

Mas esse não é o único fator que contribui para essa característica, segundo especialistas. A rápida e constante queda das curvas de contágio e mortes por coronavírus na Espanha e Itália após uma ascensão descontrolada, é resultado da eficácia nos confinamentos. Por meses, a população só podia sair de casa para realizar atividades essenciais. A circulação de pessoas entre cidades ou regiões no mesmo país foi proibida, salvo exceções de trabalho ou saúde. Essas restrições só começaram a ser flexibilizadas gradativamente quando houve controle da epidemia, caracterizada por uma taxa de contágio abaixo de 1 – e estabilização do sistema de saúde.

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Isso não quer dizer que todo o país precisará de lockdown para enfrentar a pandemia do coronavírus. Essa medida é necessária apenas em regiões onde há sobrecarga do sistema de saúde. Por outro lado, o distanciamento social é fundamental. A única forma de combater uma epidemia viral é esgotar a capacidade de transmissão do vírus. No caso do novo coronavírus, em que ainda não há vacina nem tratamento, restam apenas as chamadas “intervenções não farmacológicas” de prevenção –  termo usado para designar medidas amplamente discutidas, como testagem em massa, rastreamento de contatos, isolamento de casos confirmados e suspeitos, distanciamento social, uso de máscaras e manutenção de higiene – para limitar a capacidade de transmissão do vírus e tentar acelerar o fim da pandemia.

Veja abaixo os gráficos da evolução da média móvel de novos casos na Espanha, no Brasil e nos Estados Unidos.

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