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OMS admite falhas no combate ao ebola na África

Em documento interno, agência da ONU fala sobre falta de preparo dos funcionários e problemas provocados por burocracia do órgão

A Organização Mundial da Saúde (OMS) admitiu nesta sexta-feira que cometeu erros nas tentativas para conter a epidemia de ebola que assola o Oeste da África, citando falhas como a incompetência de funcionários e a falta de informação. “Praticamente todos os envolvidos na resposta ao surto falharam em ver coisas óbvias”, afirmou a organização, no rascunho de um documento interno obtido pela agência de notícias Associated Press.

A OMS reconheceu que, por vezes, até mesmo sua burocracia interna foi um problema no combate à doença. A entidade assinalou que os chefes dos escritórios nacionais da OMS na África são “indicações politicamente motivadas” do diretor regional para o continente, o angolano Luis Sambo, que não responde à comandante da agência em Gênova, Margaret Chan, natural de Hong Kong..

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No documento, a agência ainda afirmou que considera “particularmente alarmante” que o chefe do seu escritório na Guiné tenha se recusado a ajudar uma equipe de especialistas em ebola a conseguir vistos para o país e que 500.000 dólares tenham sido bloqueados em obstáculos administrativos.

Em uma reunião de especialistas da entidade que atuam na epidemia, em junho, a líder da OMS, Chan, foi alertada sobre os problemas da organização na África. Bruce Aylward, normalmente responsável pela erradicação da poliomielite, enviou um e-mail para Chan alertando que alguns parceiros da agência acreditavam que a OMS estava “comprometendo em vez de ajudar” a resposta ao ebola.

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Para Peter Piot, especialista que ajudou na descoberta do vírus ebola, nos anos 1970, a OMS foi lenta no combate à doença, principalmente por causa da organização regional na África. “Eles não fizeram nada. Aquele escritório não é realmente competente”, diz. O médico questiona o porquê de a OMS levar cinco meses e esperar por 1 000 mortos antes de declarar o ebola como uma emergência de saúde internacional, em agosto. “Eu pedi para que declarassem um estado de emergência em julho”.

(Com Estadão Conteúdo)