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Obesos correm maior risco de vida em acidentes de carro

Estudo mostrou que pessoas obesas podem ter até 80% mais chances de morrer em colisões de veículos

Por Da Redação - 23 jan 2013, 07h38

Pessoas obesas podem apresentar mais riscos de se ferir fatalmente em acidentes de carro, em comparação com pessoas com índice de massa corporal (IMC) considerado normal. Essa é a conclusão de uma pesquisa realizada nas universidades americanas da Califórnia e da Virgínia Ocidental e publicada nesta segunda-feira no periódico Emergency Medicine Journal.

Conheça a pesquisa

TÍTULO ORIGINAL: Driver obesity and the risk of fatal injury during traffic collisions

ONDE FOI DIVULGADA: periódico Emergency Medicine Journal

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QUEM FEZ: Thomas M Rice e Motao Zhu

INSTITUIÇÃO: Universidades da Califórnia e da Virgínia Ocidental, nos EUA

RESULTADO: Motoristas no nível I de obesidade (IMC de 30 a 34,9) apresentam um risco 21% maior de morrer em acidentes de trânsito do que pessoas com peso normal. No nível II (IMC de 35 a 39,9), o risco aumentou em 51% e, no nível III (IMC igual ou maior do que 40), aumentou 80%.

Os pesquisadores utilizaram dados de um sistema denominado US Fatality Analysis Reporting System (em português, Sistema de Análise de Fatalidades dos EUA) da National Highway Traffic Safety Administration (Administração Nacional de Segurança de Trânsito em Estradas), que registra as mortes ocorridas até 30 dias após acidentes de trânsito.

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No estudo, foram empregados dados de 1996 até 2008. Foram consideradas colisões entre dois veículos de porte semelhante (carros, minivans, pick-ups ou utilitários esportivos), nos quais o impacto resultou na morte de um ou ambos os motoristas.

A amostra selecionada era composta de 3.403 pares de motoristas. Entre eles, um em três estava acima do peso, e quase um em cinco (18%) eram obesos.

Resultados – Os resultados mostraram que o risco de morte em acidentes de carro aumenta quanto maior o nível de obesidade do motorista, de acordo com a classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que divide a obesidade em três níveis.

Assim, motoristas no nível I de obesidade (IMC de 30 a 34,9) apresentam um risco 21% maior de morrer em acidentes de trânsito do que pessoas com peso normal. No nível II (IMC de 35 a 39,9), o risco aumentou em 51% e, no nível III (IMC igual ou maior do que 40), aumentou 80%.

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Mulheres em risco – Na divisão por gênero, as mulheres apresentaram um risco maior do que os homens de ter um acidente fatal. No nível I de obesidade, elas apresentaram um risco 34% maior. No nível II, 120% e no III, 95%.

A pesquisa também mostrou que homens abaixo do peso ideal também tinham mais chances de morrer em colisões, em comparação àqueles de peso considerado normal.

Em relação às causas que levam à conclusão apresentada, os autores citam outra pesquisa, publicado no periódico Obesity em 2009. Ela mostra que a metade inferior do corpo de motoristas obesos se projetava mais para frente, para longe do assento, em caso de acidentes, do que a de pessoas com peso normal, mesmo com o cinto de segurança. Isso ocorreria devido ao fato de a camada de gordura, um tecido ‘macio’, impedir que o cinto fique ajustado próximo à pélvis.

Para os autores, é importante que os carros comecem a ser projetados pensando também na segurança de pessoas obesas. “Muitos países desenvolvidos estão vivendo uma epidemia de obesidade. Eles precisam desenvolver sistemas de proteção para corpos maiores. Por exemplo, os ‘testes de batida’ poderiam ser feitos utilizando bonecos maiores”, disse Tom Rice, um dos autores do estudo, ao site de VEJA.

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Opinião do especialista

Kodi Kojima

Ortopedista e coordenador do grupo de trauma do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

“A população de obesos no Brasil não é tão grande quanto nos Estados Unidos, mas de uma maneira geral a incidência de óbitos e complicações é maior em pacientes obesos.

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“Durante um acidente, o veículo para com a batida e o corpo tende a continuar se movendo. Em uma pessoa obesa esse deslocamento é maior, Além disso, esses pacientes podem ter outras doenças relacionadas à obesidade que causam complicações, como problemas cardíacos, circulatórios e de cicatrização, então isso aumenta muito o risco de óbitos e complicações.

“A pesquisa é muito contundente, mas é preciso lembrar que se trata de uma amostragem da população americana. Os índices brasileiros de obesidade, principalmente no tipo II e III, não são iguais aos deles. Por isso, os riscos podem ser transferidos para nós, mas não os números exatos.

“É difícil encontrar uma explicação clara do motivo pelo qual as pessoas abaixo do peso também apresentam mais riscos. Talvez esse baixo peso seja consequência de alguma doença, o que explicaria o maior risco. Além disso, entra o problema da reserva biológica. Na hora do acidente, o organismo usa todas as reservas para lutar contra os danos, e pessoas abaixo do peso não têm muita reserva.

“Acho que uma possível ação seria pensar em campanhas de acidente de trânsito e talvez chamar atenção dos obesos, porque eles têm um risco maior”.

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