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Inquérito sobre mortes em Curitiba reforça a hipótese de intenção deliberada de matar

Investigação já resultou na prisão de cinco funcionários do Hospital Evangélico desde o dia 19, quando a chefe da UTI, Virgínia Soares de Souza, foi presa e indiciada por homicídio qualificado

Por Murilo Basso, de Curitiba 27 fev 2013, 10h38

Após a Justiça determinar, nesta segunda-feira, a quebra do sigilo no inquérito que investiga as mortes na UTI do Hospital Evangélico de Curitiba, novos detalhes sobre o caso foram divulgados. A investigação, comandada pela Polícia Civil do Paraná e Ministério Público, realizou exames de necrópsia – procedimento médico que consiste em examinar um cadáver para determinar a causa da morte – que indicaram a existência de pulmões congestionados e com secreção nos casos investigados. Esse dado reforça a hipótese defendida pela acusação de uso de medicação com a intenção deliberada de matar.

O inquérito também aponta que tais medicamentos não deixariam vestígios, sendo necessária para comprovação do crime a presença de um agente da polícia infiltrado dentro do hospital. De acordo com a investigação, diminuía-se a frequência da respiração do paciente para, em seguida, sedá-lo até que o mesmo morresse. O agente infiltrado pela Polícia Civil tinha formação superior em enfermagem e autorização judicial para gravação de áudio e vídeo, além de gravações telefônicas.

As investigações sobre as mortes no Hospital Evangélico de Curitiba já resultaram em cinco prisões desde o dia 19 de fevereiro, quando a chefe da UTI da instituição, a médica Virgínia Soares de Souza, foi presa. Ela foi indiciada por homicídio qualificado. Em trechos gravados no hospital durante a investigação, Virginia afirma que há pacientes que “já estão mortos” e “não adianta entulhar a UTI”. Anteriormente já haviam sido divulgadas gravações em que Virginia dizia que sua missão era “intermediá-los [pacientes] do trampolim do além”

Durante o inquérito, a polícia investigou laudos de quatro homens, além de uma pessoa não identificada. As vítimas eram pacientes que estavam em coma. Após comunicar os familiares dos envolvidos na investigação, Paula Brisola, delegada do Núcleo de Repressão de Crimes Contra a Saúde (Nucrisa), deverá convocar uma coletiva para prestar esclarecimentos.

Sem titulação – Em nota divulgada nesta segunda-feira, a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) afirmou que Virginia Soares de Souza não é titulada em medicina intensiva. “A Amib, única entidade reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB) como representante dos profissionais que atuam nas unidades de terapia intensiva, comunica que a médica Virgínia Helena Soares de Souza não é titulada em medicina intensiva, pois não consta seu registro como especialista titulada no CFM, tampouco na Amib”, diz a nota. De acordo com a entidade, são necessários dois anos de residência intensiva, além de uma prova, para que o médico possa obter o título. “Se o mesmo não for certificado pelo CFM, não tem validade legal”, completa.

O comunicado contrasta com declarações do diretor técnico do Hospital Evangélico de Curitiba, Luiz Felipe Mendes. Em entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira, o diretor afirmou que “foi colocado de maneira tendenciosa que a doutora Virgínia não possui título de especialista. Isso não é uma obrigatoriedade. No código de ética médica, você tem que ter um responsável técnico. Foi colocado, de maneira tendenciosa, que outro [médico] assina por ela e isso não procede”, disse.

Luiz Mendes afirmou ainda que todos os médicos que trabalham nas quatro UTIs do Hospital Evangélico possuem especializações e titulações necessárias para atuar com a terapia intensiva de pacientes. Já no Currículo Lattes de Virgínia, ela cita que concluiu residência médica em Clínica Médica e Terapia Intensiva no Hospital Matarazzo e no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, em 1981.

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